Nas pedreiras de Cascais, onde, como se tem dito, muita gente havia de S. Brás nas décadas de 50 e 60, eram três os tipos de trabalhadores existentes.
Dava-se o nome de «trabalhador» ao operário indiferenciado (dir-se-ia hoje), aquele que não tinha qualquer especialidade e que, por isso, de pá e picareta, descobria os blocos, cavando, cortando o mato e ajudava no transporte das pedras. Era também ele o aguadeiro, ou seja, o que zelava por que não faltasse água na bilha e, como ia ao chafariz da aldeia, amiúde era também moço de recados (o vinho, o maço de tabaco…). Ganhava à jorna.
O cabouqueiro tinha a ciência de cortar a pedra, quer o banco posto à mostra e que importava talhar a preceito, quer os blocos mais pequenos, de acordo com a encomenda em execução. Ganhava à jorna também, mais do que o trabalhador.
O canteiro era o ‘artista’, aquele que, lendo com os cabouqueiros os desenhos dos construtores, deveria transformar em soleiras, lintéis, peitoris… o que lhe fora entregue em bruto. Era dentre os canteiros que os escultores escolhiam quem lhes executasse as obras de que eles, os escultores, apenas faziam o molde; ao canteiro competia, então, ‘tirar o ponto’, ou seja, pôr à escala o que o escultor apresentara em modelo. Ganhava à peça.
[Publicado em VilAdentro [S. Brás de Alportel], nº 143 (Dezembro 2010) p. 10.]
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O topónimo Cascais
Continua a intrigar a origem do topónimo Cascais.
Para mim, trata-se do plural de cascal, querendo isso significar que, nas suas praias, abundavam as cascas de mariscos: mexilhões, lapas, amêijoas, ostras, búzios, caracóis… Não me admirei, por isso, quando encontrámos, na villa romana de Freiria, centenas de conchas de ostras; ou quando, na década de 60, o achado de bastantes conchas de múrex no povoado romano dos Casais Velhos levou os arqueólogos a considerarem a tinturaria como uma das actividades a que, aí, os romanos se dedicaram, até porque para tal serviriam as tinas com tampa hermética que lá se descobriram.
Guilherme Cardoso é, porém, de opinião que «aquilo que se sabe hoje e que é mais aceite no caso do nome de Cascais é provir do encascar as redes através de um banho obtido por uma infusão de casca da aroeira. Isto foi-me confirmado por vários pescadores […]». Encascar significa, de facto, «meter as redes de pesca em infusão de casca de árvores para as conservar e dar-lhes uma cor acastanhada»; mas, pergunto eu, nesse caso, só aqui é que haveria esse procedimento? Só este lugar teria merecido tal… honra toponímica?
Meu amigo Hans Daehnhardt perfilha outra opinião: cascas, sim, mas de pinheiro, desde a época pré-histórica! E estamos a investigar se, nessas remotas eras, já o pinheiro abundaria por aqui.
Corre na Internet outra história, que remonta aos tempos de el-rei D. Afonso Henriques, considerando que a primeira cena de «violência doméstica» (!) aqui teria ocorrido, quando D. Mafalda, sua mulher, apanhou dele uma bofetada, por ter levantado um pouco a saia para não se molhar, quando passeavam pela praia. E a rainha perguntou: «Senhor meu rei e esposo, porque me cascais?»…
Chalaça também pode parecer o que José Sarmento de Matos escreve na p. 211 do Livro I (As Chegadas) do seu livro A Invenção de Lisboa, edição da Temas e Debates, apresentado a 27 de Novembro de 2008, anunciado como «A história da cidade de Lisboa numa narrativa ficcionada».
Foi Margarida Ramalho que me apresentou essa página, onde se fala de um ‘berbere marroquino’, corsário «responsável por manter a ordem em todo o vasto sector marítimo a norte de Lisboa», Kaxkax de seu nome. Moraria «no bairro muçulmano de Alfama», mas… «tendo em atenção o seu nome, Kaxkax», acrescenta Sarmento de Matos, «apetece perguntar se este corsário destemido escolhe como poiso para a sua esquadra a última baía amena antes de entrar no Atlântico, conhecida como a baía de Cascais». Salientando a «proximidade sonora entre o seu nome e o do lugar, aliás de origem pouco esclarecida», o autor afirma que não consegue «deixar ao menos de acentuar essa intrigante afinidade de sons».
Que a baía é amena, sabemos; que por aqui, em todos os tempos, houve corsários e outras pilantragens temos indícios fortes; mas… Kaxkax é mesmo nome de gente? Diz o My Heritage que sim: um sobrenome e todos de Espanha! E terá sido daí (pergunto eu) que os franceses deram ao jogo das escondidas o nome de ‘cache-cache’? Que também por aqui há muito quem reine às escondidas, oh! se há!... Como o corsário reinaria.
Publicado no Jornal de Cascais, nº 247, 15-12-2010, p. 6.
Para mim, trata-se do plural de cascal, querendo isso significar que, nas suas praias, abundavam as cascas de mariscos: mexilhões, lapas, amêijoas, ostras, búzios, caracóis… Não me admirei, por isso, quando encontrámos, na villa romana de Freiria, centenas de conchas de ostras; ou quando, na década de 60, o achado de bastantes conchas de múrex no povoado romano dos Casais Velhos levou os arqueólogos a considerarem a tinturaria como uma das actividades a que, aí, os romanos se dedicaram, até porque para tal serviriam as tinas com tampa hermética que lá se descobriram.
Guilherme Cardoso é, porém, de opinião que «aquilo que se sabe hoje e que é mais aceite no caso do nome de Cascais é provir do encascar as redes através de um banho obtido por uma infusão de casca da aroeira. Isto foi-me confirmado por vários pescadores […]». Encascar significa, de facto, «meter as redes de pesca em infusão de casca de árvores para as conservar e dar-lhes uma cor acastanhada»; mas, pergunto eu, nesse caso, só aqui é que haveria esse procedimento? Só este lugar teria merecido tal… honra toponímica?
Meu amigo Hans Daehnhardt perfilha outra opinião: cascas, sim, mas de pinheiro, desde a época pré-histórica! E estamos a investigar se, nessas remotas eras, já o pinheiro abundaria por aqui.
Corre na Internet outra história, que remonta aos tempos de el-rei D. Afonso Henriques, considerando que a primeira cena de «violência doméstica» (!) aqui teria ocorrido, quando D. Mafalda, sua mulher, apanhou dele uma bofetada, por ter levantado um pouco a saia para não se molhar, quando passeavam pela praia. E a rainha perguntou: «Senhor meu rei e esposo, porque me cascais?»…
Chalaça também pode parecer o que José Sarmento de Matos escreve na p. 211 do Livro I (As Chegadas) do seu livro A Invenção de Lisboa, edição da Temas e Debates, apresentado a 27 de Novembro de 2008, anunciado como «A história da cidade de Lisboa numa narrativa ficcionada».
Foi Margarida Ramalho que me apresentou essa página, onde se fala de um ‘berbere marroquino’, corsário «responsável por manter a ordem em todo o vasto sector marítimo a norte de Lisboa», Kaxkax de seu nome. Moraria «no bairro muçulmano de Alfama», mas… «tendo em atenção o seu nome, Kaxkax», acrescenta Sarmento de Matos, «apetece perguntar se este corsário destemido escolhe como poiso para a sua esquadra a última baía amena antes de entrar no Atlântico, conhecida como a baía de Cascais». Salientando a «proximidade sonora entre o seu nome e o do lugar, aliás de origem pouco esclarecida», o autor afirma que não consegue «deixar ao menos de acentuar essa intrigante afinidade de sons».
Que a baía é amena, sabemos; que por aqui, em todos os tempos, houve corsários e outras pilantragens temos indícios fortes; mas… Kaxkax é mesmo nome de gente? Diz o My Heritage que sim: um sobrenome e todos de Espanha! E terá sido daí (pergunto eu) que os franceses deram ao jogo das escondidas o nome de ‘cache-cache’? Que também por aqui há muito quem reine às escondidas, oh! se há!... Como o corsário reinaria.
Publicado no Jornal de Cascais, nº 247, 15-12-2010, p. 6.
Dos ecos ressuscitados

Era, de facto, assim.
Ao longo dos meses. O ritmo doloroso mas sereno de uma existência frugal, atenta aos sinais do céu, leitora sapiente dos escritos na paisagem. Paisagem moldada pelo suor do Homem, no caminhar persistente – que já vem perto o ritual das sementeiras, das colheitas, das desfolhadas… como reza o Borda d’Água…
Vida ritual, sem dúvida, pautada pelos adágios séculos afora consolidados, na experiência das gentes…
Aninha-se a aldeia da Barriosa no regaço de duas serras beirãs, a da Estrela e a do Açor. Tem a bonita cascata do Poço da Broca; teve lagares, eiras, moinhos… E vai perdendo gente.
É Barriosa concreta, de pessoas concretas, com nome e idade (tinha Antoninho do Fôjo 99 anos…), e histórias vividas («Um dia de Maio pela manhã, indo um rapaz com a charrua às costas para o campo, encontrou uma moça do seu agrado…»). Mas será também – quiçá sobretudo – uma Barriosa-símbolo, cantiga de vida cujos ecos aqui se ressuscitam, se transmitem, se querem erguer altaneiros em certeiro anátema contra o «mutismo de um dia passado à frente do pequeno ecrã» globalizante, uniformizador, castrante… Um símbolo, ele também!
«Velho que morre, biblioteca que arde», escreveu o etnólogo do Mali, Amadou Hampâté Bâ. Este, porém, quer ser o livro que ousou escapar ao incêndio, dele corajosamente arrebatado pelas mãos de quem soube ouvir, se dispôs a escutar e os pormenores cuidadosamente anotou, para que não viessem a perder-se. Para que houvesse memória e, com ela, identidade!
Já se esqueceram os adágios? Já não há o tapador da levada nem o “mestre barbeiro” que cuidava da saúde aos moradores? O sol a pôr-se no Monte do Colcurinho, «a 1244 metros de altitude, já não marca, como o fazia outrora, a hora de regresso dos campos»? Já as torgas não crepitam nas fogueiras? Já o sino não repica como dantes? Já tudo desarvorou para a cidade anónima e… sem terra?...
João Orlindo conta como foi: já não, já não, já não… O panorama do que deixou de existir, sim; relembrado aqui, corre todavia sério risco de poder ressuscitar.
Oxalá!
[Prefácio a João Orlindo MARQUES, Esta Vida é uma Cantiga! (Ocasos do viver numa aldeia serrana), Apenas Livros, Lisboa, 2010, p. 3].
sábado, 11 de dezembro de 2010
Não ao fim-de-semana, sim à semana de trabalho!
A necessidade aguça o engenho – reza o adágio popular, consubstanciando uma filosofia ancestral. Provam-no, hoje, as inúmeras iniciativas impensáveis há uma década atrás: o regresso ao campo, o estreitamento das relações de vizinhança, as hortas urbanas, a luta contra o desperdício alimentar…
E, concomitantemente, a mentalidade vai mudando.
Assim, não era raro desejarem-me «bom fim-de-semana!» à quinta-feira. Tenho no computador dois desenhos animados. Num, um ratinho levanta-se, boceja, espreguiça-se e, de repente, grita «What? It’s not friday yet?» (“O quê? Ainda não é sexta-feira?» e… deita-se de novo. No outro, é um caracol que caminha, arrasta-se, arrasta-se, sempre no mesmo sítio… e a legenda diz «Continua! É quase fim-de-semana!».
Nas mensagens de telemóvel ou mesmo de correio electrónico, a palavra fim-de-semana já não se escreve por extenso, mas em siglas, e eu próprio já inseri fds nas opções de correcção automática do computador, tão banal é o seu uso diário. «Diário», escrevi bem – porque se vive para o fim-de-semana!
Também esta mentalidade, portanto, vai mudar. E, confesso, já hesito em desejar bom fim-de-semana sem acrescentar algo como «boa semana de trabalho!», pois, na verdade, o fim-de-semana não pode ser um fim, mas um meio para recuperar energias a despender com eficácia durante a semana!
Lê-se no Génesis (2.2): «Deus descansou, no sétimo dia, do trabalho por Ele realizado». Essa, a mensagem que ora ganha novo sentido e que poderá vir a reflectir-se, doravante, no teor do que escrevemos: desejo-lhe a si, prezado leitor, uma boa semana de trabalho!
J. d’E.
Publicado no Jornal de Cascais, nº 246, 8-12-2010, p. 6.
E, concomitantemente, a mentalidade vai mudando.
Assim, não era raro desejarem-me «bom fim-de-semana!» à quinta-feira. Tenho no computador dois desenhos animados. Num, um ratinho levanta-se, boceja, espreguiça-se e, de repente, grita «What? It’s not friday yet?» (“O quê? Ainda não é sexta-feira?» e… deita-se de novo. No outro, é um caracol que caminha, arrasta-se, arrasta-se, sempre no mesmo sítio… e a legenda diz «Continua! É quase fim-de-semana!».
Nas mensagens de telemóvel ou mesmo de correio electrónico, a palavra fim-de-semana já não se escreve por extenso, mas em siglas, e eu próprio já inseri fds nas opções de correcção automática do computador, tão banal é o seu uso diário. «Diário», escrevi bem – porque se vive para o fim-de-semana!
Também esta mentalidade, portanto, vai mudar. E, confesso, já hesito em desejar bom fim-de-semana sem acrescentar algo como «boa semana de trabalho!», pois, na verdade, o fim-de-semana não pode ser um fim, mas um meio para recuperar energias a despender com eficácia durante a semana!
Lê-se no Génesis (2.2): «Deus descansou, no sétimo dia, do trabalho por Ele realizado». Essa, a mensagem que ora ganha novo sentido e que poderá vir a reflectir-se, doravante, no teor do que escrevemos: desejo-lhe a si, prezado leitor, uma boa semana de trabalho!
J. d’E.
Publicado no Jornal de Cascais, nº 246, 8-12-2010, p. 6.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Todos a vêem e… ninguém a lê!
Estuda a ciência epigráfica as inscrições que, ao longo dos tempos, os homens foram deixando sobre materiais duradouros. Mensagem sucinta, pensada, destinada ao futuro, tem, para além do que vem nela explícito, uma mensagem implícita, que se prende com as razões que a determinaram.
Homenageou a Junta de Freguesia de Cascais, no passado dia 5, três pessoas, atribuindo o seu nome a arruamentos. E houve cuidado de se dar conta, através da Comunicação Social, dos motivos que levaram o Executivo a fazer essa proposta, aceite pela Câmara. De César Guilherme Cardoso se escreveu: «Fotógrafo que, ao longo de cerca de 60 anos, registou parte muito relevante da história local em documentos hoje integrados no espólio do Arquivo Municipal de Cascais». Na placa toponímica apenas vem o nome e «(Fotógrafo 1922-2006)». Quem o não conheceu, se apenas se ativer ao que está gravado, fica muito aquém da realidade, como, em relação a outro nome de rua que lhe fica perto, perguntará porque é que um «retratista», António da Silva de seu nome, foi merecedor de perpetuação, pois nada o fará suspeitar das circunstâncias trágicas em que ocorreu a sua morte, no mar da Boca do Inferno quando tentava salvar turista arrebatada por onda traiçoeira.
Urge, pois interrogarmo-nos. E isso não fazem, por exemplo, os autarcas e os munícipes que diariamente transpõem a porta dos Paços do Concelho de Cascais, em relação à placa azulejada ali bem visível. Se nela houvessem reparado…

Não, a ordem das línguas está correcta: corresponde a um período em que essa era a ordem de importância (numérica) dos turistas visitantes: depois do português, o espanhol, o francês, o inglês e o alemão.
Mas…
… que está escrito na placa? Que significa mairie? E town hall? E… “Município de Cascais”? Para já: «de Cascais»? Pois donde houvera de ser, de Sintra?!... E… «município»? Que é que significa «município»? Não é um território e as suas gentes? Não são «município de Cascais» Malveira da Serra, S. Domingos de Rana, Carcavelos?... Pois. O que se deveria ter escrito era… PAÇOS DO CONCELHO!
Está mal.
Há que corrigir!
Publicado no Jornal de Cascais, nº 245, 30-11-2010, p. 6.
Homenageou a Junta de Freguesia de Cascais, no passado dia 5, três pessoas, atribuindo o seu nome a arruamentos. E houve cuidado de se dar conta, através da Comunicação Social, dos motivos que levaram o Executivo a fazer essa proposta, aceite pela Câmara. De César Guilherme Cardoso se escreveu: «Fotógrafo que, ao longo de cerca de 60 anos, registou parte muito relevante da história local em documentos hoje integrados no espólio do Arquivo Municipal de Cascais». Na placa toponímica apenas vem o nome e «(Fotógrafo 1922-2006)». Quem o não conheceu, se apenas se ativer ao que está gravado, fica muito aquém da realidade, como, em relação a outro nome de rua que lhe fica perto, perguntará porque é que um «retratista», António da Silva de seu nome, foi merecedor de perpetuação, pois nada o fará suspeitar das circunstâncias trágicas em que ocorreu a sua morte, no mar da Boca do Inferno quando tentava salvar turista arrebatada por onda traiçoeira.
Urge, pois interrogarmo-nos. E isso não fazem, por exemplo, os autarcas e os munícipes que diariamente transpõem a porta dos Paços do Concelho de Cascais, em relação à placa azulejada ali bem visível. Se nela houvessem reparado…

Não, a ordem das línguas está correcta: corresponde a um período em que essa era a ordem de importância (numérica) dos turistas visitantes: depois do português, o espanhol, o francês, o inglês e o alemão.
Mas…
… que está escrito na placa? Que significa mairie? E town hall? E… “Município de Cascais”? Para já: «de Cascais»? Pois donde houvera de ser, de Sintra?!... E… «município»? Que é que significa «município»? Não é um território e as suas gentes? Não são «município de Cascais» Malveira da Serra, S. Domingos de Rana, Carcavelos?... Pois. O que se deveria ter escrito era… PAÇOS DO CONCELHO!
Está mal.
Há que corrigir!
Publicado no Jornal de Cascais, nº 245, 30-11-2010, p. 6.
sábado, 27 de novembro de 2010
Todos vêem e… ninguém vê!
A educação para a atenção, para a curiosidade é, sem dúvida, de uma relevância que não sofre contestação. Amiúde, nos confrontamos com a frase «Tem graça, nunca tinha pensado nisso!», dita por nós e pelos nossos interlocutores. Ou seja: nunca nos tínhamos posto a questão e, afinal, com muita frequência, o mais importante não é resolver os problemas, é tomar consciência deles, equacioná-los correctamente; assim, a solução virá com mais facilidade.
Chamei a atenção da Câmara de Cascais para a placa identificativa de direcções, plantada numa das rotundas da Av. A. Amaro da Costa, que o vento vira com a maior das facilidades. Os técnicos foram lá e puseram-na direita; assim se manteve até à primeira rabanada. Isto é, não se puseram a questão: «Porque é que a placa vira?». Porque, se a tivessem posto, verificariam, com a maior das naturalidades, que uma haste vertical com quatro pesadas sinalizações de direcção de um só lado e sem frestas tem, forçosamente, de funcionar como… cata-vento! E, por isso, há que pôr duas hastes em vez de uma só. Nada mais simples!
Brinco, de vez em quando, em tertúlias, sobre o significado do e que aparece nas embalagens de líquidos e outras – veja-se a imagem. Pois ninguém, até esse momento, tinha reparado nele! E eu pergunto: «E que significa?». Claro que me dizem de imediato «Europa». E eu: «Quer dizer que são 33 cl… na Europa?». Cá está: toda a gente, algum dia, viu esse estranho e e nunca se pôs a questão «Que é que isto quer dizer?».
Significa «estimado», uma noção equivalente ao antigo ‘peso líquido’; isto é, dá uma indicação do volume ou do peso aproximado do que essa embalagem contém. Tal informação resulta da directiva comunitária – “Council Directive of 20 January 1976 on the approximation of the laws of the Member States relating to the making-up by weight or by volume of certain prepackaged products (76/211/EEC)” – onde se prescreve a colocação da letra e nas embalagens para indicar o estimated value do conteúdo: «A small "e", at least 3 mm high, placed in the same field of vision as the indication of the nominal weight or nominal volume, constituting a guarantee by the packer or the importer that the prepackage meets the requirements of this Directive» (ponto 3.3 do anexo I).
Publicado no Jornal de Cascais, nº 244, 23-11-2010, p. 6.
Chamei a atenção da Câmara de Cascais para a placa identificativa de direcções, plantada numa das rotundas da Av. A. Amaro da Costa, que o vento vira com a maior das facilidades. Os técnicos foram lá e puseram-na direita; assim se manteve até à primeira rabanada. Isto é, não se puseram a questão: «Porque é que a placa vira?». Porque, se a tivessem posto, verificariam, com a maior das naturalidades, que uma haste vertical com quatro pesadas sinalizações de direcção de um só lado e sem frestas tem, forçosamente, de funcionar como… cata-vento! E, por isso, há que pôr duas hastes em vez de uma só. Nada mais simples!
Brinco, de vez em quando, em tertúlias, sobre o significado do e que aparece nas embalagens de líquidos e outras – veja-se a imagem. Pois ninguém, até esse momento, tinha reparado nele! E eu pergunto: «E que significa?». Claro que me dizem de imediato «Europa». E eu: «Quer dizer que são 33 cl… na Europa?». Cá está: toda a gente, algum dia, viu esse estranho e e nunca se pôs a questão «Que é que isto quer dizer?».

Significa «estimado», uma noção equivalente ao antigo ‘peso líquido’; isto é, dá uma indicação do volume ou do peso aproximado do que essa embalagem contém. Tal informação resulta da directiva comunitária – “Council Directive of 20 January 1976 on the approximation of the laws of the Member States relating to the making-up by weight or by volume of certain prepackaged products (76/211/EEC)” – onde se prescreve a colocação da letra e nas embalagens para indicar o estimated value do conteúdo: «A small "e", at least 3 mm high, placed in the same field of vision as the indication of the nominal weight or nominal volume, constituting a guarantee by the packer or the importer that the prepackage meets the requirements of this Directive» (ponto 3.3 do anexo I).
Publicado no Jornal de Cascais, nº 244, 23-11-2010, p. 6.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Carta aberta ao Sr. Presidente da Freguesia de Cascais
Perdoar-me-á, meu caro Amigo, se uso deste processo par fazer ouvir a minha voz, já que tantas outras vezes o tentei, debalde, junto dos serviços camarários. Mas, ao ler o anúncio do simulacro de incêndio «no posto da Galp | Cobre», para hoje, dia 16, achei que deveria voltar à carga sobre a necessidade de identificação do Bairro da Pampilheira, através da correcta colocação de placas na Avenida Adelino Amaro da Costa, tanto do lado norte como sul.
Ora vejamos a informação divulgada pelo Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Câmara no dia 8. O título era o que indiquei; depois, escreveu-se que era no “desvio para o Cobre”, acrescentando-se que «o exercício implica o corte da circulação rodoviária na Av. Adelino Amaro da Costa entre as 11h30 e as 12h30, entre a rotunda junto ao Externato Europa e o triângulo de desvio para a Pampilheira».
Senhor Presidente: verificará que o Centro de Distribuição Postal, que está no coração da Pampilheira, tem oficialmente a indicação de que é no Cobre; verificará que a Clínica CUF, sita ao lado, também oficialmente está no Cobre (aliás, no talão do Multibanco, até vem que está em… Carnaxide!...). Nada tenho contra o Cobre, um lugar cuja população muito estimo e que já vem nos livros antigos, enquanto que Pampilheira é topónimo recente, depois do mais vulgar «Barraca de Pau» dos anos 40 e 50. Mas, Amigo, o posto da Galp está… na Pampilheira!
Dificilmente haverá na sua freguesia um bairro que esteja tão bem delimitado (apesar de a incompetência dos técnicos camarários e a impotência dos serviços manterem o impedimento de passar directamente do lado oriental para o lado ocidental em viatura). A poente, é a Rua Joaquim Ereira; a sul, a Av. Raul Solnado; a norte, a Rua do Cobre; a noroeste, a R. Dr. Manuel Costa Matos (com as pedreiras adjacentes que ainda lhe pertencem); a nascente, a Ribeira do Cobre, afluente da Ribeira das Vinhas, e a sua margem esquerda em declive.
Amigo Presidente: vá lá, que lhe puseram na Pampilheira a nova creche e infantário, que eu até estava com medo de malandragem também aí!... E, agora, é de usar a sua influência para repor o que está mal ou, parafraseando Pedro Abrunhosa, «vamos fazer o que ainda não foi feito!».
Publicado no Jornal de Cascais, nº 243, 16-11-2010, p. 6.
Ora vejamos a informação divulgada pelo Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Câmara no dia 8. O título era o que indiquei; depois, escreveu-se que era no “desvio para o Cobre”, acrescentando-se que «o exercício implica o corte da circulação rodoviária na Av. Adelino Amaro da Costa entre as 11h30 e as 12h30, entre a rotunda junto ao Externato Europa e o triângulo de desvio para a Pampilheira».
Senhor Presidente: verificará que o Centro de Distribuição Postal, que está no coração da Pampilheira, tem oficialmente a indicação de que é no Cobre; verificará que a Clínica CUF, sita ao lado, também oficialmente está no Cobre (aliás, no talão do Multibanco, até vem que está em… Carnaxide!...). Nada tenho contra o Cobre, um lugar cuja população muito estimo e que já vem nos livros antigos, enquanto que Pampilheira é topónimo recente, depois do mais vulgar «Barraca de Pau» dos anos 40 e 50. Mas, Amigo, o posto da Galp está… na Pampilheira!
Dificilmente haverá na sua freguesia um bairro que esteja tão bem delimitado (apesar de a incompetência dos técnicos camarários e a impotência dos serviços manterem o impedimento de passar directamente do lado oriental para o lado ocidental em viatura). A poente, é a Rua Joaquim Ereira; a sul, a Av. Raul Solnado; a norte, a Rua do Cobre; a noroeste, a R. Dr. Manuel Costa Matos (com as pedreiras adjacentes que ainda lhe pertencem); a nascente, a Ribeira do Cobre, afluente da Ribeira das Vinhas, e a sua margem esquerda em declive.
Amigo Presidente: vá lá, que lhe puseram na Pampilheira a nova creche e infantário, que eu até estava com medo de malandragem também aí!... E, agora, é de usar a sua influência para repor o que está mal ou, parafraseando Pedro Abrunhosa, «vamos fazer o que ainda não foi feito!».
Publicado no Jornal de Cascais, nº 243, 16-11-2010, p. 6.
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