quinta-feira, 14 de julho de 2011

Andarilhanças 9

Ainda o ateliê de teatro
Dei conta, na passada semana, de que, no dia 26, se efectuara, na sede da Troupe União 1º de Dezembro Caparidense a apresentação do trabalho ali desenvolvido ao longo do ano por Susana Cacela, num ateliê de teatro.
Permita-se-me que volte ao tema para sublinhar a importância que detém esta aprendizagem – em todas as idades, nunca é tarde!... – das técnicas de estar em público, de representar, de falar perante uma assistência
Há, pois, que aplaudir: toda a equipa, pelo seu brio e vontade, mau grado as habituais adversidades e limitações; e a colectividade, por ter disponibilizado as suas instalações, em colaboração.

Estação de Cruz Quebrada
Eu sei que não é do concelho de Cascais; contudo, pertence à sua via-férrea e sinto-me na obrigação de fazer o apelo à Refer: não deixem apodrecer a cobertura de ferro da estação de Cruz Quebrada! Ainda que – conforme consta – outras funções possa vir a ter o edifício que dava apoio aos passageiros (hoje devoluto e a degradar-se), vale a pena que, no futuro projecto, essa cobertura, pelas suas linhas arquitectónicas bem típicas de uma época, se recupere e mantenha! Recorde-se que foi a Cruz Quebrada a 1ª estação terminal desta linha férrea e que foi a sua praia a preferida pelos lisboetas durante muitas décadas no século XIX e XX.
Urge que estejam atentos os responsáveis de ambas as câmaras (sim, também Cascais terá uma palavra a dizer, porque a linha é património de todos!) e não deixem que – como bastas vezes acontece – a gente acorde uma manhã e diga: «Olha! Deitaram aquilo abaixo! Que pena!».

De Oeiras, o exemplo!
Ouso manter-me em Oeiras, porque continua de parabéns o respectivo Município, pois tem sabido aproveitar mui eficazmente as instalações da antiga Fábrica de Pólvora em Barcarena.
Registe-se mais uma iniciativa: a de criar na Casa do Salitre uma exposição permanente sobre os vestígios arqueológicos do concelho, inaugurada a 16 de Junho, com grande afluência de arqueólogos.

Duplo o aplauso:
‒ Primeiro, porque é amplo o conceito de Arqueologia aqui aplicado, uma vez que abarca testemunhos desde o Paleolítico Inferior Arcaico (ou seja, desde o que os primeiros habitantes da região ali deixaram) até ao século XVIII, abarcando, portanto, também o que se designa por «Arqueologia Industrial».
‒ Depois, porque acompanha a exposição um precioso catálogo, da autoria de João Luís Cardoso, de mui excelente apresentação, tanto nas ilustrações (eloquentes e esteticamente apreciáveis, sempre sobre fundo preto) como, sobretudo, no texto, em onze capítulos, a explicitar cientificamente o conteúdo de cada um dos onze expositores. 1500 exemplares; design gráfico e paginação de Rosa Duarte Pascoal; 178 páginas; referências bibliográficas no final; ISBN: 978-989-608-125-6.

«Sinetes – poder e autoridade»
É um dos textos de antologia do novo número de Moda & Moda, assinado pela sua directora, Marionela Gusmão.
Mantém a revista, neste número de Verão (o nº 104 da sua existência), a sugestiva simbiose entre moda, informação, arte e cultura. Assim, se se alude às jóias de Van Cleef & Arpels, ao estilo do nosso costureiro Carlos Gil, ao mundo das cores (cor-de-rosa, verde, azul turquesa…), às novas tendências da moda e à subida vertiginosa da alta costura em Paris, também se faz aliciante convite para visitar a igreja de São Roque, «um dos (muitos) tesouros de Lisboa»; se disserta sobre os usos, os mitos e os símbolos da espada (sempre com mui adequadas ilustrações, de antologia!); se traça uma panorâmica sobre a moda na Idade Média; se mostra como, desde Delacroix a Matisse, o orientalismo seduziu a arte europeia; e se apresentam imagens dos mais de noventa objectos que integram a exposição «O Paraíso Privado do Imperador: Tesouros da Cidade Proibida» (refere-se aos imperadores da chinesa dinastia Qing), visitável, até 11 de Setembro no Milwaukee Art Museum.
Quanto aos sinetes (já me ia esquecendo…), só visto! O que um simples objecto (selo de autenticar documentos) pode revelar acerca de ideologias políticas e gostos estético-culturais!...

Publicado em Jornal de Cascais, nº 275, 13-07-2011, p. 4.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Andarilhanças 8

Pressão de ar – precisa-se!
No Parque Marechal Carmona. Para o segurança afastar as gaivotas assassinas de patinhos e tartarugas bebés.
Não se pode, a nenhum pretexto de protecção das gaivotas (que são praga), deixar que elas, impunemente, venham delapidar o património do parque, que faz as delícias da pequenada e não só.
Dê-se, com carácter de urgência, autorização ao segurança para que as alveje, a fim de as afugentar de vez e se não continue a assistir à mortandade.
Lutam os galos e impedem-nas de lhes roubarem os pintainhos. Lutam os pavões – e ai delas se se aproximam dos filhotes! As patas não o conseguem, porém. E às tartaruguinhas levam-nas no bico e lá do cimo deixam-nas alarvemente cair para se esmagarem no chão!...
Ali, senhores, não há lugar para gaivotas! Urge que, por isso, se mobilizem todos os meios para as afastar. Já!

Parque Marechal Carmona
Continua a ser o parque mais frequentado da vila, sempre com gente que vem passear netos e filhos, ler, respirar ar puro, namorar, ouvir a sinfonia da passarada.
Agora, em dois pontos já se pode aceder livremente à internet durante meia hora seguida (dá para pôr parte do correio em dia…). Boa ideia esta, mormente se pensarmos que se trata apenas do começo e se projecta até – e os custos serão mínimos para a autarquia – abarcar uma boa porção da zona marítima!
Outra nota de muito regozijo: o parque de estacionamento mantém-se gratuito! Congratulo-me vivamente!

Caminhar pelas dunas
Em informação à imprensa, datada de 14 de Janeiro de 2004, indicava-se – sob o título «Centro de Interpretação do Parque Natural» – que, no quadro da aplicação das verbas resultantes da chamada Concessão do Jogo, se destinavam 600 mil euros para «a reconstrução de uma velha edificação municipal em ruínas, à beira da Praia do Guincho e do Parque de Campismo, sobre as Dunas da Crismina, a fim de nele instalar um Centro de Interpretação que acolha os visitantes, caracterize o Parque Natural, divulgue os seus valores patrimoniais naturais, paisagísticos, geológicos, arquitectónicos, arqueológicos e etnográficos».
E é na sequência desse propósito que, a 8 de Junho, foi aberto ao público o percurso interpretativo da Cresmina, de cerca de 1600 metros, equipado com painéis informativos e sinalética direccional de apoio à visitação e interpretação do sistema dunar Cresmina-Guincho. Prevê-se ainda uma biblioteca, para além das habituais áreas de recepção, de exposição e de serviço.
Convite, pois, para ir saborear uma paisagem invulgar, que pode antever-se acedendo a: http://www.cascaisnatura.org/Dossiê-Duna-da-Cresmina.aspx?ID=4593

Boomerang
Dia 29, à noite. Gala no auditório do Pavilhão de Congressos do Estoril, para entrega dos prémios Boomerang – Curso Profissional de Técnico de Multimédia da Escola da Cidadela. 3ª edição, muito concorrida, com excelentes trabalhos nomeados. Realce para o entusiástico dinamismo da Profª Teresa Campos, bem apoiada por toda a comunidade escolar, empresas e entidades do concelho. Parabéns!
Sublinhe-se o elevado alcance da iniciativa, pelo que ela significa de inserção concreta do estudante no mundo profissional, tendo todos os testemunhos de estudantes, docentes, pais e empresários acentuado essa singular mais-valia.

Ateliê de teatro
Dia 26, à tarde, a sede do Troupe União 1º de Dezembro Caparidense abriu para dar a conhecer o trabalho ali desenvolvido ao longo do ano Susana Cacela, no seu ateliê de teatro.
Com encenação de Jorge Picoto, representaram os mais novos a peça «Os Três piratas» e os mais velhos, a comédia «Jantar para quatro mulheres». A terminar, as cerca de duas dezenas de participantes – com idades entre os 8 e os mais de 50 – dedicaram uma poesia, de sua autoria, à pessoa que maior significado detinha na sua vida.

Publicado em Jornal de Cascais, nº 274, 06-07-2011, p. 4.

Alindar a pedra, enfim!...


Não sai da mão do canteiro o peitoril ou a ombreira ou mesmo o cunhal, sem o derradeiro remate.
Não, não vai ser polido a esmeril, que isso é tarefa reservada às peças que saem das serrações – e esse é outro mundo, em que não entrámos, porque aí é a mecânica que impera, as serras num vaivém e a água sempre a correr sobre o fio de corte, ou o disco de diamante para as peças mais mimosas. Há, porém, percalços pelo caminho: aquele fóssil de Cerastoderma edule (berbigão) ou de Mytilus edulis (mexilhão) que saltou; aquela linda (mas incómoda) concavidade reluzente de cristais… Urge betumar!
Fazia-se o betume na hora: pez louro, pó de pedra e cera de abelha! Aplicava-se no buraco e brunia-se. Ficava como se nada tivesse acontecido.
Por vezes, porém, outro azar podia bater à porta e, por exemplo no transporte, partia-se um canto e não havia hipótese de deitar fora trabalho feito! Entravam em campo as manivelas, com que – à maneira dos antigos funileiros que nos remendavam alguidares partidos… – ali se faziam os buracos para os gatos de aço! Tudo se procurava disfarçar muito bem – e até o gato dava à obra um outro ar, mais humano, mais de humildemente proclamarmos que, por vezes, também adregamos errar e… queremos corrigir os erros!

Alindou-se a pedra! O final de um percurso que, de há uns meses a esta parte, nos foi dado percorrer, na homenagem aos que, mormente na zona ocidental do nosso concelho (lá está o geoponto dos Funchais!...), séculos afora deram lições nesta arte – aqui, em Marrocos, em Lisboa!... São-brasenses de pele crestada, mãos calosas e muito saber acumulado!

Publicado em VilAdentro [S. Brás de Alportel], nº 150 (Julho 2011), p. 10.

Ilustrações
No Dia de S. Martinho de 2006, a Associação Cultural de Cascais, com a colaboração da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal locais, erigiu este monumento em honra do canteiro, na rotunda à entrada de Birre, um dos locais de maior actividade de exploração de pedra na freguesia de Cascais, nas décadas de 50 e 60 do século passado. Quisemos que fosse um memorial desses tempos em que as tabernas eram o local de convívio, ao fim da jornada de trabalho e nas noites de sábado e tardes de domingo. Para aqui, escreveu-se na legenda, convergiram canteiros vindos do Algarve (nomeadamente de S. Brás de Alportel), de Alcains e da região de Coimbra. O barril foi, pois, esculpido em lioz das pedreiras dos Funchais (S. Brás de Alportel); o bloco é do azulino cascalense; a placa, já em mármore de Estremoz-Vila Viçosa, que se trabalhava nas serrações. Em baixo-relevo, alguns dos instrumentos usados: a maceta, a bujarda, o escopro, o escacilhador, o ponteiro, e, em baixo, o esquadro.
Na ilustração inferior, David Correia Encarnação, o 'arquitecto' do monumento, grava uma das inscrições que o monumento ostenta. Natural de S. Brás de Alportel, foi um dos canteiros que trabalhou em Birre nessa altura, emigrando depois para o Canadá.

sábado, 2 de julho de 2011

Fazer contas é preciso!

Talvez em tempo de vacas gordas, insensatos nem sequer pensassem em contas. Havia abundância, tanto dava 3 como 7; consumir era palavra de ordem; esperdício, uma noção desprezível.
Contas interessam só para o tempo das vacas magras – poderia pensar-se. Errado! Sem contas no dia-a-dia não se vai a sítio nenhum!
Sabiam-no bem os Antigos, sabiam-no os nossos avós... Praticavam-no os Romanos.
Acharam-se em Conímbriga tijolos com números esgravitados e, a princípio, não se percebeu lá muito bem o que é que aquilo queria dizer. Até que, um dia, nova descoberta se fez: na massa ainda fresca do quadrante de um tijolo, alguém com um pedaço de cana gravara:



EX OFFICINA MAELONIS. DIARIAS ROGATAS SOLVI
«Da oficina de Melão. Cumpri as diárias rogadas».

Estava desvendado o mistério!
Havia uma olaria; o dono chamava-se Maelo, Melão; e ao operário era solicitado diariamente o fabrico de um determinado número de tijolos (eu escrevi «solicitado», entenda-se…).
E nós imaginamo-lo, ao final da jornada, o Sol a pôr-se lá para as bandas de Soure, mais além no Oceano, mãos enrugadas de barro, unhas negras, o suor perlava-lhe a fronte, cabelos desgrenhados, num suspiro de alívio:
«Por hoje, já está! Amanhã é outro dia!».

Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 573, 30-06-2011, p. 13.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Andarilhanças 7

Atraso e pioneirismo
Amiúde se enaltece o pioneirismo de Cascais em relação a iniciativas que toma. Sim, tem algumas. Noutros aspectos, porém, Cascais manifesta um atraso de pasmar! Foi dos últimos a ter um Palácio de Justiça! Não consegue acabar uma esquadra de polícia! Não consegue completar o nó final da auto-estrada! Não tem uma rádio de proximidade (se calhar, porque as entidades não querem…). A imprensa dita local optou pela gratuitidade, com dificuldade numa distribuição eficaz e numa inserção real no coração da população, mormente a do interior.
E agora embandeira-se em arco – e muito bem! – que a população já poderá ter acesso à internet gratuita em três parques do concelho. Agora? Se pensarmos que a cidade de Pombal tem, há anos, Internet gratuita para toda a população (e até nos aparece no computador quando o comboio pára na estação…). Se pensarmos que, no Parque da Marinha Grande, esses pontos Net já existem há anos também. E até em Tondela há pontos de Internet no parque público!...
Claro, sempre mais vale tarde que nunca!

Acordeão
No convívio do 1º de Maio, entre canteiros, em Trajouce, deliciei-me a ouvir o José Francisco Marreiros, de Mértola, que trabalha na brigada de intervenção rápida da Câmara Municipal de Cascais, a tocar, com perícia, o seu acordeão Fratelli Crosio. Juntou-se-lhe depois, em diálogo, Fernando Alves, de Góis, com a sua concertina Dino Baffati. Foi, para mim, quase um regresso à meninice, pois sou natural do Corotelo (S. Brás de Alportel, um concelho alfobre de acordeonistas!), ali de braço dado com Bordeira, a terra da Eugénia Lima, a deusa do acordeão!...
E é assim Cascais, mormente o do interior: ‘desvairadas’ gentes, a dar brilho à terra que escolheram por adopção.

Yemmandala

Com o apoio da senhora vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Cascais, o conjunto musical Yemmandala apresentou, no auditório do Centro Cultural, na noite do passado dia 19, o seu primeiro CD, perante cerca de cem espectadores.
Constituem-no Mercês Figueiredo e Marina Zenha (vocalistas), João Roxo (saxofone tenor e clarinete), Fiúza Duarte (contrabaixo) e Miguel Moreira (bateria e percussão). Letras da Mercês, à excepção de um dos nove temas que compõem o CD, que é da Mariana, responsável, aliás, por todas as composições e que, com M. Moreira, fez os arranjos, todos eles com final bem bonito.
Nasceu o grupo no Hot Clube; daí, os trechos de nítida influência jazística, no permanente diálogo entre instrumentos e vozes, em toada serena, propositadamente haurida no tropicalismo brasileiro. Imaginamos, em simplicidade, dolências de praias, entardeceres, golfinhos que sonham…

Dia da Costureira
Os novos tempos exigirão, decerto, um regresso a hábitos antigos, que contrariarão o consumismo em que o capitalismo desenfreado – alimentado por infernais agências avaliadoras (segundo critérios ditados por magnatas…) – nos atolou. Quem sabe se, proximamente, não voltaremos a ouvir o que Júlio Machado Vaz e Inês de Menezes evocavam no programa do passado dia 8, na Antena 1, «O amor é…»:
‒ Quarta-feira é dia da costureira!
Na casa onde vivi em Coimbra, era assim. Uma vez por semana, era dia da costureira! E havia sempre trabalho para ela! Que não se estava no tempo do usar-e-deitar-fora!...

Publicado em Jornal de Cascais, nº 273, 29-06-2011, p. 4.

sábado, 25 de junho de 2011

Andarilhanças 6

Cerimónia do 10 de Junho
Há males que vêm por bem. Escorraçadas do Largo Camões pela ganância economicista, as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades acabaram por ganhar, este ano, novo brilho. Tudo se passou no largo fronteiro aos Paços do Concelho, que se viu cercado de bandas vindas dos quatro cantos da vila, na presença de representantes das entidades locais que houveram por bem comparecer. As duas coroas de flores – da Câmara e da Sociedade Propaganda de Cascais – foram, em pequena romagem, depositadas aos pés da estátua do Épico, enquanto os clarins dos bombeiros tocavam a sentido. De regresso ao largo, procedeu-se ao içar das bandeiras, enquanto se entoava o hino nacional; um actor, vestido à Camões, disse as primeiras oitavas d’Os Lusíadas; o Presidente da Câmara passou revista à corporação de bombeiros perfilada e… bateram-se palmas. Ao Épico, a Portugal, à nossa vontade de, em cerimónia singela mas digna, mostrarmos que… ainda temos orgulho em ser Portugueses!

Paredão: arte, arranjos…
Engalanou-se o paredão para bem receber os veraneantes.
Além de se ter logrado terminar a tempo o arranjo das plataformas e das guardas que a fúria do mar destruíra, houve a 4ª edição da Artemar, concurso internacional de escultura que chama a atenção para a necessidade de preservarmos o mar, pois que as peças a concurso devem ser «construídas a partir de resíduos retirados do mar ou que representem este elemento natural» – mais um pretexto, portanto, para deleite e consciencialização. E, este ano, expuseram-se também painéis com a reprodução das peças mais significativas das três edições anteriores. Boa ideia!

Parques de estacionamento
No momento em que redijo esta nota, ainda não sei se já se paga o estacionamento no parque que serve, principalmente, o Parque Marechal Carmona e a Casa das Histórias Paula Rego. Não sei, por isso, se foi atendida a minhas sugestão de, praticando-se tarifas ‘sociais’ (digamos assim), esse parque poder ser considerado de ‘serviço público’, tendo em conta os equipamentos de cultura e lazer que serve.
Sei, porém, não porque a ESUC me haja respondido mas porque fui lá, que o parque frente ao Parque Palmela tem, na verdade, tarifas aceitáveis, contabilizáveis ao minuto. Congratulo-me.

Placa ALCOITÃO do ACP
Estiveram paradas durante anos as obras de reconstrução de uma casa saloia, à entrada de Alcoitão vindo de Manique. Marcava essa casa, em meados do século passado, a entrada no núcleo urbano da aldeia e ostentava, por isso, a placa azulejada ali manda colocar por iniciativa do Automóvel Clube de Portugal, com a indicação do topónimo: ALCOITÃO.
Sempre que passava por ali, tremia: «Será que vão ter a sensibilidade de a manter como documento histórico»?
Mantiveram. Como também não alteraram cognitivamente a traça original do casal.
Parabéns!

«Cai Água»
Publica o Núcleo de Amigos de S. Pedro do Estoril (NASPE) o seu boletim, a que deram o significado nome de Cai Água, que era o nome primitivo da povoação.
Tenho presente o nº 25, de Julho, que abre com uma bonita imagem do «anfiteatro» da Pedra do Sal ao pôr-do-sol e a propósito da qual a presidente do NASPE preconiza a reconstituição do moinho e da azenha que foram, afinal, o ex-líbris do sítio e lhe deram o nome – da água que deles corria sobre a falésia, para o mar…
Destaque ainda para duas sugestões: prende-se a primeira com a proposta de ser dado à Escola EB 1 de S. Pedro o nome da Profª Hortênsia Correia, benemérita que, há 51 anos, «com recurso à venda de património familiar, decidiu custear a construção de mais uma sala de aula»; refere-se a segunda a um apelo à cidadania: para além de se procurar evitar deitar lixo para a via pública (e há uma imagem impressionante nesse boletim), é muito fácil fazer um telefonema (que é gratuito – 800 203 186) para a EMAC, quando se verificar que, nesse aspecto, algo não está a correr bem.

Publicado em Jornal de Cascais, nº 272, 22-06-2011, p. 4.

sábado, 18 de junho de 2011

Andarilhanças 5

Padre José Maria Loureiro
Passou a 29 de Maio o centenário do falecimento do Padre José Maria Loureiro, que foi, durante 46 anos (1865-1911), prior da freguesia da Nossa Senhora da Assunção, de Cascais, e cuja benemerente acção religiosa e cultural muito engrandeceu a vila.
O acólito José João Loureiro, que muito se tem dedicado à história religiosa do concelho, teve ocasião, no dia 28, de salientar os aspectos mais significativos da obra do insigne sacerdote, após a missa solene mandada celebrar, nesse dia, pela Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Cascais.
Houve, depois, romagem ao cemitério da Guia, onde, em «coval doado pela municipalidade», jazem os seus restos mortais.
Sobre a campa, uma lápide
tem gravado o reconhecimento da Associação de Socorros Mútuos de Nossa Senhora da Assunção (fundada a 1 de Fevereiro de 1870) e da Associação Humanitária Recreativa Cascaense, associações a cuja criação o Padre Loureiro deu também grande apoio.

Eco-cabana
Está agora aberta durante a semana – e não apenas ao fim-de-semana – a eco-cabana sita perto da entrada do Parque Marechal Carmona.
Um hino à biodiversidade; um louvor da cortiça como produto natural de múltiplas aplicações e a reciclar; um convite a que se usufrua, a pé, o Parque Natural Sintra-Cascais, com sugestões de percursos.
Iniciativa de interesse, inaugurada a 17 de Fevereiro de 2009, na sequência de o seu projecto ter vencido o concurso “Prémio Ideias Verdes Água de Luso – Expresso 2007”. Trata-se, no fundo, como se pôde ler na informação veiculada quando abriu, de «um modelo de habitação com reduzida pegada ecológica, modular, construída com materiais reciclados ou recicláveis, e pode ser usada como qualquer edifício convencional; funciona com recurso a energias alternativas e tem gestão própria de consumo eléctrico e de água a partir de um dispositivo electrónico».
Diante da eco-cabana, há mesmo um posto de abastecimento de energia para veículos eléctricos.
Vale a pena, pois, dar lá uma saltada com as crianças, antes dos momentos maiores de distensão no parque anexo.

Jogos tradicionais
E já que se fala do Parque Marechal Carmona, insista-se no facto de haver ali espaços para a prática de jogos tradicionais.
Houve, como se noticiou, nos dias 21 e 22 de Maio, o 4º Encontro Nacional de Jogos Tradicionais, nacionais e internacionais. Ali se jogou à malha, ao burro, à macaca… Mas há tabuleiros para damas e xadrez; terreno para a laranjinha ou a petanca… Nada falta! Ou melhor, falta aliciar elementos da chamada “terceira idade” para irem lá aproveitar.



A Escrita a Postos, de Júlio Conrado
Com organização e prólogo de Floriano Martins, ilustrações de Carola Trimano, foi já o ano passado (2010) editado em S. Paulo (Escrituras Editora, ISBN: 978-85-7531-391-6) o livro A Escrita a Postos, de Júlio Conrado.
Recolhe a novela Era a Revolução (1977); a peça de teatro Corno de Oiro (2009); e uma selecção de ensaios publicados em Ao Sabor da Escrita (2001) e Nos Enredos da Crítica (2006).
Trata-se, como o próprio autor confessa, da «primeira incursão a sério em Terras de Vera Cruz» e muito folgamos com isso, pelo que significa de reforço da sua internacionalização (recorde-se, por exemplo, que Era a Revolução teve tradução francesa) e, além disso, pelas portas que assim se abrem para maior convívio entre os autores portugueses e brasileiros, independentemente de escreverem, ou não, segundo o novo acordo ortográfico!...

Publicado em Jornal de Cascais, nº 271, 15-06-2011, p. 6.