quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A coluna que era altar

Quando, em finais da década de 70, comecei a leccionar Epigrafia (a ciência que estuda as inscrições), procurei incutir nos meus estudantes – para além do entusiasmo por essa pesquisa – duas ideias fundamentais:
1ª) Há inscrições em todos os tempos; cumpre-nos dar-lhes o devido valor como fonte histórica única, pensada precisamente para transmitir uma mensagem aos vindouros.
2ª) Há inscrições romanas por toda a parte, normalmente em reaproveitamento de paredes, metidas a esmo em muros, tanto em ambiente urbano como rural, porque, perdida a noção de qual fora a sua função inicial, facilmente se agarrava material ali à mão de semear.
E mandei-os por aí, como vira-latas (salvo seja!...) que deveriam dar a volta a tudo quanto era pedra facetada ou de forma inusual, à procura de letras!
Deu resultado a colheita, sobretudo em terras beirãs, onde os Romanos tinham estado e onde a pedra abundara sempre.
Várias foram as inscrições romanas identificadas então no concelho de Mangualde. Refira-se, hoje, uma que particular gozo deu.
‒ Olha lá: aquilo que está ali, a fazer de coluna, não parece um daqueles altares que o professor mostrou nas aulas?
‒ E tem letras!... Já viste?
Era mesmo! Luís Filipe Gomes e António Tavares estavam diante de uma casa em ruínas, na Quinta do Casal, logo à entrada da povoação de Casais (freguesia de S. João da Fresta).
De granito facilmente esboroável, fora até regravado por quem não percebia muito bem o que estava lá escrito (pudera, era latim!...), mas uma análise mais atenta permitiu a sua interpretação e posterior publicação na revista Ficheiro Epigráfico (inscrição nº 55, de 1985). Ficámos a saber que fora oferta, em jeito de cumprimento de promessa, feita por um tal Malgeino, filho de Leuro, natural de Árbua (localidade até aí desconhecida e cuja localização permanece por identificar), a uma divindade de nomes assaz estranhos – Lar Coutioso Longonaroso?... Há dois mil atrás!
Como um olhar atento derredor nos pode surpreender!

Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 578, 01-10-2011, p. 13.

sábado, 1 de outubro de 2011

Andarilhanças 17

Jornais, fontes para a história
Tive ocasião de, a propósito do 6º aniversário de Jornal de Cascais, salientar a importância da imprensa como fonte primordial para a História Local. Creio, pois, interessante que, uma vez por outra, se dê conta dos órgãos de informação que servem o concelho de Cascais.
Não vou ser exaustivo, bem no sei, porque, hoje, a distribuição é feita aqui e além, sem dias certos ou, pelo menos, sem uma informação adequada, a não ser que se disponha de Internet e se consultem as edições on line. Creio, porém, não errar se afirmar que o mais antigo jornal agora em publicação é O Correio da Linha, de Paulo Pimenta; tem sede em Oeiras, é mensal e assume-se mais no formato de revista; «nasceu no mês de Março de 1989, com o nome de “Correio da Costa do Estoril”, ou seja, está no 23º ano de publicação ininterrupta. Virá depois o semanário Jornal da Região – Cascais, distribuído com os exemplares do Expresso que se vendam no concelho; na edição nº 279, de 30 de Agosto, está consignado que esta é a sua III série e que está no seu 15º ano. O nosso Jornal de Cascais completou agora 6 anos de publicação, também ininterrupta. Criado em Outubro de 2008, O Correio de Cascais, sediado em Mem Martins, afirma-se, na página do face book como ‘Jornal Regional Quinzenal do Concelho de Cascais’; ultimamente é mensal; o nº 45 (Agosto) está disponível no blogue http://correiodecascais.blogspot.com/p/edicoes-online-2011.html
Outras iniciativas têm surgido, de que GoldenNewsCascais pode ser exemplo. Quinzenário, de distribuição gratuita, como todos os demais, teve o seu 1º número em 16 de Outubro de 2009. Disponível on line e distribuído aqui e além, na versão papel, vai no nº 29 (Junho/Julho 2011). É provável que haja mais.
Acaba a Câmara de Cascais de criar um jornal, assim à maneira dos jornais locais, não exclusivamente de teor camarário. Isso vai, pois, merecer, um comentário maior. A inserir num texto sobre as publicações camarárias.

Aviões
Desde há muito que os habitantes de Cascais se habituaram ao barulho dos motores dos aviões. Não apenas dos que aterram ou levantam voo na Portela, mas sobretudo das avionetas do aeródromo de Tires. Sentimos, este ano, porém, a falta de publicidade, mormente ao fim-de-semana, por sobre as praias: as avionetas com as longas faixas atrás foram raríssimas. E, para além do festival aéreo de 10 de Julho, tivemos direito, pouco antes do meio-dia de 7 de Setembro, a apreciar de novo, sobre a baía, os loopings e outros malabarismos da cascalense Diana Gomes da Silva. Maravilha!

40 dias é… muito dia!
Agora, já serão bem mais! Corta-nos, porém, o coração ver aqueles trabalhadores duma corticeira em Santa Maria da Feira, que, dia e noite, há mais de 40 dias, velam diante das instalações, para que o recheio não leve sumiço!
A cena repete-se, repete-se e continuará a repetir-se noutros locais, noutras empresas, noutras fábricas, no decorrer deste último trimestre de 2011. E, ao que parece, dada a passividade reinante, não há nada a fazer. Os proprietários desapareceram, sem aparentemente deixarem rasto; os trabalhadores ficaram de mãos e pés atados e – isso, sim, que vorazmente se faz… – bem depressa terão pela frente as exigências implacáveis (sim, im-pla-cá-veis!) do «paga a electricidade», «paga a prestação», «paga a água»!... Com ameaças certas de cortes no fornecimento, de imediata penhora de bens… Essas, sim, não se fazem rogadas! Abutres à espera que a vítima venha, inanimada, a sucumbir!

Esquerda radical
No passado dia 17, Mário Soares, em entrevista a uma estação de televisão, alertou para a forte possibilidade de, prosseguindo o Mundo neste caminho, se deve preparar para assistir ao aparecimento, a nível global, de uma esquerda radical.
Mário Soares licenciou-se em História antes de tirar Direito!

Um livro sobre a guerra de África
Já aqui tive oportunidade de me referir ao livro, de António de Almeida Marques, À Espera de um Domingo em Terras de Angola. O autor, que reside na Parede, foi um dos muitos capitães milicianos que, após ter feito o serviço militar e já regressado à vida civil, foi chamado para comandante de companhia e como tal esteve no teatro da guerra.
Assume-se o livro, e bem, como testemunho para oferecer aos amigos e, de modo especial, a quantos partilharam consigo esses longos meses, de 1970 a 1972. Sem nenhumas pretensões literárias e, também, sem dar grande importância ao rigor da escrita – que o que interessava era a mensagem. A alocução, que fez num reencontro de todos, em 2006, assume-se precisamente como tocante confidência de estados de espírito.
Penso que são depoimentos destes, inclusive com dados estatísticos, narrativas entremeadas de reflexões sobre a actualidade, o parecer do cidadão comum, e o contexto em que a guerra surgiu, que interessa dar a conhecer – para que não voltem a cometer-se os mesmos erros.

Publicado em Jornal de Cascais, nº 283, 28-09-2011, p. 6.

domingo, 25 de setembro de 2011

A arte de trabalhar a pedra

Perder-se-á na noite dos tempos o início da actividade do trabalho da pedra em S. Brás. Existia a matéria-prima em abundância; existia a necessidade de se fazerem casas e valados e… o Homem aguçou o engenho!
Foi pouco a pouco inventando os instrumentos que melhor servissem para, das entranhas da terra, se porem os bancos a descoberto (era assim uma espécie de agricultura ao contrário…); depois, para os cortar a preceito, de acordo com os objectivos; em seguida, para os afeiçoar…
A princípio, uma ideia simples de esquadria, para melhor se ajustarem os blocos na parede; contudo, os valores estéticos depressa terão ganhado vulto: no peitoril da janela, na soleira da porta, no baixo-relevo dum portão…
As pedreiras dos Funchais viram, assim, nascer especialistas num labor que requeria experiência e saber. Nas décadas de 30 e 40 do século passado, muitos deles partiram para Marrocos (então francês), onde se levantavam majestosos edifícios públicos e onde os operários são-brasenses aprenderam também novas técnicas. Regressados ao rincão natal, traziam, porém, nas veias essa vontade meridional de andarilhos. E ei-los que aí vão, em debandada, até à península de Lisboa, onde, na década de 40, também novos empreendimentos, do Estado Novo, careciam de obras-primas. Fixaram-se, por exemplo, no concelho de Cascais, onde a tradição do trabalho da pedra também vinha de tempos imemoriais. E ensinaram aos saloios as novas técnicas e com eles outras aprenderam, até porque igualmente de Alcains e dos arredores de Coimbra (a célebre «pedra de Ançã» já afeiçoada na época romana!…) mais canteiros ali afluíram.
Criou-se em Cantanhede o Museu da Pedra; nasceu em Alcains o Museu do Canteiro; fez-se em Cascais, a 18 de Novembro de 2006, um monumento em que se recordaram os anos de oiro da indústria das pedreiras; São Brás e Faro certamente vão dar as mãos para corporizarem algo que – para além do Geoponto dos Funchais – recorde aos vindouros uma ocupação nobre, em que os são-brasenses deram cartas.
A nossa evocação de hoje mais não é, por isso, do que o reavivar de uma memória, a iluminar um património comum que importa valorizar, numa época em que estes valores da terra-mãe precisam de ser acalentados!

Texto incluído no folheto-guia do passeio de 16-03-2008, em S. Brás de Alportel.

sábado, 24 de setembro de 2011

Andarilhanças 16

Antónia Rama da Silva
Deixou-nos, no passado dia 6, aos 82 anos, D. Antónia Rama da Silva, mãe do nosso prezado colega nestas lides jornalísticas, Rui Rama da Silva, a quem endereçamos sentidos pêsames.
Depois de se ter aposentado da docência, em que sempre foi apreciada pelos colegas e estudantes, pela competência, dinamismo e dedicação ao ensino, D. Antónia continuou a ser exemplo dum espírito que sempre quer aprender mais. Amiúde conversávamos sobre os cursos breves que andava a frequentar, as conferências a que assistia (foi presença habitual durante largos anos nos Cursos Internacionais de Verão de Cascais), os livros que andava a ler…
De trato simples, muito contribuiu para cimentar o espírito de vizinhança no Bairro da Pampilheira, entre cujos moradores mais antigos se contava.
Que descanse em paz, Tia Necas, e que seu exemplo frutifique!

Egoísta
O nº 46 (Junho 2011) da revista Egoísta, editada pela Estoril Sol, tem o traço por tema e abre, em epígrafe, com uma frase de Millôr Fernandes que consubstancia o que, afinal, se pretende com esta sucessão de imagens saídas da pena de ilustres artistas portugueses: «Viver é desenhar sem borracha».

Tem o artista uma visão da realidade; isola partes dela para nos encantar ou, simplesmente, para nos sacudir do torpor e nos obrigar a agarrar a vida, para que… a desenhemos sem necessidade de frequente recurso à borracha!...
Neste número, não há palavras, há quadros: o homem da flauta, que Mário Assis Ferreira pintou aos 7 anos; a energia contagiante e cheia de rostos, do saudoso Malangantana; os instantâneos da Natureza, a lápis, de João Lourenço; o traço minimalista de Júlio Pomar; o exuberante exotismo geométrico de Luís Alves; o grande painel de Ivone Ralha, a ocupar quatro páginas, em jeito de tapeçaria a convidar para um café; o sereno (ou nervoso?) dramatismo negro de Henrique Cayate; a perfeição dos lápis de Marco Mendes, quer na figuração humana quer no retratar arquitectónico; a cidade e as pessoas, de Eduardo Salavisa, a saírem, quais livros, do meio de páginas cinzentas; o torvelinho das cidades de Ricardo Cabral; a serenidade dos olhares de Luís Filipe Cunha; a história desenhada de três samurais, no Japão imperial de 1547, de Rodrigo Prazeres Saias; as aguarelas relaxantes de José Eduardo Agualusa; emaranhadas cabeleiras de Rute Reimão; intrincadas fantasias, num festival de cor, de Joana Vasconcelos; e três pensativos personagens de Ana Mesquita.
Um percurso, um folhear que apetece saborear amiúde!

Atenção à pequenada no Bairro da Pampilheira
Para além da creche, que finalmente entrou em funcionamento no quadro do protocolo assinado pela Junta de Freguesia com a Santa Casa da Misericórdia, saliente-se, com aplauso, a reabilitação do parque infantil junto ao Centro de Dia. Um pavimento de placas sintéticas e fofas substituiu, com inteiro agrado, a areia e os aparelhos foram também recuperados.
Parabéns!
Próxima tarefa da Junta: a Recuperação do parque no Bairro da Assunção!

Querem roubar-nos os pavões!
A biblioteca infanto-juvenil, a área de jogos tradicionais, o quiosque, a caminhada que se propõe, os dois locais de livre acesso à Internet, o Museu dos Condes de Castro Guimarães, as esculturas junto ao parque infantil (repôs-se recentemente a da mãe, que gente inconsciente lograra partir), esse parque e os seus múltiplos aparelhos, a frescura de árvores seculares (algumas delas identificadas, como em jardim botânico) – constituem os grandes atractivos do Parque Marechal Carmona, sobejamente apreciado por nacionais e estrangeiros.
Faltou um dado na enumeração: os animais! Há muito que acabou o minizoo (e eu ainda me lembro de dar amendoins aos macacos e de admirar a velha raposa…); contudo, dele ficaram os pavões, os patos do lago, as tartarugas, os pombos, dizem-me que uma coruja branca anda por lá e algumas aves tropicais já eu vi, as galinhas, galos e pintainhos… São todos eles a alegria da pequenada e aumenta, por isso, dia após dia, a raiva contra as gaivotas que ali, impunemente, matam patinhos, tartaruguinhas e (pasme-se!) devoram os pombos ali à vista de todos, no lago!
Mas, se todos nos encantam, são os pavões e os seus ‘gritos’ um dos ex-líbris do parque. E não é que os estão a levar para outros sítios e, daqui a pouco, nenhum anda por lá? Não ousam as gaivotas comer-lhes as crias, que pavão que se preza lhe dá bicadas fortes; o bicho-homem, porém, está a dar cabo deles! Saberão disso os senhores vereadores, o senhor presidente da Câmara?

Publicado em Jornal de Cascais, nº 282, 21-09-2011, p. 6.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

José Inês Louro (1905-1969)

Certamente a poucos este nome dirá alguma coisa: «Há figuras de indiscutível mérito que, vá lá saber-se porquê, são postergadas, proscritas, votadas ao ostracismo em vida e liminarmente esquecidas após a morte», escreve José Manuel Azevedo e Silva, nas ‘notas preambulares’ à biografia de José Inês Louro a que decidiu lançar mãos. Acrescenta, porém, que coube a Filipe Mendes a missão de «resgatar a memória desse grande gramático, dicionarista, cultor das línguas clássicas (grego e latim) e da língua portuguesa». Por isso, essa biografia, em boa hora editada pela Câmara Municipal de Gouveia, em 2010 [ISBN: 978-989-96785-0-7], detém como subtítulo «A vida, a obra e a memória do médico-filólogo».
138 páginas, a que sugestivamente se seguem três em branco para «Notas do leitor», distribuídas precisamente por esses três tópicos: a vida; a obra, como dicionarista, gramático, filólogo, «historiador da palavra e operário da língua portuguesa» (classificações bem sintomáticas e a despertarem, desde logo, enorme curiosidade) e polemista; e a memória após o falecimento, nas comemorações do 1º centenário do seu nascimento [2005] e depois, a que se acrescentam seis testemunhos de personalidades que com o biografado ou a sua obra tiveram mais chegado contacto. Por fim, a sua bibliografia: 5 livros, 72 artigos e 6 recensões.
Teve vida buliçosa o biografado, natural de Arcozelo da Serra, concelho de Gouveia. E esses altos e baixos historia com minúcia o Doutor Azevedo e Silva, baseando-se em testemunhos orais, em notícias colhidas na imprensa local e regional –uma narrativa que se lê com imenso agrado.
De notar, porém, um pormenor, que detém, nos nossos dias, uma importância capital e que urge salientar, para que outros casos idênticos não aconteçam. Pormenor que – diga-se – está na base de eu ter tido acesso agora a esta obra, na sequência do comentário do autor à nota que eu fizera a propósito da necessidade de se preservar a memória (vide http://notascomentarios.blogspot.com/2011/09/o-escravo-que-era-diligente.html):
«Durante o processo de elaboração do livro, a certa altura pretendi consultar o acervo da sua biblioteca particular e eventuais documentos e papéis pessoais. Fui informado que, no acto das obras de restauração da sua casa do Arcozelo para ser (como foi) transformada em unidade de turismo rural, a sua biblioteca foi junta com o entulho. Uma senhora da aldeia conseguiu salvar 8 livros e o seu precioso caderno de apontamentos de estudante do ensino liceal nocturno.»
E assim se logrou salvaguardar boa parte da vida de um filólogo que prestou relevantes serviços à Cultura Portuguesa, nomeadamente no domínio da língua (foi, por exemplo, um dos dedicados colaboradores do Dicionário da Academia).
Bem andou, por conseguinte, a Câmara Municipal de Gouveia em ter patrocinado a edição, em que, mais uma vez, se documenta como a história geral de um País não pode prescindir dos retalhos da história local e dos seus artífices.

Os putos

Gostei muito da pose gaiata e feliz do casalinho que foi capa da agenda cultural do Município, São Brás Acontece, do mês de Setembro, em que se dedicou especial atenção ao regresso às aulas.

De mochila às costas, ele de ténis e ela de alpercatas, de calçanitos ambos, olharam para a objectiva do fotógrafo com ar de quem pergunta: «Ficamos bem assim?».
Ela mais altinha, de cabelos loiros e lisos, ele de cabelinho curto e ar matreiro – apanhados na passadeira de tijoleira que os encaminhava para a escola. Cena de ternura, a que não pude deixar de ser sensível e, por isso, dei os parabéns aos responsáveis por tão oportuna escolha. E, confesso, senti um bem comovido nó na garganta, quando me foi respondido:
«Os putos são filhos de um casal de funcionários cá da casa. Ela funcionária da limpeza e ele um dos melhores funcionários dos serviços de ambiente… Filhos de um jovem casal muito humilde e trabalhador, daqueles que convive diariamente com o desafio de dividir o magro orçamento familiar…
Eis a razão deste humilde miminho em período de regresso às aulas!».
Assim se cria comunidade! Assim se dá valor às pessoas!
Aplaudo, pois, com ambas as mãos!

P. S.: Chamam-se os meninos Ariana Fernandes e Isaac Faustino.

S. Brás e o acordeão ‒ honra ao mérito!

Notícias de S. Braz deu a notícia com algum relevo, na sua edição de Agosto: ao fundo da pág. 8, com fotografia, lá vinha a informação de que Nelson Conceição vencera, na cidade italiana de Pineto (Itália), o prémio para a melhor composição moderna para acordeão; mas vale a pena insistir, dada a sua real importância!
O concurso, que é anual, visa premiar os melhores trabalhos – nas categorias worldmusic, clássico, jaze e composição moderna – produzidos para acordeão, a nível internacional. Nelson Conceição, que é natural de Bordeira (ali paredes-meias com o Corotelo e na raia do concelho de Faro) e reside em Loulé, apresentou a obra, para acordeão-solo, «A moça que gostava de Amália», inspirado no fado ‘Amália’. O júri incluía especialistas da Itália, Rússia, França, Macedónia, Áustria, Ucrânia e Lituânia – tudo países onde a tradição do acordeão é relevante.
Honra, pois, ao mérito, dado que o galardoado já fora premiado, em 2000, com um troféu mundial e mais de duas dezenas de alunos seus também se contam entre os distinguidos em concursos nacionais e internacionais.
Nélson Conceição constitui, pois, um dos expoentes duma área geográfica, em que mui orgulhosamente S. Brás se inclui, onde o acordeão se impõe como instrumento de grande virtuosismo. Uma tradição que felizmente se não tem deixado morrer!

Publicado em Notícias de S. Braz (S. Brás de Alportel), nº 178, Setembro de 2011, p. 15.