Os cantoneiros
Em reportagem televisiva acerca dos funcionários da limpeza de Lisboa, ouvi chamar-lhes cantoneiros. O termo não está bem empregado, embora aceite que tenham querido aplicá-lo agora com outra acepção. Cantoneiro tinha um significado bem preciso, que, aliás, vem no dicionário: o encarregado da limpeza e manutenção de um cantão, ou seja, de uma porção de estrada. Trata-se, pois, de um conceito de conotação rural e não urbana.
Nos anos 50 e 60, recordo, o Zé Duque e o António Carneiro eram os cantoneiros, por exemplo, da estrada entre Torre e Birre: limpavam as valetas, reparavam os buracos no macadame e o seu cantão lá estava devidamente sinalizado por tabuletas de metal que espetavam na berma para melhor identificação. Amiúde, até, todas essas ferramentas ficavam de um dia para o outro no barracão de minha casa. Será que, na Câmara, disso ainda existe memória?
Arranjo da Estrada das Neves
Obra meritória: a estrada entre Bicesse e Manique estava uma lástima, era perigosa, com todas aquelas lombas e a curva apertada... Está a custar-nos a espera, os desvios, mas… esperemos que sejam rápidos e saia daí obra asseada.
Vedação perigosa
Para além do mau aspecto que dão aqueles casarões de fábrica abandonada junto ao quartel dos bombeiros – uma das primeiras imagens que acolhe quem, vindo da auto-estrada, se dirige a Cascais – a vedação do terreno, no passeio, está danificada em várias porções. Oxalá não se tenha de lamentar, um dia, a ocorrência de acidentes, devidos, por exemplo, a mera distracção de transeuntes.
Pavões
Escrevi, a 21 de Setembro, que corria voz de que se tinha a intenção de retirar os pavões do Parque Marechal Carmona. Foi boato falso, decerto, porque já por lá se vêem agora muitos mais, inclusive dos brancos. Boa ideia!
Mais publicidade para as iniciativas
A Agenda Cultural do Município de Cascais constitui importante veículo de informação acerca das iniciativas culturais e outras; os serviços de imprensa do Município também procuram estar sempre em cima do acontecimento. Sucede, porém, que nem sempre se tem hipótese de ver a agenda; e será uma percentagem pequena de munícipes que dispõe de acesso à Internet e, sobretudo, de tempo para se adestrar na busca dessas informações.
Custa, pois, verificar – e isso se tem repetido vezes sem conta ao longo dos anos – que falta público para muitas iniciativas. Quantos saberão, por exemplo, que é gratuita a entrada nos museus municipais? Quantos terão visitado o Museu do Mar?
Escrevia-se, há pouco, que mui provavelmente o Festival de Música do Estoril – um dos mais antigos e tradicionais do País – poderia vir a não ser apoiado por lhe faltar público. É a política, nomeadamente, da CP: há poucos passageiros? – Suprimem-se os comboios! Eu tenho uma outra filosofia: há poucos passageiros? Vamos fazer para que haja mais! Há pouca gente nos concertos? Vamos fazer das tripas coração, vamos dar a volta ao texto e… mostremos como é aliciante ir a um concerto!
A psicologia no preço dos combustíveis
Nesse aspecto, que se ponham os olhos nos publicitários que regem o negócio das gasolineiras. Como é que estão anunciados os preços? Aproximados ao cêntimo! E, levados pela magia de um dígito, somos capazes de andar uns quilómetros mais porque, na bomba X, o preço é de 1,529 euros, enquanto nesta aqui é de 1,549. Ou seja, se o deposito levar 40 litros, a corrida à outra bomba valeu 40 x 2 cêntimos = 80 cêntimos! Será que valeu a pena? Não se terá gasto mais no percurso? Em todo o caso, a publicidade venceu!
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 290, 16-11-2011, p. 6].
domingo, 20 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
O documento estava no portão do pátio!
Termino, com este apontamento, a série de três em que se deu conta de uma atitude assaz frequente e nem sempre devidamente tida em consideração: o reaproveitamento de materiais.
Sim, em tempos de crise – e em todos, aliás… – reaproveitar é palavra-chave presente no nosso quotidiano: deixou de ter utilidade, está ali à mão de semear e até nos serve às mil maravilhas? – Reaproveite-se!
Movimentos ecológicos e artísticos preconizam, por exemplo, o reaproveitamento dos plásticos para criar um quadro, uma escultura. E apostam nisso, didacticamente, as escolas desde o ensino pré-primário, a fim de se instilar no espírito da criança essa boa mentalidade que tinham nossos avós e que a sociedade de consumo deitou para trás das costas e… é o que se vê!...
A pedra com letras motivo de mais este apontamento foi também identificada por Luís Filipe Coutinho Gomes, que a estudou (é a inscrição nº 53 do nº 12, de 1985, do Ficheiro Epigráfico): uma estela de granito, «que servia de ombreira à porta de acesso a um pátio sito à direita do fontanário logo à entrada da povoação de Pinheiro de Tavares», na freguesia de S. João da Fresta. Foi guardada na sede da Associação Azurara da Beira.
Um tudo-nada estragado, devido à prolongada exposição aos agentes atmosféricos e à passagem das pessoas, constituía o texto o epitáfio de duas pessoas da mesma família: um filho de Triteu, falecido aos 30 anos, e Súnua, filha de Mearo, de 70. Cenão, filho de Triteu, mandou lavrar o epitáfio em honra do irmão e da mãe.
E assim se ficou a conhecer mais uma família indígena que adoptou hábitos romanos e cuja memória acaba de perdurar até aos nossos dias. Para isso serve a epigrafia, esse gravar em material duradouro a mensagem que se pretende transmitir aos vindouros. Mesmo deslocada do seu contexto primordial, acabou por ser encontrada e hoje se lhe dá o devido valor como singular documento histórico.
Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 581, 15-11-2011, p. 13.
Sim, em tempos de crise – e em todos, aliás… – reaproveitar é palavra-chave presente no nosso quotidiano: deixou de ter utilidade, está ali à mão de semear e até nos serve às mil maravilhas? – Reaproveite-se!
Movimentos ecológicos e artísticos preconizam, por exemplo, o reaproveitamento dos plásticos para criar um quadro, uma escultura. E apostam nisso, didacticamente, as escolas desde o ensino pré-primário, a fim de se instilar no espírito da criança essa boa mentalidade que tinham nossos avós e que a sociedade de consumo deitou para trás das costas e… é o que se vê!...

A pedra com letras motivo de mais este apontamento foi também identificada por Luís Filipe Coutinho Gomes, que a estudou (é a inscrição nº 53 do nº 12, de 1985, do Ficheiro Epigráfico): uma estela de granito, «que servia de ombreira à porta de acesso a um pátio sito à direita do fontanário logo à entrada da povoação de Pinheiro de Tavares», na freguesia de S. João da Fresta. Foi guardada na sede da Associação Azurara da Beira.
Um tudo-nada estragado, devido à prolongada exposição aos agentes atmosféricos e à passagem das pessoas, constituía o texto o epitáfio de duas pessoas da mesma família: um filho de Triteu, falecido aos 30 anos, e Súnua, filha de Mearo, de 70. Cenão, filho de Triteu, mandou lavrar o epitáfio em honra do irmão e da mãe.
E assim se ficou a conhecer mais uma família indígena que adoptou hábitos romanos e cuja memória acaba de perdurar até aos nossos dias. Para isso serve a epigrafia, esse gravar em material duradouro a mensagem que se pretende transmitir aos vindouros. Mesmo deslocada do seu contexto primordial, acabou por ser encontrada e hoje se lhe dá o devido valor como singular documento histórico.
Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 581, 15-11-2011, p. 13.
Da ressurreição de objectos e de pessoas
Captou perfeitamente João Orlindo o espírito de um curso como o de Museologia e Património Cultural: a necessária ressurreição de, à primeira vista, insignificantes objectos que integravam todo um quotidiano, o ciclo anual na vida de uma comunidade.

Realça este seu livrinho a preocupação que já tinha perante a desertificação das aldeias do interior do País, a sua consequente perda de identidade, o abandono e destruição de objectos considerados inúteis. Aliás, foi no mesmo sentido Sílvia Costa que preparou De dentro do Armário, também publicado por Apenas Livros. Louve-se, pois, antes de mais, a iniciativa da publicação!
Se, ali, fora singelo armário de cozinha o mote para a referida ressurreição, aqui agarrou João Orlindo num canastrão de pisar castanhas, que, observando o definhar das vidas na aldeia de Balocas, perdida nas dobras da Estrela, «prossegue o seu descanso anual sobre o velho ‘caniço’»… E, vai daí, porque «os castanheiros já pouco são apanhados na totalidade; faltam as forças nos braços para limpar os ‘soitos’ e a agilidade nas mãos para separar as castanhas dos ‘oiriços’, assim como as pernas para as carregar», o canastrão constituiu pretexto para se falar de todo o ciclo da castanha e da sua importância na economia local, para se evocar um quotidiano pautado pelas estações do ano (quando ainda as havia bem distintas) e pelo ritmo diário do nascer ao pôr-do-sol, não esquecendo os serões em que, em volta da lareira, para «combater a lentidão dos dias de Inverno, mais vagos nos afazeres da terra», se contavam histórias, se passava o testemunho…
Que interesse há, pois, num canastrão de pisar castanhas para servir de tema a um livro? E a resposta não pode ser outra: é testemunho! Um testemunho a valorizar! Um testemunho que, afinal, tem histórias para contar – e que bem João Orlindo no-las soube transmitir!
É o canastrão incentivo para uma ressurreição. Ressurreição que se pretende definitiva, dado que se aponta para musealização perpetuadora de memórias!
Um exemplo – que se deseje frutifique, qual semente revitalizante!
Cascais, Setembro de 2011
Prefácio a Murmúrios de um tempo… – O objecto etnográfico, repositório de memória, de João Orlindo Marques. Apenas Livros, Lisboa, 2011, ISBN 978-989-628-343-1, p. 3-4.

Realça este seu livrinho a preocupação que já tinha perante a desertificação das aldeias do interior do País, a sua consequente perda de identidade, o abandono e destruição de objectos considerados inúteis. Aliás, foi no mesmo sentido Sílvia Costa que preparou De dentro do Armário, também publicado por Apenas Livros. Louve-se, pois, antes de mais, a iniciativa da publicação!
Se, ali, fora singelo armário de cozinha o mote para a referida ressurreição, aqui agarrou João Orlindo num canastrão de pisar castanhas, que, observando o definhar das vidas na aldeia de Balocas, perdida nas dobras da Estrela, «prossegue o seu descanso anual sobre o velho ‘caniço’»… E, vai daí, porque «os castanheiros já pouco são apanhados na totalidade; faltam as forças nos braços para limpar os ‘soitos’ e a agilidade nas mãos para separar as castanhas dos ‘oiriços’, assim como as pernas para as carregar», o canastrão constituiu pretexto para se falar de todo o ciclo da castanha e da sua importância na economia local, para se evocar um quotidiano pautado pelas estações do ano (quando ainda as havia bem distintas) e pelo ritmo diário do nascer ao pôr-do-sol, não esquecendo os serões em que, em volta da lareira, para «combater a lentidão dos dias de Inverno, mais vagos nos afazeres da terra», se contavam histórias, se passava o testemunho…
Que interesse há, pois, num canastrão de pisar castanhas para servir de tema a um livro? E a resposta não pode ser outra: é testemunho! Um testemunho a valorizar! Um testemunho que, afinal, tem histórias para contar – e que bem João Orlindo no-las soube transmitir!
É o canastrão incentivo para uma ressurreição. Ressurreição que se pretende definitiva, dado que se aponta para musealização perpetuadora de memórias!
Um exemplo – que se deseje frutifique, qual semente revitalizante!
Cascais, Setembro de 2011
Prefácio a Murmúrios de um tempo… – O objecto etnográfico, repositório de memória, de João Orlindo Marques. Apenas Livros, Lisboa, 2011, ISBN 978-989-628-343-1, p. 3-4.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Alemães e portugueses, diálogo com interrupções
Solicita-me Peter Koj um breve apontamento, no momento em que me informa que será este número, o 50º, o último em que exercerá as funções de chefe de redacção.
Nunca será de mais salientar o importante papel que Peter Koj tem desempenhado no estreitamento das relações entre a Alemanha e Portugal, não só porque a sua estada entre nós o levou a conhecer o Portugal profundo e por ele se apaixonou, como porque vive numa cidade em que as raízes e a presença portuguesas hoje se fazem sentir mais, decerto, do que noutra cidade alemã. É para mim um grande orgulho saber que foi comigo que Peter começou a aprender português, depressa se industriando no domínio de um vocabulário ímpar e na leitura sempre actualizada dos autores nossos contemporâneos. Foi, por isso, justamente galardoado, até porque, regressado a Hamburgo desenvolveu na cidade o mais amplo interesse pela cultura lusa nos seus mais diversos aspectos, nomeadamente literários, artísticos e musicais. Honra, pois, ao seu grande mérito!
Na actual conjuntura (estou a escrever dias antes das eleições em Portugal, determinadas pela chamada ‘crise’ que grassa por todo o sistema visceralmente capitalista em que o mundo se atolou), a Alemanha não é bem vista pelo português comum, o que é compreensível – atitude que porventura passará.
E se a Berlim dos nossos dias, no perfeito casamento (verbi gratia) entre a tradição e o futuro – de que a cúpula de vidro de Norman Forster sobre o edifício do Parlamento poderá apresentar-se como paradigma – nos alicia, quero, porém, dar dois dos muitos exemplos da minha experiência pessoal que me levaram a ter grande consideração pelos alemães:
– 1º) O alemão vem para Portugal e não faz como o inglês ou o francês, que insistem em falar nas suas línguas de origem e não se esforçam minimamente para aprender duas ou três frases que sejam do idioma português (afinal, a 5ª língua mais falada no mundo, segundo se diz). O alemão esforça-se, aprende e aprende bem!
– 2º) Um dos meus amigos, dono duma tipografia, comprou uma máquina na Alemanha. Houve qualquer problema e a máquina não funcionava. Vieram os representantes da marca em Portugal, operários e engenheiros; olharam, olharam, disseram que sim, de facto não trabalhava, o melhor era vir alguém da Alemanha. E vieram os engenheiros alemães. Vestiram o fato-macaco, arregaçaram as mangas, deitaram-se debaixo da máquina, sujaram as mãos e… já funciona, experimentem!
Publicado em Portugal-Post - Correio luso-hanseático (Hamburgo), nº 50, Novembro de 2011, p. 33-34 [versão portuguesa com tradução em Alemão].
Nunca será de mais salientar o importante papel que Peter Koj tem desempenhado no estreitamento das relações entre a Alemanha e Portugal, não só porque a sua estada entre nós o levou a conhecer o Portugal profundo e por ele se apaixonou, como porque vive numa cidade em que as raízes e a presença portuguesas hoje se fazem sentir mais, decerto, do que noutra cidade alemã. É para mim um grande orgulho saber que foi comigo que Peter começou a aprender português, depressa se industriando no domínio de um vocabulário ímpar e na leitura sempre actualizada dos autores nossos contemporâneos. Foi, por isso, justamente galardoado, até porque, regressado a Hamburgo desenvolveu na cidade o mais amplo interesse pela cultura lusa nos seus mais diversos aspectos, nomeadamente literários, artísticos e musicais. Honra, pois, ao seu grande mérito!
Na actual conjuntura (estou a escrever dias antes das eleições em Portugal, determinadas pela chamada ‘crise’ que grassa por todo o sistema visceralmente capitalista em que o mundo se atolou), a Alemanha não é bem vista pelo português comum, o que é compreensível – atitude que porventura passará.
E se a Berlim dos nossos dias, no perfeito casamento (verbi gratia) entre a tradição e o futuro – de que a cúpula de vidro de Norman Forster sobre o edifício do Parlamento poderá apresentar-se como paradigma – nos alicia, quero, porém, dar dois dos muitos exemplos da minha experiência pessoal que me levaram a ter grande consideração pelos alemães:
– 1º) O alemão vem para Portugal e não faz como o inglês ou o francês, que insistem em falar nas suas línguas de origem e não se esforçam minimamente para aprender duas ou três frases que sejam do idioma português (afinal, a 5ª língua mais falada no mundo, segundo se diz). O alemão esforça-se, aprende e aprende bem!
– 2º) Um dos meus amigos, dono duma tipografia, comprou uma máquina na Alemanha. Houve qualquer problema e a máquina não funcionava. Vieram os representantes da marca em Portugal, operários e engenheiros; olharam, olharam, disseram que sim, de facto não trabalhava, o melhor era vir alguém da Alemanha. E vieram os engenheiros alemães. Vestiram o fato-macaco, arregaçaram as mangas, deitaram-se debaixo da máquina, sujaram as mãos e… já funciona, experimentem!
Publicado em Portugal-Post - Correio luso-hanseático (Hamburgo), nº 50, Novembro de 2011, p. 33-34 [versão portuguesa com tradução em Alemão].
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Andarilhanças 23
O medo, a desmoralização e o poder
São constantes os vídeos e as mensagens que nos chegam, através da Internet, a explicar aspectos do quotidiano que a Comunicação Social não ousa abordar, nomeadamente ao que concerne às manigâncias de quem, por esse mundo, detém (ou deteve) o poder. Por exemplo, os chorudos vencimentos mensais. De quando em vez, há uma redacção que se passa e põe a boca no trombone, como foi o caso do semanário Focus do dia 26 de Outubro, que escarrapachou os ordenados milionários auferidos na RTP.
Recebemos também a explicação do que é, afinal, o Banco Central Europeu; do que se passa realmente (asseguram) na Grécia… E a entrevista com um perito, pensador, que explica tintim por tintim como é que se faz num mundo em que 1% da população mundial detém 80% da riqueza: interessa manter as pessoas desmoralizadas, assustadas, porque, assim, mais facilmente se deixam dominar. Uma nação optimista, saudável, confiante é difícil de governar!...
Compreende-se, pois, que a ordem seja para só dar notícias desagradáveis!... Uma ordem que, felizmente, entre nós, cada vez está a ser menos cumprida.
Câmara paga tributo aos ingleses
Há um projecto da Câmara de Cascais que visa proporcionar maior comunicabilidade do munícipe com os órgãos autárquicos. Chama-se «CRM – fale connosco» e está na página electrónica do Município. Poderia ser apenas “Contacte-nos” ou “Fale Connosco”. Não: tinha de ser CRM! E o que é CRM, num mundo pejado de siglas como é o nosso?... Não, não é, por exemplo, a Comissão de Recepção ao Munícipe, que seria designação corriqueira, nada ajustada a um município de prestígio internacional! Nada disso! CRM são as iniciais de… Citizen Relationship Management! Ora toma!... Para que lhes havia de dar!
Cachecol solidário
SOS Animal – sosanimal@sosanimal.com – é uma entidade sem fins lucrativos, para acolher animais abandonados e promover a sua adopção. Fruto da carolice de um dinâmico grupo de activistas, acaba de lançar uma campanha com o fim de angariar fundos para equipar a Clínica Veterinária SOSAnimal, sita em Caparide: a venda de um cachecol polar, de tamanho único, disponível em seis cores (laranja, azul escuro, bege, preto, azul claro e rosa claro) e dois logótipos (SOSAnimal cão e gato).
Clube Desportivo da Costa do Estoril
Comemora, no dia 18, 26 anos de existência, em prol da cultura e do desporto. Nesse dia, ao jantar, fados com Deo e José Pires.
no dia seguinte, terei o prazer de apresentar o mais recente livro de poemas de Carlos Carranca, docente da Escola Profissional de Teatro e da Universidade Lusófona (Escola Superior de Educação Almeida Garrett). O livro chama-se Com o Cachimbo de Meu Pai. Seguir-se-á um concerto de flauta e piano: Marina Dmitrieva e Vera Belozorovitch, habituais colaboradoras do Clube, interpretarão obras de Listz.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 289, 09-11-2011, p. 6].
São constantes os vídeos e as mensagens que nos chegam, através da Internet, a explicar aspectos do quotidiano que a Comunicação Social não ousa abordar, nomeadamente ao que concerne às manigâncias de quem, por esse mundo, detém (ou deteve) o poder. Por exemplo, os chorudos vencimentos mensais. De quando em vez, há uma redacção que se passa e põe a boca no trombone, como foi o caso do semanário Focus do dia 26 de Outubro, que escarrapachou os ordenados milionários auferidos na RTP.
Recebemos também a explicação do que é, afinal, o Banco Central Europeu; do que se passa realmente (asseguram) na Grécia… E a entrevista com um perito, pensador, que explica tintim por tintim como é que se faz num mundo em que 1% da população mundial detém 80% da riqueza: interessa manter as pessoas desmoralizadas, assustadas, porque, assim, mais facilmente se deixam dominar. Uma nação optimista, saudável, confiante é difícil de governar!...
Compreende-se, pois, que a ordem seja para só dar notícias desagradáveis!... Uma ordem que, felizmente, entre nós, cada vez está a ser menos cumprida.
Câmara paga tributo aos ingleses
Há um projecto da Câmara de Cascais que visa proporcionar maior comunicabilidade do munícipe com os órgãos autárquicos. Chama-se «CRM – fale connosco» e está na página electrónica do Município. Poderia ser apenas “Contacte-nos” ou “Fale Connosco”. Não: tinha de ser CRM! E o que é CRM, num mundo pejado de siglas como é o nosso?... Não, não é, por exemplo, a Comissão de Recepção ao Munícipe, que seria designação corriqueira, nada ajustada a um município de prestígio internacional! Nada disso! CRM são as iniciais de… Citizen Relationship Management! Ora toma!... Para que lhes havia de dar!
Cachecol solidário
SOS Animal – sosanimal@sosanimal.com – é uma entidade sem fins lucrativos, para acolher animais abandonados e promover a sua adopção. Fruto da carolice de um dinâmico grupo de activistas, acaba de lançar uma campanha com o fim de angariar fundos para equipar a Clínica Veterinária SOSAnimal, sita em Caparide: a venda de um cachecol polar, de tamanho único, disponível em seis cores (laranja, azul escuro, bege, preto, azul claro e rosa claro) e dois logótipos (SOSAnimal cão e gato).
Clube Desportivo da Costa do Estoril
Comemora, no dia 18, 26 anos de existência, em prol da cultura e do desporto. Nesse dia, ao jantar, fados com Deo e José Pires.
no dia seguinte, terei o prazer de apresentar o mais recente livro de poemas de Carlos Carranca, docente da Escola Profissional de Teatro e da Universidade Lusófona (Escola Superior de Educação Almeida Garrett). O livro chama-se Com o Cachimbo de Meu Pai. Seguir-se-á um concerto de flauta e piano: Marina Dmitrieva e Vera Belozorovitch, habituais colaboradoras do Clube, interpretarão obras de Listz.[Publicado no Jornal de Cascais, nº 289, 09-11-2011, p. 6].
sábado, 5 de novembro de 2011
Andarilhanças 22
Passeios alargados em Cascais
Sente-se que os actuais urbanistas muito prezam a convivialidade, o andar a pé, o evitar os automóveis. A ideia é boa, desde que não levada ao exagero e aplicada a torto e a direito. O caso da Av. Engº A. Amaro da Costa para norte do cruzamento do Cobre, onde a circulação pedonal é mínima, e mesmo o trecho inicial da Estrada da Malveira, a partir da rotunda de Birre, são exemplos desse exagero, que em devido tempo denunciámos; debalde, porque urbanista é urbanista e o cidadão, mesmo que veicule o senso comum, não passa de cidadão ignorante das teorias…
Hoje, porém, dois alargamentos merecem aplauso. O primeiro, o do troço de passeio entre o Pão de Açúcar e a entrada para o Parque Palmela. Era zona bem apertada, de muita passagem de pessoas, nomeadamente para o paredão, amiúde com água resultante da infiltração da zona ajardinada acima do muro de protecção. O segundo, em plena vila, o do passeio fronteiro ao Largo Cidade Vitória, na Alameda dos Combatentes da Grande Guerra. Ficaram mais aconchegadas as esplanadas dos restaurantes típicos e há agora largueza de acesso.
Penhas do Marmeleiro ou a necessidade de se estudar História!
Foi notícia, mais uma vez, a excelente reconversão em parque urbano do campo de tiro aos pratos, na margem esquerda do Rio Marmeleiro, a leste de Murches. Aí se inaugurou, no dia 23, o circuito pedestre já existente mas ainda não devidamente publicitado.
Oxalá que, desta sorte, ele possa vir a ser mais frequentado, exigindo também essa maior frequência mais cuidado na sua manutenção e vigilância.
Já em tempo oportuno solicitei às entidades responsáveis que corrigissem a distracção cometida por quem não estudou História nem teve o cuidado de se informar: é Marmeleiro (e não Marmeleira). Deve-se o topónimo ao curso de água que lhe passa aos pés, assim chamado por ser, outrora, zona rica em marmeleiros. Assim está designado na página do facebook, onde as Penhas contam com 647 amigos.
Demoraram os serviços camarários a mudar de Ponta para Pedra no caso do Centro Interpretativo instalado em S. Pedro do Estoril. Neste caso, a reivindicação tem mais de um ano. Vamos esperar – que a lentidão parece ser virtude!...
C
Prossegue a sua publicação quinzenal o jornal [«boletim»] chamado C (C de Cascais, C de Geração C…), propriedade da Câmara Municipal de Cascais. Recebemos na caixa do correio o nº 3, de 20 de Outubro, edição de Luísa Rego, 120 000 exemplares. O editorial não vem assinado, mas do seu teor se poderá deduzir ser da lavra de responsável do Executivo municipal. 24 páginas sem publicidade comercial nem informação sobre deliberações camarárias.
Festival de Música em risco?
Informou Rui Frade Ribeiro, no seu blogue «Pensar mais Cascais», no passado dia 26, que «em reunião plenária dos militantes do PSD de Cascais», o Dr. Carlos Carreiras anunciara, entre outras «linhas orientadoras para a redefinição dos investimentos municipais», que não se continuaria a financiar o Festival de Música do Estoril, atendendo ao «número reduzido de espectadores para estes espectáculos».
Salientando que, em seu entender, é papel da Câmara «apoiar iniciativas que permitam a diversificação da oferta cultural, especialmente na perspectiva de alargamento de públicos como são os casos da música clássica ou do bailado», comenta aquele ex-vereador da Cultura:
«É estranho que a mesma Câmara que financia espectáculos de Seal ou de Maria Rita, artistas com nome para encher uma sala de espectáculos com bilhetes pagos sem precisar de ajudas das entidades oficiais, recusa um apoio que este ano foi de 80.000 € para a realização do Festival de Música da Costa do Estoril.
Ao mesmo tempo que se propõe disponibilizar 250.000 € para um Festival de Cinema que se realiza em Lisboa, considera sem interesse um evento com mais de 30 anos de existência como é o Festival de Música da Costa do Estoril».
A tragédia grega
Depois de Barbershop, romance em que se retratam, em ironia fina, vidas singulares da burguesia nesta ocidental plaga lisboeta, quis Júlio Conrado brindar-nos com um livro de cordel (parabéns por ter também aderido a este formato em boa hora ressuscitado pela editora Apenas Livros.
Chama-se a Tragédia Grega (Lisboa, Fevereiro de 2011) e dá conta de uma situação deveras curiosa, em forma poética que é de prosa ou de prosa que é poesia à moda antiga, qual romanceiro – por tradição, em verso facilmente nos exprimimos.
Planeia-se um assassinato. No momento mais oportuno, para passar despercebido: quando milhões de portugueses estivessem de olhos pregados no televisor, pois Portugal defrontava a Grécia no final do Campeonato Europeu. Se Portugal ganhasse, o momento da grande euforia seria o ideal, ninguém daria por isso!
Vamos, então, matar! Está decidido!
Contratada está a experiência nunca desmentida do atirador, resta escolher o alvo. E aí está o busílis! O escritor quer liquidar tantos dos seus fantasmas!... O professor primário, o padre, a Nini, o cacique local, enfim!...
Borboleta de flor em flor, cheio de hesitações se mantém até final. E… a tragédia foi só no futebol! Grega, como as de outrora, em que o Destino era proclamado fatal pelo coro, ao longo de toda a peça. Bem, afinal também o escritor acaba por morrer!
De leitura fácil, jocosa, nas suas 20 páginas, acutilante no escalpelizar de atitudes e de situações, esta Tragédia Grega recomenda-se vivamente.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 288, 02-11-2011, p. 6].
Sente-se que os actuais urbanistas muito prezam a convivialidade, o andar a pé, o evitar os automóveis. A ideia é boa, desde que não levada ao exagero e aplicada a torto e a direito. O caso da Av. Engº A. Amaro da Costa para norte do cruzamento do Cobre, onde a circulação pedonal é mínima, e mesmo o trecho inicial da Estrada da Malveira, a partir da rotunda de Birre, são exemplos desse exagero, que em devido tempo denunciámos; debalde, porque urbanista é urbanista e o cidadão, mesmo que veicule o senso comum, não passa de cidadão ignorante das teorias…
Hoje, porém, dois alargamentos merecem aplauso. O primeiro, o do troço de passeio entre o Pão de Açúcar e a entrada para o Parque Palmela. Era zona bem apertada, de muita passagem de pessoas, nomeadamente para o paredão, amiúde com água resultante da infiltração da zona ajardinada acima do muro de protecção. O segundo, em plena vila, o do passeio fronteiro ao Largo Cidade Vitória, na Alameda dos Combatentes da Grande Guerra. Ficaram mais aconchegadas as esplanadas dos restaurantes típicos e há agora largueza de acesso.
Penhas do Marmeleiro ou a necessidade de se estudar História!
Foi notícia, mais uma vez, a excelente reconversão em parque urbano do campo de tiro aos pratos, na margem esquerda do Rio Marmeleiro, a leste de Murches. Aí se inaugurou, no dia 23, o circuito pedestre já existente mas ainda não devidamente publicitado.
Oxalá que, desta sorte, ele possa vir a ser mais frequentado, exigindo também essa maior frequência mais cuidado na sua manutenção e vigilância.
Já em tempo oportuno solicitei às entidades responsáveis que corrigissem a distracção cometida por quem não estudou História nem teve o cuidado de se informar: é Marmeleiro (e não Marmeleira). Deve-se o topónimo ao curso de água que lhe passa aos pés, assim chamado por ser, outrora, zona rica em marmeleiros. Assim está designado na página do facebook, onde as Penhas contam com 647 amigos.
Demoraram os serviços camarários a mudar de Ponta para Pedra no caso do Centro Interpretativo instalado em S. Pedro do Estoril. Neste caso, a reivindicação tem mais de um ano. Vamos esperar – que a lentidão parece ser virtude!...
C
Prossegue a sua publicação quinzenal o jornal [«boletim»] chamado C (C de Cascais, C de Geração C…), propriedade da Câmara Municipal de Cascais. Recebemos na caixa do correio o nº 3, de 20 de Outubro, edição de Luísa Rego, 120 000 exemplares. O editorial não vem assinado, mas do seu teor se poderá deduzir ser da lavra de responsável do Executivo municipal. 24 páginas sem publicidade comercial nem informação sobre deliberações camarárias.
Festival de Música em risco?
Informou Rui Frade Ribeiro, no seu blogue «Pensar mais Cascais», no passado dia 26, que «em reunião plenária dos militantes do PSD de Cascais», o Dr. Carlos Carreiras anunciara, entre outras «linhas orientadoras para a redefinição dos investimentos municipais», que não se continuaria a financiar o Festival de Música do Estoril, atendendo ao «número reduzido de espectadores para estes espectáculos».
Salientando que, em seu entender, é papel da Câmara «apoiar iniciativas que permitam a diversificação da oferta cultural, especialmente na perspectiva de alargamento de públicos como são os casos da música clássica ou do bailado», comenta aquele ex-vereador da Cultura:
«É estranho que a mesma Câmara que financia espectáculos de Seal ou de Maria Rita, artistas com nome para encher uma sala de espectáculos com bilhetes pagos sem precisar de ajudas das entidades oficiais, recusa um apoio que este ano foi de 80.000 € para a realização do Festival de Música da Costa do Estoril.
Ao mesmo tempo que se propõe disponibilizar 250.000 € para um Festival de Cinema que se realiza em Lisboa, considera sem interesse um evento com mais de 30 anos de existência como é o Festival de Música da Costa do Estoril».
A tragédia grega
Depois de Barbershop, romance em que se retratam, em ironia fina, vidas singulares da burguesia nesta ocidental plaga lisboeta, quis Júlio Conrado brindar-nos com um livro de cordel (parabéns por ter também aderido a este formato em boa hora ressuscitado pela editora Apenas Livros.
Chama-se a Tragédia Grega (Lisboa, Fevereiro de 2011) e dá conta de uma situação deveras curiosa, em forma poética que é de prosa ou de prosa que é poesia à moda antiga, qual romanceiro – por tradição, em verso facilmente nos exprimimos.Planeia-se um assassinato. No momento mais oportuno, para passar despercebido: quando milhões de portugueses estivessem de olhos pregados no televisor, pois Portugal defrontava a Grécia no final do Campeonato Europeu. Se Portugal ganhasse, o momento da grande euforia seria o ideal, ninguém daria por isso!
Vamos, então, matar! Está decidido!
Contratada está a experiência nunca desmentida do atirador, resta escolher o alvo. E aí está o busílis! O escritor quer liquidar tantos dos seus fantasmas!... O professor primário, o padre, a Nini, o cacique local, enfim!...
Borboleta de flor em flor, cheio de hesitações se mantém até final. E… a tragédia foi só no futebol! Grega, como as de outrora, em que o Destino era proclamado fatal pelo coro, ao longo de toda a peça. Bem, afinal também o escritor acaba por morrer!
De leitura fácil, jocosa, nas suas 20 páginas, acutilante no escalpelizar de atitudes e de situações, esta Tragédia Grega recomenda-se vivamente.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 288, 02-11-2011, p. 6].
A estela romana que era peitoril!
Na sequência do que já se escreveu na edição do passado dia 1 de Outubro, não posso deixar de voltar a referir-me ao facto de, na região de Mangualde, várias inscrições romanas terem sido identificadas em reutilização por estudantes de Epigrafia da Universidade de Coimbra, há uns 30 anos atrás.
O exemplo que ora se traz à colação não deixa também de ser curioso: uma estela funerária romana – com quase dois mil anos, portanto – foi aproveitada para peitoril da janela de uma casa rural sita na aldeia de Pinheiro de Tavares, freguesia de S. João da Fresta.
Devem-na ter encontrado por perto os construtores da moradia; acharam-na bonita, até porque tinha uma flor esculpida; acrescentaram-lhe quiçá uma cruz com pedestal como era de uso, não fossem os dizeres terem algum esconjuro maligno, e lá a puseram deitada, com o letreiro bem à mostra, ainda que desconhecessem por completo o que lá estava escrito e, sequer, em que língua!
Viu-a Luís Filipe Coutinho Gomes e decidiu-se a estudá-la, estudo que veio a ser publicado na revista Ficheiro Epigráfico, do Instituto de Arqueologia de Coimbra, no nº 12, de 1985, inscrição nº 52.
Constituía o texto, já bastante deteriorado devido à prolongada exposição aos agentes atmosféricos (agora, já está a recato na sede da Associação Azurara da Beira), o epitáfio de uma senhora, falecida aos 60 anos, Flavina de seu nome, filha de Flavo. Não se consegue perceber a identificação da dedicante, ainda que se trate de uma filha de Alúquio. O monumento estava consagrado aos deuses Manes, protectores, no Além, do espírito do defunto.
Ficámos assim a saber de representantes de três gerações de uma família com raízes locais (dada a onomástica que apresentam, tipicamente pré-romana): filha de Flavo, Flavina (o diminutivo não poderia ser mais apropriado!) casou com Alúquio (um nome etimologicamente lusitano) e dessa união nasceu uma filha, cujo nome, porém, se desconhece. Não nos admiraria, por conseguinte, que – dadas essas referências todas – o túmulo viesse a ser mais tarde usado para os restos mortais dos que na epígrafe vêm mencionados.
Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 580, 01-11-2011, p. 13.
O exemplo que ora se traz à colação não deixa também de ser curioso: uma estela funerária romana – com quase dois mil anos, portanto – foi aproveitada para peitoril da janela de uma casa rural sita na aldeia de Pinheiro de Tavares, freguesia de S. João da Fresta.

Devem-na ter encontrado por perto os construtores da moradia; acharam-na bonita, até porque tinha uma flor esculpida; acrescentaram-lhe quiçá uma cruz com pedestal como era de uso, não fossem os dizeres terem algum esconjuro maligno, e lá a puseram deitada, com o letreiro bem à mostra, ainda que desconhecessem por completo o que lá estava escrito e, sequer, em que língua!
Viu-a Luís Filipe Coutinho Gomes e decidiu-se a estudá-la, estudo que veio a ser publicado na revista Ficheiro Epigráfico, do Instituto de Arqueologia de Coimbra, no nº 12, de 1985, inscrição nº 52.
Constituía o texto, já bastante deteriorado devido à prolongada exposição aos agentes atmosféricos (agora, já está a recato na sede da Associação Azurara da Beira), o epitáfio de uma senhora, falecida aos 60 anos, Flavina de seu nome, filha de Flavo. Não se consegue perceber a identificação da dedicante, ainda que se trate de uma filha de Alúquio. O monumento estava consagrado aos deuses Manes, protectores, no Além, do espírito do defunto.
Ficámos assim a saber de representantes de três gerações de uma família com raízes locais (dada a onomástica que apresentam, tipicamente pré-romana): filha de Flavo, Flavina (o diminutivo não poderia ser mais apropriado!) casou com Alúquio (um nome etimologicamente lusitano) e dessa união nasceu uma filha, cujo nome, porém, se desconhece. Não nos admiraria, por conseguinte, que – dadas essas referências todas – o túmulo viesse a ser mais tarde usado para os restos mortais dos que na epígrafe vêm mencionados.
Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 580, 01-11-2011, p. 13.
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