O puto coleccionava notas negativas umas atrás das outras, mês após mês. Um dia, porém, tirou um 10. Quando o professor lhe entregou o trabalho, fez-lhe uma carícia nos cabelos e disse-lhe bem alto, para que toda a turma ouvisse:
– Vês? Tu consegues!
Desse dia em diante, o puto nunca mais teve negativa. Nessa e noutras disciplinas. E o professor só soube da benéfica influência do seu gesto anos depois, quando os pais o encontraram e lho revelaram. Nessa altura, já o filhote era arquitecto credenciado.
Calou-me fundo o testemunho.
É por isso que eu sustento: essa ideia peregrina de tirar a quem nunca falta os três dias de férias compensatórias constitui tremendo tiro no pé, uma decisão só passível de ser imaginada por quem manifesta a mais crassa, pueril e inconcebível ignorância acerca da psicologia humana.
Considerar que retirar essa recompensa a quem, com entusiasmo, se dedica às tarefas que lhe são confiadas é – não tenhamos dúvidas!... – fazer-lhe esmorecer por completo esse entusiasmo, retirar motivação. E esses senhores que dizem perceber de números, esquecem-se de que, por detrás dos números, têm de estar pessoas, tem de estar entusiasmo, tem de estar motivação – elementos imprescindíveis para que os números engrossem, como eles querem! Que se lhes há-de fazer, coitados?!...
O que mais me entristece é verificar serem, nesse aspecto, eles próprios uns falhados, uns desmemoriados, porque depressa se esqueceram que foi com o entusiasmo que ascenderam à posição que ora ocupam. Já se esqueceram? É pena! Nunca lhes ensinaram o que é motivação? É pena!
Como professor, que tudo devo aos meus mestres entusiastas, àqueles que me ensinaram a gostar do que faço, sinto, pois, uma tristeza profunda, porque – como estudei História – sei que, assim, o desfecho é um rotundo fracasso, a maior desilusão e revolta! Não, poderá não ser – o que duvido, porém – uma revolta no sentido real da palavra; será, sim, um deixar cair os braços, o desânimo, porque, afinal, para quê esforçar-se, se até três míseros dias nos querem roubar?!...
Muito gostaria de crer que o bom senso ainda houvesse de imperar!
Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 584, 01-01-2012, p. 13.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Os passos e as ‘passas’ de um mangualdense
Sob o título Passos e “Passas” de uma Vida, publicou José Manuel Azevedo e Silva a sua autobiografia (edição de autor, Coimbra, 2011).
Professor associado com agregação da Faculdade de Letras de Coimbra, onde esteve ligado ao Instituto de História da Expansão, o Doutor Azevedo e Silva jubilou-se a 30 de Maio de 2007, data em que perfez 70 anos, e decidiu passar a letra de forma o que fora o seu percurso. E fez bem.
Primeiro, porque, sendo natural de Tibaldinho (Alcafache, Mangualde), começou por ser agricultor, foi agente da polícia, professor, tocou em bandas, foi bancário e só aos 36 anos entrou na Universidade, tendo feito, portanto, todos os seus estudos a pulso, como trabalhador-estudante. Profetizara-lhe a professora primária (e nunca será de mais repetir a importância que os docentes do Ensino Básico detêm no ‘destino’ dos seus alunos) que ele «iria longe»; e vemo-lo a ingressar, em Abril de 1983 (aos 46 anos!), como assistente estagiário da Faculdade.
Para além deste exemplo de tenacidade, o livro – que tem uma segunda parte com o seu currículo pessoal e académico – explicita miudamente os contextos em que foi a sua vida, pelo que constitui, atendendo às mui pormenorizadas informações que fornece, fecundo manancial para a história local e regional (as famílias, as pessoas, as profissões, o tipo de economia…) e, por isso mesmo, até para a história nacional e das mentalidades, que dessas vivências particulares cronologicamente bem anotadas e geograficamente bem situadas carece de se alimentar. Note-se, por exemplo, que é um jovem de antes do 25 de Abril, cuja vida activa se desenrola já em pleno período revolucionário e pós-revolucionário, com especial destaque para a sua actividade como bancário e sindicalista.
Por todas as circunstâncias que a rodearam, trata-se, pois, de uma vida que poderemos considerar exemplar, tanto do ponto de vista profissional como do ponto de vista psicológico, uma vez que sempre o tem norteado um pensamento positivo, consubstanciado quiçá na devoção ao Anjo da Guarda, presente, aliás, de modo claro em ocasiões-chave da sua vida.
Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 583, 15-12-2011, p. 13.
Professor associado com agregação da Faculdade de Letras de Coimbra, onde esteve ligado ao Instituto de História da Expansão, o Doutor Azevedo e Silva jubilou-se a 30 de Maio de 2007, data em que perfez 70 anos, e decidiu passar a letra de forma o que fora o seu percurso. E fez bem.
Primeiro, porque, sendo natural de Tibaldinho (Alcafache, Mangualde), começou por ser agricultor, foi agente da polícia, professor, tocou em bandas, foi bancário e só aos 36 anos entrou na Universidade, tendo feito, portanto, todos os seus estudos a pulso, como trabalhador-estudante. Profetizara-lhe a professora primária (e nunca será de mais repetir a importância que os docentes do Ensino Básico detêm no ‘destino’ dos seus alunos) que ele «iria longe»; e vemo-lo a ingressar, em Abril de 1983 (aos 46 anos!), como assistente estagiário da Faculdade.

Para além deste exemplo de tenacidade, o livro – que tem uma segunda parte com o seu currículo pessoal e académico – explicita miudamente os contextos em que foi a sua vida, pelo que constitui, atendendo às mui pormenorizadas informações que fornece, fecundo manancial para a história local e regional (as famílias, as pessoas, as profissões, o tipo de economia…) e, por isso mesmo, até para a história nacional e das mentalidades, que dessas vivências particulares cronologicamente bem anotadas e geograficamente bem situadas carece de se alimentar. Note-se, por exemplo, que é um jovem de antes do 25 de Abril, cuja vida activa se desenrola já em pleno período revolucionário e pós-revolucionário, com especial destaque para a sua actividade como bancário e sindicalista.
Por todas as circunstâncias que a rodearam, trata-se, pois, de uma vida que poderemos considerar exemplar, tanto do ponto de vista profissional como do ponto de vista psicológico, uma vez que sempre o tem norteado um pensamento positivo, consubstanciado quiçá na devoção ao Anjo da Guarda, presente, aliás, de modo claro em ocasiões-chave da sua vida.
Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 583, 15-12-2011, p. 13.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Andarilhanças 29
Candeeiros desajustados
Causou admiração e, não se nega, algum mal-estar entre os comerciantes a escolha do modelo de candeeiros ora implantados no topo oriental da Rua Direita e na Rua Sebastião José de Carvalho e Melo, na vila de Cascais.
É que, apesar da modernidade dos seus estabelecimentos, essa zona mantém, do ponto de vista arquitectónico, um cariz vetusto, de linhas tradicionais, que, na verdade, não se compadece com o estilo ultra-moderno, de design, desses candeeiros. Requer-se para ali um tipo de candeeiro com desenho a condizer com o ambiente dos edifícios, para não chocar. Aliás, sempre foi essa uma das preocupações do Município no centro histórico (em que essa zona de pleno direito se inclui) e não se enxerga a razão para tal atropelo agora!
125 anos dos Bombeiros de Cascais
Em singela, mas mui significativa cerimónia, decorreu, no sábado, 17, no Teatro Gil Vicente, em Cascais, a entrega de emblemas aos sócios com 50 e 25 anos de membros desta Associação Humanitária.
Aproveitou-se a oportunidade para apresentar o livro Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascasse – 125 Anos ao Serviço da População, da autoria de Manuel Eugénio Fernandes da Silva.
Mais de 420 páginas, ilustradas e densas de informação acerca do que tem sido o percurso da instituição. A obra assume-se, pois, como uma reedição, corrigida e aumentada, da anterior, referente aos cem anos, datada de 1986, a que se acrescentaram as efemérides e dados relevantes até ao mês de Outubro passado. Mais actual não seria, pois, de esperar.
Uma narrativa pormenorizada, fecundo manancial para a história local, em que se não esquece o registo dos nomes de quantos têm contribuído para fazer singrar a Associação, nas mais diversas actividades (não é esquecido o brilhante desempenho do Grupo Cénico, por exemplo), assim como o Corpo de Bombeiros no seu constnate e abnegado papel de socorro e assistência à população.
Rama da Silva, presidente da direcção, para além das palavras de circunstância obrigatórias em tão lustroso acto, não quis deixar de referir que se espera para muito breve a inauguração das piscinas, que vão estar ao serviço não apenas dos sócios mas de toda a população.
Senhora da Boa Nova
O serviço da Câmara Municipal de Cascais que mais dificuldade tem em organizar-se é o que superintende na colocação de placas identificativas. Uma tarefa, aliás, que não é fácil, porque requer estudo, investigação não apenas nos documentos mas também no terreno; e nem sempre os responsáveis disso se aperceberão – e é pena! – mormente porque não estarão atentos ao que se escreve na Comunicação Social local, que não é assim tanta como isso e, de resto, mandam as boas práticas, em que a Câmara de Cascais sempre deu exemplo, até há um serviço de recortes que tem o cuidado de diligenciar no sentido de a informação acerca de anomalias identificadas chegarem a quem lhes pode dar remédio.
Não, não vale a pena falar das placas a identificar Pampilheira (e terminamos mais um ano, sem que se tenha encontrado disponibilidade para esse efeito) ou daquela que, frente à Clínica CUF, indica ‘beco sem saída’ numa rua que não é beco e que tem saída!... Refiro-me, agora, pela segunda ou terceira vez, à identificação do auditório da Senhora da Boa Nova na Galiza, onde se têm desenvolvido publicitadas actividades, designadamente na quadra natalícia. Está a placa direccional em S. João do Estoril e na grande rotunda à saída da auto-estrada; mas na rotunda junto ao auditório nada há, de forma que, se não se descobre o minúsculo letreiro por cima de uma porta lateral do templo, vai-se em frente e… cadê o auditório?
O mesmo se diga em relação ao lugar da Areia. Há, decerto, má vontade por parte de algum funcionário contra este simpático lugar, só pode ser! Onde é que há aí uma placa que indique a quem vem da auto-estrada ou da vila qual é a direcção a seguir? Não pensaram assim, na primeira metade do século XX, os senhores do Automóvel Clube de Portugal que inseriram o nome da localidade em lugar de destaque na parede da capela de S. Brás; mas esses senhores andavam pelas estradas e isso faz toda a diferença!
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 295, 21-12-2011, p. 4.
Causou admiração e, não se nega, algum mal-estar entre os comerciantes a escolha do modelo de candeeiros ora implantados no topo oriental da Rua Direita e na Rua Sebastião José de Carvalho e Melo, na vila de Cascais.
É que, apesar da modernidade dos seus estabelecimentos, essa zona mantém, do ponto de vista arquitectónico, um cariz vetusto, de linhas tradicionais, que, na verdade, não se compadece com o estilo ultra-moderno, de design, desses candeeiros. Requer-se para ali um tipo de candeeiro com desenho a condizer com o ambiente dos edifícios, para não chocar. Aliás, sempre foi essa uma das preocupações do Município no centro histórico (em que essa zona de pleno direito se inclui) e não se enxerga a razão para tal atropelo agora!
125 anos dos Bombeiros de Cascais
Em singela, mas mui significativa cerimónia, decorreu, no sábado, 17, no Teatro Gil Vicente, em Cascais, a entrega de emblemas aos sócios com 50 e 25 anos de membros desta Associação Humanitária.
Aproveitou-se a oportunidade para apresentar o livro Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascasse – 125 Anos ao Serviço da População, da autoria de Manuel Eugénio Fernandes da Silva.
Mais de 420 páginas, ilustradas e densas de informação acerca do que tem sido o percurso da instituição. A obra assume-se, pois, como uma reedição, corrigida e aumentada, da anterior, referente aos cem anos, datada de 1986, a que se acrescentaram as efemérides e dados relevantes até ao mês de Outubro passado. Mais actual não seria, pois, de esperar.
Uma narrativa pormenorizada, fecundo manancial para a história local, em que se não esquece o registo dos nomes de quantos têm contribuído para fazer singrar a Associação, nas mais diversas actividades (não é esquecido o brilhante desempenho do Grupo Cénico, por exemplo), assim como o Corpo de Bombeiros no seu constnate e abnegado papel de socorro e assistência à população.
Rama da Silva, presidente da direcção, para além das palavras de circunstância obrigatórias em tão lustroso acto, não quis deixar de referir que se espera para muito breve a inauguração das piscinas, que vão estar ao serviço não apenas dos sócios mas de toda a população.
Senhora da Boa Nova
O serviço da Câmara Municipal de Cascais que mais dificuldade tem em organizar-se é o que superintende na colocação de placas identificativas. Uma tarefa, aliás, que não é fácil, porque requer estudo, investigação não apenas nos documentos mas também no terreno; e nem sempre os responsáveis disso se aperceberão – e é pena! – mormente porque não estarão atentos ao que se escreve na Comunicação Social local, que não é assim tanta como isso e, de resto, mandam as boas práticas, em que a Câmara de Cascais sempre deu exemplo, até há um serviço de recortes que tem o cuidado de diligenciar no sentido de a informação acerca de anomalias identificadas chegarem a quem lhes pode dar remédio.
Não, não vale a pena falar das placas a identificar Pampilheira (e terminamos mais um ano, sem que se tenha encontrado disponibilidade para esse efeito) ou daquela que, frente à Clínica CUF, indica ‘beco sem saída’ numa rua que não é beco e que tem saída!... Refiro-me, agora, pela segunda ou terceira vez, à identificação do auditório da Senhora da Boa Nova na Galiza, onde se têm desenvolvido publicitadas actividades, designadamente na quadra natalícia. Está a placa direccional em S. João do Estoril e na grande rotunda à saída da auto-estrada; mas na rotunda junto ao auditório nada há, de forma que, se não se descobre o minúsculo letreiro por cima de uma porta lateral do templo, vai-se em frente e… cadê o auditório?
O mesmo se diga em relação ao lugar da Areia. Há, decerto, má vontade por parte de algum funcionário contra este simpático lugar, só pode ser! Onde é que há aí uma placa que indique a quem vem da auto-estrada ou da vila qual é a direcção a seguir? Não pensaram assim, na primeira metade do século XX, os senhores do Automóvel Clube de Portugal que inseriram o nome da localidade em lugar de destaque na parede da capela de S. Brás; mas esses senhores andavam pelas estradas e isso faz toda a diferença!
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 295, 21-12-2011, p. 4.
A singularidade do «Lugar ao Sul»
Na sua coluna «Coisas e Loisas» da edição de Setembro de Noticias de S. Braz, evocou J. P. da Cruz o programa da Antena 1 «Lugar ao Sul», de Rafael Correia:
«Com o gravador ao ombro, percorria todo o interior algarvio e o Baixo Alentejo para entrevistar gente castiça, com talentos diversos: poetas populares, contadores de histórias, artesãos e até experiências de vida».
Confessa J. P. da Cruz que era «um ouvinte fanático». Eram, de facto, muitos milhares esses ‘fanáticos’, que viam nesse programa algo de muito diferente do que se fazia em rádio, mormente porque assim se dava voz a um Portugal profundo, lídimo, muito nosso, e se registavam dados que, doutra forma, definitivamente se perderiam na noite dos tempos.
Alcançada a idade da reforma, Rafael Correia largou tudo da mão, fugiu do mundo e, por mais que o tentássemos convencer a manter-se por mais uns tempos – no que a administração da RDP acabou por não ver inconveniente, tanta foi a pressão feita nesse sentido – Rafael Correia não se deixou demover.
Criou-se, na altura, na Internet um grupo de pressão, ainda hoje activo, liderado pelo incansável dinamismo de Álvaro José Ferreira, os Amigos do Lugar ao Sul – http://groups.google.com/group/lugar-ao-sul –, que lutou sem tréguas para que tão singular repertório não só não se perdesse como voltasse à antena. Luta que tem tido altos e baixos, porque nem todos os responsáveis da RDP compreendem o interesse do programa e, se calhar, urbanos como são na sua quase totalidade, irritam-se ao ouvir falar algarvio e alentejano; não compreendem o valor da poesia popular; não imaginam o que é contar em verso a história de Portugal nem como é delicioso manjar o doce caseiro feito pela Ti Marquinhas em aldeia perdida nas dobras da Serra do Caldeirão...
Conseguiu-se que, em repetição, o programa voltasse para o ar. Nem sempre a horas próprias para consumo (dantes, era pelas manhãs de sábado e regalávamo-nos com esse genuíno começo de fim-de-semana), mas… está de novo no ar, a partir das 7 horas de sábado! E pode ser ouvido também na página da RDP na Internet.
Estamos satisfeitos por a batalha ter sido ganha e consola ler o comentário de Adelino Gomes – que, enquanto Provedor do Ouvinte, cedo se apercebeu, pelas constantes mensagens que recebia, do interesse deste «prazer da conversa com Rafael Correia» – inserto nessa página da RDP:
«O mais belo programa da rádio jamais feito sobre a terra, as gentes, os costumes, a cultura do sul do continente português».
[Publicado em Notícias de S. Braz (S. Brás de Alportel), nº 181, 15 de Dezembro de 2011, p. 14].
«Com o gravador ao ombro, percorria todo o interior algarvio e o Baixo Alentejo para entrevistar gente castiça, com talentos diversos: poetas populares, contadores de histórias, artesãos e até experiências de vida».
Confessa J. P. da Cruz que era «um ouvinte fanático». Eram, de facto, muitos milhares esses ‘fanáticos’, que viam nesse programa algo de muito diferente do que se fazia em rádio, mormente porque assim se dava voz a um Portugal profundo, lídimo, muito nosso, e se registavam dados que, doutra forma, definitivamente se perderiam na noite dos tempos.
Alcançada a idade da reforma, Rafael Correia largou tudo da mão, fugiu do mundo e, por mais que o tentássemos convencer a manter-se por mais uns tempos – no que a administração da RDP acabou por não ver inconveniente, tanta foi a pressão feita nesse sentido – Rafael Correia não se deixou demover.
Criou-se, na altura, na Internet um grupo de pressão, ainda hoje activo, liderado pelo incansável dinamismo de Álvaro José Ferreira, os Amigos do Lugar ao Sul – http://groups.google.com/group/lugar-ao-sul –, que lutou sem tréguas para que tão singular repertório não só não se perdesse como voltasse à antena. Luta que tem tido altos e baixos, porque nem todos os responsáveis da RDP compreendem o interesse do programa e, se calhar, urbanos como são na sua quase totalidade, irritam-se ao ouvir falar algarvio e alentejano; não compreendem o valor da poesia popular; não imaginam o que é contar em verso a história de Portugal nem como é delicioso manjar o doce caseiro feito pela Ti Marquinhas em aldeia perdida nas dobras da Serra do Caldeirão...
Conseguiu-se que, em repetição, o programa voltasse para o ar. Nem sempre a horas próprias para consumo (dantes, era pelas manhãs de sábado e regalávamo-nos com esse genuíno começo de fim-de-semana), mas… está de novo no ar, a partir das 7 horas de sábado! E pode ser ouvido também na página da RDP na Internet.
Estamos satisfeitos por a batalha ter sido ganha e consola ler o comentário de Adelino Gomes – que, enquanto Provedor do Ouvinte, cedo se apercebeu, pelas constantes mensagens que recebia, do interesse deste «prazer da conversa com Rafael Correia» – inserto nessa página da RDP:
«O mais belo programa da rádio jamais feito sobre a terra, as gentes, os costumes, a cultura do sul do continente português».
[Publicado em Notícias de S. Braz (S. Brás de Alportel), nº 181, 15 de Dezembro de 2011, p. 14].
domingo, 18 de dezembro de 2011
Heroísmo português no Brasil guarda-se no Museu do Mar
Teve despretensioso e anódino título, «Doação de artefacto de história marítima ao Museu do Mar Rei D. Carlos», a proposta nº 965/2011, apresentada pela Senhora Vereadora da Cultura na reunião camarária de 3 de Outubro, p. p.
Inserem-se os considerandos no estilo habitual de propostas congéneres: é vocação deste museu contribuir, inclusive mediante o enriquecimento das suas colecções, para documentar o que foi a gesta marítima nacional; por isso, a proposta ia no sentido de se «aceitar a doação de Maria Leonor Vieira de Novais e Castilho Monteiro, constituída por uma placa de agradecimento oferecida em 1898, por cidadãos brasileiros e portugueses de S. Paulo ao comandante português Augusto de Castilho, pelo seu papel na revolta da armada brasileira de 1894».
Não consta que tenham sido feitos quaisquer comentários durante a reunião, pensando os mui dignos vereadores que se tratava de mais uma das muitas doações que felizmente se destinam àquele museu, repositório da nossa tradição de pescadores e mareantes. Foi, por isso, aprovada, sem mais, por unanimidade. Decerto a algum o nome Augusto de Castilho não terá soado a desconhecido, por ser nome de arruamentos, aqui e além, na zona da Grande Lisboa, ou por ter havido uma corveta da Armada Portuguesa baptizada com esse nome…
Não se trata, porém, de uma doação vulgar.
O gesto heróico
A preciosa placa, oferecida ao Museu do Mar por uma sobrinha do homenageado, através da intervenção directa de um dos sócios do Grupo de Amigos, explicita, na inscrição junto ao anagrama de Augusto de Castilho (Augusto Vidal de Castilho Barreto e Noronha, de seu nome completo, nascido em Lisboa a 10 de Outubro de 1841, cidade onde viria a falecer a 30 de Março de 1912):
«Heróico comandante da Mindelo e da Affonso de Albuquerque em 1894 nas águas do Rio de Janeiro. Homenagem de Brasileiros e Portuguezes residentes em S. Paulo. 6-12-98».
Que se passou, então, com este brioso militar da Marinha Portuguesa?
Nesse ano de 1894, comandava Augusto de Castilho esses dois vasos de guerra, ancorados no porto do Rio de Janeiro, quando rebentou a rebelião no seio da esquadra brasileira contra o governo de Floriano Peixoto, que instalara a República. Uma revolta que motivou intensa actividade diplomática, gerida de modo especial pelo Conde de Paço d’Arcos, Carlos Eugénio Correia da Silva, o primeiro diplomata português nesse Brasil recém-republicano, uma vez que os portugueses foram de imediato considerados apoiantes dos revoltosos monárquicos e conservadores.
Esmagada a revolta, 493 brasileiros, incluindo cerca de 70 oficiais e o respectivo cabecilha, o almirante Saldanha da Gama, pediram asilo a bordo. Augusto de Castilho não hesitou em o conceder. E, não obstante os enormes protestos das autoridades brasileiras, que faziam temer o pior, zarpou da Baía de Guanabara e rumou para o Rio da Prata, onde procedeu ao desembarque da quase totalidade dos refugiados.
Tal decisão foi, por conseguinte, muito mal vista pelas autoridades brasileiras; invocou-se violação da soberania; e chegou-se mesmo ao extremo de se concretizar o corte das relações diplomáticas entre os dois países, como o historiador Adelar Heinsfeld muito bem frisou, por ocasião do XXIV Simpósio Nacional de História, que, sob o tema «História e Multidisciplinaridade: territórios e deslocamentos», se reuniu em Julho de 2007, na cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (Brasil), na comunicação intitulada "A ruptura diplomática Brasil-Portugal: um aspecto do americanismo do início da República brasileira".
O testemunho no Museu do Mar
Tendo herdado de seus pais esta placa de homenagem e considerando que se tratava de documento a resguardar num museu, Maria Leonor Castilho Monteiro, que tem casa em Cascais, optou, pois, pelo Museu do Mar como destinatário da sua doação.
Trata-se, na verdade, de um testemunho que, ainda que pertença de uma família concreta, acaba por ser de grande significado histórico, que vale também pelo seu carácter invulgar: não vem, decerto, nos livros que esta homenagem fora prestada quatro anos depois, prova de que a coragem do comandante se perpetuou na memória de quantos dela puderam beneficiar.
São gestos como estes que cumpre sublinhar – porque é também para resgatar memórias que existem os museus.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 294, 14-12-2011, p. 6].
Inserem-se os considerandos no estilo habitual de propostas congéneres: é vocação deste museu contribuir, inclusive mediante o enriquecimento das suas colecções, para documentar o que foi a gesta marítima nacional; por isso, a proposta ia no sentido de se «aceitar a doação de Maria Leonor Vieira de Novais e Castilho Monteiro, constituída por uma placa de agradecimento oferecida em 1898, por cidadãos brasileiros e portugueses de S. Paulo ao comandante português Augusto de Castilho, pelo seu papel na revolta da armada brasileira de 1894».
Não consta que tenham sido feitos quaisquer comentários durante a reunião, pensando os mui dignos vereadores que se tratava de mais uma das muitas doações que felizmente se destinam àquele museu, repositório da nossa tradição de pescadores e mareantes. Foi, por isso, aprovada, sem mais, por unanimidade. Decerto a algum o nome Augusto de Castilho não terá soado a desconhecido, por ser nome de arruamentos, aqui e além, na zona da Grande Lisboa, ou por ter havido uma corveta da Armada Portuguesa baptizada com esse nome…
Não se trata, porém, de uma doação vulgar.
O gesto heróico
A preciosa placa, oferecida ao Museu do Mar por uma sobrinha do homenageado, através da intervenção directa de um dos sócios do Grupo de Amigos, explicita, na inscrição junto ao anagrama de Augusto de Castilho (Augusto Vidal de Castilho Barreto e Noronha, de seu nome completo, nascido em Lisboa a 10 de Outubro de 1841, cidade onde viria a falecer a 30 de Março de 1912):
«Heróico comandante da Mindelo e da Affonso de Albuquerque em 1894 nas águas do Rio de Janeiro. Homenagem de Brasileiros e Portuguezes residentes em S. Paulo. 6-12-98».
Que se passou, então, com este brioso militar da Marinha Portuguesa?
Nesse ano de 1894, comandava Augusto de Castilho esses dois vasos de guerra, ancorados no porto do Rio de Janeiro, quando rebentou a rebelião no seio da esquadra brasileira contra o governo de Floriano Peixoto, que instalara a República. Uma revolta que motivou intensa actividade diplomática, gerida de modo especial pelo Conde de Paço d’Arcos, Carlos Eugénio Correia da Silva, o primeiro diplomata português nesse Brasil recém-republicano, uma vez que os portugueses foram de imediato considerados apoiantes dos revoltosos monárquicos e conservadores.
Esmagada a revolta, 493 brasileiros, incluindo cerca de 70 oficiais e o respectivo cabecilha, o almirante Saldanha da Gama, pediram asilo a bordo. Augusto de Castilho não hesitou em o conceder. E, não obstante os enormes protestos das autoridades brasileiras, que faziam temer o pior, zarpou da Baía de Guanabara e rumou para o Rio da Prata, onde procedeu ao desembarque da quase totalidade dos refugiados.
Tal decisão foi, por conseguinte, muito mal vista pelas autoridades brasileiras; invocou-se violação da soberania; e chegou-se mesmo ao extremo de se concretizar o corte das relações diplomáticas entre os dois países, como o historiador Adelar Heinsfeld muito bem frisou, por ocasião do XXIV Simpósio Nacional de História, que, sob o tema «História e Multidisciplinaridade: territórios e deslocamentos», se reuniu em Julho de 2007, na cidade de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (Brasil), na comunicação intitulada "A ruptura diplomática Brasil-Portugal: um aspecto do americanismo do início da República brasileira".
O testemunho no Museu do Mar
Tendo herdado de seus pais esta placa de homenagem e considerando que se tratava de documento a resguardar num museu, Maria Leonor Castilho Monteiro, que tem casa em Cascais, optou, pois, pelo Museu do Mar como destinatário da sua doação.
Trata-se, na verdade, de um testemunho que, ainda que pertença de uma família concreta, acaba por ser de grande significado histórico, que vale também pelo seu carácter invulgar: não vem, decerto, nos livros que esta homenagem fora prestada quatro anos depois, prova de que a coragem do comandante se perpetuou na memória de quantos dela puderam beneficiar.
São gestos como estes que cumpre sublinhar – porque é também para resgatar memórias que existem os museus.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 294, 14-12-2011, p. 6].
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Invenções de gavetas
– Ora lá vens tu com mais uma invenção de gavetas!... A expressão era utilizada quando alguém se armava em esperto e apresentava, para resolução de uma situação, um projecto que, vindo de quem vinha, por ser useiro e vezeiro nesse tipo de sugestões, não teria qualquer viabilidade prática.
Não sei donde terá origem a expressão. ‘Invenção’ detém, aqui, o seu sentido mais popular de «fantasia imaginada com astúcia»; por seu turno, a referência a gavetas estará, sem dúvida, relacionada com o hábito de se usarem gavetas falsas ou múltiplas para melhor se guardarem tesouros ou jóias. Recorde-se como se apresentam cheios de pequenas gavetas os contadores indo-portugueses, algumas delas fingidas e, por isso, aparentemente desnecessárias, servindo, porém, como embuste para atrapalhar ladroagem!... Lembro também o hábito do segundo quartel do século XX de, no quarto de vestir das senhoras nobres ou da alta burguesia, existirem móveis cheios de gavetas, cada uma com sua etiqueta… o cúmulo da arrumação!
Penso, pois, que essa referência algarvia a algo de irrealista, saído de mente fecunda em ideias estapafúrdias – essa ‘invenção de gavetas’… – terá a ver com a abundância de gavetas no mobiliário, incompreensível para o comum dos mortais…
Publicado no mensário VilAdentro [S. Brás de Alportel], nº 155 (Dezembro 2011) p. 10.
Não sei donde terá origem a expressão. ‘Invenção’ detém, aqui, o seu sentido mais popular de «fantasia imaginada com astúcia»; por seu turno, a referência a gavetas estará, sem dúvida, relacionada com o hábito de se usarem gavetas falsas ou múltiplas para melhor se guardarem tesouros ou jóias. Recorde-se como se apresentam cheios de pequenas gavetas os contadores indo-portugueses, algumas delas fingidas e, por isso, aparentemente desnecessárias, servindo, porém, como embuste para atrapalhar ladroagem!... Lembro também o hábito do segundo quartel do século XX de, no quarto de vestir das senhoras nobres ou da alta burguesia, existirem móveis cheios de gavetas, cada uma com sua etiqueta… o cúmulo da arrumação!
Penso, pois, que essa referência algarvia a algo de irrealista, saído de mente fecunda em ideias estapafúrdias – essa ‘invenção de gavetas’… – terá a ver com a abundância de gavetas no mobiliário, incompreensível para o comum dos mortais…
Publicado no mensário VilAdentro [S. Brás de Alportel], nº 155 (Dezembro 2011) p. 10.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Andarilhanças 27
Toponímia de Carcavelos
Prosseguem Manuel Eugénio e José Ricardo Fialho o projecto de cimentar comunidade, porque ensinar-nos o significado do nome da nossa rua em muito contribui para isso, para até sentirmos mais nosso o arruamento onde vivemos.
Depois de o terem feito em relação a Cascais (2009) e ao Estoril (2010), disponibilizam-nos agora, com o imprescindível apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, Toponímia da Freguesia de Carcavelos (2011). Quase 180 páginas, sempre com ilustrações referentes ao topónimo em análise, que se folheiam com prazer.
Parabéns!
Folhetos de muito louvar
Levei, há dias, um amigo que reside no Brasil a visitar a Casa das Histórias da Paula Rego. Apreciou os desenhos; horrorizou-se com o oratório (essa é, seguramente, a intenção da pintora: horrorizar, mostrando o universo em que se movimenta); deliciou-se com a tapeçaria «Alcácer-Quibir»; celebrou a arquitectura de Souto Moura.
Desanuviámos, depois, na vizinha ecocabana, excelente ideia. E foi a minha vez de apanhar tudo quanto era desdobrável disponível, um mundo de sugestões para… habitar o espaço público!
Alguns dos títulos (certamente outros haverá): Rota das Aldeias (em Sintra e em Cascais), Rota do Cabo Raso, Rota do Litoral do Guincho, Rota das Quintas, Rota dos Capuchos… O objectivo: «Sinta a Natureza»! A iniciativa vem de uma parceria que envolve as câmaras de Sintra e de Cascais (através dos Pelouros do Desporto), o Parque Natural Sintra-Cascais, o Turismo de Portugal e outras entidades.
Aplauda-se a iniciativa!
Ideia, sonho… realidade!
Um bem variegado manto de criatividade aconchegou brilhantemente a cerimónia da inauguração, no passado dia 30, dos novos equipamentos da Cooperativa O Nosso Sonho, em Outeiro de Polima.
Da extrema funcionalidade e modernidade do edifício (creche, infantário e pré-escolar) nem vale a pena escrever: primam pela excelência a que a equipa chefiada pela Dra. Fátima Souto já nos habituou.
Saliente-se, porém, quanto foi prazenteiro para os que pudemos estar presentes sentir o entusiasmo de educadoras e de petizes na apresentação das várias «cenas» com que, ao longo do percurso da visita, deliciadamente nos foram presenteando. E nós deliciadamente saboreámos!
Inundações
Sempre se chamou a atenção para as grandes alterações que a impermeabilização do solo provoca. Há, aliás, obrigatoriedade, para grandes obras, de se fazer a avaliação do impacte ambiental por técnicos especializados (Decreto-lei nº 6/2000, de 3 de Abril).
Terrenos de semeadura sitos na encosta de colinas, se são abundantemente preenchidos por construção, tornam-se canais de escoamento das águas pluviais outrora facilmente absorvidas pelas terras. E como tudo se mantém em declive e a construção desce até ao vale, a velocidade de descarga, aquando de chuvada repentina ou continuada, tem as consequências que bem se conhecem. E… aqui d’el-rei que tenho tudo inundado, máquinas estragadas, mobília sem aproveitamento possível!...
Assim, em Outeiro de Polima, nas traseiras da Saint Dominic’s School.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 293, 07-12-2011, p. 6].
Prosseguem Manuel Eugénio e José Ricardo Fialho o projecto de cimentar comunidade, porque ensinar-nos o significado do nome da nossa rua em muito contribui para isso, para até sentirmos mais nosso o arruamento onde vivemos.

Depois de o terem feito em relação a Cascais (2009) e ao Estoril (2010), disponibilizam-nos agora, com o imprescindível apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, Toponímia da Freguesia de Carcavelos (2011). Quase 180 páginas, sempre com ilustrações referentes ao topónimo em análise, que se folheiam com prazer.
Parabéns!
Folhetos de muito louvar
Levei, há dias, um amigo que reside no Brasil a visitar a Casa das Histórias da Paula Rego. Apreciou os desenhos; horrorizou-se com o oratório (essa é, seguramente, a intenção da pintora: horrorizar, mostrando o universo em que se movimenta); deliciou-se com a tapeçaria «Alcácer-Quibir»; celebrou a arquitectura de Souto Moura.
Desanuviámos, depois, na vizinha ecocabana, excelente ideia. E foi a minha vez de apanhar tudo quanto era desdobrável disponível, um mundo de sugestões para… habitar o espaço público!

Alguns dos títulos (certamente outros haverá): Rota das Aldeias (em Sintra e em Cascais), Rota do Cabo Raso, Rota do Litoral do Guincho, Rota das Quintas, Rota dos Capuchos… O objectivo: «Sinta a Natureza»! A iniciativa vem de uma parceria que envolve as câmaras de Sintra e de Cascais (através dos Pelouros do Desporto), o Parque Natural Sintra-Cascais, o Turismo de Portugal e outras entidades.
Aplauda-se a iniciativa!
Ideia, sonho… realidade!
Um bem variegado manto de criatividade aconchegou brilhantemente a cerimónia da inauguração, no passado dia 30, dos novos equipamentos da Cooperativa O Nosso Sonho, em Outeiro de Polima.

Da extrema funcionalidade e modernidade do edifício (creche, infantário e pré-escolar) nem vale a pena escrever: primam pela excelência a que a equipa chefiada pela Dra. Fátima Souto já nos habituou.
Saliente-se, porém, quanto foi prazenteiro para os que pudemos estar presentes sentir o entusiasmo de educadoras e de petizes na apresentação das várias «cenas» com que, ao longo do percurso da visita, deliciadamente nos foram presenteando. E nós deliciadamente saboreámos!
Inundações
Sempre se chamou a atenção para as grandes alterações que a impermeabilização do solo provoca. Há, aliás, obrigatoriedade, para grandes obras, de se fazer a avaliação do impacte ambiental por técnicos especializados (Decreto-lei nº 6/2000, de 3 de Abril).
Terrenos de semeadura sitos na encosta de colinas, se são abundantemente preenchidos por construção, tornam-se canais de escoamento das águas pluviais outrora facilmente absorvidas pelas terras. E como tudo se mantém em declive e a construção desce até ao vale, a velocidade de descarga, aquando de chuvada repentina ou continuada, tem as consequências que bem se conhecem. E… aqui d’el-rei que tenho tudo inundado, máquinas estragadas, mobília sem aproveitamento possível!...
Assim, em Outeiro de Polima, nas traseiras da Saint Dominic’s School.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 293, 07-12-2011, p. 6].
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