terça-feira, 3 de julho de 2012

Grande auditório do CCB encheu de novo para ver dançar!


            Depois de, na quarta-feira, 27, ter esgotado para ver a apresentação final da Escola de Dança Ana Manjericão, de Cascais, foi a vez do outro lado da Serra de Sintra: o grande auditório do Centro Cultural de Belém encheu-se de novo por completo, no sábado, 30 de Junho, para ver e aplaudir os mais de 700 alunos das seis academias Ai! A Dança (Sintra I e II, Santa Iria, Loures I e II e Azambuja), com direcção de cena de Cristina Pereira e coreografia de vários dos docentes, que naturalmente integraram o espectáculo.
            Ao final da tarde, 24 danças em duas horas, nos mais variados estilos que ininterruptamente se sucederam: hip hop (um espanto o número final, pelas academias de Loures I e Sintra II, sob direcção do Prof. Fernando Lopes), flamenco (vistoso!), ballet clássico, dança contemporânea (realce para as sentidas e bem coreografadas homenagens ao Fado), dança criativa, dança do ventre, ritmos latinos… um sem-fim entusiasmado e comunicativo, em que se misturaram, em plena harmonia, desde a criancinha de três anitos à senhora sénior, numa jovialidade contagiante!
            As academias Ai! A Dança existem há 11 anos, «11 anos a dançar por amor à arte majestosa», porque «a Dança é para nós», lê-se no folheto do programa, «a linguagem da alma, diz o que se sente sem haver necessidade de verbalizar nada…». Daí essa enorme partilha de gerações, que muito sensibiliza, pelo seu enorme significado humano.
            Parabéns a todos, de modo especial à Profª Lucília Bahleixo, pelo seu contagiante dinamismo e boa disposição, para além, obviamente, do grande profissionalismo que demonstra!

Publicado no Cyberjornal de 3-07-2012

As grutas pré-históricas, património a valorizar!

         No momento em que o NASPE comemora 15 anos de actividade em prol da defesa do património cultural de S. Pedro do Estoril – parabéns! – lançar de novo o olhar para um dos seus monumentos mais significativos, a nível da sua história, parece-se-nos forma condigna de nos associarmos à comemoração.
            Na verdade, o pouco que resta das grutas artificiais que o Homem escavou na falésia, há cerca de cinco mil atrás, merece ser revalorizado.
Aquando da exposição «Blick, Mira, Olha!», patente no Centro Cultural de Cascais desde 12 de Novembro de 2011 a 12 de Janeiro, p. p., mostraram-se instantâneos fotográficos das investigações arqueológicas em que o Instituto Arqueológico Alemão participou e S. Pedro do Estoril ocupou aí lugar de destaque, tendo sido escolhida para capa do catálogo precisamente uma das fotos colhidas na falésia.
            Também na pequena Sala de Arqueologia do Museu dos Condes de Castro Guimarães, dedicada à Pré-história cascalense, aos objectos encontrados no decorrer das investigações da década de 40 foi dado o devido realce, não apenas pelo seu interesse histórico mas também pelo valor estético. São notáveis, por exemplo, as quatro espirais de ouro usadas, há cinco mil anos, como anéis; ainda guardava uma delas a falange do indivíduo jovem que a levara para a sepultura!… Os preciosos onze botões de osso (circulares, em forma de tartaruga ou ‘de carrinho de linhas’…) indiciaram, pela sua colocação, que o defunto fora sepultado envergando a peça de roupa (um casaco?) a que esses botões pertenceriam. As grandes taças de pé, de barro profusamente decorado, são também exemplares fora do comum em necrópoles datadas dessa época.
Tudo isso, enfim, nos mostra que os habitantes de então já detinham um estatuto económico e cultural fora do comum. E tudo isso, portanto, não se compadece com a ausência de mais atenção aos vestígios remanescentes no terreno do que foram os locais donde esses materiais provieram!
Nunca será de mais louvar a oportunidade da criação do Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal, por todas as valências que nele têm sido dinamicamente aproveitadas; contudo, não só uma periódica e mais assídua limpeza do ‘recinto’ da gruta que nele está incorporada (amiúde transformada em lixeira…) como também mais frequente evocação, através de iniciativas específicas, do que foi esse passado longínquo do lugar não se nos afiguram despiciendas – e seriam de muito louvar! A possibilidade de, numa vitrina, se exporem réplicas desses objectos passíveis, inclusive, de serem comercializadas, acompanhadas de breves e singelos textos explicativos, constituiria igualmente deveras significativa mais-valia. E S. Pedro do Estoril bem o merece!

[Publicado em Cai Água (Boletim do Núcleo de Amigos de S. Pedro do Estoril), nº 27, Junho 2012, 1ª pág.].

Descarrilou o rápido do Algarve!

Diz-se que o tempo é fautor de História (com maiúscula), porque só com o tempo se obtém o distanciamento necessário para melhor se ajuizar de causas e consequências. Por isso se hesita, por vezes, em fazer história dos nossos dias, sob pretexto de que ela… não existe!
Tenho procurado apoiar a poesia dita «popular» como significativo património cultural imaterial, a que, felizmente, ora se está a dar a importância que merece, pois aí ingenuamente se reflectem atitudes perante a realidade nossa contemporânea. Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia já o compreenderam e não serão poucas as que contam no currículo a edição dos seus poetas.
Permita-se-me, pois, que, na sequência do que escrevi na passada edição acerca do que terá sido o sentir português continental acerca da permanência de soldados para os Açores no decurso da II Guerra Mundial, eu evoque um outro episódio da minha infância.
Tinha eu nove aninhos e recordo como se fosse hoje: à entrada do mercado saloio de Cascais, uma senhora cantava um fado sobre o grande descarrilamento que ocorrera, na semana anterior, a 13 de Setembro de 1954, no rápido do Algarve.
Hoje, estudos feitos, vejo nela a continuadora dos jograis d’outrora; contudo, haverá alguém que tenha esses versos? Jornal algum da época os terá transcrito? E, com efeito, em versos quiçá de pé quebrado, aí se mostrava o pesar de todo um Povo perante o inesperado desastre que enlutara o País.
Há, evidentemente, alguns artigos já sobre o acidente. Vejam-se, por exemplo: a notícia «O descarrilamento do "Rápido" do Algarve», Gazeta dos Caminhos de Ferro, 67, 1 de Novembro de 1954, p. 305 e 309; e a evocação feita por Rogério Guinote Mota: «A tragédia do “Rápido” do Algarve», O Foguete (Revista da Associação de Amigos do Museu Nacional Ferroviário), 10, 3º Trimestre de 2004, p. 24-27. Contudo, esses versos dolentemente cantados expressaram, sem dúvida, um sentimento que os relatos ponderados e concretos nunca conseguirão transmitir!

                       Publicado no quinzenário Renascimento [Mangualde], nº 596, 01-07-2012, p. 4.

Dez anos da independência de Timor comemorados em Oieras

   
            Numa iniciativa do escritor timorense Luís Cardoso, munícipe de Oeiras, que contou com a colaboração da Biblioteca Municipal, realizou-se, no final da tarde do passado dia 19 de Maio, no auditório daquela biblioteca, uma sessão comemorativa das 10 anos da independência de Timor Leste.
            Bárbara Reis, directora do Público, historiou os passos dados no sentido de a independência se conseguir. O timorense João Piedade, padre jesuíta, catedrático de Filosofia na Universidade Gregoriana de Roma, acentuou a importância que a religião teve na manutenção de uma identidade, tendo em conta que a presença portuguesa no território se prolongou por 500 anos e foi preciso lutar contra o obscurantismo que a Indonésia quis impor durante 25 anos; «Os indonésios», disse, «nunca conseguiram conquistar o coração timorense», fiel à língua portuguesa e à fé cristã. António Cardoso, professor de História Contemporânea, referiu-se à investigação que está a orientar, depois da descoberta de importante documentação sobre a história timorense, mormente durante a II Guerra Mundial. Teresa Almeida teceu considerações sobre «Literatura e identidade nacional»: depois de sublinhar que o ensino do Estado Novo marcou a elite timorense, acentuou a importância de escritores como Fernando Sylvan e Luís Cardoso na criação e reforço de uma literatura de raiz timorense, aludindo, de modo particular, ao significado do livro «Crónica de uma Travessia».
            Presente a vereadora da Cultura, Professora Luísa Carrilho, sobrinha de Fernando Sylvan, que enalteceu o interesse da sessão e louvou os organizadores. Encerrou a cerimónia um breve concerto em que um quarteto interpretou cantares timorenses e outros de raiz popular. Luís Cardoso agradeceu, por fim, toda a colaboração prestada, designadamente pela direcção da biblioteca e todo o seu pessoal.

           

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Escola de Ana Mangericão dá lições no CCB

            Decorreu na noite do dia 27 (quarta-feira), na grande auditório do Centro Cultural de Belém, a apresentação de final de ano das classes de bailado da Escola de Dança Ana Mangericão, sita, como se sabe, na Urbanização do Buzano (freguesia de S. Domingos de Rana).
            Ao vermos passar pelo palco, com grande à-vontade, enorme aprumo e sentido de responsabilidade, num profissionalismo que suporíamos bem difícil de atingir por crianças de tão tenra idade e por jovens que tão amiúde são apodados de inconscientes e levianos, num total de (pasme-se!) 402 participantes, alguns deles de mui tenra idade – imaginamos (sim, imaginamos, porque, no fundo, acabamos por não saber ao certo como é…) todo um trabalho dedicadíssimo de um corpo docente que, briosamente liderado por Ana Mangericão, faz das tripas coração, consegue inocular nos alunos uma disciplina, um gosto, uma entrega sem igual!
            Assim – até por sabermos quanto foi difícil o estado de saúde de Ana Mangericão (e ela própria o diz na apresentação do programa) – assim vale a pena acreditar, vale a pena demonstrar que ‘isso de bailado’ não é mero entretenimento de gente que nada mais tem que fazer: como Arte, como Cultura, o Bailado contribui eficazmente, mui eficazmente, para a disciplina, o rigor, no total adestramento da atenção, no domínio do gesto e da expressão corporal. Depois de cada lição, o aluno vem para casa e para a rua com um outro espírito, um outro olhar, uma outra vontade de vencer.
Foi, pois, uma delícia para quantos – familiares e amigos – encheram o grande auditório assistir ao resultado de mais um ano de trabalho, num espectáculo magnificamente montado, subordinado ao tema «As artes na construção de valores». Daí que cada bailado obedeça a um desses valores que se preconizam: na literatura, o respeito, a cooperação, a cidadania; no teatro, a ética; no cinema, a perseverança; na pintura, a liberdade; na escultura, a solidariedade; na dança, a partilha, a cumplicidade e a lealdade; na música, a amizade, a humildade, a honestidade, a justiça, a integridade, a participação e a responsabilidade.
E se, na cidadania, com coreografia de Alexandra Barbosa da Silva, nos deliciámos com os pequenitos, disfarçados de animais do nosso quotidiano doméstico, na ética, encenada por Teresa Corte-Real, os alunos de Movimento e Dança mostraram como as artes se fundem e nos maravilham. Encantaram-nos, como sempre, as turmas de sapateado (a retratar a perseverança insistente das cenas de filmagens). Foi bonita a ‘cumplicidade’, coreografada por Patrícia Cayatte; brilharam os alunos dos 3º e 4º ano vocacional, com Leonor Ramos e Guilherme Leal (uma esperança, este rapaz!), na Lealdade, coreografada por Caroline Chapman. Ternurenta, pelo intenso simbolismo do guarda-roupa, a Humildade, coreografada por Ana Mangericão… E, a finalizar, «Responsabilidade», numa sugestiva coreografia de Alexandra Barbosa da Silva e Susana Rodrigues, com a sempre agradável banda sonora de «Música no Coração», interpretada pelos mais pequenininhos (níveis 0, 1A e 1B) deixou-nos na boca o gosto amargo de… querermos ainda mais!
Lindo, o guarda-roupa (que trabalheira não deve ter dado!...); graciosos e sempre bem sincronizados, os movimentos; excelente, a integração das idades… Uma lição! Parabéns!
Entre os convidados, a Dra. Ana Clara Justino, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Cascais, o Comendador Joaquim Baraona, da Academia de Letras e Artes, e a Drª Cristina Pessoa, em representação da DRELVT – Ensino Artístico.

                                [Publicado no Cyberjornal, de 29-06-2012]

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sardinhada no Centro de Dia da Areia, pretexto para ampla confraternização


            Organizada pela Junta de Freguesia de Cascais, realizou-se na terça-feira, dia 19, nas instalações do Centro de Dia da Areia, a tradicional sardinhada dos utentes dos centros de dia geridos pela autarquia. Foi Pedro Morais Soares, o presidente da Junta, garboso anfitrião.
            Cerca de duas centenas de pessoas puderam, assim, confraternizar, ao som da boa música tradicional portuguesa, enquanto saboreavam boa sardinha a pingar no pão, acompanhada, como é de lei, pela batata cozida com casca, a saborosa salada, a aprimorada sangria e, a culminar, no final, a bem apurada salada de frutas.
            Sentaram-se na mesa comprida da presidência os convidados: o presidente da Câmara, o vereador da Acção Social, o presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche, membros da Junta e da Assembleia de Freguesia de Cascais, além dos mais altos representantes das forças vivas com sede na freguesia - a capitania do Porto e a Divisão da PSP.
Tudo muito bem organizado, num ambiente acolhedor, excelente pretexto de convívio, nomeadamente entre a geração dos seniores que assim puderam também recordar tempos antigos. Aliás, também os autarcas fizeram questão de passar pelas mesas, a cumprimentar, a trocar impressões, a ouvir opiniões e sugestões de munícipes e fregueses…
Estão de parabéns os organizadores e, de modo especial, a equipa que tudo preparou e tão bem serviu.

            [Publicado no Cyberjornal, 23-06-2012]

«Mãe Natureza», na Confluência, em Cascais

            Num original de Maria Helena Torrado, com encenação de Ricardo Carriço e músicas originais de Vanessa Teixeira, está em cena, em Cascais, a peça musical infantil «Mãe Natureza», representada pelo Grupo de Teatro Confluência.
            A pretexto de se identificarem os animais e os seus hábitos, acaba-se, de uma forma singela, por incutir nas crianças não apenas o respeito pela Natureza na sua biodiversidade mas também por as incentivar a melhor observarem o meio que as rodeia. Tudo se passa como que numa floresta, em que, sob a direcção da Mãe Natureza, se retrata a vida de uma grande quantidade de animais – chega a haver quase duas dezenas em palco!...
Uma peça de uma hora, bem divertida, ao fins-de-semana: sextas, às 21.30 h; sábados, 18.30 h; domingos, às 16.
O Espaço Teatro Confluência – www.confluencia.pt – tem o apoio da Junta de Freguesia de Cascais e fica no nº 25 da Rua Freitas Reis, próximo da Escola de Ensino Básico nº 1.

 [Publicado no Cyberjornal de 24-06-2012]