quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O dia-a-dia falado

            Andam pelos livros, recolhem-se por vezes, transmitem-se de avós para netos… mas, amiúde, a Escola vai ensinando outras frases e as que aprendemos de pequenos ou que então faziam parte do nosso dia-a-dia falado acabam por ir esquecendo, só voltando de novo à superfície (e a Ciência confirma-o…) quando entramos na chamada «terceira idade» e os ditos de infância um dia nos surgem, de repente, vindos nem nós já sabemos bem donde!...
            E infância é mundo onde os animais constituem companhia soberana, mais até do que o resto da família. Cedo aprendemos a chamar «buche, buche, buche!» para o canito vir ter connosco. Ou, então, se há bocadinho de peixe a jeito: «Bichanina, bichanina, biche, biche, biche!...» – e o gatinho lá acorre, pressuroso, a ver o que a gente quer, e sabe que coisa boa deve ser.
            Para se mostrar contente, o bichano não se cansa de dar tarrutas nas pernas do dono; por isso, aliás, um dos primeiros gestos que ensinamos aos nossos bebés: «Tarruuuta! Tarruuuta!...» – e ele inclina a cabeça para bater meigamente na nossa testa. Uma ternura convivial!... Como o é aquela carícia doce, acompanhada de lengalenga, de que cada qual cria uma versão, fazendo uma festinha ora numa ora noutra das faces do bebé, terminando em jeito de pancadinha amorosa: «Bichanina gato, que comeste tu? – Sopinhas de mel! – E não me guardaste? Maroto, maroto, maroto!»… E tudo se desdobra em gargalhada sorridente!...

Publicado no mensário VilAdentro [S. Brás de Alportel], nº 166 (Novembro 2012) p. 10.

 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Imposto sobre a saudade

            São muitos – sabe-se – os jovens que ora saem do País, buscando noutros os meios de sobrevivência que o paradigma político-económico vigente na Europa lhes nega e continuará a negar enquanto não houver força bastante – como a houve na Islândia – para o liquidar de vez.
O caso dos 24 enfermeiros que partiram para o Reino Unido, com contrato de trabalho, porque não encontraram aqui colocação, teve, porém, honras de relevante notícia. Vi-a no telejornal de 18 de Outubro, p. p., e no do dia seguinte e já recebi, pela Internet, cópia da carta que o Pedro Miguel ousou escrever à Presidência da República. E, nela, entre outras muitas verdades fortes como punhos, uma passagem houve que me pôs um nó na garganta e, por largos momentos, nem consegui articular palavra:
«Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra».
Só quem não viveu fora de Portugal, por apenas quinze dias seguidos que fosse, é que não compreende o que significam estas palavras, o que elas doem, o que é esta «falta do cheiro a mar»…
Sim, só nos faltava criarem esse imposto! E não me admiraria se, um dia, tecnocratas pensassem nisso, eles que só têm olhos para as colunas do deve e do haver.
De tal modo que nem sequer repararam na Mónica, que disse quanto lhe custava ver que o Estado português investira na sua formação e agora, que ela estava disposta a retribuir, vai retribuir para outro lado, porque não tem possibilidade de o fazer aqui. Esta é uma coluna do deve e do haver que não entra nos gráficos, porque quem os faz nem sequer disso se lembra, tão obcecado está com outros horizontes.
Pedro, tu podes chorar! Podes ter saudades! Não deixaremos que também nos roubem essa possibilidade. E dá de nós um bom testemunho; de nós, Povo, dos teus familiares, dos que te ensinaram a ter espírito crítico e coragem de escrever o que escreveste. Estamos-te todos muito gratos, acredita!

Publicado no quinzenário Renascimento (Mangualde), nº 603, 01-11-2012, p. 4.

domingo, 4 de novembro de 2012

Retrato de um sentir feminino

            Não é apenas Agatha Christie que tem razão quando afirmou que o marido continuaria a gostar dela porque, sendo arqueólogo, gostava das «coisas velhas»; também parece verificar-se como verdadeira a realidade de o arqueólogo, a determinado momento, também se sentir poeta. É, sem dúvida, esse contacto maior com a Natureza, a terra que lhe passa pelas mãos, os objectos que vai exumando, esse diálogo com os que, séculos e até milénios atrás, por ali andaram e deles se encontram os vestígios...
            São, pois, vários os arqueólogos portugueses que publicam livros de poesia. Eu tenho-me na pele (fraca) de arqueólogo, não sou poeta, mas gosto de escrever e, sobretudo, de dar a conhecer o que de interessante outros escrevem.
            Atrevi-me, em 2004, a tecer considerações sobre livro de poemas de um arqueólogo ilustre e enviei-lhe previamente o texto, na intenção de que ele diligenciasse, se achasse bem, para a sua publicação num jornal local. No que eu me fui meter! Desancou-me o senhor de cima a baixo, porque eu não percebera da sua poesia. Remeteu-me para outros livros seus, para eu (só depois!) me poder abalançar a fazer uma apreciação crítica válida a este. Precisava de ter lido todos os outros e Fulano (nome de um professor igualmente ilustre como ele) é que compreendia bem «o profundo» da sua poesia: «Acho que é importante perceber o mais profundo da minha poesia, e por isso também é preciso ler os outros meus livros…».
            Agradeci-lhe o atestado da minha burrice e guardo religiosamente, qual autógrafo, os seus comentários manuscritos ao texto dactilografado que eu lhe remetera.
Sou, porém, reincidente e ouso, por isso dar conta de uma outra iniciativa congénere: de uma arqueóloga que também decidiu passar a escrito o que, ao longo dos tempos, lhe foi passando na alma, espécie de retrato de um sentir feminino.

À Flor da Pele
O livro À Flor da Pele, da autoria de Ana Alexandra Luz Resende, publicado em papel e em formato digital por Corpos Editora (nº XIII da Colecção Wordl Art Friends: www.worldartfriends.com) foi apresentado na Biblioteca Municipal de Loulé pela Dra. Idália Farinho, louletana dos quatro costados, poetisa e grande estudiosa dos costumes e das manifestações literárias do Povo.
A autora vive em Loulé há vários anos e propôs-se mostrar, neste seu primeiro livro, «o sentir feminino da adolescência à maturidade». Quer isso significar, antes de mais, que se trata de uma ‘compilação’ (como a autora a designa) do que foi escrevendo. Ainda que não datados e certamente não incorporados aqui por ordem cronológica, sente-se que há sonhadora adolescência, em que se é «beijo de rosas / que se requebra / sob o hálito do orvalho», e há a experiência da maturidade, patente, por exemplo, logo na dedicatória «a todos aqueles que ainda têm a coragem de deixar fluir a alma à flor da pele num mundo agredido pela indiferença» – e esta frase constitui, sem dúvida, não apenas a razão de ser do título, mas também a vontade de, através do lirismo, por exemplo, da entrega à pessoa amada e da dedicação aos outros, se lutar contra a indiferença generalizada: «Menino da rua! / Criança perdida / Rumando sozinho / na estrada da vida!».
E, pelo caminho, vão-se retratando as angústias («Quero ser uma rosa e sou um espinho»; os desânimos: «Que esta porta que se fecha / Nunca mais se abrirá»; as ternuras: «Como o mar que se deita com a areia e lhe segreda ao ouvido»; os murmúrios de um pesar: «Pena de quem vive a vida a fugir»; os amores que se desejam eternos: «Mas se só um dia mais bastasse / Para se ter o que se quer de tal maneira / Que esse dia então jamais cessasse / Ou calasse o tempo a vida inteira!»; os vazios: «Beijas os meus lábios mas não sentes meu sabor!»…
Um livro, enfim, para ter na mesa-de-cabeceira. 51 poemas a saborear de vez em quando, antes de adormecer, a deixar-se enlevar na melodia das palavras, em jeito de meditação quotidiana de uma vida que queremos agarrar com ambas as mãos.

Publicado em Cyberjornal, edição de 4-11-2012:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=17315&Itemid=30

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma rede para prevenir os riscos!

            Teve a presença de mais de três dezenas de participantes a reunião programada para o final da tarde de segunda-feira, 22, na sede do Grupo Recreativo e Dramático 1º de Maio de Tires, subordinada ao tema «A acção das colectividades na prevenção do risco e do perigo nas crianças e jovens», uma organização da CPCJC – Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Cascais.
O objectivo da sessão foi o de criar, nesta freguesia, um projecto-piloto que visa envolver as colectividades numa plataforma de intervenção nas situações de crianças e jovens em situação de risco, dado que «pela sua proximidade às famílias e suas crianças, bem como pela sua informalidade e carácter lúdico, as colectividades podem desempenhar um importante papel neste sentido».
Clementina Henriques, vice-presidente da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, começou por mostrar que hoje importa inovar, diversificar e qualificar as estratégias comuns de protecção social, envolvendo o mais possível todos os intervenientes, desde a família à escola e à comunidade.
Manuel do Carmo Mendes, Presidente da Junta de Freguesia de S. Domingos de Rana, que presidiu, deu conta de algumas das iniciavas que a Junta está a desenvolver nesse âmbito (promoção do desporto, fornecimento de refeições…), salientando, por exemplo, a acção ímpar da Escola Fixa de Trânsito da Abóboda e manifestando todo o interesse desta parceria, porquanto S. Domingos é seguramente uma das freguesias do Pais com maior número de colectividades.
Esmeralda Ferreira, Presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Cascais, explicitou qual o esquema que está a ser praticado no concelho neste domínio de apoio à criança e aos jovens em risco, mostrando que, na base da pirâmide, está a família e a comunidade e só depois as instituições de solidariedade social. Apenas quando todos os procedimentos de aconselhamento e acompanhamento se esgotam é que pode recorrer-se à via judicial, no âmbito da lei nº 147/99, de 1 de Setembro, que regula toda esta actividade.
            Estamos certos de que foi este um bom «pontapé de saída» para uma acção concertada, que terá outros desenvolvimentos, mas que, para já, serviu para motivar os assistentes acerca do relevante papel que as colectividades podem – e devem! – desempenhar em todo este processo.

Publicado na edição de 25-10-2012 de Cyberjornal:

A inauguração oficial da «Cozinha com Alma»

             Depois de ter estado a funcionar provisoriamente, durante alguns meses, nas instalações do Centro de Dia da Pampilheira – um dos pólos de actividade da Junta de Freguesia de Cascais –, a loja da «Cozinha Com Alma» passou a ter instalações próprias na Praceta Padre Marçal da Silveira, no limite oriental do mesmo bairro.
            A inauguração oficial decorreu, como se sabe, na passada sexta-feira, 19, ao meio-dia, com a presença de Mariana Ribeiro Ferreira, em representação do Sr. Ministro da Solidariedade Social (ausente por motivo de doença), do Presidente da Câmara, do Presidente da Junta de Freguesia e vários membros do seu executivo e da assembleia de freguesia, da Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Cascais. Acorreram também representantes de entidades que patrocinam o empreendimento, técnicos camarários, jornalistas e população em geral.
            Justificou-se a cerimónia mesmo depois de já se encontrar em actividade há meses, porque desta sorte, inclusive através das reportagens passadas na Comunicação Social (escrita, falada e televisiva) se ficou a saber melhor do que é que efectivamente estava em causa.
Não se trata, como à primeira vista poderia parecer, de mais um acto de ‘caridadezinha’ (entendendo esta na sua conotação pejorativa: «toma lá um peixe para matares a fome»). Os responsáveis por esta IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) reuniram uma série de esforços, bateram às mais diversas portas e conseguiram, assim, parcerias que permitem a elaboração de pratos a preços módicos, confeccionados, diga-se, boa parte deles segundo receitas dos cozinheiros que assim quiseram também colaborar graciosamente. Aproveitaram-se as excelentes virtualidades da cozinha da creche da Pampilheira (gerida pela Santa Casa) e as técnicas da Cozinha com Alma dispõem de uma lista de famílias – inscritas na Junta de Freguesia, após cuidadoso inquérito – às quais, segundo o rendimento familiar, possibilitam refeições. Há, pois, preços diferenciados e a própria população (por enquanto…) não carente pode ir lá fazer as suas encomendas e comprar os pratos confeccionados no próprio dia ou nos dias anteriores e devidamente congelados. É essa uma forma de ajudar a instituição e, ao mesmo tempo, de se ajudar a si próprio, dado que os preços são relativamente baixos, mormente se se fizer a comparação com a qualidade que se fornece. Por conseguinte, não se trata de mais uma instituição de ‘caridade’, de mais uma «sopa dos pobres» no sentido pejorativo que esta expressão consagra, mas de um verdadeiro serviço social, a apoiar.

O jardim da Mário Clarel
            Recordar-se-á que a instalação da loja naquele local provocou uma onda de protesto por parte dos vizinhos, na medida em que para ali, a Rua Mário Clarel, desde há mais de duas décadas, se previa um espaço de lazer. Ora, a loja iria ocupar esse espaço e lá iriam por água abaixo as expectativas criadas.
            Tal não aconteceu, porém, graças fundamentalmente à grande mobilização dos moradores, que suscitou uma reunião com a presidência da Câmara, donde resultou a promessa de que não apenas a loja não iria prejudicar o espaço verde previsto como de imediato se iria estudar o seu correspondente enquadramento.
            Logo que tiveram conhecimento da inauguração oficial da loja (para que, aliás, foram expressamente convidados), os moradores voltaram a insistir junto da Presidência da Câmara e, tanto através de correio electrónico como no próprio dia da inauguração, Carlos Carreiras garantiu o início dos trabalhos logo que ficasse disponível, em 2013, o orçamento previsto para o efeito. E foi-nos dado a conhecer o desenho (em anexo) do que ali se pretende levar a efeito.
            Por conseguinte, por dois meios se procurou alcançar alguma dignidade: primeiro, através de uma acção da comunidade em prol dos mais necessitados (e, no caso concreto de Cascais, mormente da chamada ‘pobreza envergonhada’, que é a dos membros da chamada ‘classe média’, em muito perigosa via de extinção…) e acelerando o processo de reconversão dum espaço, que esperamos venha a ser, dentro em breve, uma boa referência neste bairro.

Publicado na edição de 24-10-2012 de Cyberjornal:

E havia peças de roupa passeio afora…

            Chocou-me, há dias, numa ‘grande superfície’, o jovem casal estrangeiro que experimentava sapatos. Tirou uma série deles das prateleiras, experimentou-os, não levou nenhum e deixou-os todos no chão do corredor, que é como quem diz «Eles têm empregados para repor tudo no sítio!». Têm, de facto; eu interroguei-me, porém, sobre o género de casa deste casal: se teriam filhos para educar, criadas para irem colocando no lugar os seus desvarios... Nem ousei chamar-lhes a atenção; confesso, apenas, o meu pecado: deu-me ganas, naquele momento, de ter poderes para os recambiar de pronto para a sua terra de origem.
            Não sou minimamente contra os estrangeiros; sempre procurei acolhê-los da melhor forma, porque a isso fui educado, dado que sempre convivi com estrangeiros aqui em Cascais e, agora, na minha terra natal, S. Brás de Alportel, a nossa preocupação reside em ver que boa parte da grande comunidade estrangeira ali radicada está a pensar regressar ao seu país de origem, atendendo à brutal carestia de vida e ao crescente clima de insegurança que por cá também já se vive.
            Ocorreu-me a cena do jovem casal quando presenciei uma outra. Junto a um dos receptores de lixo do bem agradável jardim da Rua Aquilino Ribeiro que dá, em S. João do Estoril, para uma praceta sem nome e sem saída, alguém depositou um saco com roupa. A intenção seria, decerto, que ela pudesse ainda ser útil a alguém. Na terça-feira, 9 de Outubro, pelas 10 horas, havia peças de roupa espalhadas pelo chão. Pelo aspecto, roupas em boas condições, prontas a ser usadas depois de uma lavagem normal. Eu estava no carro, a ler, e passaram duas senhoras:
            E vale a pena a gente dar alguma coisa? Olha aquilo ali tudo espalhado pelo chão! – E apontava com a sombrinha, abanando a cabeça: «Não vale!».
            No dia seguinte, mais ou menos à mesma hora, a cena foi outra. As peças de roupa ainda continuavam pela relva, mas um casal (por sinal também com sotaque estrangeiro) que andava na distribuição de panfletos publicitários, pegou nalgumas e, à medida que caminhavam, iam procedendo à escolha. Não consegui ver se terão ficado com alguma peça; creio que não; mas que várias foram semeadas pelo passeio posso garantir…
            Dir-me-ão: mas isso não é assim, tem de se ir a uma instituição! Pois. Não sei como é agora, mas já passei por uma – e a roupa acumulava-se nas prateleiras até ao tecto, porque… não houvera ainda quem se tivesse disponibilizado para proceder a uma selecção criteriosa. E mais: garante-me a Joaquina que já viu com os próprios olhos ir gente a uma instituição, trazer coisas e aventar parte delas para a beira do caminho, algumas dezenas de metros mais adiante…

Publicado em Jornal de Cascais, nº 324, 24.10.2012, p. 6.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Os braços que hoje nos faltam!

            É um dó d’alma! Passeamo-nos por esta S. Brás de terras férteis, boas águas, hortas verdinhas, oliveiras carregadas, alfarrobeiras ora em flor numa esperança de boa colheita… E, ao lado, há amendoeiras cujos frutos secaram na árvore. Figueiras de figos pelo chão ou a apodrecer por entre as folhas. Até as ameixeiras e as romãzeiras clamam por quem lhes colha os frutos gerados pelas noites, pelos dias de calor, pela brandura das manhãs e pela brisa fresca da tarde…
            Clamam – e ninguém lhes acode!
            Faltam braços. Já não há quem se aventure a pendurar-se nas ramadas, quem queira pegar numa vara, quem se dobre no chão para apanhar o que o varejador deitou por terra nos panos adrede estendidos…
            A lamúria vai por aí desde os píncaros do Cerro Botelho ou do Alto da Fonte da Murta até à Soalheira, ao Malhão e passará para as campinas já do outro lado do cômoro…
            Riqueza que prodigamente a Natureza nos dá e braços não há para a acolher. Já os figos não secam no almanxar. Já se não descascam amêndoas: o trabalho que dão não compensa os míseros cêntimos que rendem...
            Por quanto tempo assim será? Por pouco, acho eu, que rapidamente se terão de criar atractivos para que à terra se volte e a riqueza se aproveite.

[Publicado em Notícias de S. Braz [mensário de S. Brás de Alportel], nº 191, 20-10-2012, p. 15].