sábado, 16 de março de 2013

«Abábuas»!

            Abábuas! O menino tem a pernita cheia de abábuas! Foi um bicho que lhe passou por cima, com certeza, e lhe provocou essa inflamação! Está cheio de borbulhagem! Foi isso: centopeia, melga, mosquito dos grandes ou até, se calhar, uma osga, sabe-se lá!... Vamos desinfectar com álcool! Vai arder um bocadinho, mas é pra te curar e tirar a comichão, pra não te coçares, tá bem?...
            «Abábuas»: foi essa a palavra da minha meninice que, tantos anos passados, ora me ocorreu, quando a pernita de um dos meus netos apresentou esses sintomas. E dei comigo a pensar: «Abábuas? Que estranha palavra essa: donde virá?».
            Claro que a pesquisa no dicionário e na Internet não resultou, porque, a existir, o vocábulo é apenas a corruptela de uma ou de duas palavras que têm precisamente esse significado de erupção cutânea, prurido, provocado, por exemplo, pela passagem ou picadela de insecto:
– de baba, com a junção, mui frequente na fala, do a em prótese (como em amandar);
– ou de pápula, sem dúvida mais difícil de pronunciar para ouvidos pouco atreitos a palavras eruditas.
Essa ideia de os ‘bichos’ (mesmo as úteis e inofensivas osgas…) provocarem doenças constitui, aliás, uma crença popular, hoje não despicienda, quando, por tudo ou por nada, se diagnostica: «É uma virose!». E está bem patente naqueloutra palavra de que já tratámos aqui (Ago/Set 2010): o bichoco, espécie de furúnculo, difícil de sarar. Bichoco está por… bicharoco!

Publicado em VilAdentro [S. Brás de Alportel], nº 170 (Março 2013) p. 10.

 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Concerto intimista na igreja da Boa Nova

           A igreja da Senhora da Boa Nova, na Galiza (Estoril), registou boa afluência de público para escutar Missa Brevis, de João Gil, interpretada pelo conjunto Cantate formado expressamente para esse efeito, um disco lançado em finais de Outubro passado. Luís Represas e Manuel Botelho foram as vozes; João Gil esteve à guitarra, Diana Vinagre no violoncelo e Manuel Paulo ao piano. Foi no sábado, 9, a partir das 21.45 h.
            Cerca de 45 minutos em que nos foram proporcionadas, em latim, as partes mais salientes da missa católica. Entra-se com o salmo 103, «Bendiz, ó minha alma, o Senhor!». Invoca-se o perdão divino, numa litania que desde sempre manteve o grego como forma e força de expressão: Kyrie, eleison! Proclamam-se os louvores de Deus no Gloria in excelsis Deo! Há depois o Aleluia e o Credo. O ofertório foi momento de instrumental, a cargo da guitarra e apetecia-nos também ter por aí harpejos antigos de uma harpa bíblica… Veio, antes, decerto por lapso, o louvor do Sanctus. E, antes do Pai-nosso, a fórmula final da consagração. Depois, o Agnus Dei, a comunhão, a sonoridade quente do violoncelo em acção de graças e, por fim, em apoteose, o salmo 105: «Cantai-Lhe hinos e salmos, proclamai as Suas maravilhas».

Uma razão
            É provável que a maior parte dos trechos deste disco não venham a ficar no ouvido e não sejam trauteadas, até porque o Latim constituirá, decerto, um obstáculo. Contudo, a exaltação final do Credo soou-nos portentosa e vibrante; o pedido «dá-nos a paz!», pela sua doçura e sincopada força, faz estremecer; o convite à proclamação das maravilhas, esse, sim, entusiasma e sente-se.
            Explica João Gil, nas «notas prévias» do programa, que Missa Brevis constituiu retorno à sua infância na Covilhã: «Lembro-me de minha mãe, pessoa de enorme sensibilidade que nos soube transmitir o bom senso e a compreensão do mundo espiritual». E admite, a terminar, que «a austeridade dos tempo difíceis foi decisiva» para criar esta «intensidade dramática», esta «heroicidade».
            Creio não andar longe da verdade se disser que foram bem sentidos os prolongados aplausos finais, porque os 45 minutos ali vividos souberam a libertação, a retorno, também nosso, a um outro tempo. A escolha do Latim espiritual da nossa infância lembrou o contraste com o domínio frio e material do inglês da actualidade… E o inesperado de vermos músicos consagrados voltarem-se para um tema de eternidade é sintoma da necessidade hoje sentida de um outro olhar para a realidade envolvente.

As falhas da organização
            O público começou a chegar logo pelas 21 horas. Podia levantar-se o programinha, dava-se um óbolo, se assim se entendesse (era para o Centro Paroquial do Estoril). E o que é se pensou para entreter? Um vídeo de publicidade ao Centro, incitando a que, no preenchimento do impresso para o IRS, se destinasse para ele aquela verba, lá no quadradinho onde se põe a cruzinha a indicar a entidade beneficiária de uma percentagem do imposto. Um vídeo de uns dois minutos, quando muito, em que havia pessoas a falar mas não se ouviam; via-se o gesto dos dois dedos em cruz; via-se, via-se, via-se… porque o vídeo passou dezenas de vezes, acompanhado, de quando em vez, por um som semelhante ao de uma varredora mecânica. E admiramo-nos: como é que não houve alguém que tivesse pensado em pôr fundo musical adequado, música sacra, música clássica?...
            Veio um senhor fazer a apresentação. Não se apresentou ele próprio (seria o senhor prior?); não se ouviu bem o que ele disse (o microfone era direccional…).
            Preferiam os entendidos que as vozes de Luís Represas e Manuel Botelho, pelo seu timbre, não se tivessem servido de microfones. Teria sido, quiaçá, uma sessão mais íntima, até porque a acústica do templo iria ajudar.
            Houve, no final, a habitual sessão de autógrafos. Mas demoraram muito os dois protagonistas a aparecer lá dos fundos e o público já se impacientava.

Publicado em Cyberjornal, 14-03-2013: http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=17984&Itemid=67


Andarilhanças 66

As palmadinhas nas costas
            Tomo conhecimento cada vez mais de exemplos flagrantes desse tipo de comportamento. A todos os níveis. Desde as mais altas estruturas do Estado ao funcionário mais humilde.
            «Olhe, a senhora deixa de ser secretária de Estado a partir de amanhã» – mensagem de telemóvel.
             Tenha paciência, amanhã já não entra no seu gabinete do museu!» – e ainda na manhã desse dia, em reunião, se haviam perspectivado iniciativas e se louvara todo o trabalho desenvolvido.
            Teceu em público o senhor director os mais rasgados elogios à enorme dedicação daquele docente; mas, nesse mesmo dia, sem nada lhe dizer, assinara a sua destituição de encarregado da biblioteca da Escola…
            Mundo, este, onde não apetece viver!
 
«Não estamos na Moody’s»
            A importância incrível que têm as agências internacionais que apreciam se o País tem, ou não, condições para pagar e se, por conseguinte, vale a pena investir nos títulos de dívida pública que ele vai emitindo.
            Um mundo subterrâneo que ora de supetão veio ao de cima, para nos explicar que, afinal, os dinheiros que tínhamos não eram nossos, que a soberania nacional foi chão que deu uvas e que os mandantes, no fim de contas, não são aqueles que nós lá pusemos por força do voto. Títeres são e bem no sabem. Por isso, títere por títere, houve o candidato Tiririca no Brasil e ganhou; houve, recentemente, o Beppe Grillo, em Itália, outro comediante, e ganhou. Assumiram-se.
            Circula por aí um vídeo intitulado «We are not in the Moody's – a resposta de Portugal». Explica tintim por tintim quem somos e o que fizemos desde 1143, quando a maior parte dos países da Europa ainda nem tinham definido fronteiras nem falavam língua própria…

Há dificuldades na comunicação
            Quantas pessoas leva o Terreiro do Paço? Para a missa em que esteve o Papa, em 2010, uma praça onde não cabia mais ninguém, apontou-se para 80 a 100 mil pessoas; em 2013, na manifestação de 2 de Março, à hora em que se cantou o Grândola, havia algumas clareiras e… calculou-se que estariam 500 mil manifestantes!
            Faz lembrar aquela corrida em que houve apenas dois participantes: o vencedor ganhou para o País a que pertencia e ficou em penúltimo nos noticiários do País adversário!...

Inversões
            Assim, no passado dia 3, Sara Moreira consagrou-se campeã europeia dos 3000 metros, nos campeonatos de atletismo em pista coberta, realizados em Gotemburgo, na Suécia. Medalha de ouro, a primeira que um atleta português consegue na modalidade.
            Foi o assunto tema de abertura nos noticiários?
            Não.
            Houve outros assuntos mais importantes, como as declarações de um qualquer visionário que decidiu botar faladura; como a do possível novo corte nas pensões; como os resultados da sondagem feita a um escasso milhar de pessoas e que, por isso mesmo, autorizou a explicar o que ‘os Portugueses’ pensam do Presidente da República, das manifestações, do ordenado mínimo…
            Um escasso milhar embandeirado em arco, de opiniões incontroversas – de acordo com as regras por que se fazem sondagens e se montam estatísticas… E assim «os Portugueses acham…», «40% dos Portugueses discordam…», «20% dos Portugueses acreditam…»…
            E de Sara Moreira falou-se lá para o meio, quase como quem não quer a coisa!...

Publicado em Jornal de Cascais, nº 333, 13.03.2013, p. 6.

 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Novo livro do escritor timorense Luís Cardoso

            Luís Cardoso ocupa já lugar destacado na literatura contemporânea. De origem timorense (nasceu em 1959), radicado em Oeiras, vem dando a conhecer, através das suas obras, um mundo deveras estranho para europeus e, até, para os portugueses que da história e do passado – real e fantástico – de Timor pouco sabem.
            Logo o seu primeiro livro Crónica de uma Travessia, publicado em 1997 colheu os elogios da crítica pela simplicidade da linguagem e por nos desvendar, na verdade, uma história de que porventura se não suspeitava. E foi por esse mundo – misto de realidade e de mito – que nos continuou a seduzir com Olhos de Coruja, Olhos de Gato Bravo (2001), A Última Morte do Coronel Santiago (2003) e Requiem para o Navegador Solitário (2007).

            O seu mais recente livro tem por título O Ano em que Pigafetta Completou a Circum-navegação vai ser apresentado por Catherine Dumas e João Gil, no próximo dia 20, a partir das 18 horas, no Jardim de Inverno do Teatro São Luís, em Lisboa. O conjunto Quadrante abrilhantará musicalmente o acto.
            Foi António Pigafetta um dos dezoito marinheiros que sobreviveram à morte de Fernão de Magalhães e que, sob o comando de Juan Sebastián Elcano, conseguiram voltar a Espanha em 1522, tendo assim completado a viagem de circum-navegação. Deixou Pigafetta circunstanciado relato das peripécias da viagem e é nesse entrecho que se movimenta o novo romance de Luís Cardoso.
            Escreve Isabel Coutinho, da editora, que estamos perante «um romance luminoso, em que a história contemporânea de Timor-Leste se transforma e resplandece no transbordante prazer de contar histórias. Histórias todas elas pontuadas por movimentos de navios: o Arbiru, que desapareceu um belo dia, o Lusitânia Expresso, que nunca pode trazer o auxílio português, e a nau Vitória, que aportou em Timor e na qual viajava António Pigafetta, o cronista da primeira viagem de circum-navegação. E todas elas são contadas e reinventadas pela voz da narradora, a sandália esquerda da Carolina, filha de um empresário e integracionista confesso».
            É, afinal, uma história do século XVI ou um ‘mítico’ peregrinar por décadas mais próximas de nós?
                                                           
Publicado no Cyberjonal, 14-03-2013:
 http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=17985&Itemid=67

sexta-feira, 8 de março de 2013

Arte de Cascais mostra-se em S. Brás de Alportel

            A partir da década de 40 do século passado, muito são-brasenses, nomeadamente os ligados ao trabalho nas pedreiras vieram para Cascais. Era o azulino cascalense muito procurado então para as obras na capital e, por isso, mais mão-de-obra se tornava necessária e os canteiros são-brasenses, recém-vindos das obras no Marrocos francês, não hesitaram em pegar nas trouxas e demandaram plagas cascalenses.
            O intercâmbio entre Cascais e S. Brás de Alportel nunca assumiu, porém, foros oficiais, apenas a nível individual se fazia. É, pois, com o maior pareço que anuncio estar prevista para o próximo dia 16 (um sábado) a inauguração, a partir das 18 horas, no Museu do Trajo, em S. Brás de Alportel, de uma exposição colectiva de pintura – subordinada ao tema Viajarte – levada a efeito justamente por artistas que em Cascais têm feito a sua carreira e são por demais nossos conhecidos: Fátima Ramalho, Teresa Black, Ormond Fannon e Guilherme Parente.
            Tanto em Cascais como em S. Brás a colónia estrangeira é significativa e estamos certos de que este poderá ser o primeiro passo de um maior intercâmbio cultural e, neste caso, artístico, entre os dois concelhos.
            Pela minha parte, não deixarei de chamar a atenção dos são-brasenses para o elevado significado que detém esta iniciativa – para a qual, naturalmente, como são-brasense radicado em Cascais, auguro o maior êxito, até porque os laç-s de amizade, neste caso, residem tanto lá como cá, pois pertenço ao Grupo de Amigos do Museu do Trajo e, por isso, muito me congratulo!

Publicado no Cyberjornal, edição de 07-03-2013:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=17974&Itemid=67

sexta-feira, 1 de março de 2013

Os tiros nos pés

             Era uma desonra! Caçador que levasse arma carregada e, distraído, puxasse o gatilho e desse um tiro nos pés! Pior do que sair-lhe o tiro pela culatra! Ficava irradiado do grupo de amigos e só depois de bem consistentes desculpas é que lograria voltar a calcorrear com eles montes e vales em busca de lebre ou de perdiz.
            Pois tiros nos pés são, agora, especialidade dos que «governam» a Europa e, por arrasto, Portugal. «Vistos e ouvistos», escusam, agora, de vir com paninhos quentes: essa ideia, mesmo que seja antiguinha, lá do governo do senhor Guterres mas que nunca foi posta em uso porque se deve ter compreendido logo que era argolada das grandes, essa ideia de pôr o Povo a fiscalizar o Povo – «Pediste factura? E compraste o chupa-chupa sem factura? Não pode ser!»… – é tiro no pé!
            Claro, os técnicos vieram logo explicar:
            «Mesmo que esteja sentado num café e veja um cliente a recusar uma factura, não posso agir sem uma ordem de serviço», explicou Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, acrescentando que estes profissionais só podem «agir numa situação de flagrante delito e nunca a posteriori».
            Então não se passa a mesma coisa com os ladrões? Só em flagrante delito! Apanhado com a boca na botija!...
            Portanto, todo esse alarido… um tiro no pé!
            O pior é que, concomitantemente, neste caso também ocorreu a outra façanha: vai o tiro sair pela culatra! Ou seja, como é bem de ver, quanto mais querem apertar a malha, pela repressão, mais o Zé-povinho descobre os buracos na rede e… lá vai ele!
            E tudo isso porquê? Por falta de motivação! Por não se ver direito que vale a pena fazer sacrifícios, nós, os pobres, que já tantos fazemos no dia-a-dia, roubados por quem não é nunca apanhado em flagrante delito!
            Mas… eu falei em «motivação»? Bolas, saiu-me! Isso é palavra da Pedagogia e da Didáctica e disso é que eles, «vistos e ouvistos», não percebem mesmo nada!
 
Publicado no quinzenário Renascimento (Mangualde), nº 611, 01-03-2013, p. 11.

Andarilhanças 65

Acelera na leitura, moço!
            Esta não lembrava ao Diabo. Alembrou, no entanto, a um senhor ministro, professor catedrático de Matemática e Estatística no Instituto Superior de Economia e Gestão!
            Claro, tinha que ser!
            Não bastava sermos habitualmente tratados como números, também agora as criancinhas têm de ler tantas palavras por minuto!... É o objectivo de cada ano: cada vez mais palavras por minuto! Não interessa se percebem, ou não, o que estão a ler; não interessa que saibam dar a entoação certa; não interessa que saibam fazer as pausas como convém; não interessa se os outros compreendem, ou não, o que estás a ler. «Isso agora não interessa nada!», como diria Teresa Guilherme nos melhores momentos da «Casa dos Segredos» ou no primeiro «Big Brother».
            O senhor ministro, que vem lá das estatísticas (tinha que ser!), quer que os putos se preparem para papaguear rápido, como naqueles anúncios pagos ao segundo, em que não interessa nada se a gente percebe ou não. Aliás, nem aquilo que eles dizem é para perceber, como as letras miudinhas dos contratos dos seguros...
            Benza-o Deus, senhor ministro! Sou cristão e só por isso o não mando para as profundezas do Inferno!

O canto das Areias do Guincho
            Mostrou-me Toni Muchaxo, extasiado, a página em que vinha a novidade. Dera, em Março de 2004, à família Ishizuka, «defensora do meio ambiente», um frasco com areia da praia do Guincho. Regressados ao Japão, entregaram o frasco a um cientista, que gravou «o som das areias do Guincho». E, pelo que lhe foi dado verificar, esse som demonstrou-lhe que «a Praia do Guincho é uma das praias mais limpas de todo o planeta Terra»! Ora toma! São areias que cantam!

Semáforos na Av. Infante D. Henrique
            Foram implantados semáforos próximo do topo norte da Av. Infante D. Henrique, em Cascais. Ali desembocam duas das ruas que servem a Escola Azevedo Coutinho e é, pois, zona de muito movimento de jovens; assim, disciplinam-se estudantes e condutores. Boa ideia!
            Boa ideia foi também essa de dar mais visibilidade – com pisca-pisca azulinho! – às placas indicativas de passagens de peões.

Médico de família
            Hoje – tirando aquela bizarria do senhor ministro – só queremos boas notícias.
            Outra é das cartas que a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo enviou com vista à actualização das listas de utentes. Assim, quem, à data de 8 de Janeiro, não apresentar «qualquer registo de contacto com nenhuma das unidades prestadoras de cuidados de saúde primários desta Administração Regional de Saúde» e quiser «manter a suas inscrição activa» deverá, «no prazo máximo de 90 dias» – não se diz a partir de quando, porque a carta não tem data, mas supõe-se que será a partir do referido dia 8 –, informar dessa intenção a unidade de saúde a que pertence, «presencialmente ou por contacto telefónico».
            Mais informa essa circular que, mesmo sendo classificado como «utente inscrito no ACES sem contacto nos últimos 3 anos» é garantido o acesso às prestações de saúde habituais; por outro lado, importa que se procurem actualizar os dados.
            Medida do maior alcance, nomeadamente no que concerne ao rol de doentes adscritos ao médico de família. E, se pensarmos que muita gente muda de residência, a acção ora empreendida é digna do maior encómio. Da caixa de correio de um dos apartamentos arrendados num dos bairros da freguesia de Cascais pude eu próprio retirar, e devolver, nada mais do que cinco dessa cartas, referentes a inquilinos que, ao longo dos último anos tiveram aquela morada e ainda não haviam dado baixa dela.

Publicado em Jornal de Cascais, nº 332, 27.02.2013, p. 6.