domingo, 31 de março de 2013

Faleceu João Constante, de Cascais

             Foi a sepultar, na passada sexta-feira santa, João Constante, uma das legendas vivas do Grupo Cénico da Associação Humanitária dos Bombeiros de Cascais.
            Integrava o núcleo dos cascalenses de gema. Evocar a vida de Cascais-vila passava, naturalmente, por recordar quantos – como o João – desde sempre se irmanaram em torno da vetusta Associação, mormente do seu Grupo Cénico. O João consubstanciava sempre um dos momentos mais apreciados das revistas: o fado tinha, na sua voz, o timbre da tradição; o caloroso sabor doutras eras, do fado vadio e fora de portas, nos poemas dessa Cascais familiar, de nobres e de plebeus, em sadia comunidade!...
            Calou-se uma voz. Fica a saudade. Fica o exemplo de dedicação a uma causa. Fica também a vontade de prosseguir!
            À família enlutada e aos membros do Grupo Cénico as nossas mais sentidas condolências.

Publicado em Cyberjornal, 31-03-2013:

sábado, 30 de março de 2013

O Sol de Psara – nota sobre um livro de poemas

            Psara é uma das ilhas gregas do Mar Egeu. Apenas 43 km2 de superfície. Plena, contudo, de poesia e de mitológicos ecos aos olhos dos que estudam a Antiguidade Clássica e que até acreditam que foi por aí, por esses mares serenos, que a poesia um dia nasceu…
            Se calhar (o poeta não o diz), foi por isso que António Salvado deu o título de O Sol de Psara a mais um dos seus livros de poemas (Editora Licorne, 2011, 40 páginas, ISBN: 978-972-8661-74-8).
            Perpassa por todas as páginas um lirismo intenso, que ressuma, aqui e além, contido mas cálido erotismo: «Quem me dera ser o vento: / tu, nua, receberias / nos teus seios meu alento.» A doçura da entrega sugerida: «em ti descansam praias e desvelos»… «Repouso no teu colo uma alcachofra».
            As palavras ditas mas cujo eco nem sempre se conhece. Solilóquio? Sonho? Desejo por cumprir? Convoca-se a Natureza, as flores, os riachos, as estações do ano, a paisagem serena da manhã e ao sol-pôr – para a comunhão amorosa!
            E os espaços nos versos obrigam a pausa. Assim:

            Que os atalhos conduzam    sempre    aonde
            Se glorifique    a pressa do encontro.

            Não vamos por atalhos. Seguimos, porém, com o autor, a linha do horizonte – onde temos pressa em repousar!

Publicado em Cyberjornal, edição de 30-03-2013:

sexta-feira, 29 de março de 2013

Espólio do «Jornal da Costa do Sol» dá entrada no Arquivo Municipal

            Para além de outras, uma das primeiras preocupações que tive, após o inesperado encerramento do Jornal da Costa do Sol (última edição publicada a 14 de Janeiro de 2010), foi a de procurar acautelar o seu espólio.
            Na verdade, nascido a 25 de Abril de 1964, Jornal da Costa do Sol continha no seu arquivo toda a história de Cascais e também de Oeiras, quer em textos, quer em documentação, quer em imagens, desde essa época, porque acompanhava semanalmente o que de significativo se passava nesses concelhos.
            Toda a colecção dos jornais está, é certo, disponível na biblioteca municipal; contudo, para além da notícia que se faz, há as imagens que se guardam e se seleccionam, a correspondência… Infelizmente, porém, parte bem volumosa desse espólio já levara descaminho antes de – por deferência do proprietário do imóvel, Vilar Gomes – os funcionários da Câmara terem metido ombros à tarefa de juntar o que havia.
            Logo após o 25 de Abril, haviam desaparecido, por exemplo, as provas de censura, que era um dos arquivos mais interessantes de que se dispunha, por mostrarem, na realidade, como funcionava o «lápis azul» – e Jornal da Costa do Sol era, nas vésperas do 25 de Abril, juntamente com o Jornal da Madeira, o Jornal do Fundão, o Notícias da Amadora, obrigado a mostrar aos censores provas de página, porque… ‘eles’ não confiavam em nós!...
            Recorde-se que, na altura da chamada «Primavera marcelista», escrevia no Jornal da Costa do Sol Magalhães Mota, que fazia o relato das sessões da Assembleia Nacional, amiúde censurado, como o seriam também os textos, também sobre a Assembleia, saídos da pena de Viriato Dias em 1972. Aliás, por ser feito na mesma tipografia – a Mirandela – em que se começou a fazer o Expresso, houve sempre uma grande ligação entre as equipas e Francisco Pinto Balsemão chegou a assumir a direcção do jornal, de Março a Julho de 1976, uma experiência ‘profissionalizante’ que acabaria por não dar resultado e os membros da equipa anterior houveram por bem regressar e recomeçar a publicação a 10 de Dezembro desse ano.

Um observador atento da actividade autárquica
            Foi habitualmente «semanário dos concelhos de Cascais e de Oeiras», à excepção de 1981, em que, por dificuldades financeiras, se publicou quinzenalmente.
            Exerceram os seus redactores, sem peias, uma função de cidadania, o que nem sempre quadrava bem ao poder autárquico instituído, com o qual o relacionamento – como frequentemente acontece, por esse Portugal além, entre as autarquias e a Comunicação Social local – se procurou manter isento de partidarismos, mas difícil. Por exemplo, com Georges Dargent e, nomeadamente, com António Capucho, a tensão foi constante, indo ao ponto de haver ordem expressa para ao jornal não ser proporcionada publicidade, mesmo a institucional.
            Asfixiado, encerrou portas, como se disse, sem mais nem menos, no princípio de 2010. Os accionistas de Publigráfica, SARL, a empresa proprietária, não tiveram possibilidade de agir, dados os fortes condicionalismos económicos a que se chegara e, desde então, o nosso receio era de que, de um momento para o outro, entrassem por ali adentro os agentes judiciais e despejassem, sem tir-te nem guar-te, um espólio histórico-documental ímpar.
            Moveram-se influências e, felizmente, podemos agora informar que, mercê delas, a documentação ainda disponível acaba de dar entrada no Arquivo Municipal, onde será devidamente tratada, a fim de vir a ser colocada ao alcance dos investigadores, porque – sem receio de errar o afirmo – não pode fazer-se a história de Cascais (e de Oeiras) nas últimas cinco décadas, sem uma leitura atenta das páginas do Jornal da Costa do Sol, do que nelas se escreve e do que nelas não se pôde escrever e se subentende.
            E eu (perdoe-se-me a primeira pessoa), que (quase ininterruptamente) fiz parte do ‘projecto’ (como hoje se diz), desde Outubro de 1967 até final (mais de quarenta anos!...), particularmente me congratulo, como jornalista e como historiador, por as negociações terem obtido o resultado que ora – pela pronta informação que me foi disponibilizada pelo Dr. António Carvalho, irmanado comigo nestas preocupações histórico-patrimoniais – tenho o gosto de anunciar.

Publicado em Cyberjornal, 2013-03-29:

quinta-feira, 28 de março de 2013

Andarilhanças 67

Dar de comer aos bichos
            «Ainda que não haja por ali nenhum aviso nem tenha sido distribuído qualquer comunicado, a esse respeito, à população, é agora proibido dar comida às aves do Parque Marechal Carmona, em Cascais» – assim começava um texto que publiquei a 9 de Julho de 2012. Dele dei conhecimento a quem de direito, que fez o favor de me responder, informando que a norma fazia parte dos regulamentos gerais camarários. Perguntei se não seria interessante colocarem-se avisos com indicação dessa legislação, ainda que fosse em letra miudinha. Ninguém me respondeu. Também nunca mais entrei com o meu neto pela zona do lago, para o poupar ao espectáculo de as gaivotas a atacarem as crias e a roubarem os ovos. Sobre isto, aliás, disseram-me que… era a lei da Natureza: uns bichos comem os outros!
            Consequentemente, deixei de me preocupar com os bichos do parque. A vida é deles, amanhem-se! Contento-me com deixar migalhas no meu jardim e consolo-me ao ver a passarada vir cá comê-las!

Viveiros de peixe
            SIC, jornal da noite, 12-03-2013. O tema: aquacultura. Somos o 3º maior consumidor de peixe do mundo! Mas…
            Processos a demorarem anos, vidas a consumirem-se, investimentos à espera de pareceres e pareceres que se eternizam, consultores e mais consultores, licenças disto e daquilo… Dinheiro a esvair-se sem préstimo por entre os dedos, riqueza esperdiçada… Resmas e resmas de papel gastas para uma licença dada por dez anos apenas: ainda agora começámos e a década está a findar!...
            Condições excepcionais das nossas águas. Ostras a fazerem a delícia de franceses, em França…
            E não há quem ponha mão nisto, senhores? Ninguém vê?
 
O Dubai
            Apresenta-se o Dubai como o eldorado, pois riqueza por lá não falta e todos os técnicos são bem-vindos. Fiquei, pois, altamente surpreendido quando recebi uma mensagem a informar-me que o «Dubai não tem sistema de esgotos para os seus arranha-céus», dependendo, por isso, de camiões-cisternas, que – tal como se mostra no vídeo http://forums.themavesite.com/index.php?topic=14510.0 – formam filas de quilómetros e quilómetros.
            E perguntamo-nos como é possível.

O inefável pendão para o chiste
            Continuamos, felizmente, a conseguir rirmo-nos de todos os nossos males, na sequência daquele célebre dito da II Grande Guerra: «Queres boas anedotas de guerra? Vai a Portugal!».
            E o puto é renitente a comer a sopa. E a mãe insiste. E o puto começa em surdina: «Grândola, vila morena!...».
            E a personagem do filme de 007:
            – My name is Ervas. Bem, não era bem assim, mas… deram-me a equivalência!

Outras… dificuldades!
          Recebi a série de imagens que mostram jovens: a tomar um café; a conviver num restaurante; a desfrutar das belezas de um museu; em agradável encontro no café; a gozar um dia de praia; a apoiar no estádio a sua equipa; a usufruir da companhia da noiva; a passear na cidade num descapotável… Traço de união entre todas as imagens: os polegares não cessam de teclar no telemóvel e ninguém liga a quem lhe está ao lado!...
            Termina a série com uma frase de Einstein:
            «Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à humanidade. Então o mundo terá uma geração de idiotas».

A faceta negra dos funcionários
            No editorial da passada edição (13-03-2013), o nosso director verberou o péssimo funcionamento dos serviços encarregados de fazer a avaliação dos imóveis. Interroga-se mesmo se isso não fará parte de uma campanha para denegrir a imagem dos funcionários públicos ou se é mesmo verdade que, neste caso, quem está a fazer este serviço denota, de facto, uma total incompetência e devia ser de imediato suspenso de funções: «Classificar imóveis de apenas um piso com vários, idades de mais de 60 anos passadas para metade, números de assoalhadas definidos por estimativa dão uma imagem pouco digna de quem exerce a profissão de servidor público».
            Claro que, ainda por cima, temos de pagar para que seja feita a correcção de um erro que não nos pode ser imputado!...
            É esse, na realidade, o meu medo, como já aqui por diversas vezes assinalei: que o funcionário, tratado como é pelo omnipotente e déspota Estado, se esteja nas tintas para fazer bem o seu trabalho. Pode ter razão; mas precisa de ver que os prejudicados são os seus vizinhos – ou talvez também ele próprio – e não esse Estado cujo bafo a gente nunca vê mas sente, oh se sente!...

Publicado em Jornal de Cascais, nº 334, 27.03.2013, p. 6.

 

terça-feira, 26 de março de 2013

Casa das Histórias Paula Rego sem directora

       Na sequência das alterações anunciadas na passada segunda-feira por Carlos Carreiras em relação ao futuro da Casa das Histórias Paula Rego, uma vez que o Governo central considerara que a Fundação «não era viável do ponto de vista financeiro» e, por conseguinte, esta deveria ser extinta, Helena de Freitas, que assumia a direcção da Casa, acaba de demitir-se, regressando à Fundação Calouste Gulbenkian, a cujos quadros pertence.
      Em declarações à Lusa, deu conta de que já não havia condições para prosseguir o projecto inicialmente apresentado, acentuando, inclusive, que parte das obras da pintora vão voltar à procedência e, por isso, o projecto vai ser diferente.
      A Casa das Histórias, extinta a fundação, vai ser agora gerida pela Câmara e passará a chamar-se museu.
      Convirá recordar que, em Agosto do ano passado, quando a Comunicação Social noticiou que a Fundação da Casa das Histórias iria ser extinta, a presidência da Câmara explicou, em comunicado datado do dia 9, que havia, decerto, engano, pois tanto esta Fundação como a Fundação D. Luís I eram apoiadas não por verbas do Orçamento Geral do Estado mas sim por verbas das contrapartidas do Jogo. E acrescentava-se explicitamente:
      «Uma eventual extinção das duas fundações não representaria nenhuma diminuição de investimentos públicos municipais. Antes pelo contrário, seria necessário mais dinheiro e mais investimento para, potencialmente, fazer menos e fazer pior do que aquilo que é assegurado pela excelência das duas Fundações – promover a cultura e a identidade de Cascais e, por essa via, gerar cadeias de valor e de riqueza que contribuam para a criação do mais escasso bem das sociedades contemporâneas: postos de trabalho».
      Em comunicado difundido no passado dia 22, a CMC louva e agradece a actividade desenvolvida por Helena de Freitas e reconhece que «o projecto do Museu Casa das Histórias Paula Rego inicia agora uma nova fase», devido, «fundamentalmente, ao acordo recentemente assinado entre o Presidente da Câmara Municipal, Carlos Carreiras, e o representante de Paula Rego, o seu filho Nick Willing, onde se assume a extinção da Fundação Paula Rego». Garante, por outro lado, que «a emergência desta nova fase da Casa das Histórias» «é marcada por uma relação de profundo entendimento e proximidade entre a Câmara Municipal de Cascais, a artista Paula Rego e a sua família, constituindo uma garantia de que o Museu Casa das Histórias continuará a ser uma referência no panorama nacional e internacional».
      Veremos, pois, o que irá acontecer.

Publicado em Cyberjonal, 2013-03-26:

quinta-feira, 21 de março de 2013

Abertura de vala põe a nu graves deficiências em caso de catástrofe

           Um abatimento na subida da 3ª circular na tarde do dia 20 levou a PSP a cortar o trânsito no sentido do Cobre desde os semáforos sobre a Ribeira das Vinhas. Medida desastrosa, que não obedeceu a qualquer discernimento e que provocou um dos maiores engarrafamentos de que há memória desde aí até ao centro da vila, porque… não foram dadas alternativas a não ser a passagem pelo Carrascal de Alvide ou pelo Bairro S. José, o que congestionou tudo desde Alvide ao mercado de Cascais!
            Felizmente que – mais de três horas depois da ocorrência! – houve o bom senso de abrir ao trânsito ascendente uma das faixas sul, aliviando a pressão, como pode ver-se pelas fotos tiradas na manhã seguinte.
            Que o incidente leve os responsáveis pela Protecção Civil a ministrarem aos agentes de autoridade que andam no terreno lições práticas de acção imediata; e a aperceberem-se de como, em caso de catástrofe, a 3ª circular constituiu a única via de ligação para Cascais Oeste e há que preservá-la!
            Há, é certo, a auto-estrada, mas, enquanto não se decidirem a dar dois sentidos à rua que, no final da auto-estrada, permitiria a saída para a zona de Birre, o engarrafamento na rotunda de Birre continuará a ocorrer – e não é solução numa ocorrência destas. E, neste caso, também uma ida pela Amoreira não seria viável, porque as obras em curso cortaram pura e simplesmente o acesso norte à localidade.
            Mais uma vez ficou demonstrada também a necessidade urgente de se retomarem os estudos de viabilização do traçado da 2ª circular, dado que o desenho do tráfego, à entrada leste da vila de Cascais, obriga toda a gente a ir à rotunda de confluência com a Avenida de Sintra.
            Aqui fica, pois, o apelo às autoridades competentes: que este incidente sirva de lição e que rapidamente a Protecção Civil vá para o terreno e veja, por exemplo – é outro caso que está a pôr a cabeça em água dos automobilistas! – como estão a ser marcados, com grande prejuízo para a população, os desvios provocados por obras. Não se admite, por exemplo, que, para se abrir uma vala no troço da rua principal de Alcabideche entre a rua dos bombeiros e a rotunda do moinho, aí se corte o trânsito por completo e durante vários dias, o que obriga a desvios incríveis pelo emaranhado de ruas da povoação, cujos sentidos únicos originais se mantiveram, quando, nesta emergência, deveriam ser provisoriamente anulados.
            Reina o maior caos e os empreiteiros parecem gozar de total imunidade para pôr e dispor das vidas e dos bolsos dos seus concidadãos, sem que haja quem ponha cobro nisto!

Publicado em Cyberjornal, 2013-03-21:
 

Post-scriptum: Dei a conhecer este texto a Pedro Mendonça, vereador da Câmara Municipal de Cascais, responsável pelo pelouro da Protecção Civil, que me respondeu o seguinte (e-mail de 21-03-2013, 13:21 h), que agradeço:
Desta vez não tens razão pois foi um abatimento de estrada devido á rede de pluviais.
O abatimento foi notório, daí termos optado rapidamente pelo corte da estrada antes que houvesse acidentes graves o que provoca, como deves calcular, transtornos a quem utiliza a via, por não ter ficado assinalado em tempo, circuitos alternativos.
A intervenção prolongou-se pela noite fora, para ficar o mínimo de tempo encerrada ao trânsito. Neste momento já se circula na via regularmente.
São sempre situações que têm consequências nefastas para os utilizadores… principalmente num local com poucas alternativas ao trânsito.
Com toda a consideração, recebe um abraço
Pedro

Academia Sénior da Cruz Vermelha ganha espaço no Parque do Rio dos Mochos

             Dificilmente se lograria melhor localização para receber o pré-fabricado em que doravante passará a funcionar o pólo de Cascais da Academia Sénior do Núcleo do Estoril da Cruz Vermelha Portuguesa: um dos preciosos recantos do Parque Urbano do Rio dos Mochos, onde primeiramente esteve instalada uma das estufas dos viveiros camarários. Para ali se mudaram, pois, as actividades que, por empréstimo de duas salas, estavam a funcionar provisoriamente na marina.
            Rodeado de vegetação, o pavilhão dispõe, naturalmente, de salas de aula (desenho, computadores…), de sala de convívio, cafetaria, recepção… enfim, de todos os cómodos necessários para o efeito, servidos por uma decoração sóbria mas muito agradável de ver-se.
            Não foram facultados aos jornalistas dados técnicos do empreendimento nem se especificou nos discursos que tipo de actividades ali se iriam desenvolver e em que condições, o que certamente se logrará saber mais tarde junto do Núcleo, que tem sede na Parede. Podemos, desde já, adiantar, porém, que a Academia Sénior conta com 96 docentes (todos em regime de voluntariado) e cerca de mil alunos.
            A inauguração decorreu no dia 20, Dia da Felicidade, às 11 horas.
            Abriu a série de discursos o presidente do Município, que se referiu aos idosos como «os jovens há mais tempo» e frisou que, para ele, Cruz Vermelha é sempre sinónimo de «esperança» e de «amanhã». Manuela Filipe, presidente do Núcleo, aludiu ao 10º aniversário da Academia que nessa data se comemorava e saudou o simbolismo de a cerimónia se ter iniciado com o gesto simbólico de plantação de uma árvore; o combate ao isolamento e à exclusão social, disse, são duas das metas que a Academia tem logrado atingir, adestrando, por exemplo, os idosos a melhor se integrarem e desenvolverem as suas capacidades através do mundo virtual. Luís Barbosa, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, acentuaria que a Cruz Vermelha, por mais de uma vez galardoada com o Prémio Nobel da Paz, nasceu em época de graves crises e, por isso, não foge das crises, antes está aí para ajudar a superá-las.

FIB versus PIB
            Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade Social, começou por saudar a Dra. Maria Barroso, para quem teve palavras de muito apreço, e também a dinamizadora deste projecto, a Dra. Manuela Filipe, que classificou de «mulher das Arábias», pois «até é capaz de mandar parar a chuva» para que estivesse um dia lindo nesta inauguração. Elogiou as boas práticas de envelhecimento activo que pioneiramente se têm desenvolvido em Cascais, graças, de modo especial, ao papel aglutinador que a Câmara tem sabido desempenhar no estrito relacionamento com todas as instituições. «Não grandes obras de fachada, mas acções de proximidade», acentuou, acrescentando serem os mais idosos um «pilar fundamental da sociedade», pelo que esta importância dos mais velhos deve ser valorizada, encontrando-se respostas quer para sinalizar o isolamento do idoso quer para que – a fim de lhes ser facultado maior acompanhamento – se logre obter, cada vez mais, adequada resposta de conciliação entre a vida familiar e profissional.
            E anunciou Pedro Mota Soares a reconversão, que se prevê para breve, de lares e centros de dia no que virá a chamar-se «espaço sénior», a exemplo do que se está a procurar fazer em Cascais, num maior diálogo intergeracional, na partilha de experiências, de maior solidariedade, onde o voluntariado também ocupará papel fundamental. «Hoje, Dia da Felicidade», concluiu, «cremos que é desta sorte que vai aumentar não o PIB mas a FIB, a Felicidade Interna Bruta».

Publicado em Cyberjornal, 2013-03-21: