sexta-feira, 3 de maio de 2013

A linha, tema de encantar!

              Foi apresentado na FNAC do CascaiShopping, na tarde do passado dia 27 de Abril, o livro Alinhas?, da autoria de Margarida Teodora Trindade (texto) e Alexandra Sirgado Rodrigues (ilustrações). Uma edição de Opera Omnia (ISBN: 978-989-8309-41-9); design, paginação e fotografia de Sofia Ferreira.
            Técnicas da magnífica Biblioteca Municipal de Torres Novas, habituadas, por isso, a dinamizar sessões de leitura para crianças, lançaram mão a esta obra que, aparentemente singela e despreocupada, encerra grandes lições para crianças e… para adultos, um pouco ao jeito do Principezinho, de Saint-Exupéry, ou d’As Aventuras de João sem Medo, de José Gomes Ferreira.
            Tudo gira em torno da linha, elemento que – com os mais diversos significados, concretos e abstractos – intimamente se entretece no nosso quotidiano: andar na linha; a linha do horizonte; «Deus escreve direito por linhas tortas»; há linhas oblíquas; as linhas com que se tramam vidas; a trama e a teia; linhas que atam uma história (a perna) a uma outra história (um chapéu de chuva atado também…); «há linhas que comemos com prazer…» (ai, este delicioso esparguete!...); «há linhas que contam uma história no rosto do avô António»; «há linhas que não se sabe nem onde começam nem onde acabam… e que, se puxares por elas, muito devagarinho, aos poucos, todos os nós se desatam». «Quando o Luís se zanga fica com a cabeça cheia de nós. Depois, para os conseguir desatar, tem de perceber com que linhas é que eles se formaram» …
            E não resistiram as autoras a incluir – com a actualidade que facilmente se adivinha – as linhas de um lenço de namorados:

                        «Meu Manel bai pró Brazil
                        Eu tamem bou no bapor
                        gordada no curação
                        daquele qué meu amor».

            Um livro inspirado e inspirador de muitas histórias para a «hora do conto» (termina com a libelinha a voar…). Uma presença doravante imprescindível em todas as bibliotecas. Lindíssimo veículo de um saber profundo!

Publicado em Cyberjornal, 02-05-2013:

CDCE homenageia poeta

             Tem privilegiado o Clube Desportivo da Costa do Estoril, com sede em Alapraia, as iniciativas culturais, independentemente, claro, de outras habituais actividades de índole desportiva e recreativa. Música e poesia, por exemplo, fazem parte do seu cardápio cada vez mais frequente.
            Na noite do passado dia 30, por exemplo, houve por bem a direcção promover uma homenagem a João Baptista Coelho, alfacinha octogenário que se radicou em Tires há mais de 40 anos e que ‘descobriu’, aos 58 anos de idade, a sua escondida veia poética. Começou por concorrer a uns Jogos Florais, ganhou e… ganhou esse ‘vício’, de tal modo que, hoje, se contam por centenas os primeiros prémios arrebatados nesses certames por esse País fora.
            Tiveram papel preponderante nesse evocar de um trajecto poético singular os Jograis do Atlântico (Edite Gil e Francisco Félix Machado), cabendo a Francisco Machado a condução da entrevista que fez ao homenageado, para que nos contasse desse seu peregrinar pelo caminho das musas… Tive também oportunidade de realçar o meritório trabalho que Baptista Coelho teve, durante vários anos, na organização dos Jogos Florais da Freguesia de S. Domingos de Rana, propondo o tema e preparando a documentação para a reunião do júri; e aprouve-me realçar, dentre os muitos que poderia seleccionar, o livro 25 Sonetos com o Mar ao fundo, de 2004, porque, além de ser uma viagem poética pela nossa bem poética orla marítima desde Cascais ao Guincho, mostra bem a maestria de Baptista Coelho na composição de sonetos, uma modalidade que, como se sabe, exige fino talento e extraordinário domínio da linguagem.
            O sarau – entrevista e apresentação de poemas por Maria Maya, Eduardo Martins, Jorge Castro, Edite Gil e Francisco Félix Machado – agradavelmente seguido por mais de duas dezenas de assistentes, foi melodicamente pontuado pela actuação, à guitarra e à vihuela, do holandês Rembrandt Gerlach.
            A João Baptista Coelho o nosso voto de que ainda por largos anos nos presenteie com a beleza do seu estro!

Publicado em Cyberjornal, 02-05-2013:
 http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=18242&Itemid=30


 Fotos de Guilherme Cardoso: aspecto da assistência; a mesa com o homenageado e os dois membros dos Jograis do Atlântico; a evocação do poeta; Maria Maya, Eduardo Martins, Jorge Castro, que disseram poemas; Rembrandt Gerlach.


 

Em Trajouce - Canteiros saloios festejam o 1º de Maio

           Como já vai sendo tradição desde há largos anos, os canteiros que exercem a sua actividade em S. Domingos de Rana (do Clérigo, de Trajouce, de Tires…) organizam uma caldeirada de confraternização, no 1º de Maio.
            A iniciativa prende-se, naturalmente, com as comemorações do Dia do Trabalhador, outrora fortemente vigiadas pela PIDE. Os trabalhadores das pedreiras do concelho de Cascais – tanto os saloios como os que tinham vindo de fora – iam até à orla, passavam a manhã na pesca, faziam o lume junto ao pinhal da Marinha e aí se preparava a caldeirada com o que na manhã se lograra apanhar. E a confraternização continuava animada jornada afora.
Fo            Este ano, mais uma vez, juntaram-se no barracão do Carlos de Trajouce, que mais parece um museu de antiguidades (!), duas dezenas de trabalhadores da pedra, a que, nos últimos anos, se associaram membros da Associação Cultural de Cascais.
            Para além do enorme tacho da aprimorada e saborosa caldeirada, houve acordeão e gaita-de-beiços a animar a festa. Celestino Costa aproveitou o ensejo para autografar o seu último livro Nomes ou alcunhas das pessoas dos meus livros. E sorteou-se uma lembrança feita num tipo de pedra rara do concelho – que o contemplado de boa mente ofereceu para o «Museu do Caracol».

As fotos, de Guilherme Cardoso, mostram: um instantâneo do convívio no barracão que é quase 'museu de antiguidades'; Celestino Costa em sessão de autógrafos; a pedra-símbolo do dia, que o contemplado oferece a Armando 'Caracol' para o seu museu; e, finalmente, a foto de conjunto.
 
Publicado em Cyberjornal, 02-05-2013:

A tua pasta dentífrica?

            Ele há coisas que a gente dificilmente esquece. Alguma injustiça de que fomos alvo, por exemplo.
Um dia, no recreio da Escola Salesiana do Estoril, no já bem longínquo ano lectivo de 1955-1956, um colega meu estava aflito porque não conseguia sair da retrete: a porta emperrara. Eu estava por perto, tentei empurrar com os ombros, mas a porta resistia. Teve de ser com forte golpe de pé. Passava nesse instante lá fora o Padre Caetano e não esteve com meias medidas: pregou-me valente carolo da cabeça! Ainda hoje o sinto! De nada me valeram as explicações; aliás, o meu colega já saíra e eu já apanhara o carolo!... Bastantes anos mais tarde, contei-lhe, sem rancor. Que Deus lhe tenha a alma em descanso!
            À recordação deste episódio junta-se sempre – é curioso! – um outro hábito da minha juventude: deliciava-me com as histórias das Selecções do Reader’s Digest. Eram histórias reais e ali se condensava, mesmo em singela narrativa, sabedoria de vida vivida – e eu gostava de aprender.
            Uma dessas histórias falava da pasta dentífrica Não sei se era texto a dar conselhos sobre a melhor forma de viver o dia-a-dia, escrito quiçá por conceituado psicólogo. Não sei. Recordo-me, porém, claramente – e disso acabei por fazer norma de vida – que, a determinado passo, o articulista propunha um desafio:
             Quer saber se é uma pessoa organizada? Vá à sua casa-de-banho e observe a sua pasta dentífrica!
             A minha pasta dentífrica?
             Sim, a pasta dentífrica.
            – Como assim?
            – Olhe para ela e veja como a usa. Se a vai esvaziando metodicamente, de baixo para cima ou se a esvazia como calha e a deixa toda aos altos e baixos…
            E não é que é verdade? Sem disso nos apercebermos, nestas minúsculas acções quotidianas fica a nossa maneira de ser bem retratada! Ao tomarmos consciência disso, estamos a tempo de, significativamente, também a alterarmos para melhor!

       Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 615, 01-05-2013, p. 12.

Em torno da identidade saloia

            Três cerimónias se concretizaram nos últimos dias a merecer atenção.
            Em primeiro lugar, no dia 8 à noite, reflectiu-se, no Centro Cultural de Cascais, acerca de perspectivas para as comemorações dos 650 anos de elevação de Cascais a vila, a realizarem-se no decorrer de 2014. No dia 18, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, na Sociedade de Instrução de Janes e Malveira (fundada a 4 de Janeiro de 1938), apresentou-se o livro, de Maria Micaela Soares, Saloios de Cascais – Etnografia e Linguagem. No sábado, 20, na sede do Grupo de Instrução Musical e Desportivo de Abóboda, fundado em 1 de Abril de 1930, outro livro se deu a conhecer: Nomes ou Alcunhas das Pessoas dos Meus Livros, da autoria de Celestino Costa.
 
As comemorações dos 650 anos
            Uma sessão que teve objectivo semelhante à que ocorreu há 50 anos atrás, quando o presidente da Câmara, Eng.º António de Azevedo Coutinho, convidou entidades e personalidades para uma primeira reflexão acera do que poderiam vir a ser as comemorações do VI Centenário.
            Depois de Carlos Carreiras ter enunciado o que se ora se pretendi, João Miguel Henriques, Margarida Ramalho, e eu próprio acentuámos, em linhas gerais, aqueles aspectos que, em nosso entender, poderiam ser agora tidos em consideração: como responsável pelo Arquivo Municipal, João Miguel Henriques mostrou que se dispõe, na actualidade, de um enorme acervo documental, dia a dia cuidadosamente acrescentado, tratado e valorizado; Margarida Ramalho chamou a atenção para a singularidade do património arquitectónico civil e militar; coube-me referir como Cascais tivera, desde tempos pré-históricos uma identidade própria, consciência sentida ao longo da história e que, aliás, levara a população a solicitar, em 1364, a el-rei D. Pedro I, lhe concedesse alforria em relação a Sintra, «cuja aldeia era».
            As intervenções dos assistentes e as palavras finais do Presidente da Câmara mostraram como, em parceria, num salutar diálogo inter-institucional, também esta efeméride dos 650 anos poderá vir a deixar rasto como o deixou o VI Centenário, mormente através de uma colecção de publicações que, embora modesta de aspecto e sem luxos de apresentação, é ainda hoje de consulta obrigatória.

Os Saloios de Cascais
           Não poderia ter sido mais bem escolhido o local para se falar desta enorme obra de investigação, mui minuciosamente levada a cabo pela Dra. Maria Micaela Soares, etnógrafa cuja laboriosa actividade se desenrolou no quadro da Assembleia Distrital de Lisboa.
            Dezenas e dezenas de entrevistas a informantes, todos com mais de 70 anos, que permitiram à autora traçar uma panorâmica do que foi a vida das gentes cascalenses, nomeadamente na primeira metade do século passado. Lendas, tradições, cantares, festividades, músicas, trajos, falas, mezinhas, a actividade agrícola, a exploração da cal, o trabalho do azulino de Cascais… tudo por ali perpassa argutamente, a mostrar que – para além do litoral, da afamada «Costa do Sol» a privilegiar sol e mar – há um interior ancestral, houve criadas de servir, lavadeiras, «fabricavam-se» terras de cultivo onde hoje se levantam habitações de traçado incaracterístico.
            O Professor Virgolino Jorge frisou bem todo esse manancial informativo e deu azo, inclusive, a que músicos da banda da colectividade, também acompanhados por excelente voz feminina, interpretassem três das modas mais típicas desses recuados tempos: «Bico e Tacão», «Saloia» e «Fado de Cascais».
            O salão de actos da colectividade foi pequeno para receber tanta gente – da aldeia, da vila, do concelho e de Lisboa até… – que não quis deixar de aplaudir o aparecimento desta volumosa obra, «490 páginas de redacção exigente», «impressiva expressão de arqueologia documental», como Virgolino Jorge a classificou.

Pessoas de S. Domingos de Rana
            E se Carlos Carreiras pôde considerar o referido lançamento como o primeiro acto das comemorações atrás citadas, em meu entender não menos importante terá sido, pelo seu significado humano e comunitário, a publicação, em singelo livrinho de cordel de somente 40 páginas, do que Celestino Costa decidiu partilhar connosco acerca de quem foram – ou são – as pessoas que perpassam pelos livros que, ao longo dos últimos anos, foi publicando.
            Micaela Soares teve o olhar de antropóloga, quis minuciosamente descrever tudo, para que nada viesse a perder-se na noite dos tempos; Celestino Costa, por seu turno, depois de nos haver brindado com os seus versos, muitos deles de enorme perspicácia social, fez agora uma espécie de recapitulação. Querem saber quem foi o Manel da Frada, o esquecido João da Mata, o Lavaredas, o Cara de Lata?... Pois aí têm tudo explicadinho a preceito, em linhas poucas, mas eloquentes. E o dia em que vi dois apetecíveis figos bem rachadinhos, me dispunha a apanhá-los e veio de lá a «Galinha» de vassoura na mão e eu… ah! pernas para que vos quero! E daquela vez em que o maluco do «Roi», em férias de Páscoa, pregou dois murros no «Pai Avô», que era o que toda a gente dizia que ele merecia e ninguém se atrevia a dar-lhos?!...
            Reviveu-se, pois, uma Cascais desconhecida – e muito me congratulo por isso!

Publicado em Jornal de Cascais, nº 336, 24.04.2013, p. 7.

sábado, 27 de abril de 2013

«Velhos? Nem os trapos!», um hino à juventude num Centro de Convívio

             Escrito e encenado por António Chapirrau, foi levado à cena na noite do passado dia 24, no salão (repleto) do Centro de Convívio do Bairro do Rosário, da Junta de Freguesia de Cascais, o espectáculo Velhos? Nem os trapos!
            Trata-se, sem dúvida, de um hino à juventude bem patente nos actores, utentes todos eles daquele Centro de Convívio. Nasceu este Grupo de Teatro da Freguesia de Cascais no Natal de 2011 e esta foi a sua auspiciosa noite de estreia.
            Trata-se da sequência de dezasseis brevíssimos quadros em que, de um modo geral, se parodiam situações do dia-a-dia, anedotas, chistes, não desprovidos aqui e além do saboroso trocadilho, sem falarmos já da habitual crítica de costumes, sempre motivo para uma boa galhofa...
            A senhora (Angelina Duarte) manda o arrumador (Joaquim Duarte) trabalhar e ele riposta de imediato, com a maior naturalidade: «Mas eu estou no meu local de trabalho!» O alentejano chumbou na carta de condução, porque viu a placa com o número 30 e deu 30 voltas à rotunda; e diz-lhe o outro: «Ó compadre, se calhar vossemecê chumbou porque se enganou nas contas!...». À senhora mui queixosa («Por estas bandas, doutor, há muito que não sinto nada!...») o médico (António Costa) receita sexo pelo menos três vezes por semana; o marido, chamado para saber da receita, informa o clínico de que, sim senhor, à segunda e à quarta pode trazer a mulher ao consultório; à sexta, porém, ela terá de vir de autocarro! Depois, os problemas conjugais das senhoras (Margarida Garcias e São Madeira) que casam com homens de Pau Gordo ou de Ponta Delgada e, se calhar, o melhor é irem para Miranda, onde os pauliteiros são capazes de ter pau rijo… «Uma mulher», bom momento de poesia, dita por Ana Maria. «Minha amora negra», bonito trecho musical, cantado por São Madeira (agradável voz), acompanhada por um ‘corpo de baile’ (Teresa Pereira, José Lourenço, Maria Campanudo, Carlos Carneiro, Maria dos Anjos e António Santos). Presta-se a riso o posto de venda das hortaliças frescas, apanhadinhas na horta: os belos tomates do marido, os grelos da vendedeira e também os da vizinha que o marido não desdenha…
            Enfim, quase hora e meia de boa disposição, em que o palco serviu para mostrar que, na verdade, nem os trapos merecem o adjectivo de ‘velhos’ quanto mais os que frequentam este Centro de Convívio e desta forma se mostram activos, se divertem e divertem os demais.
            Justo é, pois, que se refiram os nomes de todos os intervenientes (para além dos já citados, todos se desdobrando, aliás, em vários papéis): Norvinda Santos, Maria José, Laurinda Freire, Antónia Morais, Carlos Ventura, Teresa de Jesus. O som esteve a cargo de José Carlos; António Morais foi o contra-regra; Carlos Carneiro, o director de cena; parte do guarda-roupa ficou a dever-se ao superior talento de Joaquim Carvalho (do Grupo Cénico da AHBVC); as Carlas (Magalhães e Chaves) encarregaram-se da caracterização: A colectividade de Murches emprestou cenários e microfones de lapela. Por intervenção da presidência da Junta de Freguesia de Alcabideche, pôde ser feita em estúdio a gravação do som.
            No final, agradecimentos dos actores ao encenador, do encenador a todos e o aplauso do Executivo da freguesia simbolizado também na entrega de lembranças.

Publicado em Cyberjornal, 2013-04-26:

C. Carreiras ficou... «verdadeiro homem»

                « – É curioso… Nunca plantei uma árvore!
                – Pois é um dos três grandes actos sem os quais, segundo diz não sei que filósofo, nunca se foi um verdadeiro homem… Fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro. Tens de te apressar, para ser um homem».
                É excerto do diálogo entre Jacinto e o amigo Zé Fernandes, n’A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, «enquanto o Manuel Hortelão apanhava laranjas no alto de uma escada arrimada a uma alta laranjeira».
                No caso vertente, Carlos Carreiras apressou-se: faltava-lhe escrever um livro! E aí está Com vista para o Atlântico, colectânea de 88 das 101 crónicas que, de 15-3-2011 a 19-2-2013, publicou no jornal I. Crónicas ‘datadas’, como salientou, de intervenção perante os problemas nacionais e do mundo.
                Abriu a sessão de apresentação, que decorreu no dia 23, no Clube Naval de Cascais, perante cerca de 200 amigos e simpatizantes, o director do jornal, Eduardo Oliveira e Silva: essas crónicas semanais, que primaram pela assiduidade, ajudaram a reflectir sobre a realidade política, económica e social que nos rodeia, sublinhou.
                Ana Sá Lopes, directora-adjunta, que mais directamente esteve ligada à edição, referiu-se a Carlos Carreiras como «um psd com pensamento autónomo», que soube sempre explicar que estamos numa guerra entre o Norte e o Sul e que se inclui entre os poucos sociais-democratas que sabem estarmos a caminhar a passos largos para o abismo.

                Às 18 horas e 38 minutos, Marcelo Rebelo de Sousa disse que iria dividir a sua apresentação em três pontos: o livro, o autor e o autor em Cascais. Do livro, afirmou que aí se veiculava uma opinião não-alinhada, preocupada, bem escrita, de contínua preocupação pela realidade mundial. Do autor, «de cabelo escasso na careca vasta», disse que tem desaparecido o cabelo mas tem ficado a rebeldia de quem pensa pela sua própria cabeça, de um homem que se fez a pulso, na escola da vida. Quanto a Cascais, confirmou ser a política local a mais difícil de fazer e, confessando-se ‘ingénuo’, afirmou: «O lançamento deste livro nada tem a ver com as próximas eleições autárquicas». Sugeriu, pois, que o autor, pragmático e sonhador como é, «pode continuar a escrever crónicas para o I; mas, no dia-a-dia, que se consagre a Cascais».
                Em resposta, às 18 horas e 57 minutos, o autor agradeceu ao apresentador, aos editores, a Gonçalo Venâncio a preciosa ajuda que lhe foi dando; confessou que a ‘sua’ crónica mais «partilhada» nas redes sociais transcrevera a resposta que Pedro Passos Coelho lhe dera a propósito da TSU (sem que o próprio PPC o soubesse). Referiu-se a um termo de seu especial agrado, «glocal», cuja origem historiou: é a preconizada sintonia entre o global e o local. A economia deve subordinar-se à política; e se as duas grandes certezas da actualidade, a imprevisibilidade e mudança, configuram, de certo modo, esta 3ª grande guerra que a Europa está a viver, reiterou a ideia de que «se algum país tem de sair do euro é a Alemanha».
                Referiu, a terminar, pouco antes das 19.30 horas, que, apesar de tudo, há lugar para a esperança e que o Movimento Viva Cascais aí está para a alimentar.

Publicado no Cyberjornal, 2013-04-26: