Encerrou,
com o nº 338, datado de 22 de Maio, a publica
ção
da quarta série do
Jornal de Cascais. Tive
ocasião de historiar, a traços muito largos, a 26 de Setembro de 2012 (
http://notascomentarios.blogspot.pt/search?q=jornaisemCascais),
o passado deste título da imprensa local, que existe desde 29 de Setembro de
1929. A série ora
terminada, de distribui
ção gratuita,
iniciou-se há seis anos e, de semanário, o jornal passou a quinzenário a partir
de 23-05-2012, publicando-se em semana alternada com a edi
ção do
Jornal
de Oeiras, propriedade da mesma empresa e cujo director em ambos acumulava
funções.
O
vírus de escrever sobre a vida local – contraído primeiro no jornal A Nossa Terra (1964-1967) e depois no Jornal da Costa do Sol (a partir de
21-10-1967), onde mantive a rubrica «Notas & Comentários» até ao inesperado
falecimento desse semanário (14-01-2010) – esse vírus conseguiu manter-se em
actividade, sob o nome «Andarilhanças», no quinzenário cuja vida agora se extinguiu,
e dá acordo de si, amiúde, no Cyberjornal.
Acedo,
de bom grado, ao convite que me foi dirigido para dar colaboração ao novo
projecto que ora vai iniciar-se, em moldes idênticos ao que vinha fazendo no Jornal de Cascais e noutras publicações.
Manterei, pois, o
vírus em actividade. E, ao pensar no nome genérico a dar à crónica, surgiu-me de
imediato: «Na prateleira». Exacto: a inspiração
veio da intenção «governamental»
europeia de pôr muitos funcionários na prateleira e no conhecimento que tenho
de muitos que são pagos (felizmente para eles!) e a que se lhes não dá qualquer
tarefa a executar porque… «não interessam».
Sempre
essa atitude me causou enorme surpresa (eu sei, não devia causar-me…) e, por
isso, não garantindo que não vá, de tempos a tempos, falar desses casos,
proponho-me sobretudo continuar a ‘andar por i’, a bisbilhotar prateleiras –
actuais e antigas, saudáveis ou já em putrefacção.
A prateleira e, claro, o que nela se pespegou – para ser apreciado, louvado,
perpetuado; ou para ser posto de lado, esquecido, espezinhado, qual verme que rapidamente
interessa amortalhar…
Que
armas usar? Jogo limpo, como se requer no judo ou no futebol. E a ironia dos
«comentadores» encartados (nunca lhes chegarei aos calcanhares, bem no sei, mas
vou tentando…), mesmo que essa ironia possa vir a ser apodada de «desbragada».
Aliás, há aí ironia que desbragada não seja para os que nela directa ou
indirectamente sentem rever-se?
Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais,
nº 1, 05-06-2013, p. 6.