quinta-feira, 4 de julho de 2013

Feira do Artesanato: "Portugal pelas mãos do seu povo»?

            Sim, a 50ª edição da Fiartil (tive o privilégio de ver a primeira!) continua a poder entender-se como a imagem de «Portugal pelas mãos do seu povo», como eu gosto de proclamar. O artesanato é isso, de modo muito especial: um trabalho de mãos!
            Contudo, as mãos de hoje já não são as mãos de outrora! Júlia Ramalho bem pode apresentar no seu stand as fotos da sua avó, Rosa Ramalho, uma lenda viva, uma velhinha que nos encantava e ali fazia diante de nós os seus esguios e bem estranhos bonecos, que pareciam ter nascido de uma outra civilização, no vidrado verde-amarelado de Barcelos. Hoje, não há Rosas Ramalhos a trabalhar; nem o Josafaz dos nossos Cristos; nem o Procópio Gageiro, canteiro ornatista, de Loures, hoje com mais de 80 anos, que da pedra bruta fazia nascer máscaras, leões, gárgulas, florões… Da cerâmica tradicional, apenas vimos a do Redondo. S. Pedro do Corval é capaz estar também por ali e algum revendedor terá os barros de Bisalhães ou de Molelos e as procissões de Estremoz. Vimos mantas de burel, malas de cortiça, os tapetes de Arraiolos, muitos santos antónios e muitos presépios; saboreámos a ginja de Óbidos no copo de chocolate, pois então!...
            E a gastronomia – a par do dominante artesanato urbano – tem lugar ímpar, com os pratos típicos de Portugal de lés a lés. Uma caravana do Santini poupa-nos uma ida até à Valbom ou a S. João, para saborear gelados verdadeiros. E há o pão com chouriço acabadinho de sair do forno, o algodão doce, as pipocas feitas na hora…
            No primeiro dia, Hélder Moutinho fez as honras do recinto, no seu fado castiço. E o programa inclui – para além de ranchos folclóricos e dos domingos de jaze – outros artistas como Ana Lains, Cuca Roseta (que já o ano passado nos encantou), Frei Hermano da Câmara (uma reaparição!), Camané, Luís Represas… Enfim, cada noite uma atracção, mesmo quando houver as Festas do Mar, mesmo que a FIL anuncie uma Feira de Artesanato Internacional, fazendo de conta que a Fiartil não existe já há 50 anos e eles agora é que andam no copianço!...
            Não, ainda não voltámos a ter no primeiro dia o tradicional convívio que a Junta de Turismo proporcionava entre as personalidades ligadas ao turismo local. Mataram-no. Não vimos hoteleiros, nem vereadores, nem autoridades, nem candidatos autárquicos… Estiveram, porém, Manuel Casaleiro, o ‘senhor da feira’ desde a primeira, em 1964; Alves de Azevedo, que ali passava, em nome da Junta, as noites inteirinhas, para que tudo corresse bem. Mas houve beberete, para troca de impressões entre os poucos que decidiram reatar a tradição. 50 anos sempre são 50 anos!...´
            O nosso voto: que a Fiartil alcance em pleno os seus objectivos e que, de certo modo, aquele espaço lá em cima, dedicado à pequenada, seja um hino de esperança no futuro e um grito de alerta para os responsáveis: o nosso artesanato, o verdadeiro, esse tal «Portugal pelas mãos do seu povo», o Portugal profundo, nosso, tem pernas para andar, é mostra de identidade, há que urgentemente dar-lhe a mão!
 
           Nota: Fotos de instantâneos da inauguração, no dia 28, gentilmente cedidas por Luís Bento. Bem haja!
 
Publicado em Cyberjornal, edição de 04-07-2013:

Proximidade precisa-se!

            A revista Visão, na sua edição do passado dia 20 de Junho, trouxe (p. 66-67) uma reportagem que se me afigura do maior interesse pelo seu significado, ainda mais premente na actual conjuntura. Intitula-se «Aqui Rádio Família» e relata a história do Bom Dia, Tio João, “uma espécie de Facebook rural”, rubrica que diariamente unia todo o pessoal de Bragança, na medida em que funcionava como elo de ligação de toda a comunidade através da Rádio Bragança, rádio local daquela cidade transmontana.
            Como todas as rádios locais e todos os jornais locais, a sua missão deveria ser – e é-o normalmente – a de criar comunidade, noticiando o que se passa, o que se precisa, as reivindicações, as necessidades, os melhoramentos, as iniciativas… na localidade.
            Então, o que é que aconteceu?
            A Rádio Bragançana (RBA) foi comprada pela Média Capital e assim se «calaram 24 anos de combate ao isolamento», como se lê na reportagem de Miguel Carvalho. A estupefacção do povo foi enorme: «Agora, a RBA retransmite na região a emissão da M80, urbana e sofisticada, em piloto automático desde Lisboa» e acrescenta-se:
            «A rádio, dir-se-á, é o universal sem paredes. Excepto, claro, quando a animadora da capital saúda o lindo dia de sol e, em Bragança, chove»!...
            Recordo, por exemplo, o que me dizia, aqui há tempos, o meu amigo João, que trabalha em Bruxelas e ouve a Antena 1: «Eh pá, vocês aí estão sempre trompicados com o trânsito de manhã: ele é engarrafamento no IC 19, na A5 desde Porto Salvo, na A2 desde a 2ª ponte do Feijó… E eu, sossegadinho, a ir a pé, daí a pouco, para o emprego»…
            Claro, as rádios ‘vivem’ nos centros urbanos e, de manhã e à noite, o trânsito e o tempo são os pratos fortes… em Lisboa e no Porto. O resto do país é… paisagem, como sói dizer-se!
            E só para terminar o caso de Bragança: a questão resolveu-se e já outra rádio se prontificou a continuar a missão de ‘criar comunidade’, deixando para outros ouvidos as emissões do piloto automático gerido a partir da capital.
            Não precisamos, porém, de ir de abalada até Bragança: onde há aqui, no concelho de Cascais, uma rádio local a que estejamos permanentemente ligados? Perdoar-me-á o leitor se evoco os tempos do Rádio Clube de Cascais, em que procurávamos ser efectivamente locais. Perdoar-me-á se lhe digo que também por estas bandas o tempo climatérico não é o de Lisboa e até achamos piada quando esse tal de Instituto do Mar e da Atmosfera (acho o nome giro, quem teria sido o sábio que o inventou?...) fala de alterações «a norte de Cascais»! A «norte de Cascais»? O que é isso? Do outro lado da serra de Sintra? E quando dizem que é a norte do Cabo Raso?!... Não percebo. Aliás, desafio alguém a perceber, mormente os que moramos em Cascais e desde sempre nos habituámos, pela manhã, a olhar pela janela para a serra a ver se tem «barrão» ou se está limpa, sinais que todos compreendemos bem em relação a vento, a chuva ou a calor.
            Está aí em força a campanha eleitoral para as autarquias. Cartazes mais ou menos vistosos, frases mais ou menos para ficar no ouvido, partidos mais ou menos ‘escondidos’, de cores ligeiramente alteradas, porque se compreendeu que o Povo já não vai nessa dos partidos… Pois aqui fica o apelo: pensem, senhores candidatos, em – sem intromissões político-partidárias – promover uma real comunidade, mediante sadia utilização dos meios de comunicação ao dispor. Precisamos de mais comunicação e de menos publicidade.
            E, já agora que estamos em maré de sugestões e na perspectiva de, afinal, esse tal Instituto do Mar e da Atmosfera se enganar nas previsões e virmos a ter um Verão «à maneira», com boas possibilidades de irmos, por exemplo, até ao Guincho e de outros nos virem visitar para usufruir das nossas praias bafejadas com bandeiras azuis e bonitos títulos de «as mais acessíveis»… trate-se, , de tornar a zona ocidental de Cascais mais acessível: abra-se aos dois sentidos, com carácter de urgência, a Rua das Violetas, em Birre, já que não se consegue acabar de forma airosa o final da A5. Não haverá perturbações ambientais nem riscos de insegurança e dará muito jeito a quem, da auto-estrada, quiser ir para Birre, Torre, Guia, Areia e Guincho seguir pela Rua das Violetas, em vez de se infernizar na sempre engarrafada «rotunda de Birre».
            Se houvesse uma rádio local, por isso pugnaríamos a todo o momento!

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 5, 03-07-2013, p. 6.

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Universidade de Coimbra, património cultural da Humanidade

             Muitas e condignas foram as manifestações de regozijo por, no sábado, 22 de Junho, no solstício do Verão, o Comité do Património Mundial da UNESCO, na sua 37ª sessão, realizada em Phom Penh, no Cambodja, ter classificado a Universidade de Coimbra como Património Mundial.
            O processo da candidatura – nem sempre fácil – começou a ganhar fôlego em 1999 e, para além dos vetustos edifícios universitários, procurou que nele se incluísse toda a chamada «Alta», com as construções do Estado Novo, e também a Rua da Sofia, num conjunto de mais de 30 edifícios. A este património material juntou-se, a partir de certa altura – e esse foi um aspecto muito salientado pelos membros do Comité – o património imaterial a ele inerente: a produção cultural e científica, as tradições académicas, o papel desempenhado no mundo ao serviço da língua portuguesa. Aliás, foram nesse sentido – de acordo com as notícias que nos chegaram – as intervenções mais entusiasmadas de membros do Comité, que advogaram a classificação ‘imediata’ desse património no seu todo. É a Universidade como símbolo de uma “cultura que teve impacto na humanidade”.
            Junto, pois, incondicionalmente, a minha voz ao regozijo de todos, recordando, como teve a gentileza de me lembrar Paulo Morgado (que de perto acompanhou o processo), as palavras do anterior Reitor, Seabra Santos: «Sobre estas pedras velhas a universidade está a construir o seu futuro».
            É que, na verdade, não temos uma, mas ‘várias’ universidades. A que ora foi classificada é um símbolo; é aquela que recordam os que por Coimbra passaram – e a cantam. A que existe, porém, mercê da mordaça económica com que o capitalismo desenfreado apertou o ensino universitário europeu, é uma Universidade de luta quotidiana, porque a querem reduzir ao papel de… empresa! Quando – e este é apenas um dos muitos exemplos que poderiam invocar-se – uma sociedade de advogados, contratada pela Universidade para forçar ao pagamento de dívidas, não aceita o parecer de professores segundo o qual um aluno, apesar de se haver inscrito, nunca frequentou as aulas e, por isso, não há que lhe cobrar propinas, e envia o processo para tribunal, com elevado montante de custas, temos a certeza de que não foi esta a Universidade ora classificada.
            «Saibamos honrar, conservar e preservar as pedras velhas, o título e o saber», escreveu Paulo Morgado.
            Oxalá!
 
Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 619, 01-07-2013, p. 12.

Novo jornal em Cascais

Saúda-se a publicação de mais um órgão da imprensa local: o Jornal CascaisAlgés, cujo 1º número está datado de 12 de Junho, p. p. Dirigido por Maria Machado, afirma-se de periodicidade mensal e distribuição gratuita entre Cascais e Algés, tendo como endereço electrónico cascaisalges@gmail.com e sede em Carcavelos.
            Aponta-se, no editorial, a coincidência de começar «com o começo das festas», o que é ponto de partida para se dizer, no estatuto editorial, que o objectivo é proporcionar «uma forma de promover tudo o que as associações precisam de anunciar, como também as iniciativas das Juntas de Freguesia e Câmaras de Cascais e de Oeiras»; «festas, exposições, eventos e tudo o que diga respeito à Linha».
            Independente quer da política quer da economia, como convém a todo o órgão de comunicação local, apresenta-se, neste seu 1º número, de 16 páginas a cores, com informação mais pormenorizada acerca da Feira do Artesanato, (onde, aliás, o encontrámos), e das Festas da Rã.
            Cumpre-nos, pois, augurar-lhe longa e próspera existência.

Publicado em Cyberjornal, edição de 2013-07-01:

 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Fado ao piano num cenário invulgar: o jardim da Casa de Santa Maria, em Cascais

            Escolheu Maria Ana Bobone um dos recantos românticos do jardim da Casa de Santa Maria, em Cascais, para, no sábado, 22, nos deliciar, com os temas do seu mais recente trabalho, lançado precisamente há um ano: «Fado & Piano».
            Poderá estranhar-se a simbiose, que, aliás, já fora ‘ressuscitada’ anos atrás por Mário Moita; sabe-se, todavia, que, no século XIX, era ao piano que amiúde se acompanhavam os fadistas e assim se retoma uma tradição.
            Dotada de uma voz jovem e cristalina, Maria Ana Bobone brindou-nos, ao piano, durante uma hora (das 21.25 h. às 22.25), com fados e canções tradicionais portuguesas, acompanhada por Rodrigo Serrão (no contrabaixo e na viola de fado) e por Sepúlveda Machado (na guitarra portuguesa). Presentes perto de trezentos ouvintes bem atentos, entre os quais bastantes turistas, que resistiram à aragem nem sempre suave que ali se fez sentir, apanágio habitual das estivais noites cascalenses… Mas o cenário era, na verdade, invulgar e até a Lua – a prenunciar o seu máximo esplendor que seria na noite seguinte – veio dar um arzinho da sua graça, a abrilhantar o serão.
            Fados de Amália, por exemplo, muito bem interpretados e, sobretudo, dotados de novos arranjos que o piano e, de modo especial, o contrabaixo souberam enriquecer deveras. De resto, a determinado momento, Maria Ana Bobone achou por bem mostrar não apenas o seu virtuosismo como executante mas também o dos seus acompanhantes, que nos deram provas de exímia versatilidade.
            Compreende-se, de certo modo, que a artista não tenha acedido a, pelo menos, mais um fado (pediu-se-lhe, por exemplo, a ave-maria!). Ter-lhe-ia ficado bem, porque – se estava com frio por causa da noite – também esse frio não fora diferente para os espectadores que não arredaram pé. Mas, enfim, soube-nos bem e estão de parabéns os responsáveis pela Casa de Santa Maria por terem logrado criar um espaço deveras acolhedor, rogando sempre a S. Pedro que traga noites serenas e mornas – que aquelas ramagens, senhores, preferimos que sejam, nestas ocasiões, tranquilo e bem aconchegado dossel…

[Fotos - de um instantâneo da actuação, da assistência e da 'comissão de acolhimento' - gentilmente cedidas por Sara Lourenço]

Publicado em Cyberjornal, edição de 20-06-2013:

 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Na prateleira - 2

Os senhores do trânsito (1)
            Recordo-me que, um dia, colega meu do jornal me garantiu: «Nunca mais vou tratar de problemas de trânsito em Cascais! Não vale a pena, porque esta gente não sai do gabinete e parece que não anda na rua!».
            Também fiz essa jura amiúde; mas, dado que me decidi agora ir à prateleira, até porque importa dar dicas aos candidatos autárquicos, quebro mais uma vez o juramento.
            Aí vai: nunca os senhores mandantes viram a placa que, no entroncamento da Rua das Urzes com a Estrada da Malveira, indica, para quem vem da A5, que, para ir para o lugar do Cobre, se segue em frente? Não, não viram; porque, se tivessem visto, já tinham mandado apagar e pôr como deve ser: para o Cobre, vira-se na rotunda à esquerda!

Os senhores do trânsito (2)
            Também ainda não viram a placa que, há anos, está no topo norte da Rua Afonso Lopes Vieira. Indica Pampilheira, virada para sul, como se esse bairro fosse daí para norte. Não é. Ou melhor, vai até à Rua Dr. Manuel Costa Matos (que fica um tudo-nada mais além); o núcleo do bairro começa aí, nesse cruzamento, mas para sul. Já se explicou isso uma dúzia de vezes…

Os senhores do trânsito (3)
            Volto ao assunto? Volto. Sei que é chover no molhado, que nada adianta, mas, enfim, pode ser que algum dos candidatos à presidência da autarquia (Câmara ou freguesia) se decida.
            O jogo é muito simples: põe no Google mapas a Rua Eça de Queirós, do Bairro da Pampilheira; e, como destino, a Rua Afonso Lopes Vieira, que é no mesmo bairro, fica do outro lado da Adelino Amaro da Costa, desembocam na mesma rotunda, a do Rancho da Musical. Portanto, a pé, um pulinho. Mas façam lá o joguinho: procurem a direcção de uma rua para a outra, em viatura. Não, não está errado, o Google tem razão: é preciso ir à rotunda de Birre (exacto, aquela que está sempre engarrafada) e voltar para trás, porque na Afonso Lopes Viera só pode entrar-se vindo de norte. Um espanto, não é? Também já escrevemos isto dezenas de vezes. Um senhor presidente declarou-se incapaz de resolver este sangrento e indesejado divórcio entre o lado nascente e o poente do mesmo bairro; decerto, porque outros tiveram mais força, demonstraram por A+B que assim é que estava correcto, que assim é que a população era bem servida… e pronto! Pode ser que as novas gerações tenham mais força e a população lhes possa, finalmente, agradecer e considerar que, também neste caso, ali estão ao serviço dos legítimos interesses dos munícipes.
 
Placas
            Não, não vou falar das placas amarelas DESVIO semeadas pelos senhores empreiteiros a trouxe-mouxe por tudo o que é povoação cascalense. Já falei, já sei que não há remédio; aguenta, cidadão, e vai com Deus, que ninguém te liga nenhuma, nem que faças um desenho para explicar melhor.
            Batalho – porque aí vem a campanha eleitoral – por placas a identificarem as povoações, como muito bem fez antanho a direcção do Automóvel Clube de Portugal. E bato-me pela minha dama! Aliás, outro dia, quando, na atrás referida rotunda do rancho, vi que iam plantar uma placa, regozijei-me: vão pôr placa a indicar, para quem vem de sul, que a Pampilheira é ali! Errei: a placa assinala o caminho para a Clínica. Depois, puseram outra, enorme, a explicar que todos somos Cascais; contudo, para a placazinha PAMPILHEIRA ainda não houve tempo. Um dia será!...

Propaganda
            Epigrafista militante me confesso – e por isso tudo o que é cartaz me cativa a atenção. Activo adversário do novo acordo ortográfico me assumo – e por isso vou resistindo até que me deixem escrever «à antiga». O acordo nada tem a ver com o dinamismo da linguagem falada, só com a ortografia; a militância epigráfica, porém, leva-me a procurar o que está implícito no explícito. Por isso, achei piada ao dito «Cascais vive-me». Está visto, o acordo não é para aqui chamado e não há nada a fazer: inventou-se um dito e cada qual entenda-o como quiser. Já lá escrevia, em 1895 (!), o sábio Gustave Le Bon, no seu livro «A Psicologia das Multidões»:
            «O candidato que consegue descobrir uma fórmula nova, bastante destituída de significado preciso e, por consequência, adaptável às mais diversas aspirações, obtém um sucesso infalível»!

Errei!
            Chamou-me a atenção Manuel Eugénio: do Jornal de Cascais houve cinco séries e não apenas quatro, como indiquei no texto anterior. É que, antes do jornal fundado por Luís Pires e de publicação iniciada em 1929, houvera um Jornal de Cascais «semanário republicano», dirigido por Abeilard de Vasconcelos (que chegou a ser presidente da Câmara), e de que Manuel Eugénio tem o nº 13, datado de 25-06-1911!
            Agradeço a gentil informação!
                        
Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 3, 19-06-2013, p. 6.

 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Uma Natureza para saborear!

             Duvido que haja município português que mais atenção esteja a dar à paisagem, mediante a realização de iniciativas que levem a «saborear» as belezas e as riquezas naturais de que podemos usufruir.
            E escrevo «usufruir» porque tenho pena, confesso, de quem passa os seus dias de auscultadores nos ouvidos e não abre de par em par os sentidos para ouvir o chilrear da passarada, o soprar do vento nas árvores, o cheiro oloroso das alfarrobeiras em flor e do alecrim, dos tojos, das giestas…
            «A Semana da Primavera Biológica termina passo a passo no 1º Domingo na Aldeia, no dia 24, que pretende “Levar abraços à Serra de São Brás”. Esta iniciativa integrada no Ciclo de Passeios Com Destino […] parte com destino a Parises, em plena Serra do Caldeirão, para um passeio pedestre» – anunciava, em meados de Março, o Gabinete de Imagem, Documentação e Informação camarário.
            E, a 26 de Maio, o Ciclo de Passeios Natureza partiu à descoberta de “Campos de Sabores e Mezinhas”, um passeio para «caminhar em frente, mas de olhos postos nos saberes do passado, nas qualidades da natureza que apresenta soluções para a vivência do homem desde tempos imemoriais», sob a guia experiente da investigadora são-brasense Maria Manuel Valagão, «especialista em alimentação mediterrânica e profunda conhecedora dos benefícios e aplicações das plantas silvestres na alimentação». Mais se dizia – e já sei que assim se passou, com pleno êxito! – que «ao longo do percurso serão lembrados os costumes tradicionais associados à quinta-feira da Ascensão e às mezinhas de outrora, numa divertida partilha de saberes e tradições populares», na «redescoberta da importância e da diversidade de espécies de plantas que pintam de vida e saúde os campos».
            S. Brás continua, na verdade, a dar lições de bem viver! Pinta de vida e saúde os campos e… as pessoas!

[Publicado em Notícias de S. Braz (S. Brás de Alportel), nº 199, 20 de Junho de 2013, p. 21].