segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Está à venda, em Tavira, o Convento de Santo António

            A informação é veiculada pelas três actuais proprietárias, pertencentes à família que, desde o séc. XIX, se responsabilizou pelo Convento de Santo António, em Tavira.
Aí lograram manter em funcionamento, entre 1994 e 2009, uma unidade de «Turismo de Habitação»; contudo – apesar de terem centenas de testemunhos elogiosos por parte dos clientes e da Comunicação Social, bem como, em anos consecutivos, presença no Guia Michelin com a referência máxima para o tipo de alojamento em causa – tal actividade não gerou os recursos financeiros necessários para continuarem.
 Foram diversos os factores que estiveram na origem do insucesso, designadamente a sazonalidade e a reduzida capacidade de alojamento (8 quartos), cujo aumento, quer no interior quer no exterior do convento, prejudicaria, de facto, o património histórico e paisagístico.
Por isso, escrevem as proprietárias, «é urgente encontrar alguém que se apaixone por esta peça de arquitectura, simplesmente para dela cuidar, usufruir, partilhar com os que mais ama e assegurar-lhe o futuro, porque este pequeno convento merece continuar o seu percurso iniciado em 1612».
Remetem, pois, para a página que contém todas as informações necessárias acerca das características do imóvel, assim como a possibilidade de visita por parte dos possíveis interessados: www.conventosantoantonio.com.
Situado num local deveras aprazível, defronte da Ria Formosa, o convento deixa entrever o que terá sido a vida de meditação e recolhimento dos monges, em plena comunhão com a beleza singular da paisagem envolvente.

Publicado em Cyberjornal, edição de 02-09-2013: 

SOS Animal, uma instituição de mérito!

             Fundada a 12 de Março de 2007, a SOS ANIMAL tem desenvolvido desde então intensa actividade em prol dos animais, de forma eficaz e desinteressada.
           Na sua página www.sosanimal.com – que reencaminha para https://www.facebook.com/sosanimal.pt – se poderá saber tudo a seu respeito.
            Tem no facebook quase 7000 apoiantes. Há uma equipa fixa de 9 pessoas na direcção; os voluntários mais activos constituem um grupo de cerca de 15 pessoas, em diferentes áreas: trabalho de campo; enquadramento jurídico; contactos, comunicação… E ainda detêm um papel muito importante de apoio a outras instituições que à SOS Animal recorrem para apoios diversos: angariar ração, apoio jurídico, voluntários de terreno, apoio médico-veterinário, etc.
            Só no mês de Agosto resgataram, a título de exemplo, 42 gatos, 2 póneis e 1 burro, entre outros animais de diferentes espécies.  Mesmo assim, não conseguem dar resposta nem  a 40%  dos pedidos… porque não possuem espaço de albergue próprio e têm de recorrer a outras associações, instituições e privados. O Hospital Solidário Veterinário está em construção e, por isso, socorrem-se de serviços veterinários privados.
            Uma das grandes dinamizadoras da SOS Animal tem sido, desde o início, Sandra Duarte Cardoso, a quem foi atribuído o Prémio “Mulher Activa 2010”, quando vice-presidente da instituição, atendendo ao excelente trabalho que vinha desenvolvendo em prol da ‘causa animal’. O ‘bichinho’ do amor aos animais atacou-a tanto que… decidiu tirar o curso de Veterinária – e é hoje veterinária credenciada!
            Como apoiar a SOS Animal? Vem tudo explicadinho na página:
            «Tornando-se nosso colaborador;  participando nas actividades; divulgando a nossa página da Internet (www.sosanimal.com) e o nosso facebook; sendo uma família de acolhimento temporário, recolhendo um animal e tomar conta dele enquanto não for para uma família de adopção definitiva; apadrinhando um animal; entregando donativos em géneros (ração, produtos de limpeza, desparasitantes, medicamentos, coleiras, etc.); fazendo um donativo, através da conta bancária (Caixa Geral de Depósitos): NIB: 0035 0202 00035876230 91».
             Contactos:
sosanimal@sosanimal.com;
sandra.cardoso@sosanimal.com

Publicado em Cyberjornal, edição de 02-09-2013:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=18860&Itemid=28

Fernando Pessoa e Cascais

              Como se sabe, causou alguma perplexidade o facto de se ter optado por desmontar a Sala de Arqueologia do Museu Condes de Castro Guimarães, em Cascais, para nela se instalar o memorial da candidatura falhada de Fernando Pessoa ao lugar de conservador daquele museu.
            A inauguração do novo espaço fez-se com pompa e circunstância, após as peças arqueológicas – algumas das quais únicas no mundo – terem tomado o caminho do grande contentor, onde religiosamente se guardam as relíquias do longínquo passado cascalense.
            Tudo isso foi feito como se, na verdade, se tratasse da primeira grande homenagem que o município de Cascais prestava a um dos vultos maiores da literatura portuguesa. Ora sucede que os seus promotores terão esquecido que, na edição de 5 de Dezembro de 1985, o Jornal da Costa do Sol, celebrando o cinquentenário da morte do poeta, dedicou um suplemento de oito páginas (oito!), a evocar as relações do poeta com os concelhos de Cascais e de Oeiras.
            Aí se conta, em pormenor, tudo – e mais alguma coisa! – o que viria a ser exposto nesse novel espaço do museu: porque é que o poeta queria vir para Cascais, a sua relação com a Casa de Saúde de Cascais; toda a documentação referente à sua candidatura; ampla história, elaborada por Victor Belém, intitulada «O mistério da Boca do Inferno – Fernando Pessoa versus Aleister Crowley»…
            Talvez não fosse, pois, má ideia que os promotores da iniciativa no museu buscassem essas páginas, as digitalizassem e as pusessem ao dispor dos visitantes – enquanto o memorial estiver montado.

Publicado em Cyberjornal, edição de 02-09-2013:

domingo, 1 de setembro de 2013

Era um mar de flores…

             … salgado pelo mar de muitas, muitas lágrimas incontidas. A capela mortuária da igreja da Ressurreição, em Cascais, tremendamente pequena para esse lindo jardim imenso, a rodear o singelo ataúde que, mui contrariado, tivera de receber corpo tão jovem…
            O sacerdote que, juntamente com o prior de Cascais, celebrou, na tarde do dia 30, a missa de corpo presente, não pode reter as lágrimas. Nós todos também não. Insondáveis são os desígnios divinos, bem no sabemos; dói muito, porém, ver partir quem sempre irradiou alegria à sua volta e, mesmo plenamente consciente da doença, só ao marido a confessara, logrando, até ao derradeiro momento, disfarçar o sofrimento sob o manto de contagiante e perene boa disposição. Esse portentoso exemplo o realçou, emocionado, voz embargada, o sacerdote, de longa data amigo da família.
            Advogados de Cascais, seus colegas de profissão, compareceram às tocantes exéquias, envergando as becas, no testemunho do mais profundo pesar. E, diante do ataúde, enorme foto nos recordava o seu inesquecível sorriso!...
            Adeus, Paula! Descansa em paz!
            Paula Cristina Gonçalves Santos Silva Botelho Pereira nascera em Lisboa, no Hospital da Cruz Vermelha, a 30 de Abril de 1972; nesse mesmo hospital viria a adormecer serenamente no Senhor, na manhã do passado dia 28. Filha de Maria Fernanda e de Álvaro Santos Silva, desposara Carlos Alberto Botelho Pereira.
            À família enlutada endereçamos os nossos mais sentidos pêsames.

Publicado em Cyberjornal, edição de 31-08-2013:

sábado, 17 de agosto de 2013

Os nossos irmãos emigrantes

             De S. Brás, como de tantas outras terras do nosso País, saíram braços para dar riqueza e para sobreviver. A vaga emigratória já vem de longe, porque parca de recursos era a terra e aventureiro o espírito das nossas gentes.
            Uma história, decerto, ainda por fazer e que ora me ocorreu, ao ler a notícia de dois falecimentos na edição de Julho do nosso jornal.
            A primeira, a de Maria Floripes Martins Guerreiro, que, nascida a 13 de Dezembro de 1926, vivia há mais de 50 anos na Argentina, país para onde, na verdade, foram muitos dos nossos.
            A segunda, mais pormenorizada, refere-se à nossa Júlia Estrada Viegas, de 106 anos, natural de São Romão. Informa Eduardo Eusébio, que redige a nota necrológica, que «aos 13 anos foi para a Califórnia, onde viveu no Rio Dell, lugar bem conhecido de muitos são-brasenses que aí viviam quando trabalhavam nas fábricas de madeira da cidade vizinha de Scotia».
            A Califórnia foi, na verdade, outro dos destinos; mas este pormenor da actividade ali exercida merece ser sublinhado e, quiçá, alvo de alguma investigação – para que a memória não se perca! Na verdade, a existência dessa cidade californiana está intimamente ligada à exploração das vizinhas florestas de sequóias (a chamada redwood, entre as quais avulta a célebre sequoia sempervirens), exploração que foi, durante muitos anos, a actividade primordial da empresa PALCO, nome por que era conhecida a Pacific Lumber Company, detentora desse autêntico «império» da redwood.

[Publicado em Notícias de S. Braz (S. Brás de Alportel), nº 201, 20 de Agosto de 2013, p. 21].

 

 

           

NA PRATELEIRA - 6

Que chatice!
            A 1 de Agosto, no noticiário das 9 da Antena 1, ouvi que não foram ainda aplicadas multas a banhistas por se instalarem em zonas proibidas. Referia-se a informação a áreas de arribas em risco de derrocada. Mas o que mais me impressionou foi o ar de desalento da autoridade marítima, como que a dizer: «Que chatice! Não multámos ninguém e a lei já dura há um ano! Se já se viu!...». E parecia preconizar-se logo de seguida que fossem alargadas essas áreas, para que, no final do ano, se pudesse apresentar ‘serviço’! «Só há quatro áreas!» – queixavam-se. Na zona de Cascais, somente o acesso à Praia do Mexilhoeiro está interdito.
            De facto, é uma chatice! Anda o pobre do agente a ver se consegue passar uma multinha e o Povo não lhe dá essa oportunidade! Que Povo este!...

Piscina do Tamariz
            Melhoramentos! Há acesso à piscina directamente através de uma rampa, que serve igualmente de passagem de um nível para outro. Valeu!

Estrada Cobre – Murches
            Finalmente (as obras demoraram muitos meses!...), foi aberta ao trânsito a estrada que liga a Almosquia a Murches, estrada que dá pelo nome de Rua Humberto Delgado na sua maior extensão, começando, a sul, pela Rua dos Depósitos de Água.
            Constitui excelente alternativa à Estrada da Malveira, nomeadamente para quem utiliza a 3ª circular e se desloca para Murches, Aldeia de Juso, Zambujeiro e mesmo Charneca e Malveira. Ou em sentido inverso.
            Continuo, porém, a não compreender porque é que – para fazer uma reparação destas – se carece de imediato de fechar ao trânsito a totalidade da via! Mas… quem sou eu para compreender essas altíssimas esferas filosóficas em que navegam os senhores do trânsito em Cascais?
            Veja-se o que acontece dentro de Alcabideche! Anda-se às voltinhas e não há meio de alguém com dois dedos de testa abrir aos dois sentidos a Rua dos Bombeiros, o que facilitaria de imediato o trânsito todo! Que é como quem diz: «Está com um só sentido e com um só sentido há-de ficar, nem que a burra cante o fado!».
            Em contrapartida, à saída da 3ª circular para sul, o pessoal utilizava sempre como escapadela a Rua Romano Esteves e até a firma das inspecções automóvel lá plantara placa a dizer que era esse o melhor caminho. Óptimo, de facto, não incomodava ninguém (pelo menos, assim parecia). De um dia para o outro, zás! Apareceu uma placa de sentido proibido! De quem teria sido a ideia? Certamente a inopinada decisão, foi, porém, submetida a reunião de Câmara e todos assinaram de cruz. Se calhar, os senhores vereadores até nem sabem onde fica a Rua Romano Esteves!...
            Mas a reabertura da Rua Humberto Delgado, essa até teve direito a inauguração, com presença de autoridades municipais, pois então!

O secretário de Estado que antes de ser já o era!
            No sábado, 3 de Agosto, o relevo era dado, nos noticiários da manhã, à opinião expendida no dia anterior por Marques Mendes, no seu habitual comentário semanal da SIC:
            «Eu acho que este secretário de estado não devia ter ido para o Governo!»
             Como é, senhor Marques Mendes? Então, Pais Jorge antes de o ser... já o era? Temos médicos, advogados, professores e também já há 'secretários de Estado'?!... É profissão? O que o senhor comentador queria dizer era, decerto, que, em seu entender, este senhor não deveria ter ido para secretário de Estado!...

Morreu o senhor João
            Piscina do Tamariz sem o Sr. João era impossível de existir, tão simpática, eficiente e afável a sua figura, sempre discreta e de sorriso nos lábios. Deixou-nos, aos 71 anos. Que descanse em paz!
            E não seria mal pensado que, num recanto da piscina, fosse colocada lápide em sua memória!

«A família do Tio João»
            Terçando armas pelo direito à construção de comunidade através da comunicação social local, aqui dei conta da asneira feita em Bragança, ao acabarem com um programa que reunia em torno de si as gentes da cidade e arredores (Costa do Sol, edição de 3 de Julho, p. p., transcrito em http://notascomentarios.blogspot.pt/2013/07/proximidade-precisa-se.html).
            Acabo de receber de Bragança a informação:
            «Já temos novamente o programa, não "Bom dia, Tio João", mas " A Família do Tio João", de segunda a sexta das 6h00 às 8h00 e sábado das 6h00 às 10h00. Reiniciou-se no passado dia 6, transmitido por outra rádio local, a "Rádio Brigantia". Ainda bem! As pessoas que ouviam/participavam no programa ficaram muito satisfeitas, pois ainda há muitas pessoas, principalmente idosas, que vivem num isolamento muito grande e este programa ajuda-as a minimizar um pouco essa situação».
            A minha interlocutora brigantina lera o meu texto, onde eu preconizava maior acessibilidade à zona ocidental de Cascais e acrescentou:
            «Espero que a zona ocidental de Cascais já esteja mais acessível! Por vezes perdemos por falar, mas neste caso por falar não se perde nada!».
            Respondi-lhe que… não, tudo continuava na mesma!

Rota da arquitectura de veraneio
            Tive ensejo recentemente de arguir dois trabalhos académicos sobre a arquitectura de veraneio em Cascais: um, na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, para especialista; outro, de licenciatura, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa.
            Curiosamente, há semanas largas que começaram a ver-se pelo chão da vila placas redondas com a indicação «Rota da Arquitectura de Veraneio». Se se vai à página da Câmara, nada se consegue saber de concreto a esse propósito. Mas decerto algo deve haver na manga e a plantação das plaquinhas será sementeira de uma seara maior. Aguardemos!

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 10, 14-08-2013, p. 6.

 

 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"Noites com Poemas", um ciclo com amanhã

           Quiçá Jorge Castro tenha começado em jeito de brincadeira, ele que também – ao que parece – só há poucos anos se deixou enlear nos braços de Euterpe, a musa da Poesia. Pensou assim a modos de uma tertúlia poética, sem regras fixas, cada qual vinha e dizia linhas suas ou alheias e assim se passavam duas horas, das dez à meia-noite, na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana. Os responsáveis pela biblioteca apoiaram e, vai daí, a primeira «Noite com Poemas» ganhou raízes mensais, o grupo foi aumentando, revelações surgiram, Fernanda Frazão (da editora Apenas Livros) deu apoio. Realizou-se, no passado 19 de Julho, a última sessão da «temporada», a 88ª (!), em que tiveram papel de relevo os Poetas da Apenas Livros. Muitos foram os participantes, entre os quais se contou luzida representação de elementos, que, em Coruche (veio um autocarro da Câmara!), alimentam tertúlia semelhante, Um Poema na Vila.
            No seu blogue, http://sete-mares.blogspot.pt, dá Jorge Castro pormenorizada conta do que por ali, nessa noute, se passou (quatro fotografias lhe roubo, com sua licença…). Eu cheguei já para a parte final, mas ainda me pude aperceber de que não se haviam feito rogados os coruchenses e trouxeram não apenas o manjar da poesia, mas outros manjares mais concretos, numa verdadeira embaixada de sabores e de saberes, em que à beleza da palavra se juntou o aroma das viandas, o colorido do artesanato, a vivacidade musical…
            Desafinou Emília Azevedo que pegou na viola e veio cantar uns versos seus? Apaixonara-se Carmen Filomena por Pessoa aos 15 anos e nunca mais tivera paixão por ninguém e já nos 65 caminha e nos brindou com longo poema do poeta, sentidamente dito de cor? Vociferou o ‘revolucionário’ Carlos Pedro contra «o estado a que isto chegou»? Quem hoje não vocifera – em verso e em prosa vernácula?...
            É assim a tertúlia, as «Noites com Poemas», começadas há mais de sete anos (se as minhas contas não falham, porque mensais 88 vezes dá para cima de uma mão-cheia, desde Janeiro de 2004!...), em convivência sadia, na promessa de que, burilando a Palavra, se dá força ao Sentimento e generosamente se cultiva Comunidade!

Publicado em Cyberjornal, 31.07.2013: