sexta-feira, 2 de maio de 2014

Autarquia cascalense quer fomentar o interesse pela História

            Numa época em que a História anda cada vez mais maltratada a nível dos governos europeus, designadamente pela cada vez mais insistente menorização do ensino desta disciplina nos currículos escolares, como se para muito pouco servisse a nível da formação para a cidadania, é consolador ver que um município considera importante assinalar os 650 anos da sua elevação a vila instituindo um prémio bienal, no montante de 5000 euros: Prémio de História de Cascais – Ferreira de Andrade.
            A iniciativa foi apresentada formalmente na passada terça-feira, 29, a partir das 17 horas, na Casa de Santa Maria, em Cascais.
            Presidiu à sessão a Dra. Ana Bettencourt, vereadora da Cultura, que começou por referir os objectivos do prémio: galardoar um trabalho de investigação histórica acerca de Cascais, em qualquer domínio, nomeadamente sobre temas e personalidades consideradas de relevo para o estudo do passado do concelho ou que tenham por base documentação preservada no Arquivo Histórico Municipal de Cascais; e apresentou os membros do júri da presente edição: os professores doutores António Ventura (Faculdade de Letras de Lisboa), José d’Encarnação (Faculdade de Letras de Coimbra) e Raquel Henriques da Silva (Universidade Nova de Lisboa).
            Pretende-se homenagear desta forma Manuel Ferreira de Andrade (1910-1970), vulto grande da historiografia cascalense, além do olisipógrafo de raro mérito.
            Cascais constitui, não há dúvida, um dos concelhos – à excepção, naturalmente, da capital – com maior número de obras historiográficas publicadas, mormente a partir de 1964, ano em que comemorou o VI centenário da sua elevação a vila e em que a Comissão das Comemorações houve por bem deixar ‘rasto’ através da publicação de uma colecção singela, sim, mas rica de conteúdo, inclusive por abarcar os mais variados campos, desde a História em geral (Cascais Vila da Corte – Oito Séculos de História, da autoria do ora patrono do prémio, por exemplo), à Arqueologia, passando pela História Militar, um eloquente testemunho sobre o Terramoto de 1755, os regimentos militares, as fortalezas da orla marítima, a geologia, a vegetação natural, a toponímia…
Toda a informação acerca do Prémio está também disponível no Portal da Câmara Municipal de Cascais, em http://www.cm-cascais.pt/noticia/premio-de-historia-de-cascais-ferreira-de-andrade-incentiva-estudo-da-historia-local. O prazo para entrega dos originais termina a 29 de Janeiro de 2015, prevendo-se para 7 de Junho seguinte a cerimónia de entrega, nessa altura (espera-se!) na Casa Sommer, onde virá a funcionar o Arquivo Histórico e um Centro de História Local.
            Muito nos congratulamos, pois, pela clarividência ora demonstrada.

Publicado em Cyberjornal, edição de 02-05-2014:

Estalagem Muchaxo comemorou 50 anos

            Com um cocktail, que reuniu cerca de duas centenas de amigos, quis a Família Muchaxo comemorar, na passada segunda-feira, 28, meio século de existência.
            Estava mui justamente feliz Toni Muchaxo por ter dado continuidade à obra de seu pai, que, ao lado da ‘Barraca’ – também ela de grande tradição já –, decidiu, um dia, erguer uma estalagem sobre as paredes-mestras do que fora a fortaleza do Guincho.
            Pelo “Muchaxo”, como entre nós é conhecido, passaram, ao longo destes 50 anos inúmeros vultos do cinema, as realezas, governantes dos estados europeus e não só. Jantar no Muchaxo, com o Guincho aos pés, a ouvir o marulhar das ondas ou a apreciar, qual aperitivo, magnífico pôr-do-sol, era – e continua a ser, felizmente! – ponto obrigatório da agenda das celebridades que nos visita(ra)m. Foram, pois, alguns dos instantâneos desses momentos históricos que ficaram registados nas fotografias expostas num dos balcões do bar e que passaram depois no ecrã, no decorrer do encontro.
            Falar da Praia do Guincho e do surf, por exemplo, nas suas diversas modalidades, sem aludir ao encanto desta estalagem e das suas memórias resulta, sem dúvida, tarefa impossível. E é de ver as muitas dezenas de milhar de referências que, em menos de um segundo, surgem na Internet à simples colocação de entradas como «Muchaxo», «Estalagem Muchaxo»…
            Tem-me sido proporcionada a dita de acompanhar de perto a vida – e as contingências da vida – desta unidade hoteleira, que honra sobremaneira a Costa do Estoril, e não posso deixar, por isso, de saudar com entusiasmo esta efeméride, no voto de que venha aí um futuro ainda mais radioso! Parabéns!

Publicado em Cyberjornal, edição de 02-05-2014:

Na prateleira 22

Mais um prémio
            Chegou-me da Madeira, a 25 de Abril, a informação:
            «Cascais foi considerado o melhor destino sustentável do mundo, na Feira Internacional de Turismo em Berlim, a decorrer até domingo. Entre as mil candidaturas apresentadas, o município de Cascais foi o premiado com o “Vistas – VISION Innovation for Sustainable Tourism Awards 2014” pelo trabalho na recuperação ambiental da Duna da Cresmina e do Pisão. Parabéns!».
            Lá nisso de apresentar candidaturas temos sido mestres do mais alto gabarito. E, pelos vistos, com o maior êxito! É o que se chama… ter olhinhos!...
            Mas… ainda que mal pergunte: «Saberão também os responsáveis que há uma outra duna, a de Oitavos, que é fóssil, que está classificada e que corre sérios riscos de degradação, depois que foi autorizada a abertura de uma estrada no seu ventre?».

O filme da vida e o outro
            8.50 horas. 1 de Abril. Metropolitano de Lisboa. Sentada, a jovem, de auscultador no ouvido, vê um filme no seu smartphone. Dei comigo a pensar no contraste: delicia-se ela com uma ficção; entretenho-me eu a sentir-me elo de uma comunidade viva, a dos meus companheiros de viagem, a caminho do emprego. A carruagem está praticamente em silêncio, uma que outra voz apenas sussurrada.
 
Reaproveitamento versus desperdício
            Sempre me insurgi contra a generalizada tendência, de quem vem, de mostrar trabalho feito. Uma das primeiras ideias é mudar logótipos e mudar nomes, com todas as consequências que daí resultam, nomeadamente de papel timbrado que vai para o lixo. Hoje em dia, como é tudo digital, o dispêndio é apenas o de os criativos e os serviços informáticos se desunharem a rapidamente mudarem os endereços de serviços e do pessoal, trasladarem conteúdos das páginas (quando os trasladam…), engendrarem logótipo apelativo…
            Já não haverá, portanto, o desperdício de papel que havia, porque – para os novos chefes – usar papel da repartição antiga não era bem visto. Foi por isso que me alegrei, outro dia, ao receber uma carta do Museu Nacional de Arqueologia que vinha com o timbre do defunto Instituto dos Museus e da Conservação. Cortaram os dizeres, puseram por baixo o carimbo do Museu e… já está! Congratulei-me e fiz votos de que o exemplo prolifere!

Museu Militar de Artilharia de Costa
            A 28 de Janeiro, p. p., a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional presidiu à cerimónia de assinatura do acordo de princípios, entre o Exército Português e a Câmara Municipal de Cascais, para instalação do Museu Militar de Artilharia de Costa e de um Parque Temático, na 2ª Bataria da Parede. Apresentou-se, então, a traços largos, a história da Artilharia de Costa, a que o concelho de Cascais se encontra profundamente ligado, e deu-se conhecimento do projecto que há para as instalações e espaços envolventes.
            O meu voto: que as instâncias superiores se apercebam do elevado interesse que o projecto, na verdade, detém e que há urgência em o pôr em prática, porque as instalações deterioram-se e o vandalismo grassa por lá.

A villa romana de Freiria em Lisboa
            No âmbito da programação cultural da Galeria Millennium, foi aí inaugurada, a 13 de Março,  a exposição de arqueologia "Lisboa Pré-Clássica, um porto mediterrâneo no litoral atlântico”.
            Estão patentes nesta mostra os mais significativos documentos arqueológicos da villa romana de Freiria (S. Domingos de Rana), datáveis do período imediatamente anterior à vinda dos Romanos.
            Mais uma colaboração da Associação Cultural de Cascais!

Reedições
            Foi reeditado, não há muito, pela Câmara Municipal de Cascais e com mui sugestivas ilustrações, o livro Memórias da Linha de Cascais, de Branca Gonta Colaço e Maria Archer (1ª edição, 1943).
            Aplaude-se!
            E sugere-se que poderia ser uma boa ideia – e até nem muito dispendiosa! – a reimpressão dos sempre úteis livrinhos que integram a chamada ‘colecção do Centenário’, editada pelo Município, em 1964, aquando das comemorações do VI centenário da elevação de Cascais a vila.
                                                                                                                    
Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 43, 30-04-2014, p. 6.

O comércio dos livros

            Confesso que hesitei seriamente no título a dar a esta crónica: será comércio, mercado ou… negócio?
            Não me refiro aos livros de poemas. Como não são, habitualmente, muito grandes e o número de exemplares a publicar não é elevado, muitos autores se abalançam a despender uns cobres em «edição de autor», mais para seu gozo pessoal do que na mira de obterem proventos que permitam ressarcir despesas feitas. Há, no entanto, exímios profissionais de publicação de antologias, em que cada autor é convidado a pagar um tanto (que não é tão pouco como isso…) para que o seu poema (ou dois ou três, conforme) venha a figurar nesse livro, cujos lucros redundam em proveito exclusivo desse editor, promotor de apresentações aqui e além, para as quais, a expensas deles, os autores são, naturalmente, convidados, sem que, porém, lhes seja entregue gratuitamente um exemplar sequer: se o pretender, tem de o comprar – e sem qualquer desconto! Teoricamente, é uma ‘mina’, ainda que os nossos poetas estejam a ver a marosca e já não caiam facilmente na esparrela.
          Refiro-me, sim, aos livros ‘científicos’, aqueles que docentes, investigadores e estudantes carecem mesmo de comprar para a sua formação inicial ou contínua. E, a esse respeito, perguntava-me um colega docente:
            «Já reparaste nos novos catálogos de livros das editoras internacionais? Livros normais em papel: de 90 a 120 euros; livros em ficheiro que permite uma única impressão em papel branco: entre 50 a 75 euros; ficheiro tipo ebook: 20 a 30 euros.»
             E comentava:
            «As bibliotecas, devido a este aumento tremendo de preços, começam a emprestar ebooks. Experimenta ver nas bibliotecas».
            E desabafava:
            «Cada vez mais a tendência ocidental é a de termos uma cultura elitista. Eu não consigo comprar um livro técnico por 90 euros, pelo que não me resta outra hipótese senão o formato digital!».
            Além desse, que já não é de somenos, outro problema se põe: esses livros digitais que durabilidade têm? Se faltar a energia, como teremos a eles acesso? E se a «nuvem» onde repousam for destruída por um doido qualquer?... E onde está a possibilidade de anotações à margem e aquela sensação única de sentirmos a macieza do papel entre os dedos?!...
 
Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 637, 15-04-2014, p. 12.

 

 

domingo, 20 de abril de 2014

Aplausos para a reabertura da Pousada!

             Deu Notícias de S. Braz o devido relevo, na edição de Março (p. 13), à informação de que estavam em curso obras para adaptação, até final do ano, da celebrada pousada de S. Brás a alojamento de cerca de 200 famílias dinamarquesas, em regime de time-sharing.
            Inaugurada em 1944, sendo por conseguinte uma das primeiras do País, a pousada fora concessionada ao Grupo Pestana, quando este grupo se prontificou a revitalizar as pousadas que estavam sob a alçada da ENATUR (Empresa Nacional de Turismo), a qual, porém, se revelou sem garra bastante para as manter operacionais e rendíveis. Em 2010, no entanto, esse desiderato em relação ao estabelecimento de S. Brás acabaria também por fenecer e o Grupo Pestana encerrou-o, alegando falta de viabilidade económica.
            Carece o concelho de S. Brás de Alportel – como, de resto, o salientou, a este propósito, Vítor Guerreiro, presidente do Município – de estruturas capazes de atrair visitantes que ali passem alguns dias, em vez de se alojarem de preferência junto à costa, de forma a usufruírem dos encantos ímpares que a serra e o barrocal proporcionam.
            A pousada, que mui sugestivamente se designará «Coração do Algarve», disporá de 40 áreas de alojamento, em jeito de apartamentos autónomos equipados com sala, cozinha, quarto e casa-de-banho.
            Estamos convictos, porém, que – tal como acontece com os residentes e se o sistema funcionar como se prevê – também essas famílias não resistirão a deixar-se seduzir pela nossa gastronomia e irão tomar algumas refeições nos restaurantes locais, visitarão o museu e as exposições e participarão nas múltiplas iniciativas que, ao longo do ano, as entidades de S. Brás não cessam de organizar e em que todos (nacionais e estrangeiros) mui agradavelmente se integram!

Publicado em Notícias de S. Braz [S. Brás de Alportel], nº 209, 20-04-2014, p. 21.

 

«Dos outros para mim»

             Numa iniciativa da Junta de Freguesia de S. Domingos de Rana e da Associação Cultural de Cascais, está prevista para as 18 horas do próximo dia 10 de Maio, na sede daquela Junta, a apresentação de um livro, assinado por Celestino Costa, que lhe deu o título Dos outros para mim, editado por Apenas Livros.
            Trata-se de uma muito sugestiva compilação de frases célebres de autores célebres que podem constituir – e, neste caso, têm constituído – norma de vida.
            Tive a honra de prefaciar o volume e aí começo por escrever:
            «Naqueles derradeiros minutos de vigília quotidiana, apetece ainda – para além da breve oração e do proveitoso exame de consciência – passar os olhos, mais uma vez, por aquele livro há muito a ocupar esse lugar privilegiado. Uma companhia, um deleite, um sereno lavar d’alma depois de fadigosa jornada. O livro de cabeceira. Escolhido dentre aqueles com que, um dia, adregámos tropeçar e nos enleou para sempre; ou mesmo feito por nós, qual apreciada e confortante manta de retalhos ou bússola norteadora de pensamento e de acção.
            O livro que Celestino Costa nos apresenta pertence a este último grupo e resulta, é bem de ver, de leituras pensadas, ditames transformados em singelas normas de vida.»
            Canteiro de profissão, Celestino Costa apurou-se no trabalhar da lioz cascalense, nomeadamente gravando epitáfios no cemitério da Guia; a capa do livro constitui, por conseguinte, o seu «retrato», como ele diz, dado que reproduz, em excelente fotografia de Guilherme Cardoso, essa típica pedra daqui e os dizeres, a negro, são como os dos epitáfios ao longo de várias décadas gravados!...
            É, pois, com o maior gosto que veiculo esta informação para, desde já, ser colocada na sua agenda a hipótese de participação na cerimónia, o que antecipadamente agradeço.


Publicado em Cyberjornal, edição de 20-04-2014:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=433:a-agendar-dos-outros-para-mim&catid=19&Itemid=30

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Na prateleira 21

O que é Tofa?
            Almoço na Baixa alfacinha, no dia 28 de Março, p. p. É um restaurante simpático, com as antigas arcarias pombalinas à mostra, farta clientela, alguns vultos conhecidos numa ou noutra mesa.
            No momento do café, a senhora do grupo em que eu estava inserido, perguntou ao empregado:
            ‒ O café é Tofa?
            O rapaz ficou ligeiramente atrapalhado, não percebeu o que a senhora perguntara, ela repetiu e ele, depois de responder prontamente que «ia perguntar», hesitou e indagou-lhe ele próprio de imediato: «O que é ‘tofa’!». Explicámos-lhes que era uma marca de café. «Ah!», disse ele.
            Prendera-se a razão da pergunta com o facto de, em termos de café, a senhora ter as suas preferências, mesmo por razões de saúde, e, por outro lado, por se ter verificado que, pelo menos, os pacotes de açúcar tinham a marca e a publicidade Tofa, o que implicava, naturalmente, que fosse dessa torrefacção que viesse o café ali servido. Não me lembro de ter verificado se também as chávenas eram Tofa.
            Compreende o amigo leitor a razão deste comentário e o grito de alarme que veicula: primeiro, a formação apressada e incompleta que foi dada ao empregado; segundo, o facto de ele próprio, que diariamente tinha nas mãos centenas de pacotes de açúcar «tofa», nunca se ter interrogado, nem que fosse para ir ver à Internet, sobre o que é que ‘aquilo’ queria dizer!...
            Contei a cena a um dos meus amigos, que de pronto evocou o que estamos a ver no programa «Quem quer ser milionário». Certo é que, ali, os nervos podem atraiçoar, dado o ambiente; contudo, havendo por parte de Manuela Moura Guedes a preocupação de pôr as pessoas bem à vontade, espanta verificar como, por exemplo, aspectos comezinhos da história e da geografia de Portugal são desconhecidos.
            Não vamos ao ponto de, como nos aconteceu na então Instrução Primária, sabermos de cor e salteado os nomes dos principais rios e seus afluentes, e as estações mais relevantes das lianas do caminho-de-ferro, ou as preposições simples todas de carreirinha!... Contudo, uma educação mais concreta, mais ligada à realidade circundante, em que se saiba distinguir um bácoro de um cabrito, afigura-se fundamental. E felizmente que, na Escola, já se vai caminhando nesse sentido!

Achar piada ou… não ter outro remédio!
            Inadvertidamente apaguei (ou não consigo encontrar na memória do meu computador) a mensagem que um amigo me enviou, a prontificar-se a explicar melhor o conteúdo de um diploma legal em que no preâmbulo ou, porventura, no último artigo, se enumeravam os artigos de outros diplomas que eram revogados ou alterados por via desse que ora ia entrar em vigor.
            O oferecimento tinha uma razão de ser: é que, na verdade, o rol era… infindável! Aí umas vinte linhas, se não mais!
            Fez-me lembrar aquela frase do nosso quotidiano: haviam deitado o barro à parede a ver se pegava. E não pegou!... A experiência mostrou que havia sido cometida asneira e o mais natural era dar a mão à palmatória. O que, diga-se, nem sempre acontece – mas é salutar que aconteça, pois «errar é humano».
            Vêm estas considerações a propósito de uma mensagem que anda pela Internet, onde se afirma que não terá sido revogado o Art. 17.º do Decreto-lei nº 496/80, de 20 de Outubro, que reza assim: «Os subsídios de Natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis».
            Comenta-se: «Os nossos governantes e a Troika desconhecem isto!». E pergunta-se como é que o Governo Central pode retirar esses subsídios, se não houve expressa revogação dessa norma?
            Creio que, neste momento, o assunto já deve ter chegado ao conhecimento do legislador, que – a ter razão quem pôs a pergunta a circular – se apressará a justificar eventuais desregramentos. É natural, até, que o aparente ‘problema’ esteja resolvido. Temo, porém, que haja alguém que prontamente venha a terreiro ver o assunto de uma outra forma: claro, são ‘inalienáveis e impenhoráveis’… desde que existam! Se os suprimirem… não há volta a dar-lhes! Aliás, note-se que o diploma nasceu expressamente para «regular de forma sistemática a atribuição dos subsídios de férias e de Natal ao funcionalismo público». Muito provavelmente, já ele terá sido reformulado no seu conjunto. Digo eu. Pelo menos, a prática assim o mostra, tanta tem sido, de há uns meses a esta parte, a desregulação reinante....

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 41, 16-04-2014, p. 6.