domingo, 29 de junho de 2014

25 anos da Legião da Boa Vontade

            Sabemos quantas instituições operam hoje por esse país, a tentarem superar as dificuldades cada vez maiores não apenas dos chamados ‘mais necessitados’, mas sobretudo, ouso dizê-lo, da anterior ‘classe média’, esvaziada de meios para subsistir, porque tudo se desmoronou muito de repente, sem pré-aviso: o desemprego, o drástico abaixamento dos montantes de pensões de reforma, sustentáculo dos anciãos e, através deles, dos mais novos a quem a perspectiva de vida está a ser negada…
            O Centro Social da Legião da Boa Vontade é uma dessas instituições particulares de solidariedade social, sem fins lucrativos, educacional e cultural. Presente em Portugal há já 25 anos, actua nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra e propôs-se realizar os seguintes programas socioeducacionais, que visam não só minorar algumas carências imediatas no que respeita a bens essenciais, como também fomentar, através da formação, valores tão importantes como a solidariedade, a educação, a cultura e cidadania:
·  Programa Sorriso Feliz – Propagar a adopção de uma rotina diária de saúde oral.
·  Programa Ronda da Caridade – Trabalho itinerante de apoio ao sem-abrigo.
·  Programa Viva Mais! – Promoção de qualidade de vida activa na terceira idade.
·  Programa Semente da Boa Vontade – Apoio à criança e ao adolescente, prestando apoio pedagógico, afectivo e alimentar.
·  Programa Cidadão Bebé Apoio a futuras mães, gestantes e seus bebés até um ano de idade.
·  Programa Um Passo em Frente – Destinado a núcleos familiares carenciados com elevado número de crianças e famílias monoparentais, distribuindo 100 cabazes, mensalmente.
            Às famílias que se encontram em situação de extrema carência, atendidas no Programa Um Passo em Frente, e também aos idosos, utentes no âmbito do Programa Viva Mais, são periodicamente entregues cabazes alimentares. O custo com cada família, consubstanciado na entrega do cabaz de bens alimentares essenciais, é estimado em 50,00 € (cinquenta euros).
            Como todas as instituições congéneres, o Centro Social da Legião da Boa Vontade vive da solidariedade. O atendimento ao colaborador é feito através do telefone 217 931 113 e os contactos também podem concretizar-se através do e-mail: lbveuropa@lbv.pt.
            Na página www.lbv.pt se encontrará informação complementar de interesse para quem deseje saber mais ou, de modo especial, para quem se disponibilize a integrar o rol dos participantes nesta obra de bem-fazer.

Publicado em Cyberjornal, edição de 28-06-2014:

sábado, 28 de junho de 2014

Continua a revolucionar!

            Na sua 51.ª edição, saída pelo Natal, dedicada à poesia, a revista Egoísta, editada pela Estoril-Sol, o seu director, Mário Assis Ferreira, punha a tónica na «ressurreição». Creio que por, afinal, a sua denodada luta em prol do enorme gesto de Cultura que a revista representa ter logrado convencer quem de direito que a publicação granjeara a liberdade de existir. Ficara suspensa, à espera de dias melhores, e o Natal foi bom pretexto para reaparecer, com um tema adequado: haverá melhor inspiração poética que a quadra natalícia?
Design foi premiado
            E se bem pensada foi, melhor foi ainda a recompensa, pois que, soube-se em Abril, arrecadou mais um galardão: o Grande Prémio Papies de Design.
            Para se compreender o significado da distinção, há que referir o que é. Todos os anos, a Pixelpower, editora da revista doPAPEL, sediada em Santo António dos Cavaleiros, lança o concurso Papies, destinado a premiar publicações em 23 categorias: 8 na categoria ‘Produtos’ (revistas, livros, jornais nacionais…); 10 na categoria suportes e tecnologias; e 5 distinções: ambiente, design, inovação gráfica, empresa gráfica do ano e personalidade gráfica do ano. O concurso deste ano (Papies 2014) galardoaria publicações vindas a lume entre 1 de Abril de 2013 e 30 de Março de 2014.
            A Egoísta arrebatou, pois, o Grande Prémio na categoria design, que partilhou com a ‘Expresso Revista’, da Impresa Publishing, impressa pela Lisgráfica. Salientou-se, por conseguinte, o excelente trabalho levado a efeito pelo Atelier 004 / Estoril Sol, bem coadjuvado pela excelência da impressão, da responsabilidade da Norprint.
            Aos que estamos habituados a serenamente compulsar a revista, o prémio – o 63º já arrecadado pela revista, até hoje, atribuídos tanto por entidades portuguesas como por estrangeiras – não surpreende, porque… cada edição nos deixa sempre perplexos pela enorme originalidade da sua concepção. Falamos do aspecto gráfico – que sobre o conteúdo, sempre da responsabilidade de vultos grandes da Cultura portuguesa, não há um senão a apontar.

A revolução de Abril
            Esta 52ª edição, datada de Abril de 2014, quis associar-se, naturalmente, às comemorações dos 40 anos do 25 de Abril. E o tema é, por conseguinte, como se disse, “Revolucionar”.
            Primeiro, dir-se-á que a capa está, à partida, «integralmente fechada, sendo necessário rasgá-la para explorar o seu interior». Revolucionar, sim, mas devagar, que uma revolução como deve ser tem de ostentar conta, peso e medida!...
            Confessa Assis Ferreira, no editorial, que ora, passados estes 40 anos, é capaz de já não se saber exactamente o que foi: se «uma Revolução, um Golpe de Estado, ou uma Insurreição Militar. Nem sei se, tão apenas, foi um regime moribundo, exausto de si próprio, em expiação de cair à simples visão de uma “Chaimite”…». E, depois de sublinhar que «pouco importa essa catalogação», porque «na História sempre existem três leituras para cada episódio relevante: quando acontece, quando é escrito e quando são compreendidas as suas consequências», agora, que já vamos compreendendo as consequências – as que queríamos e as (outras muitas!) jamais desejadas!... ‒ «é tempo de agradecer esse sopro de Liberdade que, de início, nos embriagou, mas que o tempo soube sazonar em maturidade responsável», conclui. E há que concordar.
            Mais um número, por conseguinte, para guardar «na prateleira», assim sempre à mão de semear para, de quando em quando, nos deleitarmos com os textos e as imagens.
            Desta feita, temos, mais ou menos, os nomes que é costume pontificarem nas páginas da revista, pois ao primor da escrita aliam o rigor e a profundidade da reflexão. Entre outros: a Lídia Jorge (do consagrado O Dia dos Prodígios, não esqueçamos!), o Manuel Alegre (que, num dos poemas, grita «contra as palavras que não são de aqui», abençoado, oxalá ele consiga que a sua luta tenha êxito!...), a Teolinda Gersão (com um excerto de «Paisagem com mulher e mar ao fundo»), o João Tordo (que acaba por confessar que se deu conta de que, sozinho, não é feliz nem é livre)…
            E há a reflexiva entrevista concedida por Eduardo Lourenço a Ana Sousa Dias, com o título «Liberdade é uma luta sem fim» e onde, a dado passo, se proclama que «liberdade sem preço não é liberdade». E as soberbas fotografias de Alfredo Cunha, explicadas nos ‘bastidores’ de um Abril de há 40 anos atrás – que, apesar de tudo, temos orgulho em recordar. E esta edição da Egoísta colabora eficazmente nessa evocação.

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 51, 25-06-2014, p. 6.

 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

“Mare Nostrum” na Galeria de Arte do Casino Estoril

            Cascais vive do mar. Não que a sua população seja maioritariamente piscatória – nunca o foi! – mas porque o mar abraça a sua paisagem e, como escreveu Frei Nicolau de Oliveira em 1620, são as brisas que sopram do oceano que lhe aquecem invernos e lhe amenizam a quentura dos verões.
            Natural era, pois, que, no âmbito das comemorações dos 650 anos da elevação de Cascais a vila, uma exposição de arte – pintura, escultura, fotografia… – mostrasse como, afinal, também o mar era boa fonte de inspiração.
            E a exposição aí está, sob o nome de “Mare Nostrum”, «o nosso mar», este que faz parte das nossas vidas.
            Foi inaugurada na quinta-feira, 19 de Junho, na Galeria de Arte do Casino Estoril. E dela fazem parte trabalhos de trinta artistas que habitualmente ali expõem ou expuseram. Citemos alguns: Nadir Afonso (a recordar os magníficos azulejos com que se adornou a passagem subterrânea do Parque Palmela para o paredão); António Joaquim, que, em dia de inspiração, pintou «uma excepcional Baía de Cascais»; Paulo Ossião e as suas aguarelas de transparente azul, a mostrar como não há uma costa assim em parte nenhuma do mundo; Nélio Saltão, em pintura ‘azulejada’ do azul do mar, painel de múltiplas tonalidades; Manuel Ai Quintas desfraldou velas no mar do Guincho; e aprecia-se aquele fabuloso «Mar de espuma» de Gustavo Fernandes; e os tons acastanhados, em aguarela, de João Feijó (bem sugestiva a sua Praia do Guincho!...).
            Uma mostra a visitar até 23 de Julho.
            Patente todos os dias, das 15 às 24 horas.

Publicado em Cyberjornal, edição de 23-06-2014:

António Sala apadrinhou loja social

             António Sala apadrinhou a loja social «Dar a Mão» inaugurada no começo da tarde de sábado, 21 de Junho, em Outeiro de Polima, no edifício multiusos pertença da Junta de Freguesia de S. Domingos de Rana (Cascais).
            A cerimónia contou com a presença de meia centena de fregueses, boa parte deles em representação de colectividades e associações locais.
            Disse-se, em primeiro lugar, dos objectivos da loja: ir ao encontro dos mais necessitados, quer possibilitando a aquisição de vestuário e utensílios domésticos e mesmo mobiliário a mui baixo custo, resultantes das ofertas de particulares e de empresas. A loja vai incluir também um cabeleireiro e uma lavandaria, por exemplo, uma vez que – salientou a presidente da Junta, Profª Maria Fernanda Gonçalves, no seu discurso – se tem verificado cada vez mais que, com a perda de emprego mormente na classe média e com o findar do subsídio de desemprego, se registam crescentes dificuldades dos fregueses em pagar, além do mais, a água e a electricidade. Assim, quem estiver em condições para o efeito – mediante inscrição na Junta e após inquérito concretizado pelas assistentes sociais – poderá usufruir, desta sorte, de melhores condições de sobrevivência. O apelo da presidente foi, pois, no sentido de quem tem algo de que já não precisa mas se encontra ainda em boas condições para vir a ser utilizado por outrem se disponibilize para o entregar na loja.
            Antes da presidente, deu António Sala o seu testemunho. Residente na freguesia há perto de 30 anos, falou de como se sentia bem no clima gerado entre a população das mais variadas origens, que o tratavam (sublinhou) não pelo nome mas por ‘vizinho’, o que bem denota o espírito de comunidade que por ali se sente e que importa manter. Manifestou o seu apreço por ter sido convidado para apadrinhar obra de tão elevado alcance e deu de imediato o exemplo: «Minha sogra morreu há dois meses; a televisão que tinha no quarto e que está em excelentes condições já não faz falta e ficará muito bem aqui, ao lado destas».
            A Loja Social «Dar a Mão» contou com o apoio específico da Associação de Beneficência Manancial de Águas Vivas; e o Rotary Clube de Sintra fez questão em aproveitar o ensejo para oferecer uma cadeira de rodas, resultante da campanha de angariação de tampinhas que está a levar a efeito. Aliás, na freguesia está precisamente em curso – aproveita-se o ensejo para o referir e sugerir, nesse sentido, a visita à página da Junta (www.jf-sdrana.pt/) – uma campanha de angariação de tampinhas de plástico a favor da Miriam, menina que esteve presente na inauguração e que corre sério risco de lhe vir a ser amputada uma perna.
            Desta forma está a Junta de Freguesia de S. Domingos de Rana a rendibilizar em prol da comunidade um edifício que lhe foi entregue há anos e que alberga também, por exemplo, o Espaço Museológico Ilídio Carapeto, onde se mostra a notável colecção de réplicas de embarcações mui habilmente feitas por Mestre Carapeto, espaço que celebrou a 16 de Maio, p. p., o seu primeiro aniversário.
            Congratulamo-nos.
 
            Publicado em Cyberjornal, edição de 22-06-2014:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=625:antonio-sala-apadrinhou-loja-social&catid=89&Itemid=85 
 


Evocação da arqueóloga Helena Frade (02-08-1957 / 20-06-2014)

            Causou a natural consternação o súbito desaparecimento de Mestre Helena Frade, que fora, até há poucos meses, arqueóloga da Direcção Regional de Cultura do Centro, tendo-se aposentado devido às perturbações, ao nível cardiovascular, de que há vários anos padecia.
            Maria Helena Simões Frade nasceu em Lavacolhos, Fundão, para onde se realizou o seu funeral, no final da tarde de sábado, dia 21. Licenciou-se em História, na variante de Arqueologia, em 1979, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e nessa mesma escola defendeu, em 2002, a tese de mestrado em Arqueologia Romana, intitulada Centum Celas: uma villa romana na Cova da Beira (disponível em http://hdl.handle.net/10316/9773), que preparara sob orientação do Professor Jorge de Alarcão.
            Começou a sua vida profissional no ano lectivo de 1979/1980, como docente dos ensinos básico e secundário, em escolas de Vila de Rei, Crato e Anadia, ingressando, em 1983, para o Serviço Regional de Arqueologia da Zona Centro, funções em que se manteve, nos diversos organismos que se sucederam a esta estrutura regional da Secretaria de Estado da Cultura.
            Fora casada com José Carlos Caetano, também ele precocemente arrebatado do nosso convívio, e com o qual trabalhara, por exemplo, na Lage do Ouro (Crato), necrópole romana cuja meticulosa escavação muito contribuiu para o conhecimento das práticas funerárias na Lusitânia (veja-se, a título de exemplo, a comunicação «Ritos funerários romanos no Nordeste Alentejano» feita ao 2º Congresso Peninsular de História Antiga. Actas (Coimbra, 18-20 de Outubro de 1990), Coimbra, 1993, p. 847-872).
            O nome de Helena Frade fica indelevelmente ligado a sítios arqueológicos onde a sua acção foi deveras marcante: as termas de S. Pedro do Sul, o anfiteatro de Bobadela, em Oliveira do Hospital («A arquitectura do anfiteatro romano de Bobadela», Colóquio Internacional ‘El Anfiteatro en la Hispania Romana’ (Mérida 1992), Mérida, 1994 349-371), Almofala («A Torre de Almofala», Actas das IV Jornadas Arqueológicas da Associação dos Arqueólogos Portugueses (Lisboa 1990), Lisboa 1991, 353-360) e Centum Celas («A torre de Centum Cellas (Belmonte): uma villa romana», Conimbriga 32/33 1993-1994 87-106).
            Integrou também, de 1980 a 1983, a equipa luso-francesa de arqueólogos que escavou a villa romana de S. Cucufate.
            A experiência assim adquirida levou-a, pois, a interessar-se de modo especial pelos ritos funerários romanos e pela problemática das termas, tendo nesse âmbito preparado (e publicado) comunicações em reuniões científicas nacionais e internacionais e artigos, porque foi seu timbre dar a conhecer o que lograra investigar, por exemplo na Informação Arqueológica, enquanto esse oportuno órgão existiu. Por isso foi convidada a participar com textos de síntese acerca dessas temáticas no II volume (O Mundo Luso-Romano) da História de Portugal publicada, em 1993, por Ediclube (p. 331-340, sobre os ritos, e 350-355, sobre as termas).
            Helena Frade pautou o seu modo de estar na vida – nomeadamente na profissional – pelo rigor, pela frontalidade, pela vontade de contribuir para a melhoria das pessoas e das instituições. Nem sempre terá sido compreendida, sabemo-lo os que de perto a acompanhámos; mas sabemos quanto era lídima a sua intenção. A saúde não a ajudou; a morte prematura de seu grande companheiro de lide, a 25-01-2006, determinou muito a sua atitude. Fica-nos, pois, a saudade de uma lutadora por ideais; de uma Amiga; de uma arqueóloga competente e cumpridora.
            Que Deus lhe dê o eterno repouso!

Publicado em Cyberjornal, edição de 22-06-2014:

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Ajudar a «dar a volta por cima»!

            Acabo de fazer uma diligência a ver se consigo que uma carta chegue ao conhecimento de um senhor presidente de Câmara e não se perca pelo caminho, a fim de que um processo não emperre e prossiga sem mais incidentes. Trata-se de projecto na área do turismo que, tendo sido classificado entre os três primeiros (num conjunto de mais de 120 candidaturas!), corre agora o risco de parar e de, inclusive, se ir fazer a outro lado, porque os fiscais camarários, interpretando a lei à sua maneira, exigem que, para uma vedação provisória, destinada simplesmente a delimitar o estaleiro, seja apresentado… projecto de arquitectura!
            Leio num jornal do Algarve:
            «O Governo vai aumentar a área de exploração para aquacultura. Existem já 13 projectos para o Algarve, que representam cerca de 18 milhões de euros. Mexilhão e ostra dominam investimentos no Algarve. Foram apresentados 83 projectos no valor de 29 milhões de euros. As áreas disponíveis estão na ilha de Armona, Vila Real de S. António e ainda no Oeste».
            E penso de mim para comigo: sim, os projectos existem e são apresentados; dinheiro para os financiar também há; mas… e a disponibilidade para os aprovar? Ou, falando claro: quanto se tem de fazer passar por baixo da mesa, para que venham a ser solicitamente aprovados esses projectos, os tais que até vão criar postos de trabalho e gerar riqueza e fixar as pessoas, impedindo que saiam para o estrangeiro?...
            Apela-se para o dinamismo da população em geral e dos jovens em particular. Quantas microempresas não têm sido criadas nos últimos tempos, dado que se facilitou imenso a sua criação? Contudo, ajudar a criar não basta! Urge não lhes pôr na frente empecilhos escusados! Urge também, em relação à legislação em vigor, que se saiba «dar a volta por cima» e não criar barreiras!
            Um bom filão, esse, o da aquacultura. Terá havido, no entanto, o necessário acompanhamento da legislação para que a concretização dos projectos seja agilizada e para que os eventuais investidores estrangeiros vejam que, de facto, vale a pena investir aqui?
            ‒ Sabe: não pode ser dessa cor. É proibida vedação em lilás. Deite abaixo, ponha amarelo, senão é multado, são cinco mil euros, e não pode continuar a laborar!
            Haja Deus!

Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 641, 15-06-2014, p. 12.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Notas positivas e notas negativas no dia 7

             Não houve morteiros de alvorada nem fogo-de-artifício no final: e esta é a primeira nota positiva.
            Segunda, a celebração de missa na Capela de Nossa Senhora da Vitória, sita na Cidadela. Anunciou-se como ‘evocativa’ do 650º aniversário da elevação de Cascais a vila; eu teria preferido que se designasse «de acção de graças», mas considero que o local foi bem escolhido, por todo o simbolismo que representa: é seu orago a Senhora da Vitória e nós queremos continuar vitoriosos; aí esteve durante décadas a imagem de Santo António que acompanhou o Regimento 19 na batalha do Buçaco.
            Terceira nota positiva: a visita à Fortaleza de Nossa Senhora da Luz guiada pela Dra. Margarida Ramalho, que muito tem trabalhado na valorização do espaço, agora com outros atractivos. Recorde-se que o Município, em colaboração com a Associação Cultural de Cascais, procedeu à sua primeira abertura ao público no último trimestre de 1989, por ocasião da grande exposição polinucleada «Um olhar sobre Cascais através do seu património», aí tendo ficado exposto o núcleo «Cascais na época dos Descobrimentos». De bom augúrio, pois, esta reabertura, se prenúncio for de um maior interesse pelo património arqueológico concelhio.
            «Muraliza» – de ornar paredes com murais – foi outro dos projectos iniciado. Reúne seis intervenções, no centro da vila, com vista à criação de um Circuito de Arte Mural: murais de grande e média dimensão, tendo Cascais por tema. Mário Belém, Nomen, Arraiano, Exas, Youth One e Add Fuel – os artistas que darão corpo à iniciativa.

Museu do Mar
            De tarde, no Museu do Mar, após a entrega de prémios do concurso de Banda Desenhada em que participaram alunos das escolas do concelho, inaugurou-se a exposição Memórias Vividas, que mostra o percurso do local, desde que serviu de parada (daí o nome por que foi conhecido durante muitos anos e ainda é), até sede do Sporting Club de Cascaes, frequentado por el-rei D. Carlos e pela nobreza e burguesia e até ser o que hoje é. Há catálogo.
            Saliente-se o cuidado que houve em, através de uma espécie de óculos náuticos, se poderem ‘espreitar’ dois dos diaporamas que constituíram o que de mais inovador se fez no primeiro Museu do Mar.
            Foi aproveitado o ensejo para mostrar aos participantes a riqueza que, na verdade, o museu alberga; sem dúvida, um dos mais paradigmáticos museus do concelho, pela grande ligação ao mar e às suas gentes.

Salão nobre
            Solene, a cerimónia seguinte, no salão nobre dos Paços do Concelho. E teve razão o presidente ao afirmar que a cerimónia não podia ter outro cenário.
            Primeiro, o lançamento de postal comemorativo. Tem vista da baía tirada do cimo do Parque Palmela aí pelos anos 50, sem paredão, o jardim arborizado do palacete Palmela e selo de taxa paga com o brasão da vila. Explicou o significado do que é o «postal comemorativo» Francisco de Lacerda, Presidente & CEO da empresa CTT, ou seja, o seu Chief Executive Officer, a sua maior autoridade na hierarquia operacional.
            Seguidamente, em discurso muito bem estruturado, João Miguel Henriques, responsável pelo Arquivo Municipal, explicou o conteúdo da magnífica obra que, no final, foi oferecida aos presentes, na versão em papel, mas que está doravante disponível também em versão digital. Tem por título 1364-2014. Cascais Território . História . Memória. 650 anos. 227 páginas que valem quanto pesam!
            Encerrou a sessão o Sr. Presidente da Câmara, a acentuar as características identitárias cascalenses.

Teatro de Rua e concerto
            Era aí pelas 19 horas quando chegaram, engalanados, os cavalos da GNR, em guarda de honra ao jipe que trazia el-rei D. Pedro I. E vieram os cães amestrados. Atractivas demonstrações. E veio o bobo, que faria de elo de ligação entre as partes. E vieram os ranchos, em princípio para mostrar trajos e danças – mas foi mais uma espécie de festival de folclore, longo de mais, repetitivo, desnecessário, enfadonho. Nota muito negativa.
            Brilharam os alunos da Escola de Dança de Ana Mangericão e os estudantes da Escola Profissional de Teatro de Cascais, embora os espectadores, cansados de tanto ‘tacão e bico’, tenham acabado por não conseguir apreciar, como conviria, o drama de Pedro e Inês e a outorga da carta de vila – que era, afinal, aquilo para que se estava ali. Parabéns a Carlos Avilez e seus colaboradores. Valerá a pena repetir o «auto», mas sem folclore!
            Quanto ao chamado «mega concerto», foi «mega» por ter muita gente no palco, mas… não faltarei decerto à verdade se afirmar que… de lá saímos pouco convencidos. O som não esteve bem; Ricardo Carriço dava umas explicações em voz pouco perceptível; cada artista apenas cantou um número de seu repertório (a incitar o público a cantar com ele, ‘parabéns, Cascais!’...), Ana Moura encantou-nos mais com o seu ‘Desfado’ quando ensaiou à tarde do que quando actuou. Parabéns são devidos ao maestro Nikolau Lalov por ter logrado acompanhar tanta gente!

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 48, 11-06-2014, p. 6.