quinta-feira, 10 de julho de 2014

«Divinas Palavras» pelo TEC – um espectáculo!

            Está em cena no Mirita Casimiro (Monte Estoril), até final deste mês de Julho, a peça «Divinas Palavras», de Ramón del Valle-Inclán.
            É um espectáculo, sim, mas note-se, antes de mais, que se trata simultaneamente – e acima de tudo! – da PAP (Prova de Aptidão Profissional) dos 39 finalistas do curso de interpretação da Escola Profissional de Teatro de Cascais. Daí que haja, por exemplo, três elencos, a obrigar os estudantes a desempenhar mais do que um papel e, por outro lado, a contracenarem com oito actores profissionais da companhia, na presença (também em palco) de estudantes do 2º e do 1º ano da escola, que se disponibilizaram para integrar o numeroso grupo de figurantes. Uma prova, portanto, e um exercício – sob o olhar atento de um júri expressamente nomeado para o efeito.
            Dir-se-á, por isso e em primeiro lugar, que só a experiência e o génio de Carlos Avilez – bem secundado por Fernando Alvarez (cenografia e figurinos), Natasha Tchitcherova (coreografia) e Nicolau Esteves (movimento) – poderiam lograr pôr em cena, rigorosamente, tantas personagens, cada uma com seu jeito especial e sua função bem específica no conjunto.
            E o júri aí esteve, todo olhos e ouvidos, de lápis na mão a fazer as suas anotações para a nota final.

A história
            Mais uma vez foi Miguel Graça quem assinou a dramaturgia e fez a sua versão da obra, a partir da tradução do original castelhano feita por Jorge Silva Melo.
            A história em si é, aparentemente, muito simples: quando fica órfão de mãe, Laureano – um anão idiota que passa o tempo metido numa reles caixa, exposto à comiseração e, sobretudo, à esmola dos transeuntes, nomeadamente em recintos de feira – é disputado como ‘preciosa herança’ pelos tios: o velho sacristão Pedro Gailo, casado com a jovem Mari-Gaila, e a irmã da mãe, Marica. São, afinal, os Gailos que levam a melhor e vão ganhando algum dinheirinho, até porque Mari-Gaila não deixa de usar também os seus dotes sedutores… E, um dia, no meio dessas grandes embrulhadas, é ela, porém, quem abandona o idiota e acaba por ‘fugir’ com um vagabundo, diz-se; e o pessoal, levado da breca, encharca o pobrezinho do anão em aguardente (vamos, amigo, dá lá mais um urro, para a gente se rir!...) e assim ele acaba por entregar a alma ao Criador. Quem o sepulta quem não o sepulta, agora que já não rende mais? E nova embrulhada se gera; Marica não se coíbe de lançar imprecações contra a família e o mundo (é, seguramente, um dos momentos altos da interpretação de Teresa Côrte-Real) e Mari-Gaila, qual a mulher adúltera do Evangelho, acaba por ver-se exposta, desnudada, apedrejada sem dó nem piedade – quiçá venha daí a razão de ser do título, pois na narração evangélica se diz que Cristo, quando lhe apresentaram uma adúltera e lhe perguntaram que se lhe havia de fazer, escrevendo serenamente com um dedo no pó do caminho, retorquiu: «Quem de vós estiver sem pecado que lhe atire a primeira pedra!».
            O dramaturgo galego Ramón del Valle-Inclán (1866-1936) escreveu Divinas Palabras em 1919, peça que, no entanto, só seria levada à cena, pela primeira vez, em Madrid, no Teatro Español, a 16 de Novembro de 1933. Pertence, pois, à última fase da sua produção literária, aquela a que ele chamou do «esperpentismo», assim uma forma de grotescamente distorcer a realidade, que, já nesses primeiros tempos do século XX, se lhe antojava difícil de observar a não ser em jeito de tragicomédia.
            «Em jeito de tragicomédia»… foi, porventura, conscientemente ou não, o intuito de Carlos Avilez ao propor agora a representação desta peça, porque se, por um lado, não há «palavras divinas» que se oiçam, por outro, há os que as ouvem muito à letra – e os jornais dão conta amiúde de mortes por apedrejamento nesta plena 2ª década do século XXI. E ainda: que vemos por aí de exploração em relação a quem nasce estropiado ou como tal ousa fingir-se?...
            As pedras rolam no palco. Deveriam rolar também nas consciências!...

Uma dedicatória
            Por razões de saúde, João Vasco tem-se mantido afastado das luzes da ribalta e fazemos votos para que rapidamente melhore, pois do seu talento muito ainda há a esperar. Contudo, não quis Carlos Avilez de, em breve nota, aludir ao facto de ter sido com João Vasco, em 1964, figurante nesta mesma peça, encenada então por José Tamayo e representada pela Companhia Rey Colaço – Robles Monteiro.
            «Um dos espectáculos que mais me impressionou e mais influenciou o meu trabalho como encenador», confessa. Por isso, dado que, no ano seguinte, ambos acabariam por fundar o TEC, Carlos Avilez fez questão em, «para além de agradecer a todos os que me ajudaram neste trabalho», agradecer a João Vasco «esta maravilhosa viagem e dedicar-lhe este espectáculo».
            Dois representantes dos alunos quiseram também dar o seu testemunho: uma pessoa «com uma humildade tão própria de todos os que são grandes»; João Vasco, um «Mestre», «um homem que nos trouxe o melhor que sabia e, sobretudo, nos transmitiu o que é a paixão pelo teatro, a razão principal para o fazer: um acto de amor».

À saída
            Não resisto a dar conta do que senti à saída, após ter assistido ao desfilar de tantas personagens – há o mariconço, há o sacristão que parece viver noutro mundo, há a cadela Coimbra, o pássaro Colorín, um sapo anónimo, um bode… Toda a Natureza e toda a aldeia parece que ali se ajuntaram para ver como é que tudo se passava, com o pobre diabo, com a beleza explorada de uma, também ela simbólica, Mari-Gaila!...
            Ficaram-nos os urros da criatura encaixotada e rendosa, a algazarra dos foliões, o pranto silencioso de quem se vê obrigado a, mesmo sem o querer, ter de baixar os braços. Até quando?

Publicado em Cyberjornal, edição de 09-07-2014:

O espectáculo da EDAM no Centro Cultural de Belém

             Quando vemos aqueles pequeninos, todos muito compenetrados no seu papel, vestidos a rigor, interpretando emoções através de gestos, balanços e meneios, em sintonia perfeita com a música – sentimos quão necessário é manter-se bem viva a proclamação, contra ventos e marés, de que, pese muito embora a ignorância dos «governantes», a dança, a música, a arte teatral precisam de acarinhar-se sempre e não há nunca verbas esperdiçadas nisso!
            É que, ó senhores que só vêem colunas do deve e do haver material consubstanciado em milhões de euros, a educação pela Arte é a valorização global da pessoa e também ela contribui eficazmente para a riqueza de um País, porque – lembrem-se! – riqueza são as pessoas, sem elas riqueza não existe!
            Perdoar-se-me-á se assim começo singela nota de reportagem sobre o espectáculo «Relembrar na perspectiva do Futuro», que vi, no passado domingo, dia 6, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, inteiramente lotado. Os alunos da EDAM – Escola de Dança Ana Mangericão, sita no Buzano (S. Domingos de Rana, Cascais) presentearam-nos aí com o que de melhor aprenderam em mais um ano lectivo.
            E nós – para além do que atrás fica dito acerca da importância da Arte, nas suas múltiplas facetas, para a formação global da Pessoa – acabamos por não saber que mais admirar: se a enorme cumplicidade entre professores e estudantes, entre estudantes de diversos níveis etários (um encanto ver os pequenitos pela mão de meninas pouco maiores que eles!...), ou a requintada coreografia preparada para cada um dos bailados, ou a perfeição sequencial dos números ou, ainda, o sempre sugestivo guarda-roupa ou o não menos sedutor encanto com que todos os executantes (foram 327, imagine-se!...) se esmeraram nas apresentações, que abarcaram, como é de uso, as mais diversas modalidades!
            Uma delícia!
            Claro que apreciei o sapateado; claro que foram um mimo as abelhinhas (do nível 00); claro que Teresa Côrte-Real sabe estruturar muito bem movimento e drama (e aquele número surrealista, inédito, da paragem do autocarro bem o demonstrou); claro que «as deusas de Nekkehen», naquele imortal ‘bailado egípcio’ de Alexander Luigini, me transportaram a uma bem remota Antiguidade Oriental perdida na noite dos tempos; claro que «more than black» – com surpreendente coreografia de Patrícia Cayatte e Susana Rodrigues – foi bem agradável de ver-se… mas igualmente nos calaram bem fundo as palavras de esperança de Ana Mangericão no final, eco do seu voto, exarado no programa: numa boa formação devem prevalecer «a compreensão, o amor e a fraternidade, sentimentos que, sem dúvida, serão sempre decisivos para um futuro melhor».
            Parabéns!
                                                                                  
Publicado em Cyberjornal, edição de 09-07-2014:

 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Mato Romão, um mato deveras apetecido!

            Ainda sou do tempo em que o Mato Romão era mesmo mato, como o nome dizia, e tudo eram pedreiras onde, a 28 de Junho de 1968, viria a ser inaugurada, com pompa e circunstância, a Standard Eléctrica e, mais acima, bastantes anos depois, a Cooperativa Chesol, destinada primordialmente a trabalhadores da Estoril Sol.
            Ainda sou do tempo em que o Mato Romão era mui alegremente batido nos primeiros dias de caça pelos caçadores das redondezas, que, ao final do dia, dali traziam bons coelhos pendurados ao cinturão!
            Ainda sou do tempo em que, pelo Verão, para o Mato Romão se faziam fogos reais da artilharia de costa e eu ouvia os obuses (não sei se era assim que se chamavam…) zunir por cima de minha casa em Birre, e no Mato Romão abriam crateras, enquanto os aviões também faziam fogo para a ‘gurita’. E troava, façanhudo, o «canhão de Alcabideche» e tínhamos de deixar as janelas abertas para os vidros se não estilhaçarem com o forte sopro do tiro!
            Ainda sou do tempo em que um autarca quis planear para ali uma ‘cidade do cinema’ e o Povo se alevantou, porque (argumentou-se veementemente) aquilo é Reserva Ecológica Nacional, Reserva Agrícola Nacional, aquilo é dos poucos nichos ecológicos da freguesia de Cascais, onde a passarada nidifica, as aves de migração se acoitam, cobras e lagartos prosperam, nasce o Rio dos Mochos e onde, devido à sua permeabilidade e aos carrascais que tem, se retêm as águas pluviais que vão alimentar o nível freático e assim não vêm por aí abaixo a inundar Birre e a bacia hidrográfica desse «rio» (assim o Povo lhe chama) até ao Parque Marechal Carmona.
            Ainda sou do tempo em que, por via da tal ‘cidade do cinema’ e dando ouvidos a astutos interesses imobiliários, até se quis prolongar a A5 até ao Guincho e o Povo alevantou-se, gritou e o Executivo Municipal meteu a viola no saco e deixou o caso a aboborar e até se esqueceu que precisava de pôr um termo condigno à auto-estrada, depois de ter procedido, até, a uma série de expropriações dos terrenos derredor.
            Ainda sou do tempo em que uma candidatura à Câmara ganhou a maioria por ter garantido ao Povo que estancaria rapidamente e em força (para usar uma expressão bem conhecida…) essa cegueira de construir, construir, construir e transformar o território cascalense em mar de cimento armado, porque não havia água que chegasse, ecologia que o permitisse, clima que o proporcionasse e até casas se tinham já de sobejo!…
            E estou a ser do tempo em que, mais uma vez, olhos cobiçosos se lançam sobre o Mato Romão, ali mesmo à saída da auto-estrada, com os ares da serra tão por perto e o mar do Guincho assaz apetitoso… E até se poderia dar ali guarida a uma entidade humanitária e cultural e respeitar índices previstos no Plano Director Municipal e musealizar uma pedreira (!)…
            Dizem-me que há forças políticas que estão contra. Dizem-me que há mesmo uma petição a correr na Internet; que já se escreveram artigos nos jornais, já se ouviram opiniões pró e contra; que a discussão se mantém tão viva como aquela da Quinta dos Ingleses; mas… argumentos há muito fortes!
            E o Mato Romão da minha infância e de minha velhice vai mesmo deixar de existir.
            Guardarei saudades do tempo em que, numa tarreta de cortiça, ali, por veredas e atalhos, levava o almoço a meu pai.
            Lembrarei os tempos em que a rapaziada até ali ajudava a apascentar rebanhos de ovelhas e de cabras.
            Ficar-me-á na memória o cheiro acre a trovisco, onde armava as ratoeiras às felosas brancas Setembro afora.
            Recordarei o aroma das sacadas de bagas de zimbro que por ali apanhei e cujos tostões nos serviam para um pirolito na taberna do Torretas ou na mercearia do David.
            Sentirei, de quando em vez, o sabor dos murtinhos silvestres de um cinzento arroxeado que nos deliciavam…
            Guardarei saudades, lembrarei os tempos, recordarei os aromas… E estou a ser desse tempo dos olhos cobiçosos…

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 53, 09-07-2014, p. 6.

 Nota:  As fotos foram retiradas do livro «Cascais e os Seus Cantinhos». 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Técnicos de Multimédia… apresentam-se e são premiados!

             Decorreu, na noite de sábado, 5, no Auditório da Sr.ª da Boa Nova, na Galiza (Estoril), a gala do 6º Prémio Boomerang, relativo ao Curso Profissional de Técnico de Multimédia (Escola Secundária da Cidadela – Cascais).
            Presentes, a mais recente vereadora da Câmara, Catarina Marques Vieira, do pelouro da Juventude; a Chefe da Esquadra da PSP de Cascais, Ana Ribeirinho; o presidente da Junta de Freguesia Cascais e Estoril, Pedro Morais Soares; e também, em representação do vereador da Educação, o director municipal Miguel Arrobas. E, claro, docentes, estudantes e seus familiares. De salientar o naipe de finalistas (33, se bem os contei!...) que fizeram questão em se apresentar… para uma gala que se preza – e foi mui agradável de ver-se! O auditório registou enchente, em noite que não vai esquecer-se!
            A sessão começou com acolhedora apresentação de um bailado por alunos da escola-sede, grupo que também viria a brindar-nos com mais um número no começo da 2ª parte.
            Timoneira deste barco e sua dinamizadora é, desde há vários anos, a Professora Teresa Campos, mui justamente homenageada no final da sessão com, nomeadamente, a projecção de imagens, em instantâneos do que tem sido esta actividade. Parabéns à sua enorme capacidade de aliciar os estudantes para uma área profissional de raro mérito e de cativar empresas que a vêm acompanhando, mediante a disponibilização de estágios que muito ajudam a completar, na prática, a formação teórica.
            Anote-se que o Agrupamento de Escolas da Cidadela tem, além do ensino regular – que vai desde o jardim-de-infância até ao 12º ano –, três cursos profissionais: este, de Multimédia, o de Turismo e o 3º vai começar, no próximo ano, o de Técnico de Salvamento e Socorro a Náufragos. Esta, por exemplo, uma das informações que Director do Agrupamento, Prof. José João Gonçalves, deu no momento de galardoar os melhores alunos desse ensino regular. Assim, referiu que, com a colaboração da autarquia, se lograram construir duas salas para o Jardim-de-infância de Murches (até aí a funcionar numa garagem); que se arranjou nova cobertura para o pátio da escola do Cobre; se inaugurou um campo de jogos com relvado sintético (notícia de que Cyberjornal se fez eco, na sua edição de 31 de Maio deste ano); dispõe-se agora de um auditório de 120 lugares; e participou-se no Ibercup 2014 (a escola cedeu as instalações para alojamento de participantes); enfim, concluiu, «continuamos a trabalhar para uma escola aberta à comunidade».
            E os prémios de excelência, destinados a galardoar o melhor aluno de cada ano foram para os seguintes estudantes: 5º ano, Diogo Silva; 6º ano, Beatriz Oliveira; 7º, Duarte Carrasco; 8º, Maria Sousa Nunes; 9º, Rita Barros Jorge; 10º, Salvador Gouveia (media de 19,6 valores!); 11º, Pedro Mendonça (19,4 valores!); 12º, Maria Raposo Marques.
            Estavam nomeados cerca de uma dezena de trabalhos em cada modalidade, de que um foi o distinguido nas seguintes modalidades, distribuídas por cada um dos três anos do Curso Multimédia: fotografia, curta-metragem e documentário, aplicação móvel, animação 2 D (que arrancou aplausos!), cartazes publicitários, melhor efeito visual, ficção (nesta categoria, por exemplo, o galardoado foi o filme ‘Doença silenciosa’, sobre a SIDA), logótipo, projectos BD, animações sobre o concelho de Cascais, portfólio, melhor site (esta era a PAP, prova de aptidão profissional, o trabalho final, prémio que Isabella Cunha emotivamente agradeceu).
            Foram também atribuídos prémios de mérito aos melhores alunos de cada ano do Curso de Multimédia: Henrique Leonês (1º ano), Renato Duarte (2º), Pedro Sequeira (3º). E Soraia Laibaças foi galardoada com o Prémio de Excelência, um prémio… absoluto!
            Enfim, uma noite especial, em que se sentiu comunidade – e esta é, sem dúvida, uma das grandes missões da Escola! A Escola que sabe exigir e sabe recompensar, incentivando!
            Parabéns!

Publicado em Cyberjornal, edição de 07-07-2014:

domingo, 6 de julho de 2014

PCP contra a existência de um só sentido

            Os representantes do PCP na Assembleia da Freguesia Cascais e Estoril tiveram ocasião de manifestar, na mais recente reunião daquele órgão autárquico, a 26 de Junho, a sua discordância em relação ao facto de o troço terminal no sentido norte-sul da Rua Afonso Lopes Vieira, no Bairro da Pampilheira, ter apenas um sentido, quando o resto da rua tem dois. Essa opinião terá sido bem recebida e apoiada por membros de outras forças políticas e ficou no ar a ideia de que o assunto iria ser estudado.
            De facto, tão estranha determinação camarária – cuja finalidade, por mais que os moradores o hajam solicitado, nunca foi explicada pelos serviços camarários – obriga, como se tem dito inúmeras vezes, a que os automobilistas sejam forçados a ir à Torre ou a deslocarem-se até à sempre engarrafada rotunda de Birre, simplesmente para passarem de um lado para o outro do mesmo bairro. Acresce que a deliberação do Executivo (se é que existiu) não está devidamente identificada, como deveria estar e é de lei, nas respectivas placas sinalizadoras.
            Se se argumentar que é para obter estacionamento, dir-se-á que o estacionamento criado pela demolição do primeiro lote de moradias no Bairro Operário resolveu o problema; se se argumentar que são necessárias complexas obras de rebaixamento do pavimento, também essa questão não se porá se se prever uma lomba que atinja o nível das tampas das caixas ali colocadas, lomba que, inclusivamente, levaria a que o trânsito ali se fizesse com a necessária cautela; se se argumentar que é para servir o Colégio, sempre será de perguntar se o interesse particular deve prevalecer em relação ao interesse público.
            É o PCP a primeira força política do concelho a dar mais atenção a esta anomalia, que, de tempos a tempos, tem sido verberada, sem êxito, na Comunicação Social local.
            Congratulamo-nos!

Nota: As fotos referem-se às 17.30 horas do dia 3 de Julho de 2014.  Uma é a da saída da rua; a outra, do ‘parque de estacionamento’ do Bairro Operário.
 Publicado em Cyberjornal, edição de 05-07-2014:

Vasco da Graça Moura foi evocado

             Na primeira reunião preparatória do júri da edição deste ano dos Prémios Literários Fernando Namora e Revelação Agustina Bessa-Luís, instituídos anualmente pela Estoril Sol, foi evocado Vasco Graça Moura – ensaísta, escritor, poeta e tradutor de invulgar craveira, que faleceu a 27 de Abril –, e realçada a forma abnegada como acompanhou integralmente os trabalhos do júri dos anos anteriores, a que não deixou de presidir até 2013, não obstante a sua delicada situação de saúde.
            O júri é agora presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, que já integrara júris anteriores, na sua qualidade de presidente do Centro Nacional de Cultura.
            A recepção dos trabalhos concorrentes terminou no passado dia 31 de Maio.        O Prémio Literário Fernando Namora é atribuído regularmente desde 1988 e reserva-se a romances publicados durante o ano. Tem o valor pecuniário de quinze mil euros.
            Por sua vez, o Prémio Literário Revelação, lançado em 2008, vale cinco mil euros e propõe-se distinguir, anualmente, um romance inédito de autor português sem obra publicada (no género) e com idade não superior a 35 anos.

Publicado em Cyberjornal, edição de 04-07-2014:

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Mais sorrisos… precisam-se!

             Pelamo-nos por uma boa anedota e não há (dizem) como o Português para se rir da sua própria desgraça; para, assim que o Governo inventa um novo imposto, lançarmos nós em cima dele bem divertida chalaça! Que «tristezas não pagam dívidas» e rir ajuda, de facto, a esquecer tamanha agrura em que se nos esvai a existência.
            Mas… rir é uma coisa e sorrir uma outra! Preferíamos, na verdade, que mais gente pudesse sorrir, mesmo que – de quando em vez – fosse um daqueles sorrisos maliciosos (amarelos, não!) após saborosa anedota ‘picante’!...
Por isso, além das clínicas dentárias que apostam em nos pôr a sorrir com dentes alvos, certinhos e implantes a condizer com o nosso visual, melhorando-o até, há cada vez mais instituições particulares de solidariedade social que apostam em querer fazer mais gente sorrir de vontade, mormente quem, da classe média (hoje, sem dúvida, a mais destroçada pelos desastrados governos europeus…), não sente haver, no quotidiano, motivos bastantes para sorrir, porque inclusive lhe faltam cêntimos para satisfazer as necessidades mínimas do dia-a-dia. Assim, não há sorriso que valha!...
Criada em 2012, justamente com o objectivo de tentar minorar tantos atentados à nossa capacidade de sorrir, a Associação Mais Sorrisos – para além de imensa actividade desenvolvida, que pode ser acompanhada na sua página do facebook (https://pt-pt.facebook.com/grupo.mais.sorrisos) – está, neste momento, apostada em, rapidamente, poder vir a doar uma cadeira de rodas a uma criança que nasceu com paralisia cerebral. Não anda e não fala. Emprestaram-lhe, de facto, uma cadeira de rodas; contudo, não apresenta as condições de que necessita. A família não tem posses; a Associação Mais Sorrisos meteu mãos à obra. E está mui receptiva a quem queira colaborar para… «dar uma vida recheada de sorrisos a esta criança».
            Sediada em Vila Nova de Gaia, a Mais Sorrisos tem os seguintes contactos: tel. 223 709 039 ou 924 023 530; e-mail: geral@maissorrisos.pt.