sábado, 8 de novembro de 2014

Catedrática de Coimbra condecorada pelo Governo Grego

             A Doutora Maria Helena da Rocha Pereira (Porto, 3-9-1925), Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra na área de Estudos Clássicos, foi condecorada, na passada quarta-feira, 5 de Novembro, pelo Embaixador da Grécia em Portugal, Panos Kalogeropoulos, com a Cruz da Ordem da Fénix, distinção superiormente outorgada pelo Presidente da República Helénica.
            A cerimónia decorreu na sede da Embaixada, ao Restelo, na presença de cerca de 50 convidados, entre os quais se contavam o Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier; o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva; representantes do Instituto Italiano de Cultura e de outras entidades ligadas à Cultura; amigos e colegas das universidades de Coimbra, Lisboa e Porto.
            O senhor Embaixador justificou a condecoração atendendo aos muitos estudos que, desde a licenciatura, a Doutora Rocha Pereira tem efectuado, elevando bem alto o apreço pela civilização e pela cultura da Grécia Antiga. Doutorou-se em 1956, com a tese «Concepções Helénicas de Felicidade no Além, de Homero a Platão», tornando-se, assim, a primeira mulher doutorada da vetusta Universidade de Coimbra. Foi também, aliás, a primeira mulher a exercer as funções de vice-reitora.
            Com mais de 500 trabalhos publicados, entre livros e artigos sobre Cultura Clássica (Grécia e Roma) e também sobre a temática cultural em geral, não será de somenos o seu labor em prol da efectiva e concretizada criação de uma ‘escola’, de forma que muitos discípulos seus prosseguem auspiciosos estudos sobre a Grécia Antiga e a Antiguidade Clássica.
            Visivelmente emocionada, a Doutora Helena Rocha Pereira agradeceu a homenagem e aproveitou o ensejo para, mais uma vez, salientar, no seu breve mas bem suculento discurso, o quanto a cultura ocidental deve à cultura grega antiga, em todos os aspectos, inclusive na política.
                Na foto: Sentada, a Doutora Rocha Pereira profere o seu discurso perante o Senhor Embaixador.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A saga das avaliações

            Apetece-me dar de «saga» uma definição levemente heterodoxa: um género literário em que o protagonista passa pelas mais incríveis situações e consegue, alfim, atingir os seus objectivos.
            Houve a saga dos descobrimentos portugueses. Há a saga dos reformados, que dia a dia labutam pela sua subsistência e pela dos filhos e netos.
            Outra saga é a das avaliações. E avaliados não faltam: somos todos nós!
            Não, não vou referir-me aos professores. Sou professor, fui avaliado a vida inteira, sempre me autoavaliei. E sinto-me bem.
            Quero referir-me à obrigatoriedade que ora há de um paper (perdão, um «texto»!) apenas ser válido para efeitos, primeiro, de publicação e, depois, da subsequente creditação, se devidamente apreciado por referees (desculpe: «relatores»!).
            Dois exemplos:
            1 F. é catedrático. Formou, portanto, discípulos na sua especialidade. Propõe um artigo para a revista (que, por sinal, até dirigiu durante anos). Por sugestão do actual director, propôs a inclusão de três imagens; um dos relatores (seu ex-aluno) achou a inclusão desnecessária; o segundo: mais uma imagem era importante!   
            2 Ao proponente pareceu-lhe de interesse elaborar sucinta nota sobre tema inédito que ora surgira. Um dos relatores deu parecer negativo: era imprescindível investigar melhor e, aliás, o autor até nem conhece – perorou – o resultado da última investigação publicada semanas atrás…
            Pois.
            Verifica-se, por outro lado, que há cada vez menos investigadores disponíveis para fazerem recensões bibliográficas, que devem vir assinadas e onde as opiniões carecem sempre de justificação adequada. Exacto: aí está o busílis! É que, na saga das avaliações, tudo se passa supostamente sob anonimato, o que constitui mais uma ‘anedota’ do sistema (os especialistas conhecem-se bem uns aos outros…). A recensão tem um objectivo claro de discussão científica, de apreciação fundamentada; por seu turno, a avaliação, esta avaliação apenas deveria ajuizar se o texto proposto reúne, ou não, as condições necessárias e suficientes para ser publicado, ou seja, submetido à consideração dos especialistas em geral; não tem de seguir obrigatoriamente a opinião do relator.

Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 649, 01-11-2014, p. 11.

 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Hong Kong, um olhar diferente!

             Somente a partir de 1997, a população de Hong Kong deixou de estar indiferente ao seu património.
            A revelação foi feita por Gregory Ashworth, da Universidade de Groningen, no decorrer da Conferência Internacional «Cultural and Heritage Tourism», realizada, em Lisboa, pelo Departamento de Turismo da Universidade Lusófona e pela Progestur, nos dias 30 e 31 de Outubro e 1 de Novembro.
            Na conferência então proferida, subordinada ao tema «Mutuality: a viable aproach to postcolonial heritage», apresentou os resultados da investigação feita, nesse âmbito, em relação a três casos: o Suriname (antiga Guiana Holandesa), Hong-Kong e a «British army heritage in Canada (1701-1871)». E se, no primeiro caso, tudo o que recorda o colonizador não é apreciado, porque ainda se mantém a sua negativa conotação de esclavagista, no que se refere ao Canadá, as instalações militares inglesas estão a ser reabilitadas, encaram-se como património a preservar e, inclusive, em 2012 se comemoraram os 200 anos da guerra de libertação, porque assim se reafirma a identidade nacional, perante a potência vizinha, os Estados Unidos.
            Hong-Kong constituiu, como se sabe, uma colónia inglesa até 1997, ano em que se processou a sua integração na China. Ora, foi justamente a partir desse ano que a população compreendeu a necessidade de salvaguardar o que era a sua diferença face uma China milenar, detentora de uma cultura e de uma língua que lhe eram completamente alheias.
            Estes três significativos exemplos prendem-se, naturalmente, com o facto de a noção de património não ser algo de estático ou permanente. Circunstâncias exteriores, digamos assim, determinam essa «classificação». Nesse sentido, a comunicação de Gregory Ashworth deteve particular interesse para os portugueses, nomeadamente em contexto lusófono, uma vez que as nossas preocupações se centram, neste momento, em valorizar os testemunhos da presença portuguesa no mundo – e esse desiderato está a ser, habitualmente, bem compreendido pelos países que nasceram da descolonização. Recorde-se que têm origem portuguesa inúmeros monumentos classificados nas mais diversas partes do mundo.

Uma conferência de largos horizontes
            A referida Conferência Internacional contou com mais de uma centena de participantes. A greve da TAP impediu, no derradeiro momento, a vinda de alguns dos conferencistas estrangeiros, de forma que o programa incluiu 20 comunicantes dos 28 previstos.
            Entre os temas abordados, citem-se:
            a mudança operada no Museu Nacional de Arte Antiga (2010-2014);
            o enorme impacte (cultural e económico) que teve, em Bilbao, a criação do Museu Gugenheim;
            as festas de Lisboa;
            o festival internacional da máscara ibérica;
            o papel das Pousadas de Portugal e o cativante exemplo da Casa da Calçada, em Amarante;
            o relevo que detém a Rota do Românico;
            a componente turística na actividade de Fundação INATEL.
            Melanie Smith, da BKF University of Applied Sciences (Budapest), abordou a atitude que está a ser tomada em relação às minorias étnicas, dentro do prisma do turismo cultural (no caso, as minorias ciganas e suas tradições, em Budapeste) – aspectos positivos e aspectos negativos.
            De resto, larga panorâmica geográfica foi abrangida, se pensarmos que se analisaram as enormes potencialidades turísticas de uma região como Himachal Pradesh, um centro religioso deveras significativo na Índia; que se encararam os indígenas da América Latina de um ponto de vista antropológico; que se viu como, na actual Alemanha unificada, novas perspectivas se abrem em relação às estruturas habitacionais («old city quarters») da antiga Alemanha Democrática; que também as cidades chinesas se voltam para o turismo cultural; que, na cidade romana de Pompeios, a avalanche de visitantes implica noções claras de reabilitação e conservação do seu invulgar património arqueológico edificado…
            E se a cidade do Porto é ora susceptível de uma visita tendo como atractivo primordial a sua valiosa arte contemporânea, também se preconizou – e foi essa a acutilante intervenção do Prof. José Manuel Hernández Mogollón, da Universidade da Extremadura (Cáceres) – que há que introduzir, pouco a pouco, o conceito de saborear tudo devagar, não apenas a gastronomia (slowfood) mas também as cidades e as suas maravilhas (slowcities).

Publicado em Cyberjornal, edição de 03-11-2014:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=978:hong-kong-um-olhar-diferente&catid=37&Itemid=30

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O alma-do-diabo

              ‒ Deixa lá, o moço pequeno não é tão traquinas assim. E, depois, moços pequenos querem-se vivos, não moscas-mortas, que se desenvencilhem bem, mesmo nas situações mais inesperadas.
            Isso dizes tu, que o não tens de aturar! Quando quer uma coisa, não me deixa da mão, mói-me o juízo!
            Olha, o meu apareceu-me em casa com o joelho todo escafelado, assim como eu já tenho as paredes lá da cozinha. E ficou-se deitado no sofá, assim como que a dormir caçando ratos, com medo que eu, ainda por cima, lhe desse uma coça por, decerto, ter indrovinado alguma!
            Mas aquilo é de extremos, mulher! Outro dia, tinha uma porqueirazinha na vista. E ficou todo arrabiado, o alma-do-diabo, não me deixava ver e tirar-lha com a ponta de uma mortalha de papel. Qual quê? Foi o cabo dos trabalhos!
            Ouvi mui quietinho, na sala de espera do Centro de Saúde, atafulhado de gente que ali estava há horas e assim ia matando o tempo, a contar, no seu falar bem nosso, as peripécias de um quotidiano que é de todos mas nem todos o narram assim – que as expressões d’outrora estão a dar lugar a bem escusados estrangeirismos…

Publicado em VilAdentro [S. Brás de Alportel] nº 190, Novembro de 2014, p. 10.

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Homenagem a José Júlio de Carvalho

            Vai ser descerrada, no próximo dia 15, na Areia, a placa toponímica que perpetua o nome de José Júlio de Carvalho, «homem bom cascalense».
            Concretiza-se, assim, por parte da Junta de Freguesia de Cascais e Estoril, com o apoio camarário, a proposta veiculada por dois dos assíduos colaboradores do nosso jornal: Rui Rama da Silva, na sua qualidade de presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais, e eu próprio, como membro que fui da equipa de Jornal da Costa do Sol.
            «Homem bom cascalense». Optou-se por esta designação – aparentemente insípida e, porventura, tida como de mínimo significado – porque, em nosso entender, ela sintetiza o que, na vida de José Júlio de Carvalho, foi mais relevante.
            Assumiu-se, primeiro, como cascalense de gema, aqui nado e criado, residindo sempre no coração da vila (02.04.1913 – 08.09.2008). Só as contingências das ‘vagas’ toponímicas determinaram, pois, que a «sua» rua ficasse nos confins da freguesia, bem perto do marulhar das vagas do Guincho, o que também não deixa de ser uma coincidência feliz, pois José Júlio de Carvalho, quer como dirigente associativo quer como responsável de jornais locais – primeiro A Nossa Terra e, depois, o Jornal da Costa do Sol –, sempre pugnou por uma visão abrangente do concelho. Tanta atenção lhe mereciam os problemas a resolver na vila como os do mais remoto lugar.
            E é também por esse motivo que lhe quadra à perfeição a outra qualificação que propusemos: a de homem bom. Pretendeu-se, desde logo, uma relacionação explícita com o passado: não longe da casa onde viveu, há, à porta do castelo, uma placa que explica: «À porta deste castelo se reuniam os juízes, vereadores, o alcaide e outros homens bons do concelho de Cascais», no século XIV. Eram os homens bons, na Idade Média, aqueles que superintendiam, de certo modo, à vida de uma localidade. A eles se recorria em caso de emergência ou na busca das melhores soluções para as controvérsias quotidianas. E José Júlio de Carvalho seria, em tempos medievais, um desse homens bons, como o foi no seu tempo. Inquebrantável nas suas convicções, que mui ponderadamente defendia, ainda que no respeito total por quem diversamente pensava, José Júlio de Carvalho pode, por conseguinte, apontar-se como exemplo do cidadão atento e empenhado.

Amizade e competência
            Quando, no Outono de 1964, entrei para a redacção do jornal A Nossa Terra, já não estava lá a equipa que, durante largos anos, mantivera o jornal como activa tribuna – a única então no concelho. Um diferendo insanável com a direcção do Dramático (de que A Nossa Terra era propriedade) levara a que João Martinho de Freitas e seus mais directos colaboradores pedissem a demissão. Contudo, a reconhecida dedicação em prol da melhoria da vida local fez com que os empresários locais se cotizassem e rapidamente se compraram as acções necessárias para se construir o capital necessário para a criação de Jornal da Costa do Sol, cujo primeiro número viria a sair a 25 de Abril de 1964. Nunca, porém, enquanto mantive colaboração em A Nossa Terra, ouvi uma palavra sequer de crítica a José Júlio de Carvalho, cuja personalidade se situava, de facto, bem acima dessas quezílias ‘domésticas’. E quando, em Outubro de 1967, ingressei na redacção do Jornal da Costa do Sol, José Júlio de Carvalho (o «senhor José Júlio»!) acolheu-me de braços abertos e logo ali nasceu uma indefectível e sólida Amizade – e até cumplicidade, porque não? – que só a morte veio quebrar.
            Embora já com alguma prática, dava eu, como se imagina, os primeiros passos na bem espinhosa missão de ser jornalista local em tempo de censura. E tive o bom senso de adoptar o procedimento seguinte: escrevia os textos, dactilografava-os ou não, e ficava com o rascunho. Era o tempo (e aí começou um hábito que mantenho) em que se aproveitava para esse efeito o verso em branco dos comunicados e noticiários que nos chegavam!... Quando o jornal saía, eu confrontava o que escrevera com o que saíra: a pontuação, as palavras, as maiúsculas, os hífenes e os travessões, o título… Não compreendia a razão dalguma diferença? Ia ter com o «senhor José Júlio» para a explicação – que nunca regateou!
            Trabalhava ele, então, como revisor de Publicações Europa América, depois de se haver aposentado da Imprensa Nacional. Esse era, por conseguinte, o trabalho imprescindível – a revisão – que não se negou a fazer. Mesmo antes de ir para casa, passava pela redacção e lá ficava, diligentemente, a catar gralhas, tarefa tanto mais importante e aborrecida se nos lembrarmos que era na imprensa local que se faziam as «publicações legais», que deviam sair sem mácula: um dos nós lia em voz alta e José Júlio de Carvalho… catava!
            Mesmo já professor catedrático, não deixei amiúde de o consultar acerca de questões da língua em que, de facto, o Catedrático era ele!

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 67, 29-10-2014, p. 6.

 

 

 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Homenagem a José Júlio de Carvalho

             O arruamento a que vai ser dado o nome de José Júlio de Carvalho (1913 –2008), homem bom cascalense, que foi dirigente associativo e um dos incansáveis redactores de Jornal da Costa do Sol, entronca com a Rua das Codornizes, a grande artéria que liga à Areia a Quinta da Bicuda, ladeando a Marinha. É o primeiro arruamento à esquerda para quem vem da Areia, a nascente do hipódromo e antes, portanto, da entrada para o ginásio aí existente.
            Trata-se, sem dúvida, de uma zona em mui moderada e cautelosa expansão urbanística, onde o verde dos pinheirais não está a ser engolido por desordenadas urbanizações maciças: privilegia-se a moradia, na sequência, aliás, do que se preconiza para essa zona compreendida no triângulo Bicuda, Birre e Areia.
            Não tendo sido possível – por nenhum existir ‘anónimo’ – a atribuição do seu nome a um arruamento mais para o centro da vila em que José Júlio de Carvalho sempre viveu, a sua memória em tão remansoso local constituirá doravante mais um apelo, na sequência de tantos que no jornal nunca desdenhou fazer, a um cada vez mais equilibrado ambiente vivencial.
            A cerimónia, presidida pelo presidente da autarquia em companhia do presidente da freguesia, e em que marcarão presença, além de representantes da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais, familiares e amigos, está marcada para as 11.30 horas do dia 15 de Novembro (um sábado).

Publicado no Cyberjornal, edição de 28-10-2014:

sábado, 18 de outubro de 2014

A poesia que era em folhetos visados pela Comissão de Censura!

            Teve o nosso amigo e camarada destas lides da escrita Vítor Barros a enorme gentileza de me fazer chegar cópia de duas folhas de versos, que achara meio perdidas em casa da mãe.
            Mantém o nosso director o – quanto a mim – assaz saudável hábito de aceitar as rimas, mesmo que por vezes desajeitadas, que pontualmente lhe enviam seus fiéis colaboradores. Não me canso de as ler, porque elas representam, à boa maneira dos jograis de outrora, aquela forma esbelta, amiúde bem sarcástica e ‘venenosa’, de escalpelizarem os acontecimentos, as atitudes, as… políticas! Sempre a poesia dita popular teve esse condão de acompanhar e, por isso, criticamente retratar o nosso quotidiano. E há no Noticias de S. Braz, invariavelmente, uma página para os ‘nossos poetas’, independentemente de outras rimas se espalharem por aqui e por ali, por vezes também ao sabor das necessidades de paginação.
            E para que se sinta quão importante é essa forma de encarar a realidade, leia-se apenas a primeira sextilha de um dos folhetos que Vítor Barros me enviou:
 
                        No dia dezassete de Agosto
                        Fez causar algum desgosto
                        De lutou vestiu São Brás,
                        Conhecido na freguesia
                        Toda a gente o conhecia
                        Aquele humilde rapaz.

            Ficamos a saber, pelos versos adiante, que o ferreiro João Adriano Passos Pinto morreu atropelado, perto de Portimão, quando seguia na sua motorizada. Tinha 38 anos e deixou uma filhinha. A letra é de António Gonçalves Dias (Cèguinho) e a publicação – lá vem escarrapachado no fim – foi ‘visada pela Comissão de Censura»!
            Bom será que, inclusive no âmbito do Centenário, se lance uma campanha de angariação de folhinhas dessas (devem existir por aí, perdidas nas gavetas, como coisa sem préstimo…) e se crie, na biblioteca municipal, uma pasta que as conserve, acompanhadas de elementos complementares. No caso vertente, toda a gente sabia; mas nós, agora, como vamos descobrir em que ano morreu o João Adriano? Vai-se ao Registo, claro; mas, se houver logo o cuidado de se fazerem essas averiguações, a ‘pasta’ vai ficando enriquecida e a nossa ‘memória’ também!

Publicado em Notícias de S. Braz [S. Brás de Alportel], nº 215, 20-10-2014, p. 21.