quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Novo livro sobre Aristides de Sousa Mendes

            Não admira que continue a ser fonte de inspiração a gesta heróica de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português de Bordéus que logrou enfrentar as ordens de Salazar e salvou milhares de judeus, em 1940.
            Foi apresentado ontem, dia 20, em Paris, mais uma obra sobre esta emblemática figura de diplomata: chama-se Le Cônsul, é da autoria de Salim Bachi e tem edição da Gallimard – informa o Lusojornal ( www.lusojornal.com ), na pág. 4 da sua edição de hoje, recorte que se anexa.
            Recorde-se que, entre nós, o interesse romanceado – digamos assim – pela vida do cônsul começou com a Dra. Júlia Nery, escritora que reside em Cascais e que publicou, em 1991, o romance intitulado precisamente O Cônsul¸ que viria a ter tradução em francês, da autoria da tradutora de Miguel Torga, Claire Cayron, com o título La Résolution de Bordeaux (1993).
            Mais recentemente, a escritora Teresa Mascarenhas voltou ao tema, com o romance Aristides de Sousa Mendes. Trinta Mil Vidas Humanas, que tive a honra de apresentar, há dois anos, precisamente a 15 de Janeiro de 2013, no Museu Nacional de Arqueologia, em Belém (Lisboa), com a presença de um dos netos do cônsul.
            Que o novo livro possa chamar a atenção para o invulgar legado humano de Aristides de Sousa Mendes e contribuir para que as instituições competentes comecem a zelar mais pela sua memória, atitude consubstanciável, por exemplo, no apoio à Fundação que tem o seu nome e que procura manter de pé a sua casa, a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, e transformá-la em mui digno lugar de memória.

Publicado em Cyberjornal, edição de 2015-01-21: http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=1207:novo-livro-sobre-aristides-de-sousa-mendes&catid=19:literatura&Itemid=30

A reabilitação da Casa Sommer, em Cascais

              Está disponível no endereço
                         http://recil.grupolusofona.pt/jspui/handle/10437/5645
o texto integral da dissertação intitulada Reabilitação de Estruturas Edificadas. Casa Sommer, Cascais, defendida, com êxito, por Carlos Franco, em Lisboa, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no passado dia 28 de Julho de 2014, para obtenção do grau de Mestre em Arquitectura, dissertação que preparara sob orientação do Professor Doutor António José Marques Vieira de Santa-Rita, docente naquela universidade.
            Como pode ler-se na síntese, a pesquisa levada a efeito teve «como objectivo o desenvolvimento de um modelo de avaliação e diagnóstico das causas das patologias, num processo de remodelação de um edifício do princípio do século XX e ainda no estudo das possíveis medidas correctivas, numa fase primária de avaliação».
            Usaram-se, naturalmente, «as tecnologias actuais»; procurou compreender-se «a tectónica original», a fim de poderem optimizar-se as soluções para este tipo de reabilitação. Tomaram-se em conta «as características históricas e morfológicas da construção», uma vez que é a Casa Sommer notável exemplo das chamadas «casas de veraneio», erguidas na vila pela nobreza e burguesia, nos finais do século XIX e primórdios do XX, desejosas de por aqui acompanharem a Corte em época balnear.
            Recorde-se que está previsto albergar o edifício o Arquivo Municipal, ora provisoriamente nas instalações camarárias da Adroana.
            Congratulamo-nos, obviamente, com o estudo feito e com a sua disponibilização, para que, desta sorte, a população dele possa ter mais aprofundado conhecimento.
            Reproduz-se, com a devida vénia, a fig. 34, uma das muitas que ilustram este trabalho académico.

Publicado em Cyberjornal, edição de 2015-01-21:

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nem tudo está mal!

            Há, cada vez mais, no dia-a-dia, motivos para nos sentirmos bem onde estamos. Como sentenciava um dos personagens do velhinho «Os Dez Mandamentos» de Cecil B. Demille (1956), «até no lodo do Nilo resplandece a flor de lótus!».
            E houve, no meu quotidiano, várias flores de lótus nos últimos tempos.
            O Carlos marcou para as 10.30 o atendimento para tratar do Cartão de Cidadão na Conservatória do Registo Civil de Cascais. Pensou: «Vou passar lá a manhã toda!». Às 10.31, estava a ser chamado e foi um instante enquanto tratou de tudo.
            O António carecia de renovar a carta de condução. Foi à Loja do Cidadão, sempre em Cascais, tinha uma pessoa à sua frente, o sistema novo estava a funcionar e… rapidamente se despachou.
            Não se cansa a «avozinha» Milinha de me elogiar o ambiente ternurento, atencioso, eficiente, com que foi tratada no Hospital de Cascais, desde que entrou para a operação, passando por todas as fases posteriores (recobro, quarto, acompanhamento…). Deixou, evidentemente, exarado no livro o seu enorme agradecimento à ginecologista que a operou, Dra. Lídia Reis, assim como a todo o pessoal de enfermagem e auxiliar, que não se pouparam para que a sua estada no hospital resultasse o menos dolorosa possível; e até se disponibilizou já, com todo o gosto, a estar presente num workshop para que a cirurgiã a convidou, no próprio hospital, e dar aí o seu testemunho.
            No meio das notícias negras que nos ensombram os dias, casos destes são feixes de luz que nos confortam e acalentam.
            Parabéns aos funcionários, aos técnicos, aos homens e mulheres que, no exercício das suas funções, sabem difundir sorrisos de bem-estar!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Vasculhando na prateleira…

             Início de novo ano pode ser bom pretexto para se ir vasculhar na prateleira os temas que estavam para ser abordados e que, por um motivo ou por outro, acabaram por aí ficar. Repesquemo-los.

Escola de negócios

            No Expresso de 27 de Setembro, p. p., um banco orgulhava-se, em página inteira, «de ser Parceiro Fundador do novo campus da NOVA School of Business and Economics em Carcavelos», anunciando «os grandes objectivos deste investimento»: «Atrair o melhor talento, transformar o ensino numa indústria exportadora competitiva, gerar iniciativas empreendedoras e criar uma rede internacional de estudantes de excelência».
            Aplaude-se, claro!
            Como é em inglês, a intenção é que esses estudantes aqui formados vão depois para o estrangeiro, não é?

Deliberações camarárias
            A exemplo de várias câmaras municipais portuguesas, também o «município empreendedor» de Santiago do Cacém inclui habitualmente na sua «informação municipal» uma separata expressamente dedicada a apresentar o «resumo das principais deliberações das reuniões da Câmara Municipal». Tenho presente o nº 35, de Outubro, que reporta as decisões de 3 de Julho a 25 de Setembro.
            Aliás, essa é também a boa prática de Oeiras. O boletim municipal Oeiras Actual tem suplemento sobre «deliberações, regulamentos». Exemplifico com o nº 227, de Setembro-Outubro, de 38 páginas, que insere esse suplemento, de 18 páginas, onde vêm os resumos do que se passou nas reuniões do Executivo e da Assembleia municipais desde 23 de Abril a 29 de Setembro. Dá-se também a conhecer o teor de editais e de contratos-programa assinados.

O hábito não faz o monge
            Terá sido essa a conclusão que tiraram as largas centenas de pessoas que acorreram à baía de Cascais na noite de 31 de Dezembro, na expectativa de que – na sequência das grandes e propagandeadas festas do Verão – a vetusta vila não deixasse seus créditos por mãos alheias e também ela queimasse ‘vistoso’ fogo de artifício. Ninguém o havia prometido, não estava na agenda e… lá se abriu o champanhe sem olhar para o ar. Quiçá foi esse um bom motivo para melhor nos olharmos olhos nos olhos, num terno sorriso de amizade, a estreitarmos nos braços as pessoas queridas, na promessa de tudo fazermos, sem estralejar de foguetes, para que 2015 seja melhor.
            Conclusão a tirar? Ousaria uma: nem todos os munícipes têm o hábito de ir ao computador ou não dispõem de posses para o ter. Se fosse perverso, aproveitaria para relembrar a falta que faz a informação escrita, em papel palpável. Mas… não quero ser perverso!

As contingências climáticas
            Não vale a pena insistir, pois toda a gente disso se apercebeu já: de um momento para o outro, uma forte bátega de água é bastante para deitar a perder anos de trabalho, haveres de uma vida e, até, por vezes, vidas humanas. Cascais não constitui excepção. E o voto para 2015 – no momento em que se giza o novo Plano Director Municipal – é que os responsáveis procurem evitar, o mais possível, a impermeabilização dos terrenos, reprovando novos empreendimentos imobiliários. À vista desarmada, de um leigo na matéria, o mercado habitacional do concelho afigura-se suficiente, tantas são as casas que há por aí para arrendar e, sobretudo, para vender.

Capacidade de mobilização
            A exemplo de outros municípios, Cascais tem o seu ‘orçamento participativo’: são apresentadas propostas, que, aceites, ficam à mercê de uma votação do povo. E que é «o povo»? Tal como acontece nos programas televisivos em que se pede «aos portugueses» que votem no seu favorito e eu me pergunto sempre quem são «os portugueses», esses tais de quem depois se diz: «E os portugueses decidiram!...». Em 2014, os promotores de propostas aperceberam-se de que o importante era levar a água ao seu moinho usando para esse efeito todos os meios ao seu dispor. Assim, tive ocasião de ver que, no dia da romagem anual ao cemitério, lá estava à porta uma pessoa de papelinho na mão a pedir voto. Por aqui e por ali, as acções de publicidade ocorreram. Acho muito bem: mobilize-se o povo! Tive pena que o projecto em que votei tenha perdido por meia dúzia de votos; mas democracia é isso: ganha quem tem unhas para a guitarra!

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 75, 14-01-2015, p. 6.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Dá-me um abraço!

              Beijara-a, com a grande Amizade de há longos anos. Partilháramos projectos em prol da juventude para que vivesse melhor e em comunidade. Revivêramos, numa viagem, percursos antigos… Agora, encontrava-a ali, no corredor de saída do hipermercado, em época natalícia.
            Como estás?
             Estou. Fui operada, estou de baixa. Não tem sido fácil!
             E já arranjaste casa?
             Uma amiga deixa-me viver num dos quartos lá de casa. Não consegui encontrar nada. Tudo muito caro para as minhas posses.
            Que fazes?
            Olhou-me fixamente. Espreitaram-lhe nos olhos duas lágrimas furtivas. Senti que iria chorar. Peguei-lhe na mão, que apertou a minha – e pediu-me, voz trémula:
            Dá-me um abraço!
            Apertei-a contra o peito, numa ternura, indiferentes ambos a quem passava opor nos, gente atafulhada de compras natalícias na expectativa de confortável ceia em família. Beijámo-nos. A lágrima rolara-lhe mesmo face abaixo. Baixou o olhar, desejou-me bom ano, abalou.
            Fiquei pregado no chão, a tomar consciência do que efectivamente se passara. Não conseguira perguntar-lhe pelo marido, pela enteada a quem eu, aliás, enviara os parabéns há poucos dias, porque faz anos perto da minha data e eu não esqueço.
            Não tenho o número do seu telemóvel, só o endereço electrónico; mas, egoísta, não ouso agora perguntar-lhe como vai, como foi o Natal, que perspectivas 2015 lhe vai trazer.
            Dá-me um abraço!
            Por tudo e por nada, enviamos beijinhos. Somos capazes de dizer «Beijinhos!» para a pessoa a quem acabámos de beijar à despedida. Estereotipado beijinhos!... Nada que se compare à ternura do abraço amigo, num calor partilhado, numa presença que nos dois corpos se sente. Preciso urgentemente de voltar a dar-lhe um abraço! Precisamos mesmo!

            Publicado em Renascimento (Mangualde) nº 654, 15-01-2015, p. 12.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Histórias sobre a amizade

             Para além do tema em si, pleno de actualidade, o que decerto levou a que, de Outubro de 2012 a Fevereiro de 2013, o livro tivesse seis edições, é, a meu ver, a amenidade da forma da escrita do padre José Tolentino Mendonça. Nenhum Caminho Será Longo (Paulinas Editora, Lisboa, ISBN: 978-989-673-260-8, 240 páginas que se lêem num fôlego!) assume aquele jeito bíblico de entremear a explanação teórica com histórias breves, muitas da Bíblia, é certo, mas muitas outras retiradas do nosso quotidiano vivido.
            Gostei do livro, da sua estruturação em curtos subcapítulos. Inclusive da sua textura, do formato, do tipo de letra, do papel!… Um daqueles livros físicos que nos faz pensar quanto é penoso imaginar que, daqui a uns tempos quiçá, só haverá livros digitais!...
            Inspira-se o título num provérbio japonês, que constitui, de resto, a epígrafe do volume: «Ao lado do teu amigo, nenhum caminho será longo». Poderá ‘assustar’ o subtítulo «Para uma teologia da amizade», na presunção de que estaremos logo perante dissertações estranhas, alheias ao nosso dia-a-dia. Muito ao contrário! Acabamos por verificar que, afinal, nos importa cada vez mais fazer silêncio, e olhar com outros olhos o que habitualmente fazemos. Cita-se, por exemplo, Claude Lévy-Strauss: «A cozinha assinala a passagem da natureza para a cultura», para se afirmar que «a cozinha é o lugar da criatividade e da recomposição», na sequência de uma estranha frase de Santa Teresa, «Deus move-se por entre os púcaros» (p. 81)! Isto é, gestos comuns, maquinalmente executados, poderão vir a ser ‘outros’, se forem devidamente integrados em maior atenção.

Onde deixaste os sapatos?
            E, nesse aspecto, conta José Tolentino Mendonça uma história deliciosa. Adestrado numa filosofia zen, o discípulo prepara-se arduamente pois vai ser examinado pelo mestre. E, quando chega diante dele, «o mestre pergunta-lhe apenas: “Ao entrares agora, onde deixaste os sapatos? À direita ou à esquerda do armário?» (p. 86).
            Uma exortação à alegria, à celebração, «bem-aventurados aqueles que vivem uma história e a podem contar» (p. 145), porque, na verdade, se «o alaúde foi construído à navalha», o certo é que «depois solta uma música incrível». Um hino à liberdade de sermos nós próprios: «Uma pessoa que dominou a sua vida vale mais do que mil pessoas que dominaram somente o conteúdo de livros», é citação de Mestre Eckhart, que determina, de seguida, perspicaz observação: «Parece que temos de viver sete vidas num dia só, ofegantes, ansiosos, desencontrados e meio insones» (p. 221).
            Curiosa, nesse âmbito, a análise acerca do que nos rouba o tempo: «Os telefonemas que chovem e se prolongam por coisa nenhuma; os compromissos e obrigações sociais de mero artificialismo; as reuniões sem uma agenda preparada em vista de objectivos…» (p. 221).
            Alimentava-me eu, desde há mais de 30 anos, em textos de pensadores como os irlandeses Joseph Murphy e Emmet Fox ou o americano Merlin R. Carothers, meus livros de cabeceira. E tenho agora, em português, quem vai no mesmo sentido de nos mostrar que… vale a pena viver!

Publicado em Cyberjornal, edição de 2015-01-13:

Um «Corpo de Luz» encheu o Olga Cadaval!

            Foram três as sessões que encheram, na tarde e noite de sábado, 10 de Janeiro, o Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para apresentação das classes de dança das Academias Ai! A Dança de Sintra I e II, Loures I e II, Santa Iria I e II, Pontinha, assim como de escolas com quem as academias celebraram protocolos e, também, outras escolas convidadas. «Corpo de Luz» foi o título dado ao espectáculo, tema que serviu, adiante-se desde já, para breve rábula cómica, destinada a descontrair e com o qual se celebrou a luz «fonte de inspiração divina e de respiração humana».
            Ao todo, mais de 700 pessoas (entre alunos e professores, vários até mais do que uma vez) estiveram em palco e, na verdade, impressiona o ‘quadro’ final, nos agradecimentos, em que, desde os mais pequenininhos de três anos (que deliciaram familiares e espectadores) aos que, de idade mais ‘entradota’ (70 anos), também consideram ser a dança uma actividade a que com muitas vantagens podem dedicar-se nos tempos livres, dadas as inúmeras potencialidades que representa como formação total da personalidade, tanto física como psiquicamente. Só quem não compreende o quanto a dança contribui para desanuviar da tensão quotidiana e para uma educação total de crianças, de jovens e de adultos é que se interrogará acerca da sua utilidade prática nos tempos escalavradamente positivistas em que estamos envolvidos. Bem anda, pois, o dinâmico entusiasmo de Lucília Bahleixo e seus directos colaboradores para levarem a bom porto este barco, contra ventos e adversas marés.
            Esse é, sem dúvida, o primordial aspecto a salientar: o da educação pela integração, desde mui tenra idade, mesmo para quem se julgue trôpego ou seja diferente – porque, também aqui, na diferença reside a riqueza!...
            Valsas, bailados clássicos em pontas, salsa, pontapeado, o sempre azougado hip hop, as sevilhanas vistosas, o orgulhoso flamenco, a sensual dança do ventre… tudo acompanhado por bem adequada banda sonora e ajustadas projecções visuais preencheram as duas horas de um espectáculo (assisti à 1ª sessão, das 15.30 h.) que teve Cristina Pereira como directora de cena, Pedro Rua como director técnico, Rui Braga na luz, para além, obviamente das maquilhadoras e das figurinistas.
            Apreciei de modo especial o quadro de abertura, dedicado ao enternecedor mistério da maternidade, protagonizado por uma mãe verdadeira quase no termo da gravidez, que, assim, em tocante realidade, nos manifestou, dançando, a doçura de trazer no ventre quem, porventura daqui a uns anos, acabará por pisar o palco também.
            Foram duas horas, num espectáculo em que os quadros se encadeavam uns nos outros, sem hiatos nem compassos de espera. Doutra forma não poderia ser, para possibilitar a todos a oportunidade de mostrarem quanto tinham aprendido. E talvez aqui resida uma reflexão que peço licença para sugerir, atendendo ao enorme êxito que as Academias Ai! A Dança estão, felizmente, a ter. É que, sobretudo se pensarmos nos mais pequeninos, duas horas é muito. E como em todos os ‘núcleos’ há as mesmas modalidades, os espectadores vêem-nas repetidas, se bem que com outros dançarinos (há, sobretudo, dançarinas – e seria interessante uma campanha para que os jovens do sexo masculino acorressem também…) e com diferentes figurinos e coreografias. A possibilidade de, em vez de um só espectáculo, em três sessões (bem sei que têm alinhamento distinto), se pensar em mais é capaz de ser uma hipótese não descabida.
            Mas que um espectáculo assim ainda merece um aplauso maior isso é que bem no merece! E é, na verdade, um encanto demorar, por exemplo, o olhar naquela pequenina além, toda entusiasmada, balançando-se, numa delícia… Pode não seguir exactamente os gestos e os passos que a professora faz e ela, observando-os, tenta imitar; pode, a dado momento – tal como o guitarrista que acompanha um fado parte por montes e vales a ensaiar outros ritmos… –, ir por aí além, em nova desenvoltura… Mas tenho a certeza de que estar ali lhe deu um gozo enorme, lhe encheu o peito de orgulho e, nessa noite, dormiu muito melhor e teve sonhos de bailar!...

Publicado em Cyberjornal, 2015-01-13: