quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Uma bênção para São Brás!

            Noticias de S. Braz adoptou como objectivos, desde o primeiro momento, não apenas fornecer aos leitores informação actualizada sobre o que no concelho se passava, por vezes em jeito de mui saudável crítica construtiva, mas também disponibilizar as suas colunas a quantos nelas quisessem deixar memórias ou o resultado das suas investigações acerca do passado e dos valores são-brasenses.
            Nunca será de mais repetir, por isso, que, para fazer a história de S. Brás de Alportel, a consulta às edições do Noticias de S. Braz se revela indispensável. Nomes como os de Manuel Brito Guerreiro, José do Carmo Correia Martins, Ofir Chagas, João Leal e Vítor Barros, entre outros, mantêm por aqui a chama da memória!
            Essa, uma bênção!
            Outra, porém, foi a vinda para junto de nós do Padre Afonso da Cunha Duarte, que sempre quis fazer acompanhar da investigação histórica a sua actividade pastoral. O que já nos legou e o que ainda dele esperamos é da maior valia e de causar inveja a muitas paróquias do país. Qual há, aí, que possa gabar-se de ter em livro tanto do seu passado?!...
            Brindou-nos recentemente com o V volume dos Monumenta Blasiana, uma recolha minuciosa, fruto de longas horas roubadas ao sono, que vale não só pelo que reúne mas, de modo especial, pelas informações que veicula, fecundo manancial de saberes futuros.
            912 páginas, onde se acolhem 642 documentos: data o 1º de 26 de Fevereiro de 1446 e é o último o discurso do presidente da Câmara aquando da abertura das comemorações do centenário do concelho, a 1 de Junho de 2014. Segue-se-lhes um apêndice com mais 153! Em extratexto (p. 859-899), reprodução de originais. Os índices analítico, antroponímico e toponímico constituem, por seu turno, indispensável e mui oportuno instrumento de consulta.
            Por conseguinte, também nesse aspecto da história como correia de transmissão fomentadora de comunidade, São Brás de Alportel é concelho abençoado!

                                                                       José d’Encarnação

Publicado em Noticias de S. Braz nº 229, 20-12-2015, p. 17.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A Sociedade Propaganda de Cascais

            Assinale-se, desde já, que «propaganda» tem, aqui, um sentido bem diferente do substantivo banal: significa «a que propaga», «a que divulga». Não é um substantivo, mas um adjectivo. Por isso se diz Sociedade Propaganda de Cascais e não «Sociedade de Propaganda de Cascais»!
            Feita a explicação, entremos no tema que hoje nos interessa.
            Tem sido, de há uns anos a esta parte, mui louvável iniciativa da direcção da Propaganda aproveitar o postal de Boas Festas para dar conta de algum dos aspectos considerados mais significativos da história desta prestigiosa colectividade, nem sempre – diga-se de passagem – considerada, como cumpriria, pelas entidades concelhias.
            Recorde-se que se consagra como a resistente das sociedades propagandas nascidas oficialmente no começo do século XX com a finalidade de valorizarem o património das terras, tornando-as aliciantes para os forasteiros e mais acolhedoras para os seus moradores. Data a sua criação de… 1934! Nesse aspecto, conta a Propaganda de Cascais bem apreciável rol de iniciativas, hoje, por via de outras vontades, reduzidas, quase, à cerimónia do 10 de Junho (a que a Câmara Municipal e outras entidades, a seu convite, se associam) e, depois de o hipódromo – por força de outras forças – ter passado para a Câmara, à organização, em simultâneo, da Taça de Portugal para a Juventude em hipismo e do Concurso de Saltos Nacional (categoria C).
Aspecto do interior da (ainda) sede da Propaganda
            Instituição de utilidade pública, membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique e agraciada com a medalha de mérito municipal, renovou mui recentemente a sua sede, onde guarda um precioso repositório da história cascalense. Estar perto da Capitania do Porto de Cascais e, portanto, no coração da vila, em edifício camarário, levou, porém, a que, por acordo com o Executivo municipal, dali proximamente saísse para a Quinta da Bicuda...

O picadeiro
            Vale, pois, a pena recordar o que, no postal deste ano, se diz a propósito da história do picadeiro, inaugurado no Hipódromo Municipal Manuel Possolo a 7 de Agosto de 1988 com apoio camarário. Embora ainda descoberto, aí se alojou a Escola de Equitação que, além dos alunos, cedo se colocou ao serviço das associações de deficientes do concelho, conhecendo-se, como se sabe, quanto esta ligação cavalo – homem é de extrema importância para a reabilitação.
            A 30 de Novembro de 1997, passou a estar coberto e a dispor de iluminação, o que veio permitir o seu uso por maior número de alunos e de sócios, na altura a rondar as duas centenas de utilizadores, possibilitando também, por outro lado, mais eficaz tratamento para as crianças e jovens deficientes.
Vista do picadeiro, quando estava em actividade
            A assinatura de um protocolo com a Câmara, mercê das circunstâncias e da vontade de se tornar o hipódromo «um dos melhores da Europa» (!), levou a que, a 30 de Abril de 2005, ficasse assinada também a certidão de óbito do picadeiro. Morreu.

                                                                                  José d’Encarnação

Publicado em Cyberjornal, edição de 21-12-2015:

sábado, 19 de dezembro de 2015

Oportuno e bonito o brado da liberdade!

             Ainda que oportuno, constituiu, sem dúvida, arriscado passo o que o maestro Nicolay Lalov ousou dar, quando programou para Concerto de Inverno da sua Orquestra Sinfónica de Cascais a execução integral da IX Sinfonia de Beethoven.
            Arriscado porque, dizem os entendidos, estamos perante uma das sinfonias mais difíceis de executar, a exigir um naipe de músicos muito bem sintonizados e dotados de larga experiência. Oportuno, porque, se há altura em que os ideais da Revolução Francesa – liberdade, igualdade, fraternidade – precisam de ser clamados em uníssono, esta é uma delas. «Nos tempos de hoje, o seu “Hino da Alegria” tem um significado muito especial, com o apelo à fraternidade e amor entre as pessoas» – escreveu-se no programa.
            No seu 4º andamento, a IX Sinfonia traz-nos ecos das festas subsequentes às gloriosas jornadas, plenas de entusiasmo popular, que a Revolução Francesa proporcionou em Paris. Agora, é de novo Paris que carece de vir para a ribalta, a proclamar liberdade. E recordar-se-á que, em 1989, o maestro Leonard Bernstein quis celebrar o Natal e a queda do Muro de Berlim com essa mesma IX Sinfonia, tomando, então, a liberdade de substituir, no célebre Hino à Alegria, de Friedrich Schiller, a palavra alemã ‘Freude’ (Alegria) por ‘Freiheit’ (Liberdade), na certeza (afirmou) de que Beethoven o aplaudiria também.

A grande inovação
            Estava, há vários dias, esgotado o Auditório Senhora da Boa Nova, para este Concerto de Inverno, o quarto da Orquestra Sinfónica de Cascais, no sábado, 12, à noite. Muitos foram, pois, os que não lograram acesso. Perante a euforia, eu quis saber do musicólogo Doutor Pedrosa Cardoso o que significava, afinal, esta peça no conjunto da obra de Beethoven, a justificar tamanho entusiasmo. Que desafios punha a um maestro e a uma orquestra? Que simbolizava?
            – Beethoven, nascido em 1770 – esclareceu-me –, bebeu na sua juventude, na Universidade de Bona, os ideais da Revolução Francesa e inspirou-se, aqui, mormente no 4º andamento, nas grandes festas ao ar livre. Esse andamento é um verdadeiro hino, uma cantata. O tema do hino da alegria aparece aí desenvolvido com formas musicais muito variadas, um verdadeiro acontecimento! Uma música fortemente apelativa. Contudo, a meu ver, o grande mérito da IX Sinfonia não está tanto nesse andamento final; o seu grande segredo reside no ‘adagio’ do 3º andamento, uma peça longa, que incita à meditação e à transcendência, algo de absolutamente divino… É aqui que reside o grande mérito desta sinfonia.
            Perguntou-me Pedrosa Cardoso qual era o coro e os solistas. Verifiquei que, na (inopinadamente) escassíssima informação constante quer na página do Município quer na da Fundação D. Luís I, esse dado estava omisso.
            ‒ É que aí reside a grande inovação de Beethoven: o coro faz parte integrante dessa sinfonia; essa, a sua verdadeira originalidade. Até aí, nunca tal se tinha pensado: a participação de um coro. A sinfonia era música pura; a partir de agora, podia ser também como que uma «música pragmática», a ilustrar um texto. E terás ocasião de ouvir o baixo cantar, com a sua voz possante, algo como: «Ó amigos, não mais de música passada! Importa cantar uma música nova, mais agradável, mais alegre!». A alegria, a liberdade, a bela filha dos deuses! O baixo começa, o coro entra e a proclamação vai-se repetindo até quase à exaustão: todos os homens serão irmãos, quando as tuas asas, liberdade, voarem por sobre o mundo! Abraçai-vos, milhões!...
            Agradeci, naturalmente, ao Amigo e ao Professor o seu depoimento, que me ensinou a deliciar-me melhor nessa noite memorável.
            Não tivemos no programa esse magnífico texto agora referido – e valia a pena ter-se pensado nisso. Soube-se, de programa nas mãos, entregue à entrada, que ouviríamos o barítono português Armando Possante, a soprano búlgara Milla Mihova (de 28 anos), a alto Daniela Banasová eslovaca (mui esbelta silhueta, no seu longo vestido vermelho, a contrastar com o negro da orquestra e dos coros… e cujas linhas de currículo e foto apresentadas no programa foram integralmente retiradas da Internet) e o tenor americano Douglas Nasrawi. E que, em vez de um coro, teríamos três: o de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa, o Choral Phydellius e o Choral Spatium Vocale – cujos elementos entraram antes do 4º andamento e preencheram todos os espaços vazios do palco. Contei assim por alto: cerca de 150 coralistas a juntar às seis dezenas de músicos. Um mundão!...
            Explicita-se no programa que «a escolha dos solistas foi feita com a intenção de juntar artistas com idades diferentes e de todos os cantos da Europa». E: «Os vários coros contribuirão igualmente para este momento único».
            O maestro Nikolay Lalov não deixou, pois, os seus créditos por mãos alheias. E quantos tivemos a dita de religiosamente escutar o concerto saímos de lá reconciliados, num preito de gratidão a quem tal maravilha – contra tudo e contra todos – teima valorosamente em nos proporcionar!

                                                                       José d’Encarnação

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 121, 16-12-2015, p. 12.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Escarapão

             Contou-me o amigo Vítor Barros, que mora na Fonte da Murta:
            - Hoje fui almoçar lá acima, junto àquela ruína, à casa da minha mãe. Muito, muito vento por lá, de maneira que ela, quando eu cheguei, suspirou:
            - Hoje, tá cá um escarapão!…
            Claro, também ele foi ao dicionário.
            - Aí, a palavra tem outro sentido… Terá a ver com as escarpas junto ao mar? Lembro-me de Sagres, pois quando lá vou o vento açoita sempre aquelas enormes encostas de rochas… Desde pequeno que a oiço ali na boca da minha mãe e avós. Já lhe perguntei o que era um escarapão e diz-me sempre que é quando faz muito vento. «Então não vês? É como está hoje!».
            O dicionário diz de escarapão que se trata da designação dada a uma «pessoa ríspida, de maus modos» e, curiosamente, também é escarapão uma «cobra não venenosa»! E chama-se escarapela a «briga em que os contendores se arranham ou arrepelam»…
            Um vento cortante pode ser, pois, uma escarapela em ponto grande, porque, se não nos acautelamos, bem nos agatanha orelhas e nariz, o marafado!...

                                                           José d’Encarnação

Publicado em VilAdentro [S. Brás de Alportel] nº 203, Dezembro de 2015, p. 10.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

E este é pró gatinho!

            Sempre me habituei a comer peixe. Meu pai fora arrieiro antes de ir para a tropa e eu lembro-me bem das conversas que travava com a Alice peixeira ou a Carolina, quando vinham, depois da volta, à hora do almoço, de canastra quase vazia, tentar vender-lhe o resto das sardinhas ou dos carapaus. A disputa era: «Hum! Tu nem um cento de carapau tens aí!...». «Qual não tenho!», replicavam. «Ai não tens, não! Três quarteirõezinhos e já é muito!». Acabavam por contar e meu pai ganhava quase sempre e lá ficava com a teca.
            Quando não era essa cena, minha mãe comprava uma dúzia e, invariavelmente, a Sara punha 13 no alguidarito de barro, acrescentando: «Este é pró gatinho!».
O Sebastião
            Tudo isto me veio à mente agora, depois de, no curto espaço de meses, termos perdido três dos nossos gatos: o Sebastião, de pneumonia galopante, em três dias; o Peto e o Bebé, de insuficiência renal.
            O veterinário, aqui há anos, dizia-nos:
            ‒ Eu cá não tenho problemas! Se houver fome, amanho-me bem com a comida dos gatos e dos cães. Tem qualidade e os ingredientes precisos para uma vida saudável.
            Por isso e por via da publicidade, os nossos gatos passaram a comer ração. Quer biscoitos quer alimentos húmidos das latas. E lá íamos andando, até que, na clínica, começámos a ver que já começavam a existir doenças a mais. Então, insuficiência renal, a obrigar a comprimidinho diário em jeito de hemodiálise, estava a ser tema de conversa constante entre os donos e donas de cãezinhos e gatos que por lá víamos.
            E quando – com a mágoa que se adivinha – tivemos de nos despedir do Bebé, a veterinária segredou-nos:
            – Estamos a repensar tudo! O melhor, achamos nós agora, é ir entremeando a nossa comida, mesmo os restos (como se fazia no tempo dos nossos pais), com os ‘acepipes’ expressamente preparados para eles. Evitam-se, de certeza, esses casos – que estamos cheios de insuficiências renais…
            Gostei deste retorno ao que nossos pais nos haviam ensinado. E não pude deixar de pensar numa mensagem que há dias recebi, a propósito dos alimentos, a verdade e a mentira. Nela se diz, por exemplo, a propósito do peixe azul (atum, sardinha, cavala…):
             Antes: têm elevado teor de gorduras, devem evitar-se.
            Agora: são ricos em ómega-3, uma gordura que mantém a integridade das células do organismo, há que comê-los!
            Claro! Guardei religiosamente esta mensagem do antes e do agora! Até por mor dos meus gatos!
                                                                                  José d’Encarnação

Publicado no quinzenário Renascimento (Mangualde), nº 675, 15-12-2015, p. 20.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A Câmara de Oeiras apoia a Arqueologia

              Foi pequena a sala de actos do Palácio do Marquês de Pombal para receber, na tarde de sexta-feira, 11, quantos – nomeadamente arqueólogos – quiseram assistir à apresentação do volume 21 (2014) dos Estudos Arqueológicos de Oeiras, revista editada pela Câmara Municipal.
            Na Sala dos Reis ia ser inaugurada, de seguida, a exposição documental intitulada «Arqueologia Subaquática do Concelho de Oeiras» e, por isso, sentaram-se à mesa da sessão, além do Presidente do município, Dr. Paulo Vistas: o Director-Geral do Património Cultural, arquitecto João Carlos Santos; o apresentador do volume, Professor Victor S. Gonçalves, responsável pela UNIARCH, centro de investigação da Faculdade de Letras de Lisboa, do qual vários membros viram neste número publicados os seus textos; o director do CHAM – Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar (Universidade Nova de Lisboa); e o Professor João Luís Cardoso, editor científico da revista, que, sozinho ou em parceria, assina 11 dos 19 textos do volume.
            Na sessão teve-se ensejo de encarecer o papel preponderante – e nunca regateado – que o município de Oeiras tem desempenhado no estudo e na constante divulgação da Arqueologia local (e não só!), o que lhe confere lugar ímpar no contexto nacional.
            A quase totalidade dos artigos publicados prende-se com a área da Pré-história, sendo excepção apenas os «novos dados para o estudo de Chões de Alpompé – Santarém», onde se sugere que o sítio poderá ter «permanecido ocupado, pelo menos em alguns dos seus sectores, até ao reinado de Augusto», ou seja, mesmo depois do conflito sertoriano.
            De louvar a publicação (p. 429-460) de parte da tese de licenciatura de António Cavaleiro Paixão, defendida em 1970 na Faculdade de Letras de Lisboa, dedicada à necrópole do Olival do Senhor dos Mártires (Alcácer do Sal), onde este arqueólogo, falecido em 2014, levara a cabo campanhas de escavação, cujos resultados nunca haviam sido dados à estampa. Iniciativa mui meritória, pois.
            Evocam-se as figuras singulares de Abel Viana, o arqueólogo que trouxe Beja para as primeiras páginas da Arqueologia nacional, e Virgínia Rau, na sua – quiçá desconhecida – faceta de docente de Pré-história e, até, com artigos publicados nessa área do saber, quando o habitual é vermo-la como historiadora da Idade Média portuguesa.

                                                                                  José d’Encarnação

Publicado em archport: Mensagem Nº 20853, Mon, 14 Dec 2015 15:40:43
Fotos gentilmente cedidas por Guilherme Cardoso.
João Luís Cardoso fala da actividade camarária no âmbito da Arqueologia
 
Visita guiada à exposição sobre Arqueologia Subaquática

Um dos painéis a documentar a actividade arqueológica subaquática -
a legal, dentro das regras, e... a caça ao tesouro, clandestina!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

XXIX Salão de Outono na Galeria de Arte do Casino Estoril

            Inaugurou-se ao final da tarde do passado dia 21, na Galeria de Arte do Casino Estoril, o XXIX Salão de Outono, desta feita em homenagem ao pintor António Joaquim, que esteve presente. Tendo celebrado, a 1 de Junho, o seu 90º aniversário, o homenageado promete não parar e apresenta nesta mostra uma dezena de aguarelas recentes, a que deu o nome de “trabalhos dos 90”, série que será aumentada a pensar numa exposição a realizar neste espaço, em meados do próximo ano.
O pintor António Joaquim com o director da galeria, Nuno Lima de Carvalho
Uma das aguarelas de António Joaquim
            Não é agora o Salão de Outono um palco a que concorressem artistas na esperança de que as suas obras fossem seleccionadas por um júri e, até, quiçá galardoadas. A maioria dos 34 artistas representados – e quase todos estiveram na inauguração – são presença habitual na galeria, onde muitos têm feito exposições e onde, aliás, alguns até iniciaram a sua carreira.
            O que encanta, pois, numa exposição colectiva de pintura e de escultura como esta é a rica diversidade de estilos, ainda que alguma das obras nos pareça já ali a termos visto; mas é sempre bom rever o apurado geometrismo de um Nadir Afonso (que recentemente nos deixou), as suaves aguarelas de Paulo Ossião, os estranhos óleos de Albino Moura, os dourados acrílicos de Diogo Navarro, os ecos em Nélio Saltão da sua exposição no Centro Cultural de Cascais (a geometria dos apetrechos de pesca…), o abstracto colorido de Edgardo Xavier (também ele um ‘homem da casa’), o africano exotismo de Neves e Sousa num hino à cor…
            Percorre-se a mostra uma e outra vez e há sempre novidades a assinalar, pois são 67 os trabalhos expostos. O surrealismo de Mário Vitória, de cavalos alados, barcos e bicicletas; a estilizada elegância roxa de «Vaidade», um óleo sobre tela, da autoria de Lima Carvalho; as aguarelas de João Feijó, a recordarem-nos as algas de Stella de Brito; as sugestivas esculturas de Abílio Febra em pedra vermelha de Negrais e mármore de Estremoz / Vila Viçosa; os azuis do cabo-verdiano David Levy Lima; a originalidade cativante das duas telas de Branislav Mihajlovic, o sérvio de Belgrado que reside em Cascais desde 1992...
            Realce-se também a excelência do catálogo (coordenado por Pedro Lima de Carvalho), que, além da abertura (da autoria do director da galeria, Nuno Lima de Carvalho) e de uma biografia de António Joaquim, reproduz uma obra de cada um dos 34 artistas presentes, dos quais é referido também sumário currículo.
Alguns dos artistas que marcaram presença na inauguração
            Aquando da concorrida inauguração, usaram da palavra o director da galeria e Edgardo Xavier (na sua qualidade de membro da Associação Internacional de Críticos de Arte), para expressarem todo o apreço a António Joaquim, à sua obra e ao seu querer.
            A exposição estará patente todos os dias, das 15 às 24 horas, excepto no dia 24 de Dezembro, até 12 de Janeiro de 2016.
            Entrada livre (para maiores de 18 anos).

                                                                       José d’Encarnação

Publicado em Cyberjornal, edição de 02-12-2015: