Há, felizmente, cada vez mais programas televisivos, nomeadamente da
RTP, a contarem de vidas em remotas povoações do nosso Portugal, amiúde a
pretexto de –porventura para vergonha nossa – um casal de estrangeiros ter
descoberto como é bom viver por ali e criarem novas formas de sustento e de
desenvolvimento local.
Regozijo-me muito com esses
novos olhares, porque nos afastam largamente da ideia de que das pequenas
terras só se fala quando há por lá um crime ou uma desgraça qualquer.
Alguns desses forasteiros dão visibilidade às terras (veja-se o caso de
Albufeira) assim como patrícios nossos ou vizinhos contribuem eficazmente para
que uma localidade saia do anonimato a que durante muito tempo foi votada e
sobre ela se suscite curiosidade. A empreita de São Brás já foi alvo de
programas televisivos, a Festa das Tochas Floridas também; a pequenita Asmina,
no programa de talentos da RT honrou São Brás; Gago Coutinho teve origens são-brasenses;
apelidos como Valagão e Sousa Uva não são desconhecidos no país, nem sempre,
porém, conectados com a sua terra de origem. S. Brás.
E é nesse âmbito que particularmente me alegro por, no princípio deste ano, se ter dado a conhecer um casal do senadores romanos que viveu em Faro, a romana Ossónoba. Sabíamos já que Milreu, em Estoi, atraíra gente importante nessa época; contudo, a descoberta deste monumento – em que, segundo a inscrição nele exarada, o marido, que foi cônsul (o mais alto cargo da hierarquia senatorial romana), mandou fazer uma estátua em honra da deusa Fortuna, mas em memória da sua mulher Avita («matrona de muito ilustre memória») – constitui para todos nós motivo de redobrado orgulho!
José d’Encarnação
Notícias de S. Braz [S. Brás de Alportel], nº 353, 20-04-2026, p. 13.