quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A zingra

            Sempre me habituei a chamar-lhe zingra.
            – Que é que estás a fazer?
            – Apanho uma zingra que nos entrou na cozinha!
            Toquei-lhe. Ela enrolou-se toda, naquele movimento de defesa meu conhecido desde pequenino, agarrei nela sem repugnância nem medo e atirei-a para o jardim. Não me preocupei com o gesto, pois sabia que ela ia cair na terra e, enrolada como estava, depressa voltaria a colear por entre as ervas.
            Quando meus filhotes foram para a escola, pareceu-me ter compreendido, um dia que viram uma em casa, que, na escola, lhe chamavam maria-café. Jamais me interrogara sobre a razão do nome; quiçá por ser negra, negra, e o café se querer negro também.
            Hoje, deu-me a curiosidade. Fui aos dicionários e ao ‘mestre google’: nada! Há zingrar (do árabe, ‘sajara’), com o significado transitivo de ‘burlar alguém’ e o intransitivo de ‘dizer motejos’ ou ‘não dar importância’. Zingra substantivo, nome de animalejo – nada! E zíngaro, «cigano», não terá a ver com isso
            E maria-café? Essa, sim! Escrevem sem hífen, mas eu acho que com hífen deve ser. E fiquei com a curiosidade satisfeita: também se lhes chama mil pés e piolhos-de-cobra (eu nunca tal ouvi, confesso!), pertencem à classe dos diplópodes, assim designados porque têm dois pares de patas em cada segmento abdominal (do grego: duplo + pé, que em grego se diz «pódi») e possuem entre 40 e 100 segmentos, o que dá um considerável número de patas.
            Confirmei que são inofensivos, vivem em lugares húmidos (tanta vez levantei uma pedra e lá estavam dois ou três!) e adoram tudo o que é vegetal em decomposição (fiz bem em atirar a minha para o jardim!...), por isso são bons para a compostagem.
            E descobri porque é que a tinha em casa: é que «tendem a entrar nos edifícios quando chove muito ou faz muito frio».
            O que eu não descobri é porque o nome ‘zingra’ me veio à memória. Ouvia-o, decerto, em pequeno, porque inventar não o inventei. Do latim não vem. Inclino-me para ser regionalismo, palavra popular vinda do árabe que jamais chegou aos dicionários. Ou era eu que percebia mal e seria gingra, por ‘ginga’, de gingar, referindo-se ao seu andar coleante?!...
            Agora, fiquei também a saber da ternura do macho em relação à fêmea quando chega a ocasião de acasalar! Um encanto! Bichinho tão pequeno e que sabe dar lições!...
 
                                                    José d’Encarnação
 
Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 742, 15-11-2018, p. 11.
 
Post-scriptum: Ternura? Que ternura? Ora veja-se o que se escreveu a esse propósito:
«A copulação ocorre quando os dois indivíduos se põem um de frente para o outro. A copulação pode ser precedida por determinados comportamentos do macho, como golpear com as antenas, correr ao longo do dorso das fêmeas, oferecer secreções glandulares comestíveis, ou, no caso dos Oniscomorpha, a estridulação (som áspero e agudo)».

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

O septuagenário Chris de Burgh encantou na gala dos 60 anos da Estoril-Sol

O lendário Chris de Burgh ao piano
        Chris de Burgh (Christopher John Davison) nasceu a 15 de Outubro de 1948, em Venado Tuerto, Santa Fé, Argentina. Não é, porém, de admirar se se ler que «é um cantor de música pop rock irlandês nascido no Brasil» ou que se trata de «a British-Irish singer-songwriter and instrumentalist».
            Não, não vou por esse caminho, a imitar os senhores relatadores de futebol que, no meio dos lances mais entusiasmantes, desatam a explicar que o jogador que tem a bola nos pés veio da Juventus, tem 25 anos, já foi comprado pelo Chelsea e o Sporting o tem agora na mira; entretanto, a bola saiu pela linha lateral…
            Direi, ao invés, que, nessa ‘juventude’, o já lendário Chris de Burgh nos encantou, não apenas pela sua eterna «Lady in Red» ou o, igualmente eterno, «Always on My Mind», que todos acompanhámos, mas sobretudo pelo à-vontade, pela total simplicidade, pela voz quente, pela forma como, naturalmente, largava a guitarra e se punha ao piano, com apenas um gole de água pelo meio, sem alarido de explicações e conversas, porque o que lhe apetecia era cantar e partilhar com o público tantos e tantos anos de canções para os mais diversos públicos e ambientes, em todo o mundo. A segunda vez que vinha ao Estoril e sentiu-se que estava muito bem entre nós. Não hesitou, por exemplo, em sair do palco e ir abraçar, de modo especial, as mulheres que expressamente (digo eu…) tinham vindo de vermelho nessa noite de quarta-feira, 31 de Outubro, em que a Estoril-Sol quis comemorar com os amigos os seus 60 anos.
O final da passagem de modelos de Agatha Ruia de la Prada.
A estilista, que já expôs na Casa de Santa Maria, em Cascais,
é também conhecida pelos seus títulos nobiliárquicos:
12ª Marquesa de Castelldosrius, vovó da Espanha e 29ª Baronesa de Santa Pau.
            Apresentou a gala Ricardo Carriço, que, após pedir aplauso para a coreografia com que Paula Magalhães acompanhou o primeiro tempo do serão e para a passagem de modelos de Agatha Ruiz de la Prada, disse, em breve síntese, o que tem sido a Estoril-Sol, sublinhando que, além da sua natural vocação de casino (ou casinos, se se quiser, porque é concessionária também do de Lisboa e do da Póvoa de Varzim), se notabiliza pela enorme «oferta de cultura» que põe ao dispor das gentes da Costa do Estoril e não só. «Mundo mágico de cores e de texturas» se poderia classificar o documentário que, de seguida, se viu, a dar conta, em mui sugestivas pinceladas, do que tem sido essa actividade, mormente no mundo do espectáculo. Quase pode dizer-se que não houve nome nenhum famoso nesse âmbito, tanto nacional como estrangeiro, que não tenha actuado nos casinos da Estoril-Sol.
            Um ambiente acolhedor no Salão Preto e Prata, com muitas caras conhecidas na plateia, onde a disposição em pequenas mesas-redondas, com candelabro de cinco velas verdadeiras, à antiga, trouxe ainda mais calor.
                      O corte simbólico do bolo de aniversário.
Ricardo Carriço, Agatha de la Prada, Chris de Burgh e Sofia Hoffman
            Dir-se-á que foi muito bem escolhida a ementa. Gourmet tinha de ser, como se impõe nos dias de hoje; mas um gourmet sábio, ia a escrever «português», não apenas pelos ingredientes nossos, mas, de modo especial, pela delicadeza do tempero. Rezava assim, poeticamente, como convém: «Trevo de camarões salteados em cognac com perfume de coentros; tornedó de novilho corado com Porto Vintage e medalhão de foie gras; tarte de rosa com calda de líchias e framboesas frescas». Uma delícia mediterrânica, o «perfume de coentros», parabéns! De muito bom paladar a calda de líchias, um fruto que ora começou a entrar – e muito bem! – até nos pratos quotidianos e foi boa descoberta, pelo seu acídulo sabor a temperar os demais.
            Só as notas da orquestra de Jorge Costa Pinto, a condimentar o jantar, é que não terão sido bom tempero: tão estrídulas e sonoras não nos deixavam conversar! E nem a cantora Sofia Hoffman as conseguiu abafar!
                                      José d’Encarnação

Publicado em Costa do Sol Jornal (Cascais), nº 257, 2018-11-07, p. 6.
Fotos gentilmente cedidas pelo Gabinete de Imprensa da Estoril-Sol.
                      
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A força de um «bem-haja!»

             Ia a escrever «obrigado!», mas desisti. Por dois motivos: primeiro, «bem haja!» é mais português, bem do nosso interior beirão, genuíno, o voto de que, em reconhecimento de um gesto, auguramos que, doravante, o nosso amigo esteja bem tudo de bom lhe aconteça; depois, porque deram, hoje, em considerar «obrigado» um adjectivo e, por isso, mulher tem de agradecer «obrigada!», como se agradecer fosse… obrigação! Não é ‘obrigação’, é delicadeza, é… atitude de cidadania, como hoje se proclama!
            Já me atrevi a escrever sobre este tema, em crónica de 16 de Julho de 2009, no Jornal da Costa do Sol; contudo, senti a necessidade de o abordar de novo, perante o desabafo de um amigo:
            – Imagina! Passaram uma esponja sobre mais de cinquenta anos da revista! Esqueceram fulano e sicrano e beltrano, que, gratuitamente, durante anos e anos, a mantiveram de pé e lhe deram credibilidade a nível nacional. Assim, de um momento para o outro, atiraram todo o passado às malvas e… também quem lhe agarrou o leme nem sequer viveu esses anos, nada sabe deles!...
            E não seria este desabafo o suficiente para me decidir no tema, se não fora ter recebido antes um outro:
            – Já viu? Fui eu quem, contra tudo e contra todos, ousei iniciar a revista, que hoje tem pergaminhos e reconhecimento internacional. Mudei de instituição e que vejo? A revista sai, com novo director, e… nem uma palavra sobre quem a criara!...
            Admiro, pois, os jornais que, como o nosso, ostentam na ficha técnica de cada número o «Arquivo de honra», onde figura logo à cabeça, como FUNDADOR, o nome do Dr. José Henriques Pereira Júnior. Outro jornal em que escrevo, o Costa do Sol Jornal, com apenas seis anos de vida, também não esqueceu o seu fundador, já falecido, cujo nome também figura, em lugar de relevo, na ficha técnica. Já do Expresso nada se diz, ainda que certamente seja difícil esquecer que foi Francisco Pinto Balsemão, hoje administrador da empresa, que o fez nascer em 1973. Do Diário de Notícias perde-se na noite dos tempos o nome de Eduardo Coelho, que o fundou em 1864; também se não menciona o de Vicente Jorge da Silva, primeiro director do Público, que teve em 5 de Março de 1990 a sua 1ª edição…
            Começa com «Demos graças ao Senhor nosso Deus» o cânone da missa católica; escreveu Merlin Carothers Puissance de la Louange, onde tece rasgados encómios ao extraordinário poder que tem o reconhecimento. Um poder que sentimos no dia-a-dia, mesmo que apenas patente na doce expressão dum olhar ou na força de mui singelo aperto de mão.

                                                           José d’Encarnação

Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 741, 01-11-2018, p. 12.

domingo, 4 de novembro de 2018

Lisboa vista por Paulo Ossião

             Nunca será de mais chamar a atenção para a suave beleza que se desprende das telas de Paulo Ossião, «o melhor aguarelista português da actualidade», como o classifica Pedro Lima de Carvalho, actual responsável pela galeria do Casino Estoril, onde podem admirar-se, até ao dia 20, os quadros que o artista ali quis reunir sobre Lisboa.
            O casario da cidade, envolto em ténues azuis, ganha ainda maior beleza e, na verdade, não pode passar-se de soslaio: há que parar, admirar, saborear o enlevo que de cada aguarela dimana, quer nos leve à Sé, ao castelo, aos típicos eléctricos ou aos cacilheiros do nosso quotidiano... Tudo ganha, ali, nova alma!
            Deve também dizer-se que, para além da exposição em si, é de apreciar o catálogo, produzido sob a direcção da galeria, que constitui primoroso exemplo de como se deve apresentar uma exposição deste calibre.
            A galeria pode ser visitada diariamente, das 15 às 24 horas.

                                                                       José d’Encarnação

           

Patrimoniices cascalenses 21 - O monumento aos canteiros, em Birre

             Fiquei contente por, quase de imediato, tenha havido quem respondesse acertadamente à adivinha.
            Trata-se, de facto, do monumento aos canteiros da freguesia de Cascais, que a Associação Cultural de Cascais, em estreita colaboração com a Juta de Freguesia e a Câmara, erigiram, no Dia de S. Martinho de 2006, na rotunda de Birre.
            Escolhemos esse local por se situar como que no centro da maior actividade de exploração de pedra, que constituiu, em meados do século passado, uma das maiores fontes de riqueza do concelho de Cascais e que fez, por esse motivo, confluir aqui trabalhadores do Algarve (mormente de S. Brás de Alportel), de Alcains e de Cantanhede, zonas em que os canteiros eram larga faixa da população. Cascais a todo acolheu de braços abertos e, ainda hoje, embora a indústria da pedra haja praticamente terminado, há descendentes dessas famílias que por cá ganharam raízes.
            O monumento, como a placa menciona, perpetua essa memória. Não substitui, no entanto, a possibilidade – que já foi proposta – de, no prolongamento do Parque do Rio dos Mochos, mais concretamente na zona entre Birre e a Pampilheira, se aproveitar o espaço, livre, de uma das grandes pedreiras aí pré-existentes, para se erguer um espaço-memória do que foi essa importantíssima actividade cuja tradição remonta à época romana.
            Oxalá as forças políticas e as entidades culturais saibam ouvir este apelo, quando – nos discursos de tantos eventos – se preconiza a salvaguarda e a revitalização das memórias e a da tradição.

                                                           José d’Encarnação

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

As bonecas de trapos, a praça de touros e o Bairro Marechal Carmona!

             Inaugurada na tarde de quinta-feira, 25, esteve patente ao público nas instalações da Santa Casa da Misericórdia de Cascais, com entrada pela Rua da Saudade, em Cascais, a exposição «Nem os trapos são velhos», com trabalhos de utentes dos centros de dia a cargo daquela secular instituição.
            Escusado será dizer que há ali de tudo, numa encantadora panóplia de imaginação, ironia, saber popular, tradição, engenho, dedicação… a provar que, na verdade, de qualquer trapo, por mais velho que pareça, pode brotar, em estreita comunhão com outros, mui deliciosa obra-prima.
            Uma exposição que valeria a pena poder estar mais tempo e – porque não? – ser itinerante. Estavam na inauguração presidentes das juntas de Alcabideche, Cascais-Estoril, S. Domingos de Rana… qualquer deles tem salas de exposição, poderia pensar em apresentar lá essas bonecas de trapos, a fazer as delícias de miúdos e graúdos, sem dúvida!
            Teve pompa e circunstância a sessão de abertura, com passagem de modelos, montados em bicas, perante mais de meia centenas de pessoas (sobretudo dos centros de convívio e funcionários da Santa Casa), no pátio interior da Misericórdia, com sábia apresentação por uma das técnicas da Câmara, entidade que se associou ao evento.

Falou a Senhora Provedora
            Aproveitou a Senhora Provedora, Dra. Isabel Miguens, para louvar o trabalho desenvolvido pelos utentes, sob orientação das mais directas responsáveis pelos centros, salientando que as obras destes «militantes da sabedoria da vida» mui eficazmente contribuíam não apenas para «dar vida aos trapos», mas também «para devolver cidadania aos artífices».
            Num trocadilho pleno de oportunidade, aludiu ao facto de que, se tudo isso «custa fazer», se calhar, muito mais «custa não fazer»!
            E, em jeito de desafio ao presidente da Câmara, também ele Irmão da Santa Casa, sublinhou quanto importaria que à «academia do saber» que a Câmara desenvolve se deveria unir essoutra academia, «a do fazer».
            Não desprezando igualmente a possibilidade de se referir aos problemas que afectam a chamada «terceira idade», frisou que se conhecem os custos da doença, mas se desconhecem, de facto, os custos da prevenção – e nestes importa investir.

O discurso político
            Embora – como teve o cuidado de lembrar – não tivesse intenção de fazer um discurso eleitoralista, porque ainda faltam alguns anos para novas eleições autárquicas, o presidente da Câmara começou por afirmar que muito deve Cascais à Santa Casa, pelos séculos de serviço que tem prestado a população cascalense necessitada.
            Aproveitou, no entanto, para dar algumas notícias de interesse:
            ) Resolveu-se o problema da praça de touros, que muito trazia preocupados, desde há bastante anos, os responsáveis pela Misericórdia, por ter sido reprovado pelo executivo de António Capucho o Plano de Pormenor, aprovado no tempo de José Luís Judas, do empreendimento previsto para o sítio onde se arrasou a praça de touros, no Bairro do Rosário. Assim, acertou-se que, em vez dos 29 000 m2 de construção previstos, apenas se fariam 20 000 e que não se atingiriam os 16 ou 17 andares iniciais, mas somente a altura a que estava a praça de touros, não mais. Desta sorte, com a verba agora recebida e que esteve cativa durante todos estes anos, foi possível à Santa Casa pagar as dívidas todas (designadamente a dos juros sempre em aumento…) que a vinham atormentando. «Todos estamos de parabéns!».
            2ª) No que concerne ao Bairro Marechal Carmona, que ora passou na totalidade para a posse da Câmara, também por efeito do protocolo assinado com a Santa Casa, garantiu o presidente que todos os que lá moram lá continuarão a morar, em melhores condições, porém. Em segundo lugar, haverá a preocupação de dotar o bairro de maiores facilidades de mobilidade para os moradores. Finalmente, haverá equipas para os acompanhar, numa perspectiva de «envelhecimento activo», porque – importa não esquecer! – os anciãos são também como que essa «academia do saber» de que falava a Senhora Provedora. Nesse sentido, há já duas equipas universitárias, uma do Instituto de Ciências Sociais e outra da Faculdade de Arquitectura a fazer aturado estudo da situação, a fim de vir a ser possível lançar as necessárias propostas de reabilitação das estruturas e, consequentemente, da melhoria das condições de vida dos habitantes.
            3ª) E já que se falava em famílias, não quis o presidente deixar de informar que – para além de a Câmara ir colaborar activamente na recuperação da igreja da Misericórdia, como importante património edificado da vila – os Paços do Concelho passaram a ser a «casa da família de Cascais», porque estão abertos, podem ser visitados, nomeadamente para se verem de perto os magníficos painéis de azulejos não só os da escadaria de acesso ao primeiro andar como, de modo especial, os da sala de reuniões. Não se referiu o presidente ao azulejo que identifica – mal – os Paços do Concelho, pois que diz ele ser ali o “Município de Cascais” e, como sabemos, não é apenas ali, por mais que algum aventureiro, um dia, por isso possa vir a pugnar!
                                                                       José d’Encarnação

Publicado em Cyberjornal, edição de 27-10-2018:

           

Foi numerosa a assistência

Instantâneo da apresentação da passagem de modelos

E que trajar!...

Então não sou uma beleza, ora digam!...
Quão vaidosa que eu estou!...

sábado, 27 de outubro de 2018

As obras na 2ª circular, em Cascais

            Continuam em bom ritmo as obras no leito do ribeiro do Cobre, junto à Rua de Santana, em Cascais.
            O ribeiro passará canalizado sob essa via, tendo-se previsto ampla capacidade de escoamento das águas mesmo em altura de grandes enchentes. Haverá uma rotunda no entroncamento da Rua de Santana com o final da 2ª circular, que desce da Pampilheira, com as dimensões adequadas não apenas à intensidade de tráfego que se espera, mas também para constituir um refreador de velocidade, atendendo a que, situando-se num vale, há a tendência (hoje verificada) de se excederem os limites aconselhados.
            Pensa-se que a dinâmica imprimida aos trabalhos poderá prender-se com a necessidade premente de melhor se regularizar o tráfego junto ao Hospital da CUF Cascais, designadamente na Rua Fernão Lopes, cuja continuação até à Rua Pedro Reinel, no Alto da Pampilheira, consta em cartas camarárias (veja-se planta em anexo). Por outro lado, a inauguração, na Av. Engº Adelino Amaro da Costa, da super-esquadra da PSP, que poderá vir a ocorrer antes do Natal, postula maior disponibilidades de acesso e saída para a zona do interior do concelho, o que com a 2ª circular concluída melhor se obterá.
            A fotografia que se junta, tirada ao começo da manhã de sexta-feira, 26, a partir do novo Parque de Estacionamento da Pampilheira, no sentido poente-nascente, ao lado do trecho da 2ª circular em execução, mostra como progride a passos largos a terraplanagem das terras que ali estão a ser depositadas. Desta sorte, a ideia que chegou a pôr-se de haver necessidade de um viaduto foi abandonada, por se lograr alcançar um desnível não muito acentuado.
            Pela Rua de Santana – que é, neste momento, uma artéria bem movimentada e perigosa, devido às referidas velocidades excessivas que nela facilmente se praticam – poderá aumentar, naturalmente, o fluxo de tráfego que hoje regista, mas passará a circular-se com maior segurança e mais facilmente, sem dúvida.
                                                           José d’Encarnação

Publicado em Cyberjornal, edição de 2018-10-26:
Instantâneo das obras na manhã do dia 2