sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Os nossos falares

             A celebração do centenário da elevação de Alportel a concelho continua, felizmente, a suscitar mui saudáveis iniciativas tendentes a revigorar a memória das gentes, a cimentar a comunidade que somos e queremos fortalecer.
            Sucedem-se nos jornais locais as colunas a rememorar tempos antigos; a própria agenda cultural São Brás Acontece não deixa, nesse aspecto, seus créditos por mãos alheias; renovam-se as fontes antigas na intenção de voltarem a ser locais de encontro…
            Gostaria também de incluir nessa vaga o empenho – de que, por exemplo, a Biblioteca Municipal poderá ser alfobre – em se recolherem frases e palavras susceptíveis de cair em desuso e que nos são muito próprias. De algumas me fiz eco; muitas mais haverá e só a colaboração de todos, mormente ouvindo os mais velhos, poderá contribuir para salvaguardar o que é nosso ou, pelo menos, de nosso uso.
            – Já viste a charronca velha que ele comprou, mó? Aquilo é carro que não dura um mês, aposto!...
            – Um cozidinho de grão? Também embarca, claro!
            – Isto, menino, com o andar disfarça e parado não se nota!
            – Vamos esbulhar o milho?
            – Em Dia de Maio toca de atacar o Maio!
            Exemplos singelos de uma riqueza a preservar, não lhe parece?

Publicado em VilAdentro [S. Brás de Alportel] nº 192, Janeiro de 2015, p. 10.

Teatro de Torga evocado em Paris

            Na delegação de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian, Graça dos Santos e Clara Rocha (a filha do escritor), evocarão, no próximo dia 30, a obra dramática de Miguel Torga, numa conferência-espectáculo a que foi dado o título de «Le théâtre de Miguel Torga et ses reverbérations» – informa o Lusojornal ( www.lusojornal.com ), na pág. 15 da sua edição de hoje, recorte que se anexa.
            Será uma forma de assinalar os 20 anos passados sobre a morte do conceituado escritor. Clara Rocha falará da obra do pai no seu conjunto; Graça dos Santos referir-se-á à sua escrita dramática; um grupo de actores representará passos de Terra Firme, Mar e O Paraíso; Gonçalo Cordeiro acompanhará, à guitarra clássica, executando peças de Fernando Lopes-Graça.
            Ainda na passada 5ª feira, dia 15, num dos auditórios da Universidade Lusófona, em Lisboa, Carlos Avilez lembrava também o que fora o seu extraordinário relacionamento com o escritor aquando da representação, em 1966, pelo Teatro Experimental de Cascais, no vetusto Teatro Gil Vicente, da peça Mar, um êxito ainda hoje recordado, até porque nela entraram António Feio (pela primeira vez em palco) e Mirita Casimiro.

Publicado em Cyberjornal, 23-01-2015:

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Karaté de Alcabideche em busca de mais títulos mundiais

             Parte hoje, 22 de Janeiro, para Paris, a delegação dos praticantes de karaté que integram a Federação Portuguesa da modalidade, a fim de participarem em mais um campeonato mundial. Trata-se do Open de Karate, a decorrer entre os dias 23 e 25, prova que vai funcionar como preparação para o Campeonato Nacional da FNKP que acontece já nos dias 21 e 22 de Fevereiro em Lisboa.
            Dessa delegação fazem parte atletas da freguesia de Alcabideche. Assim, da parte dos Bombeiros, chefiados pelo seu Mestre, Rui Inácio, seguem Ana Gama e Jamilson Júnior; do complexo das piscinas, liderado por Carlos Silva (presidente da Federação), apresentam-se Bernardo Castro e Bruno Silva; do Grupo Musical e Desportivo 31 de Janeiro de Manique de Baixo, Madalena Almeida e Tatiana Monteiro serão acompanhadas por Jorge Peixeiro.
            A exemplo de participações anteriores (em Outubro passado, Jamilson Júnior sagrou-se vice-campeão mundial da WUKF em juniores, na Polónia, competição em que Ana Gama obteve o 3º lugar no pódio), os atletas acalentam com todo o entusiasmo a esperança de regressarem com mais alguns títulos conquistados, a nível mundial. Esse é, aliás, o também o nosso voto, congratulando-nos vivamente com os excelentes resultados que – sem alardes e sem apoios institucionais – têm obtido, elevando bem alto o nome das colectividades em que estão integrados.

Publicado em Cyberjornal, edição de 22-01-2015:

Novo livro sobre Aristides de Sousa Mendes

            Não admira que continue a ser fonte de inspiração a gesta heróica de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português de Bordéus que logrou enfrentar as ordens de Salazar e salvou milhares de judeus, em 1940.
            Foi apresentado ontem, dia 20, em Paris, mais uma obra sobre esta emblemática figura de diplomata: chama-se Le Cônsul, é da autoria de Salim Bachi e tem edição da Gallimard – informa o Lusojornal ( www.lusojornal.com ), na pág. 4 da sua edição de hoje, recorte que se anexa.
            Recorde-se que, entre nós, o interesse romanceado – digamos assim – pela vida do cônsul começou com a Dra. Júlia Nery, escritora que reside em Cascais e que publicou, em 1991, o romance intitulado precisamente O Cônsul¸ que viria a ter tradução em francês, da autoria da tradutora de Miguel Torga, Claire Cayron, com o título La Résolution de Bordeaux (1993).
            Mais recentemente, a escritora Teresa Mascarenhas voltou ao tema, com o romance Aristides de Sousa Mendes. Trinta Mil Vidas Humanas, que tive a honra de apresentar, há dois anos, precisamente a 15 de Janeiro de 2013, no Museu Nacional de Arqueologia, em Belém (Lisboa), com a presença de um dos netos do cônsul.
            Que o novo livro possa chamar a atenção para o invulgar legado humano de Aristides de Sousa Mendes e contribuir para que as instituições competentes comecem a zelar mais pela sua memória, atitude consubstanciável, por exemplo, no apoio à Fundação que tem o seu nome e que procura manter de pé a sua casa, a Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, e transformá-la em mui digno lugar de memória.

Publicado em Cyberjornal, edição de 2015-01-21: http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=1207:novo-livro-sobre-aristides-de-sousa-mendes&catid=19:literatura&Itemid=30

A reabilitação da Casa Sommer, em Cascais

              Está disponível no endereço
                         http://recil.grupolusofona.pt/jspui/handle/10437/5645
o texto integral da dissertação intitulada Reabilitação de Estruturas Edificadas. Casa Sommer, Cascais, defendida, com êxito, por Carlos Franco, em Lisboa, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no passado dia 28 de Julho de 2014, para obtenção do grau de Mestre em Arquitectura, dissertação que preparara sob orientação do Professor Doutor António José Marques Vieira de Santa-Rita, docente naquela universidade.
            Como pode ler-se na síntese, a pesquisa levada a efeito teve «como objectivo o desenvolvimento de um modelo de avaliação e diagnóstico das causas das patologias, num processo de remodelação de um edifício do princípio do século XX e ainda no estudo das possíveis medidas correctivas, numa fase primária de avaliação».
            Usaram-se, naturalmente, «as tecnologias actuais»; procurou compreender-se «a tectónica original», a fim de poderem optimizar-se as soluções para este tipo de reabilitação. Tomaram-se em conta «as características históricas e morfológicas da construção», uma vez que é a Casa Sommer notável exemplo das chamadas «casas de veraneio», erguidas na vila pela nobreza e burguesia, nos finais do século XIX e primórdios do XX, desejosas de por aqui acompanharem a Corte em época balnear.
            Recorde-se que está previsto albergar o edifício o Arquivo Municipal, ora provisoriamente nas instalações camarárias da Adroana.
            Congratulamo-nos, obviamente, com o estudo feito e com a sua disponibilização, para que, desta sorte, a população dele possa ter mais aprofundado conhecimento.
            Reproduz-se, com a devida vénia, a fig. 34, uma das muitas que ilustram este trabalho académico.

Publicado em Cyberjornal, edição de 2015-01-21:

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nem tudo está mal!

            Há, cada vez mais, no dia-a-dia, motivos para nos sentirmos bem onde estamos. Como sentenciava um dos personagens do velhinho «Os Dez Mandamentos» de Cecil B. Demille (1956), «até no lodo do Nilo resplandece a flor de lótus!».
            E houve, no meu quotidiano, várias flores de lótus nos últimos tempos.
            O Carlos marcou para as 10.30 o atendimento para tratar do Cartão de Cidadão na Conservatória do Registo Civil de Cascais. Pensou: «Vou passar lá a manhã toda!». Às 10.31, estava a ser chamado e foi um instante enquanto tratou de tudo.
            O António carecia de renovar a carta de condução. Foi à Loja do Cidadão, sempre em Cascais, tinha uma pessoa à sua frente, o sistema novo estava a funcionar e… rapidamente se despachou.
            Não se cansa a «avozinha» Milinha de me elogiar o ambiente ternurento, atencioso, eficiente, com que foi tratada no Hospital de Cascais, desde que entrou para a operação, passando por todas as fases posteriores (recobro, quarto, acompanhamento…). Deixou, evidentemente, exarado no livro o seu enorme agradecimento à ginecologista que a operou, Dra. Lídia Reis, assim como a todo o pessoal de enfermagem e auxiliar, que não se pouparam para que a sua estada no hospital resultasse o menos dolorosa possível; e até se disponibilizou já, com todo o gosto, a estar presente num workshop para que a cirurgiã a convidou, no próprio hospital, e dar aí o seu testemunho.
            No meio das notícias negras que nos ensombram os dias, casos destes são feixes de luz que nos confortam e acalentam.
            Parabéns aos funcionários, aos técnicos, aos homens e mulheres que, no exercício das suas funções, sabem difundir sorrisos de bem-estar!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Vasculhando na prateleira…

             Início de novo ano pode ser bom pretexto para se ir vasculhar na prateleira os temas que estavam para ser abordados e que, por um motivo ou por outro, acabaram por aí ficar. Repesquemo-los.

Escola de negócios

            No Expresso de 27 de Setembro, p. p., um banco orgulhava-se, em página inteira, «de ser Parceiro Fundador do novo campus da NOVA School of Business and Economics em Carcavelos», anunciando «os grandes objectivos deste investimento»: «Atrair o melhor talento, transformar o ensino numa indústria exportadora competitiva, gerar iniciativas empreendedoras e criar uma rede internacional de estudantes de excelência».
            Aplaude-se, claro!
            Como é em inglês, a intenção é que esses estudantes aqui formados vão depois para o estrangeiro, não é?

Deliberações camarárias
            A exemplo de várias câmaras municipais portuguesas, também o «município empreendedor» de Santiago do Cacém inclui habitualmente na sua «informação municipal» uma separata expressamente dedicada a apresentar o «resumo das principais deliberações das reuniões da Câmara Municipal». Tenho presente o nº 35, de Outubro, que reporta as decisões de 3 de Julho a 25 de Setembro.
            Aliás, essa é também a boa prática de Oeiras. O boletim municipal Oeiras Actual tem suplemento sobre «deliberações, regulamentos». Exemplifico com o nº 227, de Setembro-Outubro, de 38 páginas, que insere esse suplemento, de 18 páginas, onde vêm os resumos do que se passou nas reuniões do Executivo e da Assembleia municipais desde 23 de Abril a 29 de Setembro. Dá-se também a conhecer o teor de editais e de contratos-programa assinados.

O hábito não faz o monge
            Terá sido essa a conclusão que tiraram as largas centenas de pessoas que acorreram à baía de Cascais na noite de 31 de Dezembro, na expectativa de que – na sequência das grandes e propagandeadas festas do Verão – a vetusta vila não deixasse seus créditos por mãos alheias e também ela queimasse ‘vistoso’ fogo de artifício. Ninguém o havia prometido, não estava na agenda e… lá se abriu o champanhe sem olhar para o ar. Quiçá foi esse um bom motivo para melhor nos olharmos olhos nos olhos, num terno sorriso de amizade, a estreitarmos nos braços as pessoas queridas, na promessa de tudo fazermos, sem estralejar de foguetes, para que 2015 seja melhor.
            Conclusão a tirar? Ousaria uma: nem todos os munícipes têm o hábito de ir ao computador ou não dispõem de posses para o ter. Se fosse perverso, aproveitaria para relembrar a falta que faz a informação escrita, em papel palpável. Mas… não quero ser perverso!

As contingências climáticas
            Não vale a pena insistir, pois toda a gente disso se apercebeu já: de um momento para o outro, uma forte bátega de água é bastante para deitar a perder anos de trabalho, haveres de uma vida e, até, por vezes, vidas humanas. Cascais não constitui excepção. E o voto para 2015 – no momento em que se giza o novo Plano Director Municipal – é que os responsáveis procurem evitar, o mais possível, a impermeabilização dos terrenos, reprovando novos empreendimentos imobiliários. À vista desarmada, de um leigo na matéria, o mercado habitacional do concelho afigura-se suficiente, tantas são as casas que há por aí para arrendar e, sobretudo, para vender.

Capacidade de mobilização
            A exemplo de outros municípios, Cascais tem o seu ‘orçamento participativo’: são apresentadas propostas, que, aceites, ficam à mercê de uma votação do povo. E que é «o povo»? Tal como acontece nos programas televisivos em que se pede «aos portugueses» que votem no seu favorito e eu me pergunto sempre quem são «os portugueses», esses tais de quem depois se diz: «E os portugueses decidiram!...». Em 2014, os promotores de propostas aperceberam-se de que o importante era levar a água ao seu moinho usando para esse efeito todos os meios ao seu dispor. Assim, tive ocasião de ver que, no dia da romagem anual ao cemitério, lá estava à porta uma pessoa de papelinho na mão a pedir voto. Por aqui e por ali, as acções de publicidade ocorreram. Acho muito bem: mobilize-se o povo! Tive pena que o projecto em que votei tenha perdido por meia dúzia de votos; mas democracia é isso: ganha quem tem unhas para a guitarra!

Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 75, 14-01-2015, p. 6.