segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

85 anos da Estoril-Sol

            Uma exposição, em que prevalece o recurso aos meios audiovisuais, permite aos visitantes do Casino Estoril verem, por décadas, no átrio da entrada, o que tem sido a história da Sociedade Estoril-Sol, ora a comemorar 85 anos de existência.
            Saliente-se que, ao contrário do que se poderia supor, sempre a tónica desta concessionária do jogo foi disponibilizar largas verbas para apoio às manifestações culturais, nomeadamente no âmbito das Artes Plásticas e das Artes do Espectáculo. Se pela galeria passaram já muitas largas centenas de artistas, com enorme incentivo aos jovens, o salão-restaurante, ora chamado Preto e Prata, tem sido palco da actuação de artistas, nacionais e estrangeiros, de fama mundial.
            Desse enorme périplo dá conta a exposição quer em imagens quer em objectos e publicações. Vale a pena apreciar com atenção.
Mariza e Rui Veloso, num instantâneo
            A cerimónia comemorativa decorreu, após a abertura da exposição, no passado dia 23 de Novembro, com um jantar de gala, que contou com a actuação da fadista Mariza e seus convidados: Rui Veloso, Boss AC e Miguel Gameiro. Na ocasião, o Dr. Mário Assis Ferreira saudou os presentes e lembrou, a traços largos, o que tem sido o percurso da Sociedade de que é administrador e acérrimo defensor das suas promoções culturais, em que – para além das artes e do espectáculo – a instituição de prémios literários constitui iniciativa exemplar.
Ementa de 1931
            A título de curiosidade, reproduz-se imagem do «menu do jantar à americana do Casino Estoril – 1931», agora, 85 anos depois, substituído por outras iguarias: «consomé dourado com lasquinhas de frango», «lagosta Casino Estoril», «sorbet de limão», «lombo de vitela grelhado com azeite de aromáticos» e «crocante de chocolate e avelã com cremoso de fava tonka».

             José d’Encarnação
Publicado em Cyberjornal, 16-01-2017:

Senhora das Misericórdias está em Cascais

            Em visita às diversas «casas» que integram a Santa Casa da Misericórdia de Cascais manter-se-á entre nós, até sexta-feira, 20, a imagem peregrina de Nossa Senhora das Misericórdias (a «Senhora do Manto Largo»!), que o Secretariado Regional de Lisboa da União das Misericórdias Portuguesas adquiriu aos Missionários da Consolata, neste ano extraordinário da Misericórdia.
            A cerimónia de recepção ocorreu no Largo da Misericórdia, no começo da tarde do dia de Reis, com larga afluência de fiéis, que encheram depois a igreja, celebrada pelo prior da freguesia, Padre Nuno, celebração que contou com a sempre apreciada participação dos Arautos do Evangelho.
Procederam à entrega três elementos dos corpos sociais da Misericórdia de Oeiras que entraram processionalmente no largo acompanhados já com representantes da Misericórdia cascalense. A imagem foi colocada num andor; o coro dos utentes dos Centros de Dia entoou vários cânticos de louvor e foram representantes da autarquia que transportaram o andor até ao altar-mor. Padre Nuno deu as boas-vindas à Senhora, reflectiu sobre a importância do acto; a Provedora da Misericórdia teve palavras de regozijo; o Presidente da Câmara manifestou a vontade de a autarquia continuar a colaborar cada vez mais na acção benemérita que a Santa Casa leva a efeito, referindo, de modo especial, a intenção de promover obras de restauro no templo que ora nos acolhia.
A vinda da imagem, trazida pelos irmãos da Misericórdia de Oeiras
Senhora do Manto Largo em seu andor
A entrada solene na igreja da Misericórdia
            Na página da Santa Casa – http://www.scmc.pt/ – pode ser visto o programa que ainda falta cumprir, de que se destaca: na 4ª feira, na sede da Santa Casa, a conferência do Dr. Jorge Santos, que foi Juiz Desembargador da Relação de Lisboa, vogal do Conselho Superior da Magistratura, Presidente da Comunidade Vida e Paz de 2008 a 2012 e, agora, das Conferências Vicentinas em Alcabideche, que animará uma sessão sobre «Repensando as Obras de Misericórdia», aberta à comunidade.
                                                    José d’Encarnação

Fotos gentilmente cedidas por Luís Bento
Publicado em Cyberjornal, 2017-01-16:

               

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Para uma história das artes em Cascais

            Foi pequena a galeria do Casino Estoril para acolher quantos quiseram obsequiar com a sua presença o seu director, Nuno Lima de Carvalho, de quem nesse dia se apresentou um livro de cariz autobiográfico, intitulado “Duas Vidas, Muitas Vidas”. Duas vidas, a sua e a de sua mulher, Dra. Clarinda († 2015), que sempre o acompanhou; «muitas vidas», porque Lima de Carvalho aproveitou o ensejo para dar conta das muitas dezenas de artistas que, ao longo de mais de 40 anos, expuseram na galeria.
            Prestaram testemunho: Licínio Cunha, que foi Secretário de Estado do Turismo e Presidente da Junta de Turismo do Estoril, o pai da ideia de se fazer em Cascais um museu de Arte Infantil, a partir dos salões que periodicamente se realizavam na galeria do Casino; Carlos Magno, jornalista de largo mérito e Presidente do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social; Joaquim Lima Carvalho, professor de Belas Artes, que amiúde integrou júris dos salões de arte da galeria; e Ramon Font, jornalista catalão, amigo pessoal do autor, que muito tem acompanhado a actividade cultural da Estoril-Sol.
            Vivamente emocionado, Lima de Carvalho a todos agradeceu, sublinhando que assim via concretizado um sonho há muito acalentado, porque rica tem sido a sua experiência na convivência com os mais destacados vultos da Cultura nacional e estrangeira e havia histórias a registar em livro.
            Encerrou a cerimónia Choi Man Hin, Presidente da Estoril Sol: este livro, disse, constitui «um importante testemunho sobre mais de 40 anos da história do Casino Estoril e do seu papel determinante no desenvolvimento do turismo nacional, consolidado em iniciativas precursoras, algumas de dimensão internacional, nos domínios da Cultura, da Arte e do Espectáculo».

Uma personalidade e duas iniciativas goradas.
            A personalidade: o escritor Jorge Amado passava o Verão em Cascais e era amigo pessoal de Lima de Carvalho. No livro são-lhe, pois, dedicadas inúmeras páginas, que vale a pena ler, pelo carácter pitoresco de que se revestem.
            Duas iniciativas goradas e sempre lamentadas por quantos se interessam pelas manifestações culturais:
            ‒ a acanhada falta de visão das autoridades locais que mandaram destruir centenas de trabalhos feitos por crianças – nacionais e estrangeiras –, que haviam sido premiados nos salões de arte infantil e que constituía o espólio privilegiado para o Museu de Arte Infantil preconizado por Licínio Cunha e prontamente acarinhado por Lima de Carvalho;
            ‒ a ainda mais acanhada falta de visão dessas mesmas entidades autárquicas, que menosprezaram a ideia de se criar um Museu da Arte Naïf – que acabou por ser aberto em Guimarães, com sucesso notável. Ainda houve uma tentativa de um Espaço Naif, inaugurado por António Capucho, a 30 de Setembro de 2005, nas Arcadas do Parque, no Estoril, instalações da antiga Junta de Turismo, mas… não passou de intenção e a inépcia local perante os poderes de Lisboa não conseguiu manter a Junta e o seu espólio… desconjuntou-se!

Para uma história das artes em Cascais
            Sim, vale a pena ler o livro e guardá-lo, porque nele se condensa muito do que foi a história cultural do concelho de Cascais nas últimas quatro décadas.
            Não excluo, é óbvio, que outras entidades também devem entrar na história das Artes aqui no concelho. Aliás, Lima de Carvalho só em 1975 foi nomeado Director da Galeria de Arte do Casino Estoril; por conseguinte, não teve directo conhecimento, por exemplo, do que se fez em Cascais no domínio das Artes na década de 60 e de que recordarei, entre outras iniciativas, a criação da Galeria JF pelo presidente da Junta de Freguesia de Cascais, o escultor Óscar Guimarães, e toda a actividade levada a cabo pela galeria da Junta de Turismo da Costa do Estoril, que teve, por exemplo, em Oskar Pinto Lobo e em Cruzeiro Seixas, dois ilustres dinamizadores, por onde regularmente passaram os melhores artistas de então. Numa época, em que os responsáveis políticos compreendiam que a Arte chama o Turismo e que, em Cascais, a existência de uma Junta de Turismo era tão importante como o pão para a boca. Outros tempos!...
                             
                                     José d’Encarnação
Publicado em Costa do Sol Jornal, nº 169, 11-01-2017, p. 6.
 

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

As canoiras

            -- Casa de algarvio é fácil de reconhecer aqui em Cascais: tem favas no quintal! Algarvio não passa sem elas! -- perorava a sabedoria de Celestino Costa.
            E é verdade.
            Algarvio come favas duas a três semanas a fio. Já David Martins Dias o contou, em «Desafiando o Destino -- a história da minha vida» (Câmara Municipal de S. Brás de Alportel, Setembro de 2015), e eu tive ocasião de o confirmar no prefácio que escrevi para esse livro.
            Apanhadas as favas já rijas que se deixavam para semente, ficavam as canoiras, assim como pequenina floresta seca e enlutada. No milho também era assim: apanhávamos as maçarocas, guardavam-se as carepas para renovar o recheio dos colchões e as canoiras eternizavam-se na terra.
            Canoira é palavra nossa, algarvia; noutros lados, diz-se caneira. Esclarece o Dicionário do Falar Algarvio que deriva de «cana» e tem jeito essa derivação, dada também a aparência de colmo.
            Tive, porém, curiosidade de ir saber mais. O google só me apresenta Canoira como apelido de um professor da Universidade Politécnica de Madrid; e o Dicionário da Academia diz que se trata de «peça de moinho, em forma de pirâmide quadrangular truncada, que recebe o grão e o vai deixando cair regularmente sobre a mó para ser moído». Muito longe está, portanto, do termo popular.
            Uma eventual relação com o latim «canora», «canora», com alongamento liquescente do ‘o’, não se me afigura credível, porque, mesmo que a brisa ou o vento passasse, cantoria, ali, dificilmente se deixaria ouvir!... Fiquemo-nos, pois, pela derivação a partir de cana, em que o sufixo -oura terá, pois, uma conotação de diminutivo.

                                                                    José d’Encarnação

Publicado em VilAdentro [S. Brás de Alportel] nº 216, Janeiro de 2017, p. 10.

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A poesia serve-se à mesa!

           Chamava-se Parktime o bar de um dos parques da Marinha Grande e foi Daniel Matias o designer que concebeu toda a sua arquitectura e decoração. Quando lá estive, a 9 de Maio de 2006, com a minha querida Amiga Alice Inês, que ora me forneceu estes dados (bem hajas!), havia «poemas sobre o tempo no tampo das mesas e muitos relógios na parede, que marcavam o tempo do mundo». Sim, «poemas», qual forma bonita de dizer o que nos vai na alma, em palavras poucas, densas de conteúdo. Gostei.
            Anos atrás, quando a Câmara Municipal de Cascais tinha vereador da Cultura, celebrou com a Panisol um protocolo: o pão era metido em sacos de papel, que tinham por fora o poema de um dos nossos poetas. «Letras doces» / «A Paixão pela Leitura…» – assim se designou a iniciativa.
            Hoje, voltou a Poesia «despida», que se come depressa, terceto que, pelo seu ar inusitado, nos obriga, porém, a pensar. Exemplifico com um do mais recente livro de Carlos Carranca («o fogo o tempo e as cinzas», p. 63):
            – Chá?
            – Prefere café?
        – Talvez um murro sobre a mesa!
            E a gente suspeita a violenta opção pelo murro, em vez da doçura dum chá ou dum café…
            O certo é que, mui sorrateiramente, a poesia serve-se à mesa. Já se disse das frases bonitas, cheias de poéticas imagens com que nos apresentam os vinhos:
            «Aroma rico e cheio a frutos em passa, compota e caramelo, com ligeira adstringência, equilibrado, de taninos suaves e aveludados, com corpo, onde se nota o carácter frutado e ligeira evolução, que se prolonga no final da prova».
            Aroma rico, taninos aveludados… Poesia, claro, à maneira de Cesário Verde, que guindou a poéticas as coisas do quotidiano.
            E, agora, nessas ementas ditas gourmet (galicismo evitável, mas já internacional, acho que ‘guloso’ dava mais requinte), veja-se o que me enviaram, não sei se inventado, se real; que tem poesia, isso tem:
            «‘Crevette grisée’, envolvida em molho bechamel, com pequenos apontamentos de salsa frisada australiana, na sua cama de massa fina, banhada em pão ralado crocante e confitada em óleo vegetal».
            Quem me enviou, acrescenta que, na lista, é de 15 € o preço desse… rissol de camarão, saboreável (por um euro!...) na tasca da esquina.
            Mas digam-me lá: tinha algum jeito escrever prosaicamente «rissol de camarão»?...

                                                           José d’Encarnação

Publicado em Renascimento [Mangualde], nº 699, 01-01-2017, p. 11.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cais Oeste - Para onde podemos fugir?

A kalashnikov
            Termina no próximo domingo, dia 8, a série de representações que o Teatro Experimental de Cascais está a levar a efeito, desde 30 de Novembro, da peça «Cais Oeste», do dramaturgo francês Bernard-Marie Koltès (1948 - 1989), no Teatro Municipal Mirita Caismiro. A peça foi escrita em 1983 e o Teatro Experimental de Cascais já teve ocasião de apresentar, há cinco anos, uma outra peça deste autor, «Robert Zucco», datada de 1989.
O rico desalentado
            Como é natural, o texto reflecte não apenas a existência – não muito feliz – do autor, que morre aos 41 anos vítima de SIDA, mas também, e muito especialmente, o seu olhar crítico, diria devastador, sobre a sociedade que o rodeou, dominada pelo capital, de que há todo o interesse em fugir, mesmo que para isso seja necessário despojarmo-nos do relógio Rolex de alto preço, do isqueiro Dupont de ouro, do anel, dos botões de punho: «Onde se apanha o barco?». «Não me chateies com essa história do dinheiro!». «Cheira tanto a dinheiro!». «A culpa disto tudo é as rendas baratas!». «Tudo acabou. Não resta nada! Nem o mais pequeno sonho em parte nenhuma!».
            Há um pretinho enigmático (Djucu Dabó) que perpassa pelas cenas sem uma palavra, comovendo-se agora, fazendo-se indiferente depois e é ele quem, no fim, com uma kalashnikov, põe termo à vida de vários personagens. O destino inexorável? O oprimido que não ousa sequer falar? «Negro, não passas de uma bosta!», alguém vitupera. Mas não é.
Teresa Côrte-Real e Luiz Rizo
            Teresa Côrte-Real e Luiz Rizo compõem um magnífico casal de anciãos, que constituirá bom pretexto para se falar da velhice e das suas angústias: «Estou farto de ser velho!». «Eu nem te estou a tocar, velho imbecil!». Por outro lado, um jovem tenta, a todo o custo, insistentemente, seduzir e levar «lá para dentro» a menina, que tem dificuldade em resistir. Pincelada de gerações vigorosamente contrastada.
            Escreve Miguel Graça, responsável pela dramaturgia de Cais Oeste:
            «Num mundo corrompido, onde a afectividade foi substituída pelo comércio (o deal, como ele lhe chama) há um homem que decide morrer e uma mulher que o acompanha, mas não sabemos quem guia quem, nem sabemos como foram ali parar, a esse espaço amplo e ao mesmo tempo claustrofóbico que serve de cenário para uma luta constante ente as diferentes personagens que o habitam».
            E o cenário é, como Carlos Avilez já nos habituou, minimalista: uma cadeira acolchoada a simbolizar o bem-estar, dois bancos sólidos, pregados ao chão. Tudo rodeado de folhas secas, outonais, a sugerir desagregação, langor… Ao fundo, ampla janela por onde nos apercebemos do nascer e pôr do sol…
            «Os cães rebentaram o silêncio da noite», declara um personagem, como se preferisse que o silêncio se mantivesse e cães não houvesse. O certo é que há noites – e nós preferiríamos pensar em arrebóis. Há silêncios – e nós gostaríamos que mais falas houvera. Há cães raivosos – e nós ansiamos por que todos passem, novamente, a ser tratados como pessoas!

                                                                       José d’Encarnação

Publicado em Cyberjornal, edição de 03-01-2017:
 
Nota: Fotos de Ricardo Rodrigues (página do Teatro Experimental de Cascais).



             

 

 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Serviço cívico

             Ainda ecoavam os brados revolucionários quando o Decreto-Lei N.° 270/75, de 30 de Maio estipulou a obrigatoriedade do Serviço Cívico Estudantil.
            «Uma chatice» terão pensado muitos, os candidatos e os pais. Hoje, quiçá, muitos deles, evocando esse ano, hão-de empreender: afinal, nem foi má de todo a experiência!
            De vez em quando sabe-se: determinado juiz condenou o réu a um período de «serviço cívico», adjudicando-lhe uma tarefa precisa. Claro, com tal sinete de castigo, parecerá penosa a tarefa; se, ao invés, o réu a encarar como «serviço», daí sairá enrijecido.
            Perguntar-se-á: a que propósito vem ele com essa história agora?
            E eu pergunto também, antes de responder: o português, quando emigra, não se sujeita a todo o trabalho? Quantos dos nossos estudantes em Londres não lavam pratos em restaurantes ou não servem à mesa para se conseguirem manter? E, para além da paga, não há toda uma experiência que se adquire?
            Minha empregada doméstica ofereceu-me, outro dia, um punhado de biscoitos negros. Saborosos mesmo. De quê? – De alfarroba!
            Pois aqui está a resposta para a questão do serviço cívico: figos, amêndoas, alfarrobas, azeitonas… constituem riquezas são-brasenses. E quantas são verdadeiramente aproveitadas, colhidas na devida época? Velhos e decrépitos estão muitos dos proprietários e lamentam-se de verem tudo a perder.
            Respondo, pois, perguntando: hoje, que tanto se fala em empreendedorismo, não há aí quem meta mãos à obra e crie um empreendedor serviço público que revitalize a nossa riqueza?

                                                                                              José d’Encarnação

Publicado em Noticias de S. Braz [S. Brás de Alportel] nº 241, 20-12-2016, p. 17.