segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Baixos do Palácio dos Condes da Guarda são embrião do Museu da História de Cascais

             A novidade – com que muito nos congratulamos – foi dada pelo Presidente da autarquia, no sábado, dia 15 (dia em que se comemoraram os 500 anos da outorga, por el-rei D. Manuel, de novo foral a Cascais), por ocasião da apresentação do trabalho de restauro do referido foral: os baixos do Palácio dos Condes da Guarda (actuais Paços do Concelho) vão ser abertos ao público e funcionarão como embrião de um museu da história do concelho.
            Para já, está lá exposto o foral; pode lá ver-se o vídeo que documenta o meticuloso trabalho executado, bem como cópias dos painéis sobre os 650 anos de história do concelho que se expõem no paredão, a nascente do Palácio Palmela, entre Cascais e o Monte Estoril.
            É também intenção do Executivo passar a proporcionar, dentro em breve, a visita do salão nobre, uma vez que – salientou-se – é uma pena não se disponibilizar aos turistas e aos cascalenses a observação, por exemplo, dos magníficos azulejos que ornam as paredes do salão.
            Se o excelente e meticuloso trabalho de consolidação e restauro do foral é obra de muito louvar, não o é menos, em meu entender, a iniciativa de criar este embrião, uma vez que assim se fica na expectativa de vir a ter concretização uma aspiração de há décadas!

Publicado em Cyberjornal, 16-11-2014:

Sacramente, 'Vox Maris' (en)cantou!

             O Grupo Coral Vox Maris, sediado no Hospital de Sant’Ana (Parede), desde 2008, deu, na tarde de domingo, 16, um concerto de música sacra na igreja matriz de Cascais.
            Envolvidos pela excelente acústica do templo e acarinhados pelo brilho amarelo das iluminadas talhas douradas dos altares, a meia centena de ouvintes (entre os quais, a vereadora Catarina Marques Vieira) não deram seguramente por mal empregue o seu tempo! Até S. Pedro, delongas barbas, majestaticamente sentado na sua cadeira episcopal, parecia mostrar-se deliciado com o que lhe era dado apreciar.
            Dirigido pelo maestro Rui Pinto e acompanhado ao órgão pelo Doutor Luís Cerqueira, o coro (17 elementos femininos e 8 masculinos) interpretou: «Veni Iesu», de L. Cherubini; «Cantate Domino», de G. Pitoni; «Ave-maria», de G. di Marzi; o «Pater Noster», à capela, do russo Nikolay Kedrov; «Ave verum», de Mozart.
            A peça nº 6 foi o conhecido «Amazing Grace», ao qual está ligada a história de John Newton, traficante de escravos, que, em apuros no alto mar, com um carregamento de escravos, invoca a graça do Altíssimo e, milagrosamente salvo, se torna cristão e paladino da luta anti-escravatura no Sul dos Estados Unidos; não é exactamente um espiritual negro a música que se compôs para a letra, mas leva-nos, sem dúvida, a esse horizonte cultural pleno de significado e misticismo.
            Seguiram-se, do francês Charles Gounod (1818 -1893), que compôs mais de 50 missas e de que é bem célebre a Ave Maria, três trechos da sua Missa Brevis: o Kyrie, o Gloria e o Agnus Dei. Vibrante o «Tollite hóstias», do compositor parisiense Camille Saint-Säens (século XIX); ligado às tradições evangélicas norte-americanas, «Ven alma que lloras», de Philip Paul Bliss; e, a terminar, o toque exótico do «Sanctus» cantado em língua eslava, retirado da Missa Eslava nº 3, de Urmas Sisask, compositor natural da Estónia.
            O maestro foi fazendo breve introdução a cada um dos trechos interpretados. E passaram rápidos os 45 minutos que a actuação durou. Cá fora, a humidade que se fazia sentir não logrou esmorecer o calor que Vox Maris maviosamente nos inoculara.

Publicado em Cyberjornal, 16-11-2014:

Palmeiras da Pampilheira não resistem!

            Os proprietários de vivendas na zona ocidental do Bairro da Pampilheira e também do Cobre, na freguesia de Cascais, começaram a abater as suas palmeiras, ferozmente atacadas pelo escaravelho-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um besouro originário da Ásia. De um momento para o outro, a parte superior da palmeira cai e, pouco a pouco, são as folhas que fenecem, como varetas desconjuntadas de um guarda-chuva que o vento estragou.
            E se se noticiava, em Fevereiro, que «em Cascais e em Oeiras, por exemplo, as câmaras garantem ter as suas palmeiras debaixo de olho» e se acrescentava que, em cada um dos concelhos, apenas haviam sido «abatidas 28 plantas desde que a praga foi detectada» (recorde-se que esta batalha dura já há sete anos!), o certo é que, neste momento, nessa zona do bairro, já foram cortadas 3 e há mais umas 3 que o deverão ser proximamente. Um dos proprietários encheu um saco plástico com os escaravelhos, que pareciam multiplicar-se, à medida que se apanhavam!...
            Vemos, de facto, na área urbana da vila, mormente nas palmeiras sob tutela camarária, que um tubo junto ao tronco leva para cima remédio contar o invasor. Isso não impediu, porém, que mesmo uma das palmeiras junto ao Centro Cultural de Cascais já dê sinais de estar afectada.

Publicado em Cyberjornal, 16-11-2014:


sábado, 15 de Novembro de 2014

Ideia e O Nosso Sonho ganharam prémios!

            O NOSSO SONHO (Cooperativa de Ensino e Solidariedade Social) e a IDEIA (Instituto para o Desenvolvimento Educativo Integrado na Acção) são duas instituições associadas que desenvolvem, no concelho de Cascais, com sede em Tires (freguesia de S. Domingos de Rana) uma acção notável no âmbito da educação e da solidariedade social.
            Para se compreender melhor a sua actividade, vejamos como ora se encontram estruturados, num designado Sector dos Estabelecimentos de Ensino, que engloba: o Centro de Educação e Desenvolvimento (CEIDe), em Tires, o Centro de Educação Infantil (CEI), em Matocheirinhos e o CEID´Outeiro, o mais recente, em Outeiro de Polima.
            O CEIDe – Centro de Educação e Desenvolvimento – é um estabelecimento de ensino do Instituto para o Desenvolvimento Educativo integrado na Acção (Ideia) que integra as valências de pré-escolar e 1º ciclo, sendo o pré-escolar uma resposta da rede solidária e a escola de 1º ciclo uma resposta particular. O Centro tem as suas instalações no Edifício Ideia, Av. Padre Agostinho Pereira da Silva, nº 820, Tires.
            O CEID´Outeiro é igualmente um estabelecimento de ensino da Ideia que integra, por agora, um pré-escolar, sito na Rua Ruben Rolo, Edifício Ideia – Outeiro.
            O CEI é um estabelecimento de ensino de O Nosso Sonho com um pré-escolar, também este uma resposta da rede solidária. O CEI funciona na Rua da Paz, Matoscheirinhos.
            No próximo dia 27, a IDEIA faz 23 anos de existência. Por seu turno, O NOSSO SONHO fará 28 em Março de 2015. Todas as valências da IDEIA e também de O NOSSO SONHO recebem as famílias durante esse dia 27 e/ou durante toda a semana.
            Uma vez que a IDEIA existe porque antes se fundou O NOSSO SONHO, vai lançar-se a brochura de comemoração dos 25 anos de O NOSSO SONHO.
            Entretanto, mau grado todas as dificuldades por que vai passando, resultantes, em boa medida, da falta de cumprimento de compromissos assumidos por parte de entidades que assinaram protocolos de colaboração, mas que tardam a cumpri-los, nomeadamente no que concerne a financiamentos, porquanto ambas as instituições se estão a substituir a organismos públicos para resolverem, por exemplo, problemas de inserção social, é justo realçar o dinamismo que todos os colaboradores põem nas suas actividades. Prova disso é o quadro que a seguir se apresenta a dar conta dos prémios ganhos pelas crianças nos concursos em que têm participado.
 
            Os nossos parabéns por obra tão meritória! E que nunca baixem os braços!

Publicado em Cyberjornal, edição de 15-11-2014:

Luís Dourdil homenageado no Casino Estoril

            No âmbito do XXVIII Salão de Outono, vai ser homenageado, na Galeria de Arte do Casino Estoril, o pintor e artista gráfico Luís Dourdil (Coimbra, 8-11-1914 – Lisboa, 1989), dado que passa este mês o centenário do seu nascimento.
            É por de mais conhecido o mural de têmpera a gema de ovo, restaurado este ano, que, em 1955, Luís Dourdil preparou para o Café Império, em Lisboa. Começou a expor em 1935 e fez na Sociedade Nacional de Belas Artes a maior parte das suas exposições. Participou também na colectiva Arte Portuguesa – Cascais 88, realizada no Palácio da Cidadela, na altura sob a tutela da Secretaria de Estado da Cultura, a funcionar como importante e mui significativa galeria. No Casino, integrou o número dos que se juntaram, em 1988, na mostra comemorativa do 50º aniversário de vida literária de Fernando Namora.
            Nuno Lima de Carvalho, o director da galeria, que tem pelo trabalho de Luís Dourdil o maior apreço, pois o considera um dos maiores pintores nossos contemporâneos, escolheu alguns dos seus quadros para figurarem neste salão. Aliás, já em 1990, poucos meses depois do seu falecimento, recorda Lima de Carvalho, a galeria lhe dedicou «uma exposição/homenagem, na qual participaram 72 artistas seus amigos».
            É de louvar uma iniciativa que vai na sua XXVIII edição! O Salão de Outono, exposição nas modalidades de pintura, desenho, fotografia e escultura, na qual participam artistas que integram habitualmente as exposições individuais ou colectivas, apresentadas na galeria do Casino – será inaugurado na próxima quinta-feira, dia 20, a partir das 21,30 horas, e estará patente todos os dias (excepto na véspera de Natal), das 15 às 24 horas, até 15 de Janeiro.

Publicado em Cyberjornal, edição de 14-11-2014:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=1013:luis-dourdil-homenageado-no-casino-estoril&catid=22:artes-plasticas&Itemid=30

Caiu parte do varandim da torre de menagem!

            As duas fotografias que se juntam são do fotógrafo Nicola di Nunzio, que assim captou o estado em que ficou o ângulo do varandim da torre de menagem do castelo de Beja, após ter caído ontem, quinta-feira, dia 13, parte do seu paramento.
            Felizmente, ninguém passava por perto no momento em que as pedras despegaram.
            Temos a certeza que este grito de alerta não deixará indiferentes não apenas a Direcção Regional de Cultura do Alentejo nem as outras entidades que deveriam superintender à conservação do nosso património histórico edificado.


Publicado em Cyberjornal, 14-11-2014:
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&view=article&id=1012:beja-caiu-parte-do-varandim-da-torre-de-menagem&catid=78&Itemid=30

Casais Velhos - ali bem perto do mar do Guincho

            Sim, por ali teriam existido muros de casas que, de tão velhas, foram deixando de o ser. Além disso, haveria soleiras e ombreiras bem talhadas no lioz local – e era uma pena não as reaproveitar nas casas, mais novas essas, que se iam erguendo mais para o interior, como que a querer fugir do mar. Eram… «casais velhos», quiçá do tempo dos Mouros, sabia-se lá!... Bem conhecidos, portanto, de pastores e lavradores, que topavam nas pedras e, uma que outra vez, por ali acharam moedas e deram com alguma estranha caveira.
            Casais Velhos é um povoado romano, que prosperou pelo menos até ao século V da nossa era, a crermos nas poucas numismas que por ali se encontraram e se conseguiram recuperar. Classificado como imóvel de interesse público desde 25 de Junho de 1984, foi alvo de intervenções arqueológicas nomeadamente na década de 60 do século passado. E se o escolhi para o incluir nesta série de locais de um «Portugal desconhecido» foi porque, na verdade, o temos logrado manter nalgum recato, ainda que se localize bem perto do Guincho, uma das zonas de praias mais concorridas de Cascais.
            Teve muralha; alimentava-o um aqueduto, de que ainda há vestígios; seus habitantes usufruíram de termas de águas quentes e frias… Contudo, o que mais impressionou os arqueólogos foi o facto de, dentro de edifícios, haver estranhas tinas com tampa que se diria hermética. O mistério parece, porém, que foi desvendado, imagine-se, por se ter verificado, numa lixeira, abundância de conchas de purpura haemastoma, búzio marinho donde, macerado, se extrai a essência da púrpura, a cor dos mantos imperiais e das amplas barras das togas dos senadores romanos.
            Reza milenar tradição que foram os Fenícios os ‘inventores’ da púrpura. O achado dos Casais Velhos, por um lado, e o facto de por aqui abundarem os carrascais, onde se desenvolve a cochonilha, também ela fornecedora de adequada coloração carmim para os tecidos, levam-nos a pensar que – misturando ambos os produtos – os habitantes romanos dos Casais Velhos sabiamente lograram obter não uma contrafacção purpúrea mas algo que muito se assemelhava a esse requinte e que bastante mais barato lhes ficava, pois então! E o oceano ali tão perto – por onde o produto se poderia escoar!...

Publicado em Portugal-Post [Correio Luso-Hanseático] (Hamburgo), nº 56, Novembro de 2014, p. 16, integrado num ‘caderno’ sobre «Portugal desconhecido».