terça-feira, 25 de julho de 2017

Academia Portuguesa da História homenageia um sacerdote salesiano em Manique

            A Presidente da Academia Portuguesa da História, Doutora Manuela Mendonça, acompanhada de alguns confrades, entre os quais o Doutor Armando Martins, proponente da homenagem, aprovada em sessão da Academia, deslocou-se, no passado dia 21, à Escola Salesiana de Manique (mais propriamente à Casa Artémides Zatti, que acolhe os irmãos salesianos idosos), para outorgar ao Padre Amador dos Anjos as insígnias de Académico Honorário.
            Justifica-se a outorga por o distinto sacerdote, além da sua missão apostólica e docente – como é apanágio dos salesianos –, se haver dedicado intensamente a dar a conhecer a história da Congregação Salesiana em Portugal, tendo publicado as seguintes obras:

            Significado dos Lusíadas, 1958
            A questão operária: resposta de Dom Bosco, 1961
            S. Paulo e a condição da mulher – Um desafio à Igreja de hoje, 1990
            Centenário da Obra Salesiana em Portugal, Lisboa, 1995
            Os Salesianos em Portugal (1894-1994), Lisboa, 1998
            Oficinas de S. José – Os Salesianos em Lisboa, Lisboa, 1999
            Primeira presença dos Salesianos em Portugal, Lisboa, 2000
            Os Salesianos no colégio de S. Caetano de Braga, Edições Salesianas, 2006
            Nos Primórdios da Obra Salesiana em Portugal, 2007
            Primeira Presença Salesiana em Timor: 1927-1929, 2007
            O Dealbar da Obra Salesiana em Macau, 2007
            Os Salesianos em Moçambique, por Amador Anjos e J. Adolfo Vieira, 2008.

            Foi uma cerimónia singela mas plena de emotividade, que juntou os irmãos da Comunidade Salesiana de Manique, o bispo auxiliar de Lisboa, D. Joaquim Mendes (salesiano) e alguns dos seus antigos alunos.
            O Padre Amador tem profundas ligações ao concelho de Cascais, pois – embora natural de: Fermentãos, Sendas (Bragança), onde nasceu a 25 de Janeiro de 1919 – foi no Estoril que deu os seus primeiros passos na vida religiosa, de 1937 a 1952, tendo sido professor, de 1957 a 1967, no estudantado filosófico de Manique.
            Tive a honra de ser seu aluno de Literatura Portuguesa no ano lectivo de 1962-1963, no meu 6º ano dos Liceus, e ainda guardo religiosamente as folhas dactilografadas com os exercícios de análise literária que ele, na sua letra miudinha, me corrigiu e anotou, a vermelho.
            Assumo-me como docente e, nesse âmbito, naturalmente, como escritor. Pode dizer-se, por vezes, que uma pessoa nasce isto ou aquilo; eu tenho, porém, a consciência plena de que, se posso assumir-me como ‘escritor’, o devo à minha professora primária, Zulmira Fialho Faria, da então chamada «escola do Ereira», que frequentei de 1951 a 1955, que sempre me incentivou, e aos docentes que tive nas escolas salesianas, entre os quais o Padre Amador dos Anjos assumiu papel preponderante, pelo cuidado que punha em burilar o que eu escrevia. Claro que, no âmbito do jornalismo, tive dois mestres: o João Martinho de Freitas (director do Jornal da Costa do Sol) e, de modo especial, José Júlio de Carvalho, que minuciosamente me revia todos os textos. (E permita-se-me que abra um parêntesis para evocar, neste âmbito, o exemplo de Júlio Correia de Morais; cujo estilo de escrita era, nas suas crónicas, para a época – anos 60 e 70 – verdadeiramente incomparável).
            Voltando ao Padre Amador: já tive ocasião de testemunhar todo o contentamento por, de certo modo, também o acolher na minha Academia, onde entrou de pleno direito. Regozijo-me, como antigo aluno salesiano; e esta homenagem constitui – deve constituir! – também motivo de orgulho para a população cascalense, não só por ter ocorrido no seu território, mas porque o homenageado, ora nele residente, desenvolveu uma actividade pedagógica e cultural intimamente ligada a Cascais, nomeadamente no Estoril e em Manique, como se assinalou.
Professores Manuela Mendonça e Armando Martins
ladeiam o laureado, Padre Amador dos Anjos

Padre Amador dos Anjos, com o colar da Academia
Portuguesa da História e respectivo diploma

O grupo de salesianos e amigos do homenageado,
em «foto de família» no jardim da casa salesiana de Manique

Exemplo da passagem de um exercício escrito meu, de análise literária,
com as correcções, a vermelho, em letra miudinha, do Padre Amador (1962)

                                                                                              José d’Encarnação

1 comentário:

  1. Belo testemunho, que vou guardar religiosamente. Há ainda muitos talentos salesianos que merecem ser louvados pela sociedade portuguesa. O meu meu apreço e um grande obrigado, ao meu muito querido amigo Armando Morais.

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