quinta-feira, 2 de julho de 2015

Cascais - Três apontamentos... culturais!


            Porventura não serão muitos os que saberão ser S. Pedro do Estoril o topónimo sucessor de Cai Água, nome que adveio à zona por lhe ser característico o rumorejar, estrepitoso por vezes, da água que, de uma azenha (e não só), caía arriba abaixo.
Cai-Água - postal reproduzido no livro
O Passado nunca Passa, de José Santos Fernandes

Cai-Água - óleo do Conde de Almedina
            Esse, pois, o nome escolhido pelo Núcleo de Amigos de S. Pedro do Estoril para o seu boletim. Tem o nº 28 o que se refere ao mês de Abril e valerá a pena assinalar que, no editorial, Manuela Duarte se faz eco da opinião (arriscaria afirmar que generalizada) da população local contra a lei «tão fria e cega quão nefasta, aplicada após as Eleições de 29 de Setembro de 2013» que fundiu a freguesia do Estoril à de Cascais, sob o pretexto, gizado por «incumbência do então Ministro Miguel Relvas» de se fazerem poupanças, hoje bem duvidosas, afinal. De resto, a nova União «é maior que muitos concelhos do País e, em número de habitantes, ultrapassa em vários milhares o máximo previsto», que era de 50 000 e… somos 62 000!
            Reitera Manuela Duarte o seu «repúdio a esta forma simplista, errática e apresada de se retalhar o território», sublinhando que a citada «Lei Relvas» «escamoteia as originalidades dos dois territórios antes autónomos, desvanece e dilui a história e a arquitectura de cada um deles, mistura tipicidades e, pior que tudo, não garante o melhor bem servir a causa pública nem promove ou agiliza um maior progresso».
            No interior do boletim, informação sobre a nova designação da escola EB1 de S. Pedro que passa a ostentar o nome da benemérita Profª Hortênsia Correia e notícias ilustradas sobre as actividades desenvolvidas, nomeadamente no Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal.
No Palácio da Cidadela
            Vale a pena visitar a exposição patente, até 30 de Agosto, nos baixos do Palácio da Cidadela de Cascais, intitulada «Pintores e Arquitectos nos Palcos Portugueses», uma bem curiosa panorâmica acera da actividade desenvolvida por arquitectos e pintores no âmbito da «construção e concepção plástica do Espectáculo, nas suas mais variadas formas: na ópera, na dança e no teatro musicado ou declamado», um «tributo àqueles que, não se tendo dedicado em exclusivo às artes do palco, a elas apenas consagraram uma parte da sua carreira artística e profissional», como refere José Carlos Alvarez no catálogo, que inclui um apontamento sobre cada um dos nomes representados.
            Uma organização do Museu da Presidência da República em parceria com o Museu Nacional do Teatro e da Dança. De quarta a domingo, das 14 às 20 horas.
No Condes de Castro Guimarães (Cascais)
            No piso superior do Museu Condes de Castro Guimarães, sob curadoria da Professora Raquel Henriques da Silva, está exposta, até 20 de Setembro, pintura naturalista que integra a colecção Millenium BCP. A entrada é gratuita, de terça a sexta, das 10 às 17 horas; aos sábados e domingos fecha à hora de almoço (das 13 às 14).
            Explica-se no sugestivo catálogo que, «para os naturalistas, o campo, as paisagens ribeirinhas ou marítimas detinham uma superioridade moral em relação à cidade» e que «ao longo de paisagens e narrativas do quotidiano o que mais apaixona os pintores é captar um momento».
            São 19 os pintores representados, entre os quais Carlos Reis, José Júlio de Sousa Pinto, José Malhoa, Henrique Pousão…
            A não perder!
                                                             José d’Encarnação


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