sexta-feira, 29 de junho de 2018

De como frondoso pinhal se transforma em parque de estacionamento

             No estrito cumprimento das minhas obrigações como tutor do Bairro da Pampilheira pela Cascais Ambiente, alertei, há uns dois anos, que poderia correr risco de desaparecimento um frondoso pinhal de pinheiros mansos, a nascente do Bairro Operário José Luís, porque lá havia sido colocada uma placa indiciando a possibilidade de venda com objectivos urbanísticos.
            Diligências várias nos serviços camarários levaram à conclusão que não haveria perigo algum, nada para ali estava previsto, até porque se estava em «espaço canal» destinado a receber ao lado, quando tal fosse possível, o prolongamento da 2ª circular, que ora termina na Rotunda dos Bombeiros Voluntários.
            Descansei. O pinhal era importante nicho ecológico, como eu tinha diariamente oportunidade de ver, dada a quantidade de aves que por ali andavam, até porque, pegado ao pinhal, havia vetusto olival.
            Há tempos, porém, desapareceu o grande painel que propunha a venda daquele espaço e logo aí veio o mau agoiro. Pensei que a limpeza sumária feita algum tempo depois obedecia simplesmente às regras impostas pela lei de limpeza dos terrenos por mor dos incêndios. Estava, afinal, muito enganado e os piores receios acabam de se concretizar, como as imagens mostram.
            É bem possível que os trabalhos em curso estejam dentro da legalidade, pois nenhuma tabuleta está por ali afixada a dar conta de autorização camarária. Bastantes pinheiros foram abatidos e oliveiras também e o que era nicho ecológico vai passar a ser parque de estacionamento. O que era manancial de ar puro será doravante fonte de poluição.
            Como diria um dos personagens de Gil Vicente: «E así se hacen las cosas!».
            E as imagens falam por si!
                                                          José d’Encarnação
                                                             Tutor nº 40 pela Cascais Ambiente




 POST-SCRIPTUM (a 07-07-2018)

O PINHAL E O PARQUE –
AS NOVIDADES 

            Tive oportunidade de alertar aqui para o facto de o pinhal a nascente do Bairro Operário José Luís (Pampilheira, Cascais) ir ser transformado em parque de estacionamento automóvel, o que poderia consubstanciar atentado ao equilíbrio ecológico.
            Dissiparam-se, porém, os maus agoiros, que haviam sido motivados pelos exemplos ocorridos mesmo ao lado e que iam nesse sentido.
            Houve, porém, da parte dos responsáveis, o cuidado em planear o espaço, de molde a entremear placas ajardinadas com os espaços marcados para estacionamento, mediante adequado desenho ‘urbanístico’. Por outro lado, além da sebe de cedros plantada do lado norte, junto ao muro divisório do condomínio, plantaram-se nessas placas árvores já de dois/três metros de porte.
            Dou, pois, a mão à palmatória e congratulo-me vivamente por ter havido uma sensibilidade que já vai sendo muito rara e que, por isso mesmo, se aplaude.

                                                                  José d’Encarnação
                                                                  Tutor nº 40 da Cascais Ambiente

Post-scriptum 2 (a 09-07-2018)
          Alves Bicho captara, em tempos, numa página que apresenta projectos, a proposta de alargamento das instalações do Hospital CUF Cascais, previsto (então) para o espaço vizinho, hoje ocupado pelas instalações do Centro de Inspecções Periódicas. E houve por bem partilhar connosco essa imagem virtual, que ora se apresenta, como a recebi.
 

13 comentários:

  1. Ana Teresa
    29 de Junho às 19:50
    Oh Professor. E eu a pensar que iam ali fazer um jardim para recreio da população, pois vi arranjarem o piso. Mas... deitarem arvores abaixo?

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  2. Este país rege-se pela lei do "deitar abaixo": valores humanos, património arquitectónico, paraísos ecológicos, tudo derrubado ante a pequenez do lucro imediato ou a perversa satisfação pessoal de quem não alcança mais além.
    Bem haja por lutar pelo equilíbrio e beleza ambientais e por manifestar a sua indignação.
    Maria Helena Ventura

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  3. E, afinal, quem manda «nisto»? Quem determinou plenos e arrogantes poderes a quem, se virmos bem, é eleito tão-só para representar a vontade dos eleitores? E como se determina essa vontade? enfim, parece que transitamos do sebastianismo para o pombalismo... Mas com tanta carência de saber, engenho e arte. Em boa verdade, o despotismo iluminado, para além de já ter tido o seu tempo e lugar na História, pulula por aí, que nem pipocas, despótico, sim, mas com tanta falta de «iluminação»...

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  4. A ganância nunca se seu bem com bons ares nem aprecia os cantos dos pássaros. Todos sofremos com isso.

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  5. Costaduarte Rodriguesoliveira
    30 de Junho de 2018 19:38

    Caríssimo Prof.
    Pelas imagens, reconheci o espaço e, por coincidência, passei por lá, hoje, outra vez, em mais uma ida ao Hospital CUF. E não consegui deixar de olhar, olhar e ver bem, o que se passava diante de mim.
    Fiquei com uma réstia de esperança que desejo partilhar consigo e que, creio, minimizará as suas preocupações ambientais. Terão já abatido uns pinheiros no lado que será entrada do futuro parque, mas outros estão lá, podados, e circundados/ladeados por lancis que "desenham", a meu ver, as zonas de circulação dentro do parque.
    Espero estar a interpretar bem a leitura dos meus olhos, e se, na verdade, pinheiros e parque vão coexistir, quem se "lembrou" e conseguiu impôr a permanência das árvores merecerá um bem-haja dos que ainda têm a ousadia de defender e valorizar o Ambiente. Do mal, o menos!
    Bem haja, Professor, pela sua acutilância e oportunidade na defesa de tudo o que nos rodeia e devemos preservar, e muito obrigada pelo envio da sugestão de leitura.
    Abraço,
    Manuela Duarte

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  6. Foi o José Luís Judas, claro. O Judas continua a ser o grande construtor em Cascais.
    (É evidente que estou a ser irónico...)

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  7. Elisabeth Le Paige
    sábado, 7 de Julho de 2018 11:13

    Estimado Professor,
    Foi também pela sua consciência social sensível ao meio ambiente que as autoridades locais decidiram fazer um projecto com mais respeito pela qualidade do ambiente na nossa zona. Por isso acho que não merece dar “a mão à palmatória”!
    Agradeço o seu esforço para alertar a todos os interessados.
    Cumprimentos,
    elisabeth le Paige

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  8. Ana Teresa
    Pois então, Professor, não estava muito longe quando pensei tratar-se de zona ajardinada para uso da população, como muitas outras que esta Câmara já implementou no Concelho.

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  9. António Cunha Duarte Justo
    7 de Julho às 16:15
    Por cada auto uma árvore!

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  10. Luisa Bernardes
    sábado, 7 de Julho de 2018 11:49
    Olá!
    Pois ainda bem! Que algo de bom suceda...

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  11. Jorge Castro
    sábado, 7 de Julho de 2018 12:52
    Se assim é, congratulemo-nos pelos cuidados ambientais, sim, e saudemos também a emenda de mão, a bem da verdade e do esclarecimento.
    Grande abraço.

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  12. Alves Bicho
    sábado, 7 de Julho de 2018 14:38
    Vamos ver se o pinhal se aguenta depois da ampliação do hospital.
    Para já, e pelo se vê, reinará na Pampilheira grande quietude. Também me parece que anda por aqui muito verde entremeado no terreno do vizinho. Avizinham-se grandes trabalhos de tutoria.

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  13. Maria Helena
    sábado, 7 de Julho de 2018 18:16
    Ainda bem que houve cuidado paisagístico na remodelação do espaço. Mas é sempre bom o munícipe ir arremessando palavras... Se forem em demasia, dá-se a mão à palmatória, que uma pessoa de carácter tanto aponta o mal como enaltece o bem.

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