Incomodou-me, confesso.
A demografia não
é tema do meu entusiasmo; admiro, porém, quem se disponha a estudá-lo, para
dele tirar conclusões susceptíveis de contribuir para a melhoria do nosso
cotidiano, porque acredito que uma investigação científica – qualquer que ela
seja! – só se justifica se redundar em benefício comunitário.
Permita-se-me a reprodução de quatro linhas
desse texto:
«Em 1633, as
freguesias da Sé e de São Pedro possuíam 1398 fogos ou passo que as freguesias
rurais (7 no total) não tinham mais do que 1188; em 1674, essa relação havia já
sofrido uma inversão, dado que as freguesias urbanas tinham entretanto perdido
358 fogos (-25.61%), enquanto as restantes conheciam um incremento de 379 (31.9%),
cifrando o seu número de fogos respectivamente em 1040 e 1567».
Excerto de uma
página com apenas um parágrafo, de 22 linhas de texto e 27 outras
correspondendo a quatro notas infrapaginais em corpo 10.
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| Recorte da página de que se fala: do texto e das notas |
Não sei já
donde o tirei; creio, aliás, que de propósito não quis ficar com essa
referência, porque o interessante é o que se vê, prescindindo da autoria.
Daí a razão da
pergunta do título «Escrever, falar… como?». Porque se parte do princípio de
que se escreve para ser lido e compreendido, que se fala para ser ouvido e
entendido. O amontoado de dados massivamente apresentado nessa página de um só
parágrafo com 22 linhas a um espaço e 27 de notas… será facilmente
compreensível?
José d’Encarnação
Publicado em Notícias de S. Braz [S. Brás de Alportel], nº 355, 20-05-2026, p. 13.



