Passado
o tempo estival em que, quer chova quer vente quer haja um calor de rachar,
ainda nos habituámos (nós e as instituições) a, no possível ripanço de férias,
deitar contas à vida e fazer projetos. Multiplicam-se, por isso, em Setembro e
em Outubro, as iniciativas, nesta vontade em que todos andamos de fazer, fazer,
fazer, antes que seja tarde, antes que o terramoto surja ou aquela desvairada
bomba catapultada por desvairada gente a todos nos leve desta para melhor.
Por
conseguinte, queiramos ou não, temos de pegar na agenda, dado que ainda não é
tempo de nos fecharmos no casulo ou numa qualquer arca encoirada. Vamos deixar
isso para daqui a muitos anos (esperança vã, mas também se diz que a esperança
não pode sequer fenecer). E, avaliadas as propostas, aceitar-se-ão umas em
detrimento doutras.
Quando
as descartadas até são de alguma monta, há que descobrir uma desculpa, que é,
como a palavra indica, uma forma de dizermos quanto estamos penalizados, quanta
culpa sentimos, por não podermos aceder ao convite.

Andas
numa fona a – finalmente! – arrumar os livros. Decidiste agora que essa é tarefa inadiável e que não pode parar. A
amiga do peito vai apresentar um livro; seria uma ocasião de a reveres e, até,
de espaireceres um pouco dessa árdua tarefa dos livros. Preferes não ir. Mais
tarde arrependes-te, porque perdeste uma oportunidade e os livros ainda continuam
por arrumar, porque, a dado momento, deparaste com um de que já te não
lembravas e paraste a reler…
José d’Encarnação
Publicado no jornal Renascimento (Mangualde), nº 870, 15-10-2024, p. 10.
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