Duas horas muito bem dispostas em que se dá conta de um tema prenhe de actualidade: a partida de inúmeros portugueses para as mais diversas partes do mundo (França, Inglaterra, Espanha, Canárias, Itália, Afeganistão, Macau, América do Norte, Venezuela, Brasil…), à procura de melhores condições de vida. Mostra-se como, nessas paragens, chegam a alcançar lugares cimeiros, ainda que a saudade do regresso seja, em todos, uma tónica comum.
O roteiro é, pois, pretexto para se darem apontamentos de danças e cantares de cada um desses países, em mui agradáveis coreografias de Susana Mata e adequado guarda-roupa (de Inês Mata), dado que as três personagens – orientadas à partida e recebidas à chegada pelo tio cego, Carlos Lopes – vão ao encontro dos parentes que têm por essas bandas: Viriato é um agricultor que tem procurado manter-se da faina agrícola; Paião fora deixado à guarda do tio, quando os pais emigraram; Amália já nascera em França, mas também foi enviada para cá ao cuidado do tio.
Mensagem evidente e optimista: «Matar saudades, voltar à vida sã do campo, alimentar-se da produção generosa das suas próprias mãos e assistir com alegria às festas da nossa terra». Valeu!
Entre os convidados, registe-se a presença do vereador Nuno Piteira Lopes e do presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche, Fernando Teixeira Lopes. Piteira Lopes, no final, manifestou o empenho camarário em dar todo o apoio possível a estas manifestações, pelo enorme significado sociocultural que representam.
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 290, 16-11-2011, p. 10].
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