Tem
mesmo uma Associação Luso-hanseática,
destinada a intensificar as relações entre Portugal e a Alemanha,
designadamente a sua cidade de Hamburgo, que é, como se sabe, uma das cidades
alemãs que mais portugueses tem entre os seus habitantes.
Já
publicou vários livros sobre Portugal, um dos quais, com o título «E esta?»,
foi apresentado recentemente e é uma colecção
de anedotas.
Dizia-se
nos tempos da Segunda Grande Guerra: «Se queres ouvir uma boa anedota de guerra,
vai a Portugal!». O povo português tem essa grande qualidade de saber rir de si
próprio. Isso Peter Koj procurou demonstrar.
Vale
a pena transcrever duas passagens do excelente prefácio que o autor redigiu sob
o título «O melhor é rirmos… para não chorarmos». Escreve ele, a dado passo, que, em França, há um ditado que diz que os portugueses estão sempre
bem dispostos: les Portugais toujours gais. E acrescenta:
«Em
boa companhia, os portugueses gostam de comer e beber, de cavaquear… e de
contar anedotas. Assim, de repente, ouve-se alguém perguntar: «E esta?». E logo
se contam, à desgarrada, as anedotas alegadamente mais recentes».
«A
anedota pressupõe, portanto», confessa o Autor, «uma certa anestesia moral. Quem
levar uma anedota a sério, medindo-a pela bitola moral, corre o risco de regressar
a tempos medievais, quando as anedotas serviam de exemplo nos sermões que se
ouviam no púlpito. O Humanismo restituiu à anedota o seu direito como 'jogo
espirituoso'».
Permita-se-me
que transcreva duas das 140 anedotas ali contadas.
Dois
amigos conversam:
-
Na próxima encarnação , gostaria de
voltar como burro.
Resposta
do outro:
-
Podes desistir, ninguém volta duas vezes da mesma.
79. Uma boa pergunta
Pergunta
a médica:
-
A senhora costuma falar com o seu marido depois de ter relações sexuais?
- Se estou bem disposta e tenho um telefone a jeito,
falo sim.
Mais
uma vez se se mostra a enorme capaci dade
que os portugueses têm de rir de si próprios, de procurar levar a vida a sério,
sim, mas bem condimentada sempre com uma excelente anedota.
Bem-haja,
pois, o Dr. Peter Koj por nos brindar com esta colectânea que serve para
cimentar mais o elo entre portugueses e alemães, designadamente de Hamburgo
neste âmbito cultural e linguístico. Anote-se, ainda, que um dos objectivos do
Autor é que o livro «não só contribua para alegrar os leitores, mas que possa
servir também para fins educativos, neste caso, para o ensino do Português.
Como são escritas num Português contemporâneo e corrente, servem sobretudo para
a aquisição de um melhor domínio da
oralidade».
E
tem toda a razão!
José d’Encarnação
Agradecida, e está à venda aqui em Portugal?
ResponderEliminarBeijo