Tem sido notícia a decisão governamental de agilizar
a resolução dos casos de heranças que, no tempo se arrastam, porque os
herdeiros se não entendem, por já terem falecido alguns ou por os imóveis se
encontrarem ainda oficialmente na posse de antepassados longínquos e é o cabo
dos trabalhos destrinçar direitos sucessórios.
Estamos todos a torcer para que essa intenção passe
a ser legislação concreta e bem depressa regulamentada, a fim de, paulatinamente,
ir desaparecendo o espetáculo, que é triste de ver: janelas sem proteção ou entijoladas,
vetustas paredes a desmoronar-se, mato a querer esconder ruínas.
«Sem habitação não há vida no mundo rural», com esta
frase abria Mariana Carriço a edição de «Sul Informação» de 2 de Abril.
Sim, poderemos ocultar a mágoa, lançando sobre tudo
isso o “manto diáfano” da Poesia, pois esses velhos muros têm Histórias para
contar!
Hoje,
pois, não lanço vitupérios. Prefiro demorar-me no que o meu colega no «Diário
do Alentejo» houve por bem escrever, na edição de 20 de Março, a propósito das ‘casas velhas’:
«As casas velhas vão morrendo devagarinho, às vezes
sozinhas, às vezes lado a lado, às vezes ruas inteiras. As casas precisam de
pessoas, sem pessoas dentro delas as casas são sepulturas verticais à beira
dois passeios». […] Encostam-se uma à outra; quando caírem, caem para dentro
uma da outra, assim aproveitam para não morrerem sozinhas. Às vezes morrem ruas
inteiras de casas, de uma ponta à outra, dum lado e do outro, de onde quer que
se venha só se sente desconsolo, para onde quer que se olhe só se vê solidão.
Muitas casas velhas juntas é o nome colectivo de solidão».
«Um artigo bem verdadeiro e que nos toca infelizmente a todos, mesmo
quando não as tenhamos conhecido nas suas épocas risonhas! Nunca fico
indiferente perante essas ruínas caladas e abandonadas», comentou a Madalena.
«Tão bonito!!! Tão triste … tão verdadeiro!» – desabafou a Lídia.
José d’Encarnação
Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 889, 20-04-2026, pág. 10.


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