Nunca será de mais salientar a importância
que deteve a iniciativa de, no âmbito das festas populares de Tires, se
reconstituir o ambiente do trabalho da pedra, desde a sua extracção até ao mais
fino objecto.
Aquando
da inauguração, que contou com presença do Sr. Presidente da Câmara, no
dia 8 de Junho, foram dadas explicações e houve, inclusive, encenação de alguns
dos momentos marcantes da faina diária de antanho: o frémito do acender do
rastilho para o tiro; a hora do almoço na lancheira trazida pela mulher; as
andanças do aguadeiro; o aguçar da ferramenta na pedra de amolar; as
combinações para o balho de domingo num catrapiscar de moças namoradeiras…

Para já, como filho de cabouqueiro que nas
pedreiras viveu a sua meninice e parte da juventude, não posso deixar de muito
me congratular com o que vi! Parabéns!
Jogos Tradicionais
Depois do grande encontro nacional, o 5º,
que reuniu dezenas de praticantes no Parque Marechal Carmona, nos dias 19 e 20
de Maio, João Mounier, alma-máter do JOTRA (Jogos Tradicionais), ligado ao
Agrupamento de Escolas de Alvide, decidiu sair para o Jardim Visconde da Luz,
no coração da vila, no passado 10 de Junho, a proporcionar a todos, velhos e
novos, a aventura de verificarem se ainda sabem pegar numa gancheta e correr
com o arco, se se recordam de como se joga o pião ou ao burro…
Também para ele um forte aplauso de parabéns – pela carolice, pelo
entusiasmo, pela extrema dedicação. Dele e de toda a equipa, naturalmente.
Vender quartos ou emoções
Não
resisto a voltar a comentar o que aprendi na jornada que reuniu, na Escola
Hoteleira, a 8 de Maio, pessoas interessadas em reflectir sobre o fenómeno
turístico, no seu passado, presente e futuro. Apreciei sobretudo, repito,
aquela ideia de os hotéis deverem doravante não apenas preocupar-se em vender
quartos mas sim… «emoções».
E lembrei-me da ideia quando, outro dia,
ao entregar a chave do quarto, a menina me perguntou se eu me tinha servido da
garrafa de água que estava sobre a mesa. Disse-lhe que não e expliquei que por
dois motivos: primeiro, porque cada vez mais preferia beber a água da torneira;
segundo, porque, mesmo que outro fosse o meu hábito, ao ver o papel pendurado
no gargalo com o preço de 1 euro, eu perdi ainda mais a vontade de beber. Claro
que apreciei o bloquinho para os apontamentos e o lápis (cada vez se usa mais…)
e trouxe-os como recordação; no entanto, dei comigo a pensar naquela imagem que
fora transmitida na tal jornada: um miminho proporcionado ao cliente acaba por
o cativar e dar-lhe vontade de voltar. Agora, o papel com 1 € pespegado em realce no gargalo da garrafa… não é que, de vez em
quando, me lembro dele?
[Publicado no Jornal de Cascais, nº 317, 04.07.2012,
p. 6].
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