segunda-feira, 22 de junho de 2026

Falar e escrever… como?

            Incomodou-me, confesso.
A demografia não é tema do meu entusiasmo; admiro, porém, quem se disponha a estudá-lo, para dele tirar conclusões susceptíveis de contribuir para a melhoria do nosso cotidiano, porque acredito que uma investigação científica – qualquer que ela seja! – só se justifica se redundar em benefício comunitário.
 Permita-se-me a reprodução de quatro linhas desse texto:
«Em 1633, as freguesias da Sé e de São Pedro possuíam 1398 fogos ou passo que as freguesias rurais (7 no total) não tinham mais do que 1188; em 1674, essa relação havia já sofrido uma inversão, dado que as freguesias urbanas tinham entretanto perdido 358 fogos (-25.61%), enquanto as restantes conheciam um incremento de 379 (31.9%), cifrando o seu número de fogos respectivamente em 1040 e 1567».
Excerto de uma página com apenas um parágrafo, de 22 linhas de texto e 27 outras correspondendo a quatro notas infrapaginais em corpo 10.
Recorte da página de que se fala: do texto e das notas
 
Não sei já donde o tirei; creio, aliás, que de propósito não quis ficar com essa referência, porque o interessante é o que se vê, prescindindo da autoria.
Daí a razão da pergunta do título «Escrever, falar… como?». Porque se parte do princípio de que se escreve para ser lido e compreendido, que se fala para ser ouvido e entendido. O amontoado de dados massivamente apresentado nessa página de um só parágrafo com 22 linhas a um espaço e 27 de notas… será facilmente compreensível?

                                    José d’Encarnação

 

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