A
sessão foi numa livraria, sim, mas tínhamos ao lado a entrada para o forno e,
defronte, a velhinha máquina de transformar o grão em farinha. Um ambiente, à
primeira vista, estranho mas acolhedor, até porque se escrevera, há longos
anos, na parede junto à boca do forno, «Nem só de pão vive o homem», primeira
parte da frase de Mateus (4, 4), que assim se completa «
mas de
toda a palavra que sai da boca de Deus». Bem apropriada, pois, para a apresentação de um livro, donde saem palavras que são –
também elas – um alimento para o espírito. Fizeram bem os res
ponsáveis pela Livraria Alêtheia, ali no Rua do Século
e no cora
ção do Bairro Alto, em
manter o envolvimento antigo, panificador, alimentar, a isolar-nos, aliás, do
burburinho da cidade, para – como que em cerimonia de inicia
ção – nos embrenharmos noutros mundos…
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Apresentação com moenda ´por detrás |
Foi
na quinta-feira, 12, ao final da tarde. Ângelo Rodrigues deu as boas-vindas, em
nome da livraria e da Sinapis Editores. Disse do privilégio de se saudar o
aparecimento de mais um livro, com esta qualidade. A apresentação de Os
Olhos do Jacaré, de Rogério Pires de Carvalho, esteve a cargo do Dr. José Manuel
de Vasconcelos, que tem acompanhado o percurso do escritor e sobre ele disse
quanto os seus contos, breves, reflectiam uma linguagem tersa, adequada, por
onde amiúde perpassava – como não podia deixar de ser – o fantasma de uma
guerra vivida…
Encheram
a salinha companheiros de armas do autor (boa parte deles vindos do Porto expressamente
para estarem presentes), familiares (a filha, Sara, deslocou-se de Londres,
numa surpresa, ela que recentemente ali defendera tese de doutoramento) e
amigos. Mais de meia centena.
Do
conteúdo do livro se dirá depois da leitura feita. Uma leitura que urge, pela
curiosidade que os oradores souberam despertar.
José d’Encarnação
Publicado em Cyberjornal, edição de 13-02-2015:
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