Muitos se
recordarão do espanto provocado, em estradas de Espanha, pelo enorme touro que
se alevantava numa colina próxima. Que medo, mãe!...
Faz parte do
nosso imaginário, mesmo sem sabermos por que razão o imponente touro ali estava,
como que a desafiar peões de brega e forcados, ameaçador!
Era, simplesmente,
soube-o depois, a publicidade a um vinho licoroso, o gerês. E, hoje inserindo
no motor de busca as palavras “touro osborne” tudo se fica a saber a seu
respeito: concebido pelo designer Manolo Prieto, foi criado, em 1956, pela
agência Azor, por encomenda do grupo Osborne, para promover o Brandy de
Jerez Veterano. Depressa se esqueceu, porém, o jerez e o touro
passou a “representar a tradição, força e a identidade do país”. Nos anos 90, a
proibição da publicidade nas estradas, levou a suprimir o nome, mas o poder
popular obrigou o Supremo Tribunal a permitir, em 1997, que os touros ficassem,
atendendo ao seu "interesse estético ou cultural e integração na paisagem”.
Haverá, na actualidade, cerca de 90 desses touros, a maioria na Andaluzia.
Tínhamos nós, Portugueses,
painéis publicitários em azulejo concebidos, geralmente, por artistas de nomeada
da nossa praça e que estrategicamente se colocaram, por exemplo, à entrada das
povoações. Fazem parte do nosso imaginário. Recordo os painéis dos Nitratos do
Chile, dos Pneus Mabor, do Licor Beirão… Quem não se lembra?
Estranhas leis, como essa primeira de Espanha
que acabou por ser revogada, erradamente baniram-nos das nossas vidas, sem –
que se saiba – se tenham erguido vozes contra o seu desaparecimento, até porque
evocavam um bom exemplo: o das firmas que, desde cedo, aquilataram o importante
poder da boa publicidade.
É provável que
ainda subsistam alguns por esse país fora. Se subsistem, há que os preservar!
Que os autarcas se consciencializem de que eles fazem parte da nossa memória
coletiva.
José d’Encarnação
Publicado em Renascimento (Mangualde), 20-03-2026, p. 10.


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