José d’Encarnação
Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 850, 1-09-2023, p. 10.
José d’Encarnação
Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 850, 1-09-2023, p. 10.
Não muito longe de Santa Clara-a-Nova (Almodôvar), há o sítio arqueológico Mesas do Castelinho, uma surpresa descoberta há uns anos; mas, em Santa Clara-a-Nova, guarda-se e mostra-se com orgulho o retrato do que aí foi, nas últimas décadas, a vida quotidiana do seu Povo.
O arranjo museológico de que recentemente foi alvo e que houve oportunidade de dar a conhecer com pompa e circunstância, no dia 5 do passado mês de Novembro de 2022, veio dar maior lustre a um notável vestígio dos finais da Idade do Ferro e primórdios da época romana, que os automobilistas, na sua pressa de irem para o Algarve, vêem anunciado na A2, mas é desvio que vão adiando, adiando...
Teve o sítio «ocupação ininterrupta entre os finais do século V a.C. e os inícios do século II d. C. e, novamente e depois de um longo hiato, entre os séculos IX-XI d.C.», ou seja, já na época de fortificações árabes.
Informação sobre Mesas do Castelinho e alguns dos objectos aí exumados podem ser vistos no Museu Arqueológico e Etnográfico Manuel Vicente Guerreiro, inaugurado a 8 de Agosto de 2025, no coração de Santa Clara-a-Nova, povoação do concelho de Almodôvar.
Não é esta a única instituição museológica do concelho. Porventura, uma das mais faladas (agora em fase de remodelação) será o Museu da Escrita do Sudoeste, onde se mostram as mais significativas e enigmáticas (porque ainda não decifradas) inscrições datadas da Idade do Ferro! E há ainda o Museu Severo Portela (inaugurado em 2012) e o do Medronho (2015). Este, no entanto, o de Santa Clara-a-Nova, «transporta-nos», como se diz na publicidade, «para vivências e descobertas, envolvendo emoções e é uma agradável surpresa para quem o visita».
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| Calhaus servem de pesos para a balança decimal |
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| O alambique para o medronho |
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| A chaminé com os enchidos pendurados |
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| O forno de cozer pão | |
Lições!
José d’Encarnação
Publicado em Duas Linhas, 28-08-2023: https://duaslinhas.pt/2023/08/retratos-da-vida-de-antigamente/
Acabo de receber mais uma mensagem ternurenta, de uma amiga do peito:
Toda a ternurinha plasmada em três emojis…
«Sem palavras para construir um argumento, o pensamento complexo torna-se impossível. Quanto mais pobre a linguagem, mais o pensamento desaparece. Aqueles que afirmam a necessidade de simplificar a grafia, descartar a linguagem dos seus “defeitos”, abolir géneros, tempos, nuances, tudo o que cria complexidade, são os verdadeiros arquitectos do empobrecimento da mente humana».
Daí que termine com um apelo aos pais e professores:
«Façamos com que os nossos filhos, os nossos alunos falem, leiam e escrevam. Ensinemos e pratiquemos o idioma nas suas mais diversas formas».
Estou certo de que, se, quando ele escreveu, o uso dos emoticons e dos emojis já estivesse tão na moda como ora está, Christophe Clavé contra o seu uso se teria insurgido acerbamente».
José d’Encarnação
Publicado em Duas Linhas, 25.08.2023: https://duaslinhas.pt/2023/08/emojis-assassinos/
José d’Encarnação
Publicado em Notícias de S. Braz, nº 321, 20-08-2023, p. 7.
Quis a Confraria da Castanha, de Sernancelhe, fazer uma homenagem a Aquilino Ribeiro, o escritor que, em 1885, nesse concelho nasceu, na freguesia do Carregal. Encomendou, pois, ao consagrado escritor e etnólogo Alberto Correia um livro de prestígio, de capa rija, profusamente ilustrado e, sobretudo, em que o primor da prosa condissesse – como era jus – com a escrita lídima do autor de Cinco Réis de Gente.
E primor foi o que saiu, nestas bem suculentas 36 páginas
encorpadas, saídas da experiência da designer Sónia Ferreira!Direi, sem receio de errar e sem rebuços, que só um génio como o de Alberto Correia poderia ter escrito esta obra-prima sobre Aquilino, Era uma vez um menino que se chamava Aquilino.
José d’Encarnação
Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 849, 01-08-2023, p. 10.