
Escusado
será dizer que em todas as lutas – e mui especialmente nesta de promover
Cultura – há, necessariamente, um rosto, o tal que arrosta com todos os
obstáculos e que, qual timoneiro, teima em não largar o leme que lhe foi
confiado. No caso da Egoísta, o
timoneiro chama-se Mário Assis Ferreira.
«Eu pensador me confesso!»

Foi
no final da tarde de 24 de Setembro, no El Corte Inglês, em Lisboa. Na verdade,
parece que ninguém resistiu a marc ar
presença, a fim de testemunhar ao autor quanto se aprecia não apenas a
abundantemente premiada revista que dirige, mas, de modo muito especial, a luta
sem tréguas que, à frente da Estoril-Sol, vem travando, para que as verbas do
jogo sirvam também a promoção de
iniciativas culturais, nomeadamente no domínio da Música, da Escrita e da Arte.
E
se calaram fundo as buriladas e certeiras palavras do apresentador, o Doutor Guilherme
de Oliveira Martins – aqui, na sua qualidade de presidente do Centro Nacional
de Cultura e de habitual colaborador das iniciativas literárias da Estoril-Sol
– não foi menos apreciado o descontraído depoimento de Daniel Gouveia, que com
Assis Ferreira esteve, por exemplo, na origem do grupo musical Quinteto
Académico. Bem agradável de se ouvir a sentida evocação
que fez desses tempos de cumplicidades…
Mário
Assis Ferreira agradeceu emotivamente a presença de todos – que, de resto, fizera
questão de abraçar, um a um, antes da sessão. Uma alocução
sentida, em que salientou o excelente trabalho da equipa da revista, chefiada
pela imaginação sem limites (dir-se-ia!...)
da editora Patrícia Reis. E há-de ter causado admiração
em alguns quando afirmou:
‒
Eu pensador me confesso.
Noctívago
por obrigação profissional e por opção , Assis Ferreira terá, noite adentro, a sós com
um dos cachimbos da sua vasta colecção ,
a oportunidade de repensar o mundo à sua volta. Colheu dele, ao longo dos anos,
mui suculentos conceitos sobre que foi magistralmente dissertando. Parecerá
inadequado o advérbio «magistralmente»; não o será, porém, se atentarmos quão
fluente a frase se apresenta, riacho que brota, límpido, das profundezas da alma.
Ora leia-se:
«E
chegue ao rio. Admire-o mais do que uns escassos minutos, controle a bonomia da
leve correnteza, acompanhe a elipse do voo de uma ave, tente
escutar o espadanar distante dos remos de uma qualquer embarcação .
Sinta
o pulsar dessa cidade que é sua e deixe-a despertar-lhe a paixao: pelo que ela
é; pelo que ela, afinal, para si significa.
E
conclua, enfim, que este não é um exercício para um fim-de-semana, é um exercício
para a vida inteira. Mas que vale a pena.» (p. 128).
Não
deixou, pois, de sublinhar quanto a vida é, simultaneamente, «uma alegria
festejada, uma lágrima contida». E, com «o coração
a escrever e a razão a temperar», Mário Assis Ferreira confessou: «Descobri o
verdadeiro ser humano que eu sou».
Um
recado, afinal: quando descobriremos, pela reflexão, pela serenidade, o Homem
que há em nós e nos outros?
José d’Encarna
Publicado em Costa do Sol – Jornal Regional dos Concelhos de Oeiras e Cascais, nº 115, 04-11-2015, p. 6.
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