
Falou
o presidente do CCD; falaram os autores, agradecendo a colaboração de quantos se disponibilizaram a fornecer elementos,
sobretudo fotográficos, para inserir no volume – que vale também pelo grande
acervo de ilustrações que apresenta.
O
presidente do Município sublinhou o importante papel que o CCD teve – e tem –
não apenas pelas iniciativas desportivas que leva a cabo mas, de modo especial,
por lhe ser possível funcionar em termos de correia de transmissão do Município
no âmbito, por exemplo, da benemerência e do apoio social, dadas as constrições
a que as entidades públicas estão sujeitas quando querem actuar nesse sentido e
há sempre enleante conjunto de peias a impedir uma acção
eficaz em tempo oportuno.
Dir-se-á
que, nascido em 1954, sob a designação
de C. A. T. – Centro de Alegria no Trabalho, o actual CCD se enquadrava no espírito
da FNAT, entidade criada no Estado Novo, precisamente para «promover a formação social e moral dos seus associados e o
desenvolvimento físico e intelectual, criando-lhes condições de bem-estar e
recreação». Era a óptica da altura,
que, no entanto, os promotores souberam, à sua maneira,
conservar afastada de ideologias políticas, porque – já então – o que mais
interessava eram as pessoas e, não havendo (como se salienta no livro)
assistência organizada por parte do Estado nem, muito menos, o que viria a ser
a ADSE, a estes organismos criados por iniciativa dos trabalhadores cumpria
zelar para que o bem-estar de todos fosse uma realidade, na consciência de
serem todos membros de um corpo a manter.
O
livro está organizado cronologicamente, indicando-se, em cada ano, as actividades
desenvolvidas. Como se calcula, uma das primeiras curiosidades foi a de saber o
que se passou em 1974, nomeadamente porque em muitas colectividades, mormente
aquelas que poderiam considerar-se mais afectas ao regime que a revolução derrubara, ocorreram cenas de destruição de boa parte da documentação
e vontade de novos elementos, «revolucionários»,
assumirem as rédeas do poder.
A
esse ano são, no livro, dedicadas praticamente três páginas, mas nada transparece
de qualquer incidente. Houve eleições a 14 de Agosto, o arquitecto Vieira
Santos assumiu a presidência, o plano de actividades foi «bem aceite» pelos
associados e pela Comissão Administrativa camarária, que disponibilizou verbas
para o Centro. E do programa constava a vontade de fazer com que não existam
mais em Portugal “homens que nunca foram meninos” (p. 74)!
E,
voltando à escola, esses homens voltaram a ser meninos!
José d’Encarnação
Publicado em Costa do Sol Jornal (Cascais), nº 297,
2019-10-02, p. 6.
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