A
palavra formou-se a partir do verbo mirar, que, por sua vez, vem do latim mirari, que significa admirar-se, ficar assombrado,
surpreendido. Por conseguinte, essa a função
do miradouro: surpreender.
Diria
que, no miradouro, há três sentidos que devem estar bem alerta: a visão – para
se apreciar o panorama; o ouvido – para nos apercebermos dos sons naturais que
nos envolvem (é crime de leso património ir a um miradouro de auscultadores nos
ouvidos!...); e o olfacto – para sorvermos a longos haustos o que ali é
natural.

O
miradouro será, pois, naturalmente, o transmissor de um sentimento positivo, de
bem-estar, de descoberta, de comunhão com a Natureza. A deixarmo-nos embeber de
tudo aquilo que de bom derredor nos pode ser transmitido. Fotografar? – Sim,
mas selectivamente e só depois dos tais longos momentos de saboreio, para não
nos acontec er como aquele oriental a
quem perguntaram se tinha gostado da viagem e ele respondeu:
–
Ainda não sei bem, porque ainda não vi as fotografias todas!...
José d’Encarnação
Publicado em Noticias de S.
Braz [S. Brás de Alportel] nº 237, 20-08-2016, p. 11.
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