
Recebi,
há tempos, um outro vídeo, em que se mostrava, também num país do Extremo
Oriente, como se fazia couve lombarda a partir de substâncias químicas,
exactamente com o mesmo aspecto e o mesmo gosto das cultivadas no campo…
Recordo
as brilhantes lições do Prof. Jorge Paiva – já lá vão trinta anos! – a
contar-nos das manipulações genéticas dos cereais e como, por
detrás do milho híbrido (se não erro o exemplo), estava todo um processo que
lhe alterava por completo as propriedades.
Todos
nos apercebemos da diferença entre a laranja que colhemos no nosso quintal e a
que compramos no supermercado: esta última, dois dias depois, já não se pode
comer. E o pão? Minha avó cozia pão uma vez por semana, para nós e para os
vizinhos, e chegava aos oito dias com a mesma frescura e qualidade. Hoje?
Compras num dia e dois dias depois tem bolor!...
Por isso
– e, claro, por outros factores mais que se acumulam –, a senhora de 41 anos
começa, de repente, a ter formigueiros nos pés, depois nas mãos, depois no
peito e vai de urgência para o hospital com todos os músculos sem força alguma
e fica paralisada por completo, perante a estupefacção
de todos. Ou o amigo, que nós víamos a vender saúde e começa, de um momento
para o outro, a sentir-se cansado, cansado, sem motivo aparente e… já está a
fazer químio e aguarda transplante de medula…
É triste
falar disto em vésperas de Natal; importa, porém, que também a pausa da quadra
natalícia se aproveite – com serenidade e tempo – para uma reflexão sobre nós,
os nossos e aquilo que nos rodeia. A recuperar forças para o testemunho que
precisamos de dar!
José d’Encarnação
Publicado em Renascimento [Mangualde], nº 698, 15-12-2016, p. 16.
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