segunda-feira, 13 de maio de 2019

Patrimoniices cascalenses 31 - O Solar D. Carlos, em Cascais

              Exacto: acertou Salomé Soares, ao indicar que a imagem se encontra na sala de jantar do Solar D. Carlos, o palacete que tem integrada nele a vetusta ermida de Nossa Senhora da Nazaré, em pleno coração da vila de Cascais.
           Permita-se-me que recorte a correspondente passagem do capítulo «Solar D. Carlos» (p. 111-116 do livro «Dos Segredos de Cascais», Dezembro de 2009):
           «Era o salão nobre, bem ao jeito neoclássico dos século XVIII. Profusamente decorado a fresco nas paredes e no tecto de madeira, a dar-nos a sensação de estarmos em Pompeios, na intrigante Casa dos Mistérios… Lá eram os pequenos cupidos a brincar; aqui, os cupidos são anjinhos ou os anjinhos são cupidos. «Tocam flauta, bandolim, trombeta, violoncelo…
              Na parte superior das paredes, cenas idílicas da vida quotidiana, paisagens imaginárias com ruínas de colunatas, templos antigos, castelos…».
            Um imóvel a carecer de mais atenção!

                                                                       José d’Encarnação

Uma exposição que parece impossível!

             Está patente, na Galeria de Arte do Casino Estoril, até dia 27, diariamente, das 15 às 24 horas, a exposição a que o artista, Gustavo Fernandes, deu o título de «O Brilho em Ti».
            Vá-se lá saber por que razão quis assim designar o que ali expôs, uma vez que se trata de uma exposição impossível. Sim: é essa a palavra que nos sai, espontânea, quando nos garantem que não estamos diante de fotografias mas sim de pinturas. «Impossível!».
            Na verdade, a dúvida assalta-nos, quase somos tentados a ir tocar, para nos certificarmos, tamanho é o realismo, a precisão do pormenor, a intensidade mui natural da coloração…
            Natural de Lisboa (1964), Gustavo Fernandes esteve também no Canadá a aperfeiçoar a sua excepcional técnica pictórica. Já expôs no estrangeiro e é a primeira vez que vemos aqui estes seus trabalhos, de um realismo verdadeiramente impressionante.
            Vale, pois, a pena, subir ao piso superior do Casino para, por momentos, nos deixarmos extasiar por uma Arte de mui elevada craveira.
            Claro, haverá quem diga que não é Arte «aquilo», porque copia a realidade. Se não é Arte, digam-me o que são esses rostos, esses olhares, esse brilho que, afinal, nos avassala – e, decerto, poderá ter sido por isso que o Artista lhe quis chamar «O brilho em ti», porque é… avassalador! E tu pasmas, deixas-te seduzir, ficas preso àqueles lábios vermelhos, àquele olhar penetrante…

                                                                       José d’Encarnação
Publicado em Cyberjornal 2019-05-12:

domingo, 12 de maio de 2019

Os ecos do que se lê…

             Nada mais agradável para um autor do que ter eco do que no leitor despertaram os seus escritos. Eco favorável ou mesmo desfavorável, porque o importante é saber que não se passou despercebido.
             Agradou-me, por isso, que António Salvado, depois de ter publicado aqui e ali, comentários a obras lidas, haja pensado em os coligir em livro. Leituras VII, livro editado nos finais do ano passado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco (ISBN: 978-989-8196-74-3) preenche esse desiderato.
            Em jeito de epígrafe, esclarece o Autor que se trata de textos «nascidos em horizonte temporal de algumas dezenas de anos e dispersamente publicados (revistas, actas, semanários, catálogos, etc.), cuja publicação obedeceu «a solicitações várias e pontuais». Acrescenta – e isso nos é bem patente – que tudo isso constitui a prova de que António Salvado se interessa «por temáticas muito diversificadas».
            Direi que, como historiador, eu gostaria de ter visto datas e lugares: quando e onde se publicaram estes textos?
            Vestindo outra pele, a de jornalista, também me agradaria que a edição tivesse sido mais cuidada, pois abundam as gralhas, que deslustram um conteúdo atraente e rico. Veja-se, a título de exemplo o 2º parágrafo da pág, 51 [sic]: «Cheia cheio eu acho que é ele que escreve com Algas foi capa da Visão até tivesse avisado logo juntosCompra e convida pa saber tabacaria»…
            Louve-se, porém, esta recolha no seu objectivo maior: a de não se perder o que andava disperso.
            Divide-se a obra (de 126 páginas) em quatro apartados: «Em congressos, em jornadas, em encontros e em outras colaborações», «Das leituras à leitura», «Ligeiro voo sobre o céu de Lesbos», «De relances». Tem cada qual o seu estilo; e se o terceiro reúne escritos sobre um dos temas preferidos do Poeta, a poesia do escritor clássico Alceu, o que trata das leituras representa mui agradável conjunto de notas críticas sobre livros.
            Tanto no primeiro como no segundo apartados, António Salvado não se priva de se deixar seduzir por aquilo que mais directamente se prende com o seu Castelo Branco, a sua raia, o património cultural das suas gentes. E, nesse âmbito, escolho para referir o texto (p. 119-121) sobre uma exposição havida (não se sabe quando…) sobre as colchas de Castelo Branco e a importância que teve – e poderia continuar a ter – a Escola-Oficina criada no Museu de Francisco Tavares de Proença Júnior. E escolho-o não pelo texto em si mas pelo seu N. B., no parêntesis final, que mais me soa a epitáfio:
            «Com a passagem do Museu à responsabilidade da Autarquia albicastrense, saindo da tutela do Estado, a referida Oficina-Escola desapareceu...».
            Mas António Salvado, além do Cidadão empenhado e batalhador, é – ia a escrever «acima de tudo» – um Poeta que privilegia a bonita forma de escrever e nos enleva pelos caminhos em que muito se preza a beleza de viver. Nesse aspecto, muito poderia transcrever para atestar o que se afirma. Permita-se-me que apenas me debruce sobre o que escreveu sobre o acordeão, um instrumento tão nosso e que a mim, como algarvio, particularmente me encantou desde a mais tenra idade, em que, moço pequeno, ficava preso pelo dedilhar de Eugénia Lima. Saboreie-se, pois, o que o Poeta escreveu:
            «Eufónico companheiro, anima com luminosas branduras a claridade do dia ou cinzela com profundas angústias o negror da noite» (p. 116).
            E, mais adiante:
            «Universalizado, constitui certamente o instrumento que melhor conseguiu conciliar o tradicional e o individual, o popular e o erudito, tornando-se enfim paradigma da realidade que nos afirma que a arte, como expressão humana, é tão somente uma».
            Estamos de acordo.

                                                                                  José d’Encarnação

Publicado em: Reconquista (semanário regionalista de beira baixa) [Castelo Branco], edição 3813, 11-04-2019, p. 31; e em Gazeta do Interior [Castelo Branco], ano XXX, nº 1583, p. 6.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

O 25 – imediatamente antes e imediatamente depois


José d’Encarnação |Onde é que tu estavas no 25 de Abril
Sim, para nós, os que, a 25 de Abril de 1974, já andávamos pela casa dos 20 (eu tinha 29), a pergunta sacramental é essa: onde é que tu estavas nesse dia?
Levantei-me para ir dar aulas na Escola Salesiana do Estoril. Ainda dei um tempo ou dois, e a Direcção da Escola, perante as notícias que chegavam de Lisboa, resolveu suspender as actividades lectivas nesse dia e no seguinte.
De transístor sempre ligado, fui sabendo o que se passava. O Jornal da Costa do Sol, de que era redactor, tivera tempo para modificar, no derradeiro momento, a 1ª página e – bom presságio! – eu marcara para esse dia a mudança de casa. Tudo em excelente mudança, portanto! Numa sensação de alívio, porque, dias antes, gravara, exactamente nos estúdios do Rádio Clube Português, uma entrevista conduzida por Luís Filipe Costa, a mesma voz que ora ia ouvindo, depois da do Joaquim Furtado, que lera o comunicado oficial do MFA… Era como se estivesse em casa!...

Imediatamente antes
Por aqui sentíamos que… algo andava no ar! Estávamos bem perto dos ideólogos da SEDES; o Expresso nascia na tipografia onde se fazia o Costa do Sol, jornal este em que Magalhães Mota começara a publicar cuidadosos relatos das sessões da Assembleia, em pleno clima marcelista...
Eu vivera, na década de 60, na Cidade Universitária de Lisboa, as investidas da Polícia contra os estudantes e o omnipresente olhar dos informadores da PIDE… A colaboração nos jornais Encontro (da Juventude Universitária Católica) e no Tempo (de Nuno Rocha), jornais que, bem vigiado (sentia-o), eu ousava vender à porta da Faculdade. O cuidado que precisávamos de ter na redacção do Jornal da Costa Sol para o «lápis azul» não nos cortar os textos. Aquela história de a habitual secção do director, «Lengalenga», ter tido, um dia, o título censurado (só o título!), porque o conteúdo não agradara a um dos censores. A edição que tinha de ser mostrada na totalidade à Comissão de Censura, porque, a determinado momento, compreenderam que até na paginação poderia haver… marosca! Os ensaios gerais das peças do Teatro Experimental de Cascais, sempre a correr-se o risco de os censores amputarem passagens significativas ou, mesmo, de lhes proibirem a estreia!... Os dias de aflição quando o Nuno Vasco desapareceu num ápice sem deixar rasto e viemos a saber depois que deixara cair o cartão de jornalista numa manifestação frente ao Ministério do Trabalho e a PIDE o prendera, incomunicável, sem tir-te nem guar-te!...

O imediatamente depois
Sim, a loucura do primeiro 1º de Maio em liberdade. A estrada da orla de Cascais ao Guincho, um mar de carros floridos (nunca se apanhou tanta flor de chorão!...), todos a nos proclamarmos irmãos, algazarra imensa, a «Grândola» em pano de fundo!... Nunca mais houve um 1º de Maio assim! Depois, a possibilidade de se escrever sem peias; os constantes comunicados das comissões de moradores; o atender todos, da extrema-direita à extrema-esquerda, na imparcialidade que urgia estar patente nas colunas do jornal… Como docente, a alegria de poder comentar livremente As Aventuras de João Sem Medo, do Gomes Ferreira, ou Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos…
Agora, 45 anos passados, no recanto dos aposentos, a vontade – sempre a mesma! – de (eu, professor, me confesso!) continuar a partilhar experiências. Essas do 25 – antes, durante e depois também!


Publicado em Ponto & Vírgula [revista do Gabinete de Informação e Comunicação do Agrupamento de Escolas de Marinha Grande Poente, acessível em: http://gic.age-mgpoente.pt/index.php], de Abril de 2019.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

A alpercata da ‘selfie’

             Ainda hoje, por mais que a oiçamos, nos enternecemos com a criação de Paulo de Carvalho: «Os meninos à volta da fogueira…». Toda uma ternura, uma inocência, um auspicioso mundo de sonho que esperam os adultos venham a lograr construir!...
            Atira-nos para um tempo antigo, em que o pedaço de ferro da grossura de um dedo, arranjado nas obras, podia ser soldado e se tornava no arco, que uma gancheta, também ela por ali obtida, mas mais fina, empurrava à perfeição!... E o carro de assalto feito de um carro de linhas dos grandes, cujo círculo se golpeava para ser roda dentada, movida pelo lento desenrolar do elastrinho que um pau de fósforo ajudara a ser mola propulsora.... E a bola, feita dos trapos arrebanhados aos pés das moças da costura e metidos numa meia velha… E a forqueta bem ajeitada, com dois elásticos cortados a preceito, de uma câmara-de-ar de bicicleta, atados de um lado e doutro de um pedaço de sola (qual funda) e … lá estava a fisga para ir aos pássaros ou para desafios de pontaria!…
            Tudo isso se atafulhou de supetão na minha cabeça, quando vi a imagem, hoje mui justamente a correr mundo e a despertar sorrisos. Sim, que outras reacções não há possíveis no imediato: sorrir e… partilhar! E, claro, louvar quem captou a cena, quer a tenha encenado, quer ela se lhe tenha deparado assim, de repente, ingénua e sorridente, como a vemos.
            Louvado seja, de facto e com inteira justiça, quem se lembrou, o adulto ou a criança. Aquela criança, aquelas crianças… Temos mesmo de parar e de olhar!...
            Se não erro, terá surgido pela primeira vez, a 28 de Fevereiro, numa página da Internet, «linda de mais para não ser vista por todo mundo» – escreveu-se de imediato. E Manuela Augusto comentou: «Fiquei emocionada com esta foto. Será que estas crianças, na sua humildade, não são mais felizes do que as nossas, que, logo de bebés, usam o telemóvel? Estas inventam, brincam com o que têm e, pelas caras, estão encantadas». Quem fez a fotografia «mostra a grandeza da alma e da generosidade para com os outros. Grande exemplo!».
            Aquela alpercata, artisticamente enganchada na mão, representa para os meninos o gozo maior, a pirraça aos adultos que eles ainda não são e sonham ser, e que, neste momento, estão certamente muito mais felizes e despreocupados e ricos de emoções do que a maior parte de nós quando tira uma selfie, só porque… se tem de tirar!... A alpercata assim empunhada não será, afinal, bem significativo libelo?

                                                                    José d’Encarnação

Publicado em Renascimento (Mangualde), nº 753, 2019-05-01, p. 11-12.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

As lembranças de há meio século

             Referiu-se, na passada edição, o almoço de confraternização que antigos alunos da Escola Primária dos Vilarinhos levaram a efeito a 11 de Agosto de 2002. Importa ver agora parte do verso do programa reproduzido, que Mina (Maria Helena Rodrigues) tão oportunamente connosco partilhou (bem haja!), porque aí vem referido todo um conjunto de evocações, que, para que conste, valerá a pena copiar.
            Assim, não se esquece que a escola começava a 7 de Outubro. Alude-se ao ciclone de 1941 e à seca de 1944, por ocasião da qual, para concitar a piedade divina, se fizeram procissões à noite, de velas acesas, percorrendo os caminhos, cantando e rezando.
            Nesse âmbito religioso, tiveram lugar de relevo, nas décadas de 40 e 50, as festas de São Romão, celebradas no mês de Setembro, em que havia a venda dos «ramos» à volta da igreja, o sempre apreciado fogo do artifício do Zé Gomes, o arraial com baile e cavalhadas.
            Na véspera do Ano Novo e do Dia de Reis, a criançada, de balaio ou caixas de papelão enfeitadas com flores e um santinho no meio, lá ia de casa em casa: «Quer beijar o Menino Jesus, tia?». E recebiam em troca dois tostões, uma laranja, uma filhó…
            Célebre era também a oficina do Ti Zé Mateus. Um mundo de sons, de cor, vida e trabalho… O som da sineta. E o Tarzan, de pêlo castanho e raso, que esperava pacientemente que contassem até 3, com um figo na ponta do focinho, para o atirar ao ar, apanhá-lo num fiaço e… comê-lo!...
            A 2 de Fevereiro de 1954, dia da feira de São Brás, caiu um grande nevão.
            Na estrada dos Vilarinhos, a iluminação era dada pela lâmpada que o António Galego rodava, com a ajuda de uma comprida cana aberta na ponta em forma de funil.
            Evocou-se também a primeira vez que a acordeonista Eugénia Lima veio tocar no Lagar do Domingos Uva, na Chibeira, com iluminação a Petromax.
            Na casa de bicicletas do Simão, que depois se transformou em mercearia, ouvia-se, ao domingo, o relato da bola e não poderá esquecer-se que ele tinha uma fábrica de pirolitos, feitos com a água que, de burro, vinha da rocha da Gralheira.
            Elementos importantes na paisagem, os moinhos de vento: da Soalheira, da Fonte da Murta, do Cerro do Botelho, do Malhão… E a azenha da Fonte do Mouro…

                                                           José d’Encarnação

Publicado em Noticias de S. Braz [S. Brás de Alportel] nº 269, 20-04-2019, p. 13.

Dois espectáculos

            No Salão Preto de Prata aconteceram, nestes dias, dois invulgares espectáculos, susceptíveis de deliciar quem pelas Artes acalente devoção. A 18 de Abril, o final da ‘tournée’ que Rui Massena fez pelo País; no domingo, 28, Dia Mundial da Dança, foi a vez de a Escola de Dança Ana Mangericão (EDAM), sediada, como se sabe, nos limites meridionais da freguesia de S. Domingos de Rana, apresentar «Celebrating Dance», com a participação especial de Jazz Dance Studio.

Rui Massena
            Que sensação fica depois de ouvirmos durante quase duas horas esta banda, dirigida, ao piano, por Rui Massena? Sim, bem no sabemos que os amantes da música clássica, erudita, poderão não gostar. Mas ousar-se-ia perguntar: que serventia tem a música? (Acho, aqui para nós, que alguns dos senhores ‘que mandam’ até são capazes de chorar as poucas verbas que, muito a custo, o Povo lhes consegue extorquir, embora com a consciência plena de que são verbas dele).
            E que sensação fica, então? Essa, a da serventia: a de nos ajudar a saborear os momentos que nos é dado viver.
            Um pintor naïf desdobra-se a pintar todos os pormenores, por vezes até os apresenta anormalmente grandes. Interessa-lhe o pormenor, não quer esquecer nenhum. Na senda de um pintor, assim se começa: as naturezas mortas, as paisagens… Depois, a visão depura-se e, na maturidade, há somente o traço sugestivo, a mancha de cor…
            Assim, Rui Massena, imaginei eu, quando – bem servido por eloquente minimização da luz – há um som claro ali, outro acolá e o silêncio de permeio. Ouvindo os sons serenos, escutamos o silêncio. Irmanados no mesmo ambiente, os seus músicos (nem sempre a luz incidia neles, que o ambiente se queria íntimo, o som era rei …) acompanhavam o piano, por vezes este dava-lhes a primazia, ora a um ora a outro. E até houve momento para, a meia-luz, os espectadores ensaiarem um passo de valsa.
            Nada fácil, portanto, esta aparente singeleza… Retratada a angústia alumiada por tochas. Um gemido além. Longos foram os trechos. A bateria a desempenhar um papel primordial. Estranhas sonoridades, servidas por uma sonoplastia de excelência. O convite a resistir. O retrato sonoro do amanhecer…
            Rui Massena, um Mestre na arte de nos embalar pela Música!

Celebração da Dança
            Duas partes, dois espectáculos (às 16 e às 18.30 horas). Não foi mais uma das apresentações dos resultados obtidos pelos alunos da EDAM, não: foi mesmo um espectáculo especialmente concebido para esta celebração. Dir-se-iam apontamentos baléticos, em que ao ajustado rigor das mui originais e ajustadas coreografias (praticamente todas da autoria de docentes da Escola) se juntaram o virtuosismo das jovens bailarinas (e houve bailarinos também, mas raros) e a enorme elegância do muito original guarda-roupa (parabéns!).
            Logo o primeiro número, Valsa das Horas, seduziu justamente pelo inusitado do guarda-roupa. Essa foi, porém, uma sedução em crescendo, nos 10 números da 1ª parte e nos 9 da 2ª. Sem praticamente hiatos, com bom desenho de luz de Pedro Rua e som a condizer.
            Anote-se também o toque gentil, sempre diferente, patenteado na forma elegante do agradecimento após cada actuação. Um mimo!

                            José d’Encarnação

Publicado em Costa do Sol Jornal (Cascais), nº 279, 2019-05-01, p. 6.