sábado, 27 de outubro de 2018

Patrimoniices cascalenses 20 - O Senhor morto!

            
              Trata-se de bem antiga devoção católica, a da veneração de Cristo como se supunha que ele tivesse ficado, deitado, antes de introduzido no sepulcro. Há um primeiro momento antes desse, o da deposição do corpo no colo da Mãe, imortalizado em muitos quadros, baixos-relevos e esculturas, das quais a mais célebre é, sem dúvida, a Pietà, de Miguel Ângelo (1499), exposta na Basílica de S. Pedro, em Roma.
            Altares laterais tendo à vista a imagem do Senhor Morto são, pois, frequentes um pouco por todo o mundo cristão. E, como muito bem anotou Mário Cornélio, há essa imagem na igreja da Misericórdia em Cascais, que se incorporava na tradicional procissão de Sexta-feira Santa, de que momentos altos eram as paragens onde a Verónica, desenrolando lentamente uma réplica do Sudário, melodiosamente pranteava a morte do Senhor. Perdeu-se a tradição; ficou a memória.
            Não é, porém, de Cascais vila a imagem que submeti à adivinhação dos meus amigos: é da igreja de S. Domingos de Rana.
            Transcrevo do livro Registo Fotográfico da Freguesia de São Domingos de Rana e Alguns Apontamentos Histórico-Administrativos, que a respectiva Junta publicou em 2003, o que sobre essa imagem ali se escreve, na página 178:
            «Existe na parte lateral da nave central do lado direito, uma imagem do Senhor morto, a qual foi esculpida pelo mestre Teixeira Lopes e foi feita na fábrica das Devezas, em Vila Nova de Gaia, que foi pertença de António de Almeida Costa e Feliciano Rodrigues Costa, este sócio e compadre do primeiro.
            Eram naturais de Caparide e resolveram então doar – há cerca de cem anos – à igreja matriz da sua freguesia a obra-prima que tinha sido feita na sua fábrica».

                                                            José d’Encarnação

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